Notas iniciais
Primeiramentchy, feliz quase ano novo. Que 2017 seja menos conturbado que 2016, amém. Vamos nos esforçar para fazer nossos dias serem mais brilhantes e suaves, vivendo nossas vidas humildemente ♥ Segundamentchy, obrigada por nos acompanharem durante este espaço de tempo lendo nossas palavras!! Sem leitores, porque escreveríamos? Obrigada por quem leu, por quem comentou, quem não comentou, quem favoritou e recomendou... Vamos continuar crescendo neste esperado ano que se segue! Amamos escrever, então obrigada por nos deixar viver este sonho ♥

JUNGKOOK POV

O normal era que, na rara presença de todos os integrantes do F4, o refeitório se tornasse um caos. Por isso, a cada movimento, um monte de clicks de fotos podia ser escutado, se você prestasse atenção.

A mesa onde eu estava sentado junto ao Jimin, Yuri, Jinhee e Jinyoung não era tão distante de onde Jung Hoseok estava sentado com seus companheiros, e, em algum lugar na minha mente, eu me preocupava se estaria aparecendo em uma daquelas fotos por acidente.

Jimin estava quieto, escutando em silêncio enquanto Jinhee e Yuri conversavam animadamente sobre um drama que estavam assistindo, fazendo pequenas pausas para abocanhar seus respectivos almoços. Jinyoung (que estudava comigo e com Jimin) passou a andar conosco, sentado ao meu lado.

Percebi, com uma careta, que Jimin não estava comendo. De novo.

—– Ei. –– Cutuquei seu braço. –– Onde está o seu almoço?

—– Não estou com fome. –– Ele deu de ombros, olhando para baixo.

—– Você sabe que essa desculpa não funciona comigo. –– Franzi o cenho.

—– Ah, aqui –– Jinhee ofereceu um sanduíche. –– Eu trouxe outro.

—– Não precisa, obrigado –– ele recusou com um sorriso fraco. –– Eu comi muito no café da manhã, realmente não estou com fome.

–– Você deveria comer –– Yuri mordiscou umas batatas, assentindo com a cabeça ––, senão vai ficar com fome durante as aulas.

—– Eu fiz ele bem leve, com frango e salada. Espero que não se importe.

Relutante, Jimin pegou o sanduíche da mão de Jinhee. As meninas voltaram à conversa anterior, e eu só parei de encara-lo quando ele deu a primeira mordida. Virei-me para Jinyoung, que puxava a manga da minha camisa para chamar a atenção.

—– Você sabe me dizer se alguma delas tem namorado? – sussurrou, apontando com a cabeça para Yuri e Jinhee.

—– E importa? Nenhuma delas te daria uma chance –– respondi, divertido.

—– Qual o problema? ––levantou a sobrancelha, como que me desafiando. –– Está de olho nas duas? Que egoísmo.

Mostrei o dedo do meio para ele.

—– Não estou afim das duas.

—– Então você está afim só de uma – concluiu. –– Lee Yuri? Diz que é a Yurissi, por favor. Eu observo a Jinhee desde que éramos crianças, mas ela nunca notou a minha existência. Então, agora, depois de sete anos, estou sentado na mesma mesa que a linda Raposa. Além dos peitos, que são maravilhosos também.

—– Sabe, isso não soa muito respeitoso quando você-

— Eu estou sentindo — ele me interrompeu —, hoje é o dia. Ela vai olhar nos meus olhos, e vai saber que fomos feitos um para o outro. Pode me chamar de Raposo, se quiser.

— Nem sonhando.

—– Além de que –– continuou –– a Yurissi tem aquela concorrência.

Ele apontou discretamente com a cabeça para a mesa do F4, onde Hoseok encarava descaradamente na nossa direção – Lee Yuri, para ser mais específico.

—– Parece que não é só você que está afim dela – falou, ainda baixo. –– Estão falando isso nos charts já faz uns dias.

—– Isso é impossível – neguei, convicto. –– Jung Hoseok não tem sentimentos.

—– Eu também achava isso – deu de ombros, pegando mais uma batata frita de seu prato. –– Até que ele cancelou o cartão vermelho pra encher o saco dela.

Eu balancei a cabeça, hesitante.

—– Fala sério, Jungkook – continuou. –– Na segunda série, quando o garoto gosta da garota, o que que ele faz? Ele irrita ela. É assim que o cérebro das crianças funciona.

—– Jung Hoseok não é uma criança –– retruquei, incomodado por parecer que estava o defendendo ao custo de recusar a ideia dele ter sentimentos pela Yuri.

