Connections

3 CAPÍTulo TRÊS


Brandon estava nos fundos de seu bar colocando em ordem o estoque de bebidas e alimentos disponíveis para aquele novo dia de trabalho, quando ao olhar de relance por uma janela lateral, observou um carro parado próximo a mata que cercava aquele lado do estabelecimento. Decidiu verificar melhor, afinal eram raros os clientes que optavam por aproveitar o local para passar o resto das noites em seus carros, e ele tinha certeza que quando fechara na noite anterior não havia nenhum cliente ali. Ao se aproximar do veículo notou que havia dois homens dormindo, nada muito estranho, então voltou até o bar chamando por Alice.

-Alice, creio que teremos clientes para o almoço/café da manhã hoje! – ele disse satisfeito com sua expressão, pois apesar de ser hora de almoçar, muitas pessoas estavam começando seu dia agora, inclusive nós.

-Sempre temos Bram! Esses últimos dias decaíram por causa do clima. – ela respondeu tranqüilizando seu chefe.

-Sim, mas parece que dois jovens resolveram passar a noite aqui do lado e logo vão acordar, espero que famintos! – ele disse procurando por ingredientes.

-Dois jovens, é? – ela perguntou curiosa por quem seria o provável casal que passara a noite ali.

-Dê uma olhada pelos fundos, eles ainda estão apagados! Parecem bons clientes. – ele disse piscando.

Alice riu, e foi até os fundos ver se os jovens pareciam realmente clientes em potencial. Porém, ao se aproximar do carro parou abruptamente quando reconheceu os jovens que lá estavam.

-Isso é coincidência demais. – ela murmurou para si mesma enquanto os observava em seu descanso. Os dois caçadores que tinham encontrado com ela “por acaso” na noite anterior. Alice não fazia idéia do que fazer, mas uma coisa era certa, não podia encontrar com eles novamente. Ou poderia? Verificou em seu celular a última mensagem de texto que Itylion lhe deixara há horas, ainda não dera sinal de que buscaria sua encomenda. Decidiu voltar para o bar e continuar arrumando as mesas normalmente até decidir o que fazer.

Das duas, uma. Ou eles estão aqui totalmente por acaso ou vieram atrás de mim. E se eles vieram atrás de mim é porque sabem o que fui buscar na cripta ontem ou porque não sabem? Droga.

Alice se sobressaltou quando a porta do bar abriu-se abruptamente.

-Com licença, moça. Já está aberto? – um jovem rapaz perguntou.

-Sim, já estamos funcionando. – ela respondeu enquanto observava mais três pessoas seguirem o jovem para dentro e se acomodarem em uma mesa limpa.

Enquanto anotava os pedidos da família, Alice teve uma idéia.

Pode ser que eles nem entrem aqui, mas se entrarem vou tratá-los com surpresa e tentar arrancar deles o que realmente querem.

-Bram, aqui estão os pedidos! – ela disse ao chefe que já estava na cozinha. – Preciso fazer uma ligação, já volto!

-Certo, Alice. Não demore, por favor.

Alice foi até o banheiro dos fundos e discou para o número com o qual Itylion entrara em contato.

-Alô? – disse uma voz grave.

-Você usa gravata rosa por acaso? – ela perguntou como sempre para ter certeza se falava mesmo com o demônio que queria, afinal ele sempre se comunicava por telefones diferentes.

-Sim, docinho. Me diga que me ligou porque quer me entregar logo a caixa, certo?

-Certo, mas estou com problemas. Dois caçadores me encontraram no cemitério ontem e estão aqui, vieram atrás de mim. Não apareça por uns dias, não sei quanto tempo eles vão ficar, mas qualquer detalhe vai chamar a atenção. – ela disse rápido.

-Isso não é nada bom, você tem certeza que eles querem a caixa também?

-Não tenho certeza de nada, não falei com eles ainda. Só estou te prevenindo, não vou falar da caixa e nem entregar nada pra eles, mas caso eu seja assassinada você já sabe quem foi.

-Não vai ser, você sabe se defender e omitir fatos. Só faça o que faz de melhor, e entre em contato por aqui quando achar que posso ir até você. – ele disse desligando a chamada.

Alice resolveu seguir com o plano e quando entrava na cozinha seu chefe já estava indo chamá-la, os jovens hóspedes do quintal tinham chegado para o almoço/café da manhã.

