Connected Spirits

17 Conhecendo... Alice?


Não falamos mais nada depois disso. Elliot se ofereceu para organizar a casa e eu o ajudo, mas minha mente não para de dar voltas.

Alice está morta. Ela não está aqui, para receber a carta de Jaden. E tudo o que eu não queria que acontecesse está acontecendo... Como eu vou encontrar a próxima encarnação dela? Ela pode estar em qualquer lugar do mundo, pode ter qualquer idade... E se for um bebê? Eu terei que esperar ele crescer para conseguir ser feliz, sem Jaden me atormentando?

Mas também sinto certa alegria. Eu não havia confessado isso pra ninguém, mas eu estou meio aflita em relação à depois do que acontecer. Como será minha vida? Eu voltarei para casa, mas estarei sozinha. Quer dizer, estarei com Elliot, mas... E depois? Não tem como prever se nosso namoro vai durar. Não me entenda mal, eu amo Elliot. Essa sensação eu não tive com ninguém, nem mesmo por meus pais eu sentir o amor que todos falam, e eu senti pela primeira vez isso com ele. Por que ele confia em mim, sempre acreditou em mim. Mas e se ele acabar descobrindo que na realidade, não gosta tanto assim de mim?

Pela primeira vez me sinto insegura em relação a homens.

À noite, Anna faz uma sopa de legumes extremamente quente para nós, o que nos aquece um pouco. Elliot está colocando mais lenha na lareira quando a campainha toca.

— Acho que é Suzanne. — Anna se levanta e vai atender a porta.

— Boa noite, tia Anna. — Uma mulher, provavelmente da minha idade, com cabelos loiros que batiam na cintura. Seus olhos são azuis como água de um rio congelado. Meu Deus, eu nunca vi mulher mais bonita que ela.

As janelas se fecham com força. Seria algo normal, se elas não abrissem para dentro da casa, o que faz com que a possibilidade de uma ventania ter feito isso seja quase impossível. Assusto-me, e escuto sons vindos do nada. Jaden está arfando.

— Quem são eles, tia? — Suzanne encara Elliot como uma cobra encara sua presa. Logo depois ela olha para mim e faz uma cara de sono.

Ah, Deus, eu não mereço isso.

— Estes são Elliot White e Vanessa Miller, meus hóspedes por uma semana. — Ela diz, enquanto sua sobrinha tira seu casaco de lã vermelho e o coloca no guarda chapéu.

— É um prazer conhecê-lo, senhor White. — Ela estende sua mão para ele.

— É um prazer conhecê-la também, senhorita...

— Hills. — Ela responde, sorrindo levianamente para ele.

Se você ama mesmo esse homem, trate de afastar essa mulher dele. Ela é uma Hills, então não se pode confiar. Apesar de...

Não continuo ouvindo Jaden, pois me levanto e vou diretamente para ela.

— Eu sou Vanessa. Vanessa Miller. — Estendo a mão para ela.

— Olá, Vanessa. — Ela sorri de um jeito estranho. — Você me parece familiar...

— Ah, minha mãe. — Sorrio. — Flora Miller. Ela foi uma grande modelo italiana.

Até que ter uma mãe famosa pode ser algo bom.

— Verdade? Isso é incrível. Meu sonho era ser modelo também, quando eu era criancinha. Sua mãe era uma inspiração para mim. — Ela cerra um pouco os olhos. — Pena que o fim dela foi trágico, não foi? Se não me engano ela morreu em um acidente de carro horrível em Milão... Ele explodiu, não foi?

Fico calada, e Elliot me abraça.

— Pare com isso, Suzanne! — Anna a adverte. — Esse assunto deve ser complicado para Vanessa.

— Obrigada, senhora Hills. — Agradeço. Pelo menos ela consegue calar a boca daquela piranha que se diz sua sobrinha.

— Vejo que a casa está arrumadíssima. — Suzanne passa dois dedos na cômoda. — Os fez trabalhar?

— Na verdade, nos oferecemos para arrumar a casa. — Elliot a encara, ficando com três rugas entre suas sobrancelhas. — Já que a sobrinha dela não vinha há dias.

— A faculdade não é tão flexível assim. — Ela lança mais um sorriso furtivo para ele. — Passei na melhor faculdade de medicina em Londres.

— Que bom pra você. — Sorrio. — Bem, se vocês não se importam, eu preciso descansar. A viagem foi longa e eu não costumo acordar tão cedo quanto hoje.

— Ah, não tem problema! — Anna sorri cordialmente. — Boa noite.

— Eu também vou com ela. — Elliot diz, e assim que segura minha mão, Suzanne destila seu veneno.

— Vão dormir no mesmo quarto? Nossa, minha tia... Você está tão liberal esses dias!