—– Mas parece que ele está agindo como uma. Além de que ela não é lá das maiores fãs dele. Ela é linda e legal, mas não morre de amores por ele. Talvez ele curta o desafio?

Fechei a boca para não me comprometer, embora suas palavras tivessem me perturbado.

Com o canto do olho, observei Yuri mais detalhadamente: ela estava rindo melodicamente de algo que Jinhee havia dito, um sorriso largo com dentes perfeitos estampado no rosto. Uma mecha do cabelo preto estava preso atrás da orelha, e ela era adorável.

Se alguém visse o mesmo que eu via, como não gostar dela?

—– Talvez você esteja certo – admiti.

—– Eu sempre estou – convenceu-se. –– Mas, e aí? A Raposa tem namorado?

Eu dei um beliscão em seu braço, repreendendo-o.

—– Aish – massageou o local. –– Foi uma pergunta com finalidades acadêmicas.

—– Claro que foi –– revirei os olhos.

—– Mas ela tem ou não tem?

—– Eu não sei. Ela nunca falou nada sobre isso, pelo menos. Talvez o Jimin saiba.

Ao escutar seu nome, ele se virou, descansando a metade não comida do sanduíche na mesa.

—– A Jinheessi tem namorado? –– perguntei.

Ele arqueou as sobrancelhas, surpreso, olhando de mim para Jinyoung.

—– Eu não tenho certeza –– respondeu baixinho, hesitante. –– Acho que sim. Lembra-se de quando eu e ela fomos ao cinema?

Assenti.

—– Nossa, vocês já são assim tão próximos? –– Jinyoung fez um muxoxo –– Cheguei atrasado à corrida.

—– Não tem corrida –– Jimin arqueou uma sobrancelha. –– Não para mim, pelo menos. Eu já saí do jogo.

Jinyoung fez uma pausa, o encarando.

—– Do que que ele está falando, Jungkook?

Revirei os olhos.

—– Jimin deixou de acreditar no amor.

—– E daí? Eu não estou procurando amor, se é que me entendem.

Jimin negou com a cabeça, em reprovação.

—– Enfim, eu e ela somos amigos. E ela é uma ótima companhia.

—– O que isso tem haver com namorados?

—– É que ela tinha um encontro depois –– respondeu. –– Não sei se era o namorado dela, mas era em um hotel bem chique.

Jinyoung fez um muxoxo desapontado.

—– Faz sentido. As boas estão sempre pegas.

—– Quem está pega? – Yuri perguntou, e eu pulei na minha cadeira, levando um susto. –– O papo aí deve estar bem mais interessante do que ‘My Love From Another Star’.

Jinyoung soltou uma risada abafada, murmurando um “Você não faz ideia”.

Eu pisei em seu pé.

Ela e Jinhee se entreolharam.

—– Nós estávamos falando sobre o F4, Yurissi – Jinyoung confessou. –– Sobre você e Jung Hoseok, especificamente.

Filho de uma…

O rosto de Yuri, em segundos, avermelhou-se. Involuntariamente, olhamos para a mesa do F4, e Hoseok tinha um sorriso no rosto, observando-nos.

—– Eu li em um site que ele sabe fazer leitura labial – ela murmurou, incerta.

Jung Hoseok, a duas mesas de distância da nossa, assentiu, divertido.

—– Caraca –– Jinyoung sobressaltou-se ––, vocês acham que ele-

—– Eu preciso ir ao banheiro.

Jimin se levantou, tenso, e caminhou rápido em direção da porta. Franzi o cenho, observando-o partir, enquanto Jinyoung continuava a falar.

—– Como você pôde falar isso só agora? –– ele tampou a boca com as mãos. –– Eu nem lembro se falei mal dele, mas provavelmente vai arranjar uma desculpa pra me matar do mesmo jeito.

—– Ele não vai matar vocês – Yuri deu de ombros, virando a cabeça num ângulo que Hoseok não pudesse ver. –– Por que ele faria isso? Todas as pessoas da USH também falam sobre ele.

Um sentimento ruim se alojou no meu estômago, percebendo que ela o estava defendendo.

Um som de mensagem nova tocou no celular de Yuri, e ela pegou o aparelho em cima da mesa distraidamente.

Seus olhos se esbugalharam de surpresa.

—– Aconteceu alguma coisa? –– perguntei.

Um burburinho surgiu no refeitório, olhares indignados e surpresos direcionando-se a nossa mesa. Jinyoung – curioso do jeito que é – aproveitou-se da fraqueza momentânea de Yuri, pegando o celular de sua mão.

—– Okay. –– Seu rosto se tornou numa mascara indiferente. ––Tudo bem, nada de pânico.