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-Certo, dormimos mais do que o previsto, mas e daí? Vamos entrar aqui e comer alguma coisa, aí podemos ir atrás da mulher, ok? – Sam disse ao irmão saindo do carro.

-Mais do que o previsto? Foram muitas horas mais. – Dean disse.

Dean o seguiu com a cara amarrada, porém estava com tanta fome que ficou feliz em seguir o irmão para dentro daquele bar que exalava um ótimo cheiro de panquecas. Os irmãos se sentaram em uma mesa perto de uma janela, de onde poderiam facilmente observar quem passava na estrada.

-Onde está a garçonete? – Dean resmungou e logo houve resposta.

-Estou aqui, senhores. O que vão pedir? – uma mulher disse e ambos os irmãos se espantaram ao notar que era a mulher que estavam procurando.

-Olá! Você trabalha aqui, Alice? – Sam disse surpreso tentando não mostrar muito interesse.

-Sim, e vocês estão me seguindo ou é impressão minha? – ela perguntou fitando seriamente os dois.

-Ah, impressão. Com certeza impressão! – Dean se adiantou em declarar. – Mas então, o que tem pra comer aqui?

Alice sentiu um leve desconforto da parte de ambos e decidiu que isso seria útil para conseguir informações.

-Vou pegar um cardápio, rapazes. – ela disse e os deixou sozinhos.

-E você não queria entrar aqui, né? – Sam disse sorrindo para o irmão.

-Cara, que sorte! Vamos poder comer bem e ainda sabemos que ela trabalha aqui. Isso nos poupa serviço, Sammy boy. – Dean disse se recostando em sua cadeira.

-Poupa? E você acha que o que quer que ela tenha ido buscar naquela cripta ontem vai estar aqui no bar com ela? – Sam questionou.

-Não, mas se nós a vimos entrar na estrada ali a frente é porque ela deve morar perto do trabalho. E se ela trabalha aqui, sabemos onde ela vai permanecer o dia todo. Só temos que descobrir que horas isso aqui fecha pra voltarmos e a seguirmos até em casa! – ele explicou seu plano recém formulado.

-Certo, e ela não vai achar estranho o fato de voltarmos aqui sendo que ela já acha que estamos a seguindo! – Sam exclamou irritado.

Dean interrompeu sua resposta pegando o cardápio que Alice lhe oferecia.

-Então, tiveram uma boa noite aqui no quintal? Bram vai cobrar uma taxa pela hospedagem. – ela questionou puxando uma cadeira para se sentar na mesa com eles.

-Sim, na medida do possível. Bom, espero que não seja muito, não sabíamos que o lugar perto das árvores era exclusivo. – Sam desculpou-se.

-Pra caçadores é cobrado, sabe? Sempre arrumam muitos problemas na cidade e eu acabo tendo que resolver. – ela disse.

-Por que você? – Dean perguntou.

-Porque eu não chamo a atenção por aqui e posso fazer meu trabalho numa boa. Os dois trabalhos. E quando alguns caçadores idiotas chamam mais atenção do que um lobisomem brigando com um vampiro eu os coloco pra fora. – ela declarou e Dean não gostou da reprimenda.

-Pois então me traga um bom prato de panquecas que eu juro não te obrigar a deixar a cidade, lindinha. – ele declarou devolvendo o cardápio.

Alice foi até a cozinha passar para o chefe os pedidos e decidiu ficar por lá durante um tempo. Não gostara nenhum pouco daqueles dois caras, mas precisava conversar com eles pra pegar mais informações, afinal eles podiam estar ali para acabar com ela.

-Pare de espantar ela, Dean. Nós precisamos ganhar confiança pra facilitar nosso trabalho. Se o Crowley está atrás dela, deve ser perigosa. – Sam declarou se levantando.

-Onde você vai?

-Tentar reatar a possível amizade que você acabou de chutar daqui. – ele disse suspirando e indo em direção ao balcão onde Alice estava.

-E aí grandão? – Alice disse e Sam pediu uma cerveja.

-Desculpe pelo meu irmão, ele não é lá muito sociável. – ele disse puxando assunto.

-Sem problemas, não vou atrapalhar o almoço de vocês. – ela disse cabisbaixa, tivera uma idéia de como conseguir informações e a estava colocando em prática. – Eu só gosto de conversar quando alguns caçadores aparecem por aqui, sabe? Muitos acabam dando problemas e eu gosto de me prevenir. E também fazer amizades.

