Connected Spirits
18 A casa
Notas iniciais
Quando volto para o quarto, vejo Elliot encostado na parede ao lado da janela, olhando para mim aliviado.
– Onde você estava? — Ele se aproxima de mim. — Acabei de acordar e você não estava aqui.
– Eu fui até a sacada. Jaden me chamou para conversarmos lá. — Suspiro, segurando a ponta do pijama com força. — Ele confessou que sabia que Alice havia morrido.
– E então? — Ele se senta na ponta da cama, e vou até seu lado.
– Ele acha que a próxima encarnação de Alice é Suzanne. — Sussurro, e Elliot entra na gargalhada.
– Suzanne? Aquela vaca? — Ele sorri para mim. — Essa é boa. Ele realmente gostava de mulheres assim quando era vivo?
– Eu sei, foi a mesma coisa que eu pensei! — Digo. — Jaden falou que em cada vida temos uma personalidade diferente. E provavelmente Suzanne é a personalidade chata e mesquinha. E ladra de homens.
– Ladra de homens? — Ele arqueia uma sobrancelha. — Eu já falei que não quero nada com ela. Vem cá.
Ele me puxa pela cintura e beija meu pescoço. Antes de ele "prosseguir", se interrompe.
– Alice morreu de quê mesmo? — Pergunta.
– Depressão. — Eu o lembro. — Jaden disse que depois que morreu, não conseguia mais sair de perto dela.
Elliot me encara com aqueles seus olhos escuros e penetrantes.
– Ele não conseguia?
– Não. — Sussurro. — Bem, acho melhor descansarmos. Jaden disse que quer nos levar até a casa...
A casa. Eu não sei se vou conseguir ir lá. E se a casa for como eu vi naquele sonho? Devo confessar que aquele pesadelo ainda mexe comigo. E pensar que ele esteve lá... Morreu lá. Não acho que tenho estômago o suficiente para isso.
Felizmente os braços de Elliot me cobrem e fazem com que eu esqueça de tudo isso que estou passando. Deus, essa sensação de paz e tranquilidade eu não sentia há tempos... Acaricio seus cabelos e acabo bocejando.
– Estou cansado. — Elliot traduz meus pensamentos. — Boa noite, "lindinha".
– Boa noite, "docinho". — Rio da nossa brincadeira e deito ao lado dele.
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De manhã cedo, coloco meu gorro na cabeça e esfrego minhas mãos uma na outra. Elliot está me encarando com um leve sorriso no rosto.
– Animação, Vanessa! — Ele me abraça. — Vai dar tudo certo. Vou estar com você, não vou?
– Vai sim. — Sorrio. — Obrigada mesmo. Você não tinha a obrigação de viajar meio mundo por causa de uma maldição minha.
– Eu viajaria até dois mundos por você. — Ele ri. — Sei que isso é clichê e pode até ser exagerado contando que estamos oficialmente namorando a quase duas semanas, mas eu sinto que preciso de você. Eu estava esperando por você a minha vida toda.
Sorrio. Eu não sei como retribuir todo esse afeto, esse carinho... Como eu sou ingrata. Eu deveria fazer outra declaração de amor para ele, mas demorou tanta para que eu compreendesse que eu gostava dele, quanto mais admitir que o amo. Tudo isso é novo para mim. Novo e extremamente prazeroso em descobrir isso com ele.
Descemos as escadas e vemos Anna e Suzanne na cozinha. As duas riem como melhores amigas.
– Oh, vocês acordaram! — Suzanne se aproxima de mim e beija minha bochecha por meio segundo. Para, é claro, depois beijar a de Elliot por oito segundos. — Fizemos café para vocês.
– Obrigada. — Agarro-me ao braço de Elliot, que também me puxa para mais perto dele. — Nós queremos sair cedo para voltar cedo também. — Explico.
– Ah, sim... E para onde vão? — Anna pergunta.
– Andar pela cidade. Ainda não temos um rumo definido. — Elliot a responde, tentando esconder o nervosismo.
– Eu bem que podia mostrar para vocês alguns locais daqui... Garanto que iriam adorar.
Engulo em seco.
– Vamos deixar para outro dia. — Elliot põe fim na conversa, se sentando a mesa e tomando uma xícara de café.
Eu faço o mesmo, e logo depois de quinze minutos decidimos ir. Saímos pela porta e logo depois Anna também sai, sendo amparada por Suzanne. Pergunto para onde elas vão.
– Suzanne vai me levar para outra sessão de quimioterapia. — Ela suspira. — Por mim eu desistia desse tratamento, mas ela não quer que eu faça isso.
– Ela está certa. — Pela primeira vez, dou o braço a torcer em relação a Suzanne. — Não perca as esperanças.
Ela dá um brando sorriso.
– Tudo bem. — Ela diz. — O hospital é em Leeds, então passarei o dia na cidade. Voltarei as cinco. Há uma chave reserva debaixo do carpete. Tenham um bom dia.
Suzanne a ajuda a entrar no carro e arranca na maior velocidade. Assim que elas saem do nosso ponto de vista, Jaden sussurra.
Há locais na terra em que a divisória entre dimensões é fraca e descontínua, são locais onde passagens entre os mundos aconteceram. Na maioria das vezes são locais de assassinatos e mortes, mas locais onde se foram concebidas as pessoas ou nascidas também possuem o mesmo efeito.
– Sim? — Peço para ele prosseguir, e Elliot olha para mim.
Talvez, na minha casa, essa linha esteja fraca. E talvez Elliot consiga me ver. Mas isso depende muito, o tempo cura muitas coisas.
– Ele está dizendo que talvez você conseguirá o ver. — Explico para meu namorado. — Jaden, por favor, nos guie.
Uma rajada forte vento passa por nós da esquerda para a direita. Seguimos sua direção.
As casas são iguais. Algumas mudam um detalhe ou outro, mas são todas iguais. Duas chaminés, paredes de pedra, porta de madeira, espaço para estacionar o carro. Mais parece um grande condomínio. Seguro na mão de Elliot e seguimos em frente. A ventania muda para o oeste. Dobramos a esquerda e subimos a rua.
Meu coração começa a bater mais forte. Qualquer uma dessas casas poderia me dar náuseas, pois qualquer uma me lembra a casa que vi em meu pesadelo. O problema é que a cada passo que dou sinto um calafrio na espinha. Eu sei que estamos chegando perto.
E assim acontece. Bem em frente ao portão de ferro de uma casa, ainda se vê resquícios de sangue na calçada.
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