—– O que foi? –– perguntei.

—– Antes de fazermos conclusões precipitadas, vamos esclarecer isso rapidinho. Lee Yuri, por acaso você está namorando Jung Hoseok?

—– O quê?! –– exclamei, me esticando para ver a tela do celular.

JHS KR FANS: Eu não consigo acreditar que o nosso Oppa está namorando~ TT. Ainda nesta semana, flagrei o Hobi oppa com uma garota!!! Eles estavam abraçados e ela ainda entrou no carro dele. Não acreditam? Vejam as fotos que eu tirei:

[FOTO] [FOTO] [FOTO] [FOTO].

—– Eu não sei se estou mais assustado pelo fato de você ter um alarme pra quando um fancafe do Hoseok publicar alguma coisa – Jinyoung enumerou. – Ou por estar namorando Jung Hoseok.

Engoli seco.

—– Isso é verdade? –– perguntei. –– É mesmo você nessas fotos?

—– Bem –– ela parecia incomodada ––, sim, sou eu nas fotos, mas não estamos namorando.

Nessa altura, várias cabeças no refeitório estavam viradas na nossa direção.

—– Ele está vindo para cá – Jinhee tossiu discretamente.

Lee Yuri tinha as mãos trêmulas, sobre a mesa.

Enquanto fazia seu caminho, Jung Hoseok foi parado por um grupo de garotas, questionando avidamente pela veracidade dos fatos.

Ele seguia em frente as ignorando, até que se tornou impossível continuar caminhando quando uma delas se jogou nos braços dele.

Franzi o rosto, pesaroso pelo futuro da menina. Ela era famosa por ter inventando um boato que tinha namorado Jung Hoseok no acampamento de verão que eles fizeram no Egito – mas claro, sua mentira foi revelada quando Hoseok voltou de viagem e não fazia noção de quem era ela.

—– Oppa, fique longe dela – puxou-o pela gola de sua camiseta, assustando-o. –– Se você não quer que coisas ruins aconteçam com ela, não fique com ela – sua voz era de choro.

Ele cerrou os olhos, franzindo a sobrancelha.

—– Seu nome é Kang Jisoo, certo? –– ela concordou, parecendo desesperada. –– Você se diverte inventando rumores entre nós dois? Não está um pouco velha pra isso?

Ela soltou a gola da camisa dele lentamente.

— Pare de dar motivos pras pessoas terem vergonha de você. — Ele ajeitou sua camisa.

Hoseok voltou a caminhar, o caminho agora menos conturbado.

Meu coração pesou ao imaginá-lo fazer algo ruim com Lee Yuri – ele nunca tolerou esse tipo de fofocas.

Meus olhos estavam nos dele quando chegou à nossa mesa, parando a alguns metros de nós.

—– Lee Yuri – chamou.

Ela não se virou.

Hoseok revirou os olhos, aproximando-se ainda mais da nossa mesa, parando atrás de Yuri. Ela estava com a cabeça erguida, embora olhasse para baixo, e os ombros puxados para trás em postura de bailarina, com a coluna reta e os músculos tensos.

—– Lee Yuri –– repetiu.

Ela não virou a cabeça, mas respondeu:

—– Sim?

—– Se importa se eu fizer um pronunciamento?

—– Hm, não sei.

—– É rápido.

—– Vá em frente, então.

Ele sorriu, satisfeito, e colocou a mão sobre o ombro dela.

O refeitório já estava em silêncio, como acontecia sempre que Jung Hoseok fazia algo fora do comum.

Ele olhou ao redor, contente pela atenção, e começou, em voz alta:

—– Por questão de ênfase, porque eu sei que todo mundo aqui entendeu quando eu falei na primeira vez, irei repetir: só quem pode perturbar Lee Yuri sou eu.

Eu não conseguia dar um nome ao que estava sentindo, mas o olhar boquiaberto de Yuri me acalmou um pouco.

—– Se quiserem tirar satisfações com alguém, tirem comigo –– continuou. –– E, se eu souber, ou imaginar, que algum de vocês a perturbaram pelas minhas costas… –– ele arqueou a sobrancelha –– Essa pessoa vai pagar. Mesmo se eu não souber quem foi, vou dar meu jeito de descobrir. –– ele abriu um sorriso um tanto angelical demais diante das palavras proferidas: –– Vocês conhecem a minha fama.

Ele deu duas batidinhas carinhosas no ombro de Yuri e estendeu sua mão para ela.

Observei, incomodado, enquanto eles pareciam travar uma guerra pelos olhares. Ela questionadora e indecisa; ele teimoso e certo. Yuri pegou sua mão e se levantou. Hoseok sorriu, vitorioso.