-E o que achou da gente? Possíveis problemas pra você?

Alice sorriu.

-Por enquanto não, mas amanhã já não sabemos não é mesmo, Sam? – ela disse o encarando.

-É. Mas e aí, nunca tinha encontrado uma caçadora trabalhando em um lugar que não seja seu próprio negócio, e me desculpe mas a não ser que aquele cara lá atrás se já seu pai, isso não aprece ser seu. – ele disse sorrindo.

-Bram é bem legal comigo, mas não chega a pai. Meus pais estão bem longe daqui. Mas eu preciso sobreviver de alguma maneira, e gosto de trabalho honesto, por mais estranho que seja para uma caçadora. Mas ajuda a não chamar muita atenção, sabe?

-Então nada de cartões de créditos falsos ou jogos desonestos pra ganhar dinheiro?

-Isso mesmo, eu não preciso de muito, e quando as coisas apertam meus pais me ajudam. – ela disse decidindo contar um pouco de si.

-Seus pais ainda estão vivos? – Sam questionou.

-Sim, eu não estou nessa vida por vingança ou qualquer coisa assim. Eu só faço o que eles faziam, e continuam fazendo. Eles moram numa fazenda no Texas e são um pouco aposentados dessa vida agora, apesar da minha mãe insistir em se aventurar atrás de algumas criaturas de vez em quando. – ela disse sorrindo ao se lembrar da família.

-Uau, que incrível, Alice! Uma família que sobreviveu a isso? – ele disse realmente admirado.

Sua conversa foi interrompida pelo almoço dos rapazes que ficara pronto, Sam acompanhou Alice até a mesa onde esta serviu Dean com um sorriso falso.

-Se quiserem algo a mais, é só avisar. – ela disse e Dean sorriu maliciosamente.

-Dean! – Sam exclamou revirando os olhos.

-Que foi? Ela é bem bonitinha até. – ele justificou. – Descobriu algo útil?

-Não para nós, mas ela parece ser bem legal, e solitária. Você acredita que ela tem família? Uma família inteira de caçadores que vivem numa fazenda!

— Você parece bem animado com a nova amiga não é? Mas não esqueça que ela não é amiga. Alice é nosso alvo. – o irmão mais velho declarou seriamente.

Sam apenas assentiu e observou Dean recusar uma chamada de Crowley no celular.

-Não quero ele me atormentando por não ter conseguido a tal caixa ainda. – ele declarou se voltando para seu almoço.

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-Até que horas vocês ficam por aqui? – Dean perguntou quando foi pagar a conta.

-As duas normalmente, não temos pessoal para funcionar 24h. – Alice disse. – Pretendem voltar ainda hoje?

-Talvez, vamos resolver umas coisas na cidade e depois podemos passar antes de irmos embora. – ele disse a encarando.

-Ok, rapazes. Então até mais tarde. – ela disse sorrindo enquanto eles deixavam o bar.

Alice correu até os fundos, onde poderia observá-los sem ser vista e ficou esperando para ver qual caminho eles iriam tomar. Não ficou nada surpresa quando eles entraram na estrada que levava até sua casa, isso era mais um indício de que eles estavam sim a seguindo. Alice caminhou até a entrada daquela estrada de terra e ficou observando entre as árvores o carro seguir tranquilamente, como se estivesse procurando algo. Logo pararam, e era bem próximo a casa dela.

-Filhos da mãe. – ela disse agradecendo pela casa ser mais longe da estrada, onde eles decidiram ir a pé. – Se vocês querem ir até minha casa, vão ficar na minha casa agora. — disse voltando para o bar e dando uma desculpa para Bram, dizendo que precisava ir até sua casa resolver uma coisa pessoal e que voltaria em breve. O mais silenciosa possível parou seu carro logo atrás do outro e desceu calmamente em direção a entrada da casa. Quando chegou a porta, parou por alguns instantes ouvindo ruídos nos fundos da casa, onde provavelmente os dois homens estariam.

Alice foi até lá e parou para ver ambos tentando abrir a porta de trás da casa, podia ver que não queriam causar estragos, não queriam que ela os notasse.

-A chave está aqui. – ela declarou sacudindo um chaveiro na mão e deixando os dois caçadores boquiabertos e sem reação.