Eu olho furiosa para ela, mas continuo subindo as escadas para o quarto que Anna havia organizado para nossa chegada. Nossas malas já estavam lá, e assim que trancamos a porta, desabo na cama.

— Meu Deus... É muita coisa para um dia só. — Consigo murmurar.

— Eu sei. — Ele beija minha testa. — O que vamos fazer? Alice não está viva.

— Jaden me falou que ela poderia estar morta, mas não sabia. Será que ele mentiu para mim?

— Talvez. Ou talvez ele não soubesse mesmo. — Ele suspira. — Mas sabemos que ela não está entre nós. E agora?

— Teremos que encontrar a reencarnação dela. — Eu digo, e ele me encara com uma das sobrancelhas arqueadas. — Isso é sério, Elliot!

— Desculpa. — Ele me dá um selinho. — Bem, pensamento positivo. Nós vamos encontrar essa encarnação e terminar isso tudo.

— Espero.

Ele então começa a rir e me abraça.

— O que você achou da sobrinha dela? — Ele descontrai.

— Digamos que não seremos melhores amigas. — Murmuro. — E foi patética a tentativa dela de me abalar falando da minha mãe. Como se ela soubesse alguma coisa... Pelo menos deu pra dar certa volta por cima.

— Aham. — Ele continua me encarando. — Mas até que ela é bem bonita, não acha?

Dou um tapa de leve nele, que cai na gargalhada.

— Se eu souber que você anda se engraçando para ela...

— Eu só tenho olhos para você. — Ele sorri para mim. — E ela é pálida demais para mim. Parece até que está doente!

Ele me faz sentar na cama e me ajuda a trocar de roupa. Visto meu pijama e ele faz o mesmo, deitando-se ao meu lado. Puxo o edredom e nos cubro, ele me agarra e ficamos assim por um bom tempo.

Bem, pelo menos até quando Jaden me acorda.

Elliot está dormindo como uma pedra, mas a ventania que entra da janela que antes estava fechada me faz acordar. Levanto-me para fechá-la, mas Jaden aparece na frente dela antes que eu possa fazer isso.

— Precisamos conversar.

Ele me leva para o corredor do andar, que termina em uma linda sacada. Ele se apoia no ferro decorado, e eu me sento na cadeira de balanço que está lá. O tempo está frio, estou usando duas meias em cada pé, mas mesmo esse clima não me faz pensar em outra coisa que não seja o que aconteceu no dia.

— Jaden... Você sabia que Alice havia morrido?

Ele me encara, seus olhos destoam entre o azul fantasmagórico e o preto.

— Sabia sim. — Ele sussurra. — Sabe, quando eu morri, fiquei o tempo todo junto a ela. Eu não consegui deixá-la daquela maneira...

— O que aconteceu depois que você morreu?

— É difícil explicar... Em um momento eu estava deitada no chão, sentindo dor como um condenado, e em um segundo eu me vejo em pé, ao lado do meu corpo, não sentindo nada e vendo Alice chorar desesperadamente e gritar por socorro.

Sinto tontura, e ele continua.

— Eu corri para longe, mas desisti. Voltei para ficar perto dela e nunca mais saí de perto do amor da minha vida. — Ele sorri. — Ela ainda me amava. Eu sei que ela me perdoaria se eu tivesse tido a oportunidade de pedir. Ela chorou tanto que daria para encher um rio inteiro com suas lágrimas. Se fantasmas pudessem chorar, eu choraria toda vez que ela chorasse por mim. Ela não queria comer, não queria beber água. Foi uma sorte ela ter durado por mais dois anos. E esse tempo todo estive ao lado dela, apesar de não conseguir me comunicar com ela.

— Isso é bonito, Jaden. — Sorrio para ele. — Mas você tinha que ter me falado que ela estava morta. Você errou comigo!

— Mas o que eu fiz de mal?

— Você não tem o direito de trazer eu e Elliot para esse fim de mundo, sabendo que ela não estaria aqui! Eu tenho a minha vida também, e você não pode continuar me privando dela!

Seus olhos ficam totalmente escuros.

— Eu sei que ela está aqui. — Ele sussurra. — Eu sinto a presença dela. Ela renasceu, e está aqui em Gayle. E.. Eu tenho quase certeza de que ela é Suzanne.

— Suzanne? Aquela idiota?

Ele me olha entristecido.

— Eu sei que ela é uma vadia, mas as almas mudam de personalidade conforme muda a vida. Ela pode ser sim Alice. Ela lembra Alice.

— Só por que elas se parecem, não significam que seja a mesma alma! — Esbravejo. — Eu vou dormir. Preciso descansar depois de tanta coisa...

— Boa noite, então. — Ele faz cara de raiva, mas me deixa ir.

Notas finais
Reviews?