—– Ah, mais uma coisa –– acrescentou, virando o rosto para o refeitório. –– Não garanto que serei gentil se vocês vierem tirar satisfação comigo.

Eles dois caminharam até a saída, quietos – o rosto de Yuri uma mistura de confusão e vergonha, por trás da vermelhidão de suas bochechas.

O momento que se seguiu foi tão silencioso que se podia escutar o som dos condicionadores de ar.

Olhei para Jinhee. Ela não parecia surpresa – talvez um pouco perturbada e um tanto inquieta, mas não surpresa.

—– O que aconteceu aqui? – Jinyoung perguntou, sua voz baixa como que para não perturbar a quietude do refeitório. –– O que está acontecendo entre eles dois?

Jinhee deu de ombros, fechando a embalagem do seu sanduíche.

—– Ela não te contou? –– perguntei.

—– Yuri unnie vai contar quando se sentir confortável.

—– Vocês não falam sobre essas coisas? –– Jinyoung perguntou. –– Pensei que fossem melhores amigas.

Jinhee hesitou, e então deu de ombros.

—– Eu não vou forçar um assunto do qual ela não quer falar.

Eu balancei a cabeça, incomodado.

—– Com licença – pedi, apressadamente, me retirando daquele lugar.

Por que eu sentia meu coração acelerar?

***

No restaurante da Sra. Park, eu estava sentado ao lado do caixa – onde o Jimin lia um livro enquanto nenhum cliente chamava. Eu batucava o pé no chão repetidamente, pulando a cada soar do sino da porta anunciando a chegada de alguém.

— Ela não vem hoje – Jimin repetiu. — Você escutou o garçom Soo. Ela pediu pra ele cobrir seu turno.

Eu dei de ombros, fingindo não me importar.

— O que você está lendo?

—– Termos e compromissos para adotar uma criança.

Franzi a testa.

—– Você vai adotar um filho?

—– Ainda não. –– Jimin fechou o livro, sorrindo quase que timidamente. –– Estou pensando em apadrinhar o Yuki.

Pausei.

—– Uau –– meu tom era gentil, surpreso. –– É bastante responsabilidade.

—– Eu venho pensando nisso faz um tempo –– admitiu, dando de ombros numa falsa humildade. Eu pude ver o quão orgulhoso ele estava pela decisão. –– Tenho que ver se a mamãe deixa, agora. Ela já apadrinhou a Liza e o Yeri, e daqui a pouco vão atingir a maioridade. Ah, e se o Yuki quiser, claro. Não vou me tornar o padrinho dele se ele não quiser.

—– Está brincando? Ele vai sair cantando vantagem pras outras crianças quando souber. Todas elas te amam.

—– Bem, se der certo, não sei se faço isso antes ou depois do natal.

Ele mordeu os lábios.

—– Eu voto antes do natal –– opinei. –– Mas você só tem três semanas pra decidir, então. Ah, sim, isso me lembra.

Puxei minha carteira do bolso e coloquei um cheque dentro da caixinha de doações para o orfanato.

—– Obrigada, hyung! –– Jimin sorriu, seus olhos desaparecendo em luas crescentes.

—– Compre presentes de qualidade para as crianças, neste ano –– guardei a carteira, feliz.

Ele concordou, contente.

O sino da porta soou suavemente, fazendo-me pular. Era Jinhee, entrando – constatei, desapontado -sozinha. Sem Yuri.

— Boa noite, Jinhee! –– Jimin cumprimentou, ainda sorrindo.

—– Boa noite.

Ela hesitou antes de sorrir de volta, desarmada pela animação de Jimin.

—– É quase natal! –– ele falou, como que explicando.

Ela arqueou as sobrancelhas.

—– Ah, sim.

Jimin contornou o balcão, indo até Jinhee para ajuda-la a tirar seu sobretudo bege.

—– O que você vai fazer no dia 24? –– ele perguntou. –– Você é do tipo que passa com a família ou em festa com os amigos?

—– Obrigada –– ela pegou o agasalho. –– Na verdade, eu não comemoro o natal.

Ele fez uma pausa, legitimamente confuso.

—– Como assim?

—– Minha família não é apegada a datas, e eu não tenho muitos amigos para fazer uma festa, então –– ela deu de ombros, sentando-se ao meu lado.

—– Mas, é natal –– Jimin balançou a cabeça, insistindo. –– Você precisa comemorar o natal.

Ela sorriu diante da sua ingenuidade.

—– Ano passado eu fiz um bolo com a minha irmã. Talvez este ano eu passe com ela de novo, não tenho certeza. E você?

