Connected Spirits
29 Dizendo adeus
— Não, Jaden.
Seus olhos se arregalam.
— Mas... Eu pensei que... — Ele passa as mãos nos cabelos, frustrado. — Por quê?
— Eu não posso abandonar Elliot, Jaden. — Olho para a porta. — Eu o amo.
— E você pode me abandonar? — Ele exclama. — Pensei que você me amasse, também, Alice!
— EU NÃO SOU ALICE! — Grito, exasperada. — Pare de me chamar assim!
— Mas você é, Vanessa. — Ele põe as mãos nas minhas bochechas. — Você é a minha Alice...
E então ele começa a chorar, mas as lágrimas dele não saem. Somente o som de choro dele já me faz ficar triste. Eu não queria que ele tivesse essa reação. Eu definitivamente o amo, mas não posso deixar Elliot. Eu não consigo me ver feliz sem ser ao lado dele, nem mesmo se eu estivesse no paraíso com Jaden. A eternidade seria insuportável sem ele.
— Jaden, eu te amo. — Sussurro. — Mas não posso ir contigo. Eu tenho uma vida inteira pela frente... Só tenho vinte e um anos.
— Eu morri com 26. — Ele murmura. — Não é tão ruim quanto parece.
— Você mesmo falava para mim que era uma merda. — Sorrio, mas logo depois a tristeza bate novamente. — Por favor, não me obrigue a ir... Há tanta gente que se importa comigo...
— Como quem, por exemplo? — Ele ri, desdenhoso. — Só eu que me preocupo contigo, Vany.
— Meu pai. — As palavras doem em minha garganta. — Não posso negar isso. Depois que mamãe morreu, ele era o único que cuidava de mim, além de Catarine. Viu? Outra pessoa. Isabel também, apesar de ser meio maluca... E não poderia nunca deixar de citar Elliot. Ele sim é o que mais se preocupa comigo.
Ele engole em seco.
— Eu me preocupei contigo sua vida toda. — Seus olhos encaram diretamente os meus. — Eu me preocupei. Eu te ajudei. Não foi Elliot nenhum que fez o que eu fiz por você.
— E eu te agradeço por tudo, Jaden. Mas agora é a vez de eu mesma traçar minha vida. Desde pequena você me cercava, me amedrontava, mas ainda assim eu gostava de você, e ainda gosto. Mas, por favor... Eu não posso ir contigo.
— Eu pensei que, depois que você soubesse quem na verdade é, desistisse de Elliot e fosse comigo. — Ele confessa.
Sorrio, aproximando-me dele.
— Eu sou Vanessa. Saber quem eu fui no passado não muda meu presente, Jaden. Eu amo Elliot, mais do que você imagina, mas isso não significa que eu não amo você. Saiba que eu nunca vou te esquecer.
E então ele me abraça. Eu sinto a tristeza dele... Eu o amo, não queria que tudo isso acontecesse...Ele então volta a olhar pra mim. E sei exatamente o que fazer agora.
Em um rápido movimento, dou um leve beijo no canto da boca dele. Sim, eu fiz isso. Não podia deixar ele ir embora sem fazer isso. Se ele não acredita no meu amor só pelas minhas palavras, talvez esse gesto faça com que ele note o quanto eu o amo. Só espero que ele não fique mais confuso do que já está.
— Eu... — Ele gagueja. — Tudo bem, Vany. Se você deseja ficar... Mas agora eu tenho que ir.
— Já? — Pergunto, o abraçando mais forte. — Eu não achei que fosse tão rápido.
— Vany... — Ele me afasta. — Eu realmente... Preciso... Isso é bom!
Seu sorriso vai de orelha a orelha. Infelizmente a única coisa que sai de mim é um choro profundo e frio. Eu não queria que ele fosse assim... Na verdade, eu não queria que ele fosse. Ponto final. Mas eu preciso viver a minha vida.
— Vai embora, Vany. — Ele me pede. — Por favor...
— Não! Eu não vou sair daqui até você estar no paraíso. — Resmungo.
Ele sorri.
— Tudo bem. — Ele sussurra. — Só mais um aviso: lembre-se que estamos conectados.
— Nunca poderia esquecer.
Ele, que agora estava com um semblante de dor, lentamente se aproxima de mim e beija minha testa. Eu não consigo conter meu choro.
— A gente se vê logo. — Ele diz, com um leve sorriso.
E então a coisa mais amedrontadora acontece. Sua face congela, ficando com um aterrorizante sorriso frio. Seu corpo tomba no chão como uma árvore, e eu me debruço sobre ele. Está duro, como uma estátua, mas seu sorriso ainda parece vivo. Eu... É como se ele estivesse morrendo novamente. Ele está se despedindo dessa forma para uma ainda mais superior. Precisava ser tão esquisito assim, Deus?
— Jaden... — Beijo sua testa fria rapidamente. — Eu vou sentir saudade.
E então ele se quebra, assim como um vidro ao cair no chão. Então era isso que minha mãe quis que eu não visse... Ela tinha razão. Ver isso me deixou abalada, principalmente por se tratar de Jaden. Meu coração está doendo, latejando... É como se eu não fosse suportar. Ele se foi. Minha nossa, ele se foi. Eu estou livre. Os cacos são dissolvidos em uma fina poeira, que some no ar. Apesar de ainda estar triste, não posso deixar de sorrir. Eu consegui ajudar Jaden. Ele agora está no paraíso, e sei que sem mim ele não estaria. Eu estou feliz por ele.
Oh, meu Deus, Elliot! Ando até a porta e a abro com cuidado. Saindo da casa, vejo meu namorado sentado na calçada do outro lado da rua, encolhido, encarando suas mãos. Eu sei que ele está chorando. Será que ele acha que eu fui com Jaden?
Então ele se move. No jardim da casa, há uma roseira. Ou melhor, várias hortênsias. Ele lentamente toca em uma. Sorrio.
— Ei! — Grito. — Da última vez que você fez isso, tive que te arrastar por 25 metros!
Ele então olha para frente, me vendo do outro lado da rua. Não, ele não está sorrindo, na verdade está tentando entender... Assim que cai a ficha dele, Elliot corre em disparada até onde estou, me abraçando tão forte como nunca.
— Você... Você... — Ele não consegue nem formar frases.
— Sim. Eu estou aqui. — Eu o encaro. Ele está tremendo de adrenalina. — Eu nunca poderia te deixar aqui. O meu paraíso é ao seu lado.
E então ele me beija. Ainda consigo sentir o gosto salgado de suas lágrimas, mas esse beijo não é mais amargo. Ele é doce e alegre, carinhoso e cúmplice. As mãos de Elliot me agarram à seu corpo, ainda em choque. Então nos separamos para respirar, mas ainda ficamos com as testas coladas.
— Eu ainda não acredito. — Ele sussurra.
— Eu nunca poderia trocar o meu burrinho medroso por ninguém. Nem mesmo por Jaden.
Ele me beija mais uma vez, me segurando com força. Será que ele está tentando descobrir se eu sou um fantasma?
— Nós vamos pra casa, Nessa. — Ele me lembra, ainda abraçado. — Você conseguiu.
— Nós vamos... — Eu digo, olhando para a casa de Jaden. Uma lágrima desce por meu rosto. — Vamos, Elliot.
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