Connections
4 CAPÍTulo Quatro
Quando Dean sugeriu a seu irmão que entrassem na casa de Alice para procurar alguma coisa útil, não esperava que a mulher voltasse do trabalho mais cedo e os pegasse ali, tentando abrir a porta sem deixar vestígios.
-Você mora aqui? – Sam perguntou tentando parecer surpreso com esse fato.
-Vocês sabem que eu moro aqui, estão me seguindo desde a noite anterior, nosso encontro no cemitério não foi por acaso, vocês estavam lá me esperando. – ela decidiu jogar tudo para eles entenderem que ela já sabia.
Os irmãos trocaram olhares nervosos tentando encontrar uma maneira de solucionar a situação. Enquanto isso Alice caminhou lentamente até uma parede próxima, tirou uma faca da bota e cortou a própria mão. Encarou os homens a sua frente e com um sorriso amigável colocou a mão ensangüentada na parede, onde marcas de um símbolo brilharam e no mesmo instante os Winchesters tiveram seus corpos completamente paralisados.
-Quem mandou vocês? – ela perguntou tirando a mão da marca e enrolando em um pano que estava próximo. Aproximou-se de Dean e colocou a faca em seu pescoço e a outra mão passou lentamente pela jaqueta dele, sorrindo ao lembrar que ele fizera o mesmo com ela na noite anterior.
-Você deveria dizer quem mandou você até lá também. – Sam disse com rigidez, era estranho poder falar e movimentar os olhos, mas não conseguir respirar direito.
-Resposta errada. Vocês estavam lá de tocaia, me esperando. Sabiam que eu iria até lá, querem a caixa. Mas não estão por conta própria, se estivessem teriam vindo direto atrás da caixa sem me importunar antes, vocês estão perdidos nessa história. Vieram atrás de mim porque querem respostas. – ela concluiu e Sam concordou.
-Por que você não nos solta e aí nós trocamos respostas, pode ser? – ele disse e Dean concordou com um gemido.
Alice ponderou a sugestão e resolveu aceitar, afinal ela também precisava de respostas e eles não pareciam que fariam mal a ela. Desistiu do pescoço de Dean e foi até o símbolo, onde usou a faca para quebrá-lo. Com arquejos pesados os dois homens enfim sentiram seus corpos livres.
-Podem entrar, sintam-se a vontade! – a caçadora disse abrindo a porta para ambos que se apressaram em entrar na casa.
Depois de todos devidamente sentados em sua sala, Alice considerou que não iria oferecer nada a eles, afinal estavam invadindo sua casa.
-Podem começar. – ela disse.
Os irmãos trocaram olhares tentando se comunicar sem que a sua anfitriã entendesse, mas não parecia estar dando certo. Como Dean ainda pensava, Sam resolveu falar alguma coisa.
-Bem, você tinha razão, Alice. Nós estávamos lá esperando você. Na verdade não exatamente você, não sabíamos quem iria aparecer. Só nos disseram que alguém iria até lá ontem e que nós tínhamos que interceptar a pessoa, ou a coisa. – ele disse tentando ganhar tempo. Enquanto ele falava Alice o olhava seriamente e foi surpreendida quando sem nenhum motivo aparente foi jogada no chão com algo fazendo pressão em suas costas.
-Dean! – Sam exclamou quando seu irmão se atirou sobre a mulher, prendendo-a no chão e se ajoelhando sobre suas costas, imobilizando seus braços.
-Rápido Sam! Procure a caixa! – ele gritou para o irmão ainda atônito.
-Mas...
-Sam, a casa não é grande! Rápido! – ele disse enquanto Alice se retorcia no chão tentando se soltar.
-Seu infeliz, me largue! – ela começou a gritar. – Vocês nunca vão achar a caixa se eu não contar onde está! Cretinos! Me solte!
Sam começou a vasculhar a sala, abrindo gavetas e armários, arrastando móveis, qualquer lugar em que pudesse estar uma caixa de madeira do tamanho que eles viram Alice tirar da cripta.
Vendo que o irmão precisava de ajuda na busca, Dean não teve dúvidas do que fazer.
-Desculpe por isso, senhorita. – ele disse ao pegar a arma e bater com ela na cabeça de Alice. No mesmo instante a moça parou de gritar e se debater. Dean deixou-a no chão e foi ajudar Sam a revirar tudo atrás da caixa.
-Você a matou? – Sam perguntou ao ver a moça caída inconsciente.
-Não, ela vai acordar logo, então não temos muito tempo. – o mais velho disse indo até o quarto da moça.
Depois de verificar os armários, decidiu olhar embaixo da cama e avistou uma alça pregada no chão de madeira.
-Sam! Encontrei uma coisa! – ele disse e arrastou a cama até uma parede, para que pudesse abrir o esconderijo que a alça indicava. Puxou-a com força, mas não havia indícios de que iria ceder, com várias tentativas, decidiram que tiros seriam melhores, e os usaram.
-Esse buraco é a prova de balas? – Sam perguntou ao notar que as mesmas não causaram dano nenhum ao piso.
-A caixa deve estar aí. Como vamos abrir isso? – Dean questionou olhando em direção a sala, onde a dona da casa ainda jazia no tapete.
-Se ela tinha aquele símbolo na parede de fora, provavelmente aqui deve ter algum escondido também. A casa dela parece ser protegida contra muita coisa. – Sam concluiu olhando em volta.
-E como fazemos pra desativar a proteção?
-Sangue. O sangue dela, já que foi ela que criou tudo. – ele disse o que fez Dean ir até a sala e erguer a moça em seus braços.
-O que está fazendo? – o moreno perguntou sem entender.