Ele semicerrou os olhos, ainda não convencido.

—– Bem, eu passo a noite de natal em um orfanato com a mamãe, fazendo caridade. Falando nisso –– ele pegou a caixinha de doações em cima do balcão e a mostrou para Jinhee ––, sinta-se livre para doar. O dinheiro será usado para comprarmos dinheiro para as crianças.

Ela olhou de Jimin para a caixa, surpresa.

—– Orfanato?

—– Aham –– ele assentiu. –– É perto daqui, você já deve tê-lo visto. Lar da Esperança.

—– Não me lembro. Vou prestar mais atenção.

Ele assentiu, recolocando a caixa ao lado do caixa.

Antes que eu pudesse comentar algo sobre a ausência de Yuri, Jinhee perguntou:

—– A Yuri não está trabalhando hoje?

— Ela pediu para outro funcionário cobrir o turno dela –– respondi.

Ela franziu levemente a testa, enquanto Jimin recebia notinhas do garçom Soo para anotar no sistema.

— Talvez ela esteja com a Nami unnie.

Puxou o celular de seu bolso, digitando rapidamente.

—– Nami é a trainee que você me falou? –– Jimin lembrou.

—– Sim –– assentiu. –– Inclusive, ela está ensaiando –– leu a mensagem. –– Que estranho. A Yuri falou pra vocês aonde ela foi? Ela não está respondendo as minhas mensagens.

Neguei com a cabeça.

—– Eu acho que... –– comecei, pesaroso em verbalizar meus pensamentos. –– Bem, Jung Hoseok também não está aqui.

Deixei a bomba no ar, enquanto os dois raciocinavam.

—– Deveríamos ligar pra ele? –– Jimin perguntou. –– Seria muito estranho se ligássemos?

—– Eu tenho o número. Posso mandar uma mensagem –– Jinhee ofereceu.

Jimin arqueou as sobrancelhas, surpreso.

—– Eu estava pensando em pedir para a minha mãe ligar, já que ela também tem o número.

—– É, seria melhor. Faz anos que tenho esse número, ele deve ter mudado.

—– Jinheeah! –– a Sra. Park a abraçou por trás. –– Nem a vi chegando. Está aqui há muito tempo?

—– Acabei de chegar –– Jinhee respondeu, sorrindo.

—– Mãe, você pode nos dar o número do Hoseokssi?

— Hoseokie? – ela repetiu.

Reprimi uma careta diante do apelido.

A Sra. Park pegou o celular do bolso de seu avental, procurando pelo número de seu sócio e mostrando-nos em seguida.

— Para que vocês querem o número dele? – perguntou, curiosa. — Espero que vocês não estejam planejando estragar o encontro do menino.

— Encontro? – repeti.

A Sra. Park cobriu a boca com a mão.

— Ops, não deveria ter dito isso – ela não parecia arrependida, risonha. — Ele e Yuri passaram aqui antes de vocês chegarem. Estão visitando algumas empresas de marketing.

— Mas a Yuri é garçonete –– falei, confuso. –– O que ela tem haver com isso?

— Hoseokie vai usar algumas fotos que ela tirou do restaurante – respondeu, prontamente. — Não que ela realmente precisasse ir, mas, pela cara de felicidade dele, ele adorou a desculpa para passar um tempo com ela.

Minha boca ficou seca. Bem, pelo menos não era um encontro propriamente dito.

— Jungkookah, espero que você não esteja com ciúmes – continuou, brincalhona. — Saiba que entre você e ele, eu ainda prefiro você.

Eu balancei a cabeça, negando.

Ignorei os olhares apreensivos de Jinhee e Jimin.

— Ainda bem – a Sra. Park falou, apertando minhas bochechas. — Yuri e Hoseok são tão bonitinhos juntos.

Com o passar das horas, a quantidade de clientes diminuiu e Jinhee foi embora. Eu e Jimin esperávamos a Sra. Park para fecharmos o restaurante – eu iria dormir na casa deles, então já estava acostumado com a espera.

Normalmente, não precisava de um motivo específico para dormir na casa de Jimin, mas daquela vez fora porque meus pais mandaram uma mensagem avisando sobre um caso internacional de urgência, e não estariam em casa. Eu, muito inteligentemente, esquecera justo naquele dia a chave da porta no meu quarto e estava trancado do lado de fora até a manhã seguinte, quando a Sra. Shin acordasse. Claro, eu poderia tocar a campainha para que ela abrisse para mim, mas ela dormia cedo e eu não queria acordá-la.

De qualquer jeito, eu já tinha uma muda de roupas e escova de dente separados na casa dos Park. Era mais conveniente.

— Você está bem? – Jimin perguntou, percebendo meu silêncio.

Dei de ombros.

— Não é a primeira vez que meus pais fazem isso.

Ele balançou a cabeça.

— Não estou falando disso – começou, cuidadoso. — Estou falando de Lee Yuri.

Pisquei, surpreso.

— Por que eu estaria mal?

Jimin levantou a sobrancelha.

— Por que você gosta dela. Ou, pelo menos, é o que me parece. E eu te conheço desde sempre.

Eu dei uma risada, cessando-a quando ele não me acompanhou, seu rosto ainda sério.

— Jiminah – segurei o ímpeto de fazer uma careta —, eu não estou apaixonado.

Jimin não pareceu convencido.

—– Tem certeza? Você sabe que pode ser sincero comigo.

—– É claro que não estou apaixonado.

—– Tudo bem, então.

Ele assentiu, apoiando o rosto nas mãos, alternando a atenção para o celular – como que desse por encerrado o assunto.

Meu coração tropeçou dolorosamente alguns passos.

—– Jiminah –– choraminguei.

Ele suspirou e sorriu sutilmente, virando-se para mim.

Cobri meu rosto com as mãos, balançando a cabeça.

— Eu não sei o que fazer –– falei. — Eu odeio a proximidade dela com Jung Hoseok. E não posso dizer para ela não ficar perto dele, já que não tenho poder pra fazer isso, mas, se eu pudesse...

Jimin deu algumas batidinhas no meu ombro, consolando-me.

— Ela o odiava, e o F4! –– continuei. — Quando foi que isso mudou? Por que teve que mudar?

Jimin respirou fundo – eu não podia ver o rosto dele, mas provavelmente seria algo como pena.

—– Hyung, por que você acha que o Jung Hoseok é uma ameaça? –– disse com a voz suave.

—– Porque ele- eu não sei, porque ele é famoso? Ele é Jung Hoseok.

—– Hyung, é da Yuri noona de quem estamos falando. Se ela escolher ele, não vai ser por um nome.

Respirei fundo.

— Em vez de se afligir por causa da ‘’concorrência’’, por que você não a chama para sair? –– sugeriu.

— Eu já fiz isso.

— Você tem que deixar claro suas intenções, hyung – insistiu. — Ou ela vai continuar pensando em você como um amigo.

— Eu- Mas, se ela disser não, como é que eu vou encará-la?

— Se ela disser não, você pelo menos tentou.

Fiz que não com a cabeça, nem cogitando a ideia. Eu a via todo dia; seria impossível fugir dela na universidade.

—– O que você prefere, então? – sua voz ainda era gentil. — Se demorar assim, ela pode se apaixonar por outra pessoa – Jung Hoseok ou não. Ela não vai esperar você, se não souber como você se sente.

Eu respirei fundo.

— Eu só queria continuar assim por mais um tempo, sabe? Não queria apressar nada.

—– Bem, no amor e na guerra vale tudo.

Lee Yuri P.O.V

— Eu não acredito que você também gosta de Plain White T’s – comentei, enquanto Hoseok cantarolava Hey There’s Delilah.

Ele riu melodicamente, sem tirar os olhos da rua.

Desde que entramos no carro, um pendrive dele tocava apenas minhas músicas preferidas; cantávamos animadamente, rindo a cada vez que alguém desafinava. Era hilário, e a cada música nova eu me surpreendia pelo nosso gosto musical parecido.

— Vamos enumerar, então, quantos artistas temos em comum até agora – ele falou, alternando sua atenção entre a estrada e a nossa conversa —: Hozier, Bruno Mars, Lil Wayne, Coldplay, Wiz Khalifa e agora Plain White T’s.

— Nunca conheci alguém que conhecesse outras músicas além de Hey There’s Delilah e 1 2 3 4.

Ele assentiu, concordando.

— Eu os conheci numa festa nos Estados Unidos — contou —, a filha de um amigo do meu pai os chamou para tocar e eu passei a festa inteira baixando todos os álbuns.

Eu gargalhei.

— Os únicos artistas que conheci fora alguns brasileiros foi o Rap Monster. E o Suga, mas não acho que contou — falei. — Estou com inveja.

Ele apertou minha bochecha, e eu paralisei sob seu toque. Ele não pareceu ter notado, sem tirar os olhos da estrada.

— Se você quiser conhecer o Suga, é só me falar. Nós dois somos amigos desde sempre, e ele adora garotas bonitas.

Ele parecia estar se vangloriando da sua amizade com o idol famoso.