-Se é do sangue dela que precisamos, vamos conseguir abrir isso. Pegue a mão dela e tire essa bandagem, o corte ainda está aberto. – ele disse colocando a mulher no chão e Sam o obedeceu.
Com o movimento inesperado em sua mão, Alice pareceu dar sinais de consciência, e Sam sentiu-se melhor ao ter certeza de que o irmão não tinha matado moça, tentando não fazer movimentos bruscos, colocou a mão direita dela sobre a alça no chão e imediatamente mais um símbolo de proteção brilhou, revelando que Sam estava certo em sua suposição. Dean afastou o corpo de Alice e puxou a alça, que os mostrou um esconderijo abrigando uma caixa de madeira.
-Finalmente! – o loiro exclamou pegando a caixa em suas mãos. –Parece trancada, outro símbolo?
-Não, a caixa tem uma fechadura, olhe. – ambos analisaram o encaixe octogonal que ali se encontrava.
-A nossa parte já fizemos, vou ligar pro Crowley. Agora ele tem que nos devolver o Cas! – Dean disse saindo do quarto com Sam atrás dele. O mais novo pensou em arrumar a bagunça que fizeram, afinal fora muito desagradável a atitude deles, mas Dean estava com pressa e era realmente melhor saírem antes que a dona da casa recuperasse a consciência.
Já dentro do carro, Dean suspirou encerrando a ligação.
-O que foi? – Sam perguntou ansioso por notícias de Castiel, seu anjo amigo que fora capturado por Crowley para obrigá-los a encontrar Alice.
-Crowley disse para o encontrarmos em um barracão daqui a dois dias. – Dean disse franzindo o cenho.
-Dois dias? E Castiel?
-Acho que está bem. Crowley alega estar muito ocupado e só poderá nos encontrar daqui a dois dias, então não temos muito o que fazer até lá.
-Mas ele vai levar o Cas, certo? Dean, ele pode ter mentido e realmente usar de tortura mais uma vez! – Sam exclamou.
-Eu sei, ele me deixou falar com Castiel, ele vai segurar as pontas até lá, não esta sendo torturado mais. Daqui dois dias, resgatamos Castiel e nos livramos do Crowley e dessa caixa estranha. – ele declarou sorrindo satisfeito.
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Alice abriu os olhos e tentou entender onde estava, parecia seu quarto, mas o ângulo era completamente errado e pelo que ela se lembrava sua cama não ficava na vertical. Virou-se com as costas no piso de madeira e esse simples movimento fez tudo a sua volta girar mais do que deveria.
Esperou alguns segundos então conseguiu se sentar. Ao notar que estava com uma dor de cabeça horrível automaticamente levou a mão até o local da dor e também percebeu algo molhado, sangue. Analisou o ambiente ao seu redor e ficou enojada com o estado que encontrou suas coisas, espalhadas, fora de lugar. Levantou-se cambaleante e apoiada nos móveis mais próximos foi até o banheiro, onde constatou que o sangue não era da cabeça, mas sim de sua mão. A bandagem improvisada que ela fizera já não estava mais ali, então rapidamente lavou o corte, que parecia mais fundo, e fez um novo curativo.
Quando chegou até a sala de estar lembrou-se claramente do que havia ocorrido e teve vontade de atirar em alguém.
-Desgraçados! – ela gritou para a casa vazia e correu de volta até seu quarto onde viu que os caçadores que estiveram ali levaram a caixa de Itylion. Tentando pensar em algo, lembrou que saíra do bar sem dar muitas explicações a Brandon e que não tinha ideia de quanto tempo ficara apagada. Decidiu mandar uma mensagem:
“Bram, eu fui assaltada! Levei uma pancada e fiquei desmaiada aqui até agora, por acaso você não viu aqueles dois caras de mais cedo? Foram eles, os bandidos. Chame a polícia, Bram, por favor.”
Alice enviou a mensagem e sorriu, tivera uma idéia muito boa, afinal ela não tinha nada a esconder, não era ela que vivia de golpes e falsificações. Se esses cretinos ainda estivessem por perto, a polícia local iria os encontrar e com certeza atrapalhar seus planos.
Indo até sua garagem e pegando alguns utensílios que misturou em uma vasilha e derramou sobre um mapa, teve certeza de que os irmãos ainda estavam na cidade. Ela conseguira colocar um feitiço de rastreamento em Dean, quando os pegou invadindo sua casa mais cedo, e agora iria colocar a polícia pra trazê-los até ela.
Sentada na calçada da casa, tomando uma cerveja. Foi assim que Bram e dois policiais a encontraram algum tempo depois.
-Alice! Menina, você está bem? O que houve? – ele perguntou indo ao seu encontro.
-Ai, Bram. Foi horrível. Eu saí correndo do bar pra pegar uma coisa pessoal e quando cheguei encontrei os dois invadindo minha casa! Eles me imobilizaram, me agrediram com uma faca – ela disse mostrando a mão enfaixada – e ainda me deram um golpe na cabeça. Eu desmaiei, está tudo revirado como eles deixaram. – ela declarou enquanto seguia os policias para dentro da casa.
-O que foi roubado, senhorita? – o policial mais velho questionou fazendo anotações.
-Jóias. Uma caixa de jóias que eu deixava ali. – ela disse com os olhos cheios de lágrimas apontado para o alçapão embaixo da cama. – Eram de família, se vocês puderem recuperar! E peguem aqueles bandidos, por favor.
-Não se preocupe, vamos encontrá-los. Por que a senhorita não faz o retrato falado deles com a Cindy? – ele disse indicando a sua parceira que já estava com um bloco de desenho em mãos.
Alice assentiu e começou uma descrição detalhada dos dois bandidos terríveis que a atacaram, uma pobre moça indefesa.
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