— Você conhece He is We? – perguntou.

Apesar de conhecer, fiz que não com a cabeça.

— Canta alguma música pra ver se reconheço.

Ele se concentrou, abaixando o volume da música que tocava.

— Forever is a long time, but I wouldn't mind spending it by your side — cantou.

Eu ri alto, e ele parou de cantar, sorrindo.

— O quê? Para de rir de mim! — sua voz não estava irritada; na verdade, ele parecia se conter para não rir junto.

— Continua cantando! — ri. — Sua voz é bonita.

— Tell me everyday I get to wake up to that smile — continuou, sorrindo.

Sua covinha apareceu, e eu tive vontade de colocar meu dedo nela. Claro que não o coloquei; em vez disso, desviei o olhar e continuei:

— I wouldn’t mind it at all — cantamos juntos.

— Você conhece!

— Claro que conheço; é uma das melhores músicas deles, Hoseokssi.

— Hoseok oppa – corrigiu, estacionando o carro. — Combinamos que você me chamaria de oppa, não é?

Eu fiz que não com a cabeça, tirando o cinto. Esperei que ele saísse primeiro do carro, mas ele continuou ali, mexendo nas pastas do pendrive.

— Você canta bem — elogiei.

— Diga algo que eu não faço bem — brincou.

Pensei momentaneamente.

— Flertar. Você é uma droga com cantadas.

Ele pausou. Lentamente, virou o rosto na minha direção, sorrindo sutilmente.

— Você disse que eu canto bem, mas eu prefiro a sua voz – ele arqueou a sobrancelha sugestivamente. — Sua voz é bonita, Lee Yuri. Assim como você — piscou o olho.

Bufei, numa falsa irritação. Senti minhas bochechas esquentarem, e virei meu rosto na esperança que ele não notasse.

— Você ficou tímida? – brincou, cutucando minha bochecha.

— Fui pega desprevenida.

— As pessoas não devem te elogiar o suficiente, então.

Afastei sua mão com meu braço num movimento rápido, mas ele segurou meu punho. Quando ele não soltou, e levou o aperto até a minha mão, entrelaçando nossos dedos, olhei para ele, confusa. Segurar mãos era um ato normal entre amigos, certo? Eu e Hoseok éramos – desajeitada e estranhamente — amigos, certo? Mas, de alguma forma, aquilo me parecia... íntimo demais, na solidão de seu carro.

Ele respirou fundo.

— Lee Yuri, desculpe-me.

Levantei uma sobrancelha.

— Pelo jeito que nos conhecemos – ele passou a língua sobre os lábios, fazendo uma pausa. — Pelo cartão vermelho. Hm, por ter irritado você no restaurante. Pelo lance do sabre de luz — suas orelhas se avermelharam aí.

— Sabe — tentei amenizar a tensão —, não tem como eu esquecer a cantada do Star Wars se você fica me lembrando dela o tempo todo.

Ele abriu a boca para dizer algo, mas meu celular tocou.

Era meu pai.

Fiz um sinal com a mão para que Hoseok esperasse, ele assentiu.

— Pai?

— Filha! — ele estava animado. — Desculpe por demorar tanto para ligar, eu sou um péssimo pai.

Eu dei uma risada, negando.

— Está tudo bem por aí?

— Uh hum, a mesma coisa de sempre. Porém, mais triste sem você.

— Dramático.

— Sua mãe me contou sobre o seu meio-período.

De canto, percebi que Hoseok prestava atenção na conversa. Perguntei-me o quanto ele escutava.

— Sim. É do restaurante de uma amiga.

Seu muxoxo desanimado soou do outro lado.

— Preciso dizer que estou meio desapontado com isso?

— Não, pai — segurei o ímpeto de revirar os olhos. — Não precisa.

— Bem, eu disse que te apoiaria não importa o quê. Mas, não vou mentir; não vejo a hora de você assumir nossos negócios em Seoul — se fechasse os olhos, poderia ver o sorriso orgulhoso em seu rosto.

— Não irá demorar – tentei soar motivadora. — Eu prometo.

— Sinto sua falta, filha. Eu te amo.

— Eu também te amo.

— Sim, estou ligando para perguntar se você recebeu o email da sua mãe com as datas das passagens. Vamos passar o natal aí!

— Sim! — sorri. — Estou programando nosso final de semana, já. Tem um restaurante que vocês precisam ir.

— Você fala como se eu não conhecesse a Coreia.

— Mas você é velho. A Coreia mudou.

— Olha só, eu prefiro o termo experiente. Outra coisa: sua mãe mandou avisar que você ganhou naquele concurso de fotografia.

Pausei.

— Sério?

— Seríssimo.

— Pai! — exclamei. — Meu Deus! Eu nem acredito!

— Parabéns, filha – ele riu. — Prometo que tentarei ligar mais vezes.

— Irei esperar por isso. Mamãe está aí perto?

— Vou ver, um instante. — Ele tampou o fone, mas mesmo assim pude escutá-lo gritando ‘’Chaechae, Yuriah no telefone!’’. — Filha, sua mãe está no banho, mas disse para mandar um beijo e dizer que está super orgulhosa de você.

— Manda outro beijo pra ela.

— Eu estou- ah, filha,desculpe. Vou ter que desligar. O gerente Min está me ligando.

— Tudo bem. Eu te amo. E bom dia — no Brasil era de dia.

— Boa noite pra você, filha. Estou morrendo de saudade. Espero que o natal chegue logo.

Desliguei a chamada antes que ela se prolongasse demais; meu pai era meloso àquele ponto.

— Seu pai não mora aqui? — Hoseok perguntou.

Eu neguei com a cabeça, guardando o celular na minha bolsa.

— Brasil.

Ele assentiu, mordendo os lábios.

— Sua mãe também?

— Eu moro com uma dongsaeng — respondi. — Vamos descer?

Ele concordou, desligando o carro.

***

Percebi com certa surpresa as mensagens não lidas no meu celular; Jinhee havia ligado algumas vezes, Nami perguntava onde eu estava, dizendo que Jinhee havia me procurado com ela; Jungkook perguntava se eu estava bem e Jimin mandara uma selfie com a sra. Park (‘’Noona, mamãe pediu pra te lembrar de ter juízo, mas não tanto assim porque a gente só é jovem uma vez’’). Sorri afetuosamente, rindo da foto; os dois tinham a mesma expressão, sorrindo e fazendo V com os dedos.

Respondi suas mensagens rapidamente, não poupando emoctions.

Hoseok estava terminando de assinar o contrato no escritório, e depois de me obrigar a tirar 50 fotos com seus investidores, fui (finalmente) liberada. Ele falou que as fotos eram meramente formalidades, mas não entendi porque eu tive que aparecer.

Seguimos para o estacionamento caminhando lentamente. Para alguém que estava sempre falando, estranhei sua falta de palavras; Hoseok parecia perdido em pensamentos.

— Primeiro as damas. — Ele abriu a porta do carro para mim.

Eu acharia graça do seu cavalheirismo se ele não estivesse agindo como se fosse rotineiro. Bem, ele era, sim, educado, quando queria.

Assim que ligou o carro, minha mãe mandou uma foto do troféu que eu havia ganhado.

“Melhor fotógrafo amador de 2015, São Paulo – Brasil”.

Com sua cabeça inclinada, Hoseok observou a foto.

— É sobre isso que você estava falando com o seu pai? – ele semicerrou os olhos, lendo as letras com dificuldade. — Melhor fotógrafo amador.

Meu queixo caiu quando ele traduziu a frase.

— Você fala português?

Ele concordou com a cabeça.

— Mas não sou fluente — ele ergueu as sobrancelhas numa falsa humildade. — Consigo entender, mas acho impossível falar.

Com uma expressão desafiadora, falei em português:

— Você é insuportável.

Ele riu.

— Não sei se é a voz ou a língua, mas parece um elogio quando você fala — ele deu ré no carro para fora da vaga. — Você é bonita – falou em um português arranhado.

Eu dei uma risada.

— Obrigada – respondi.

Ele tirou uma das mãos do volante e estalou seus dedos.

— Nós deveríamos comemorar a sua vitória!

Eu fiz um X no ar.

— Não precisa.

— Claro que precisa! – insistiu. — Diga aonde você quer ir, e nós vamos.

Eu balancei a cabeça, hesitando.

— Se você não escolher, eu escolho. — Ele manobrou o carro para fora do estacionamento. — Espero que não se importe.

Eu dei uma risada.

— Fique a vontade, Jung Hoseok.

Ele olhou para mim repreensivo.

— Eu não vou chamar você de Oppa — declarei.

Ele revirou os olhos, desapontado.

— Algum dia, Lee Yuri, você me chamará de Oppa. Pode apostar.

Eu ri, divertindo-me com sua inquietação.

— Onde vamos, Hoseokssi?

Ele bufou.

— Está meio frio, não é, Hoseokssi?

Ele revirou os olhos.

— Vamos ligar o rádio, Hoseokssi?

Ele tentou segurar uma risada, enquanto minhas mãos seguiam para o painel.

— Espero que não se importe, Ho–

Antes que completasse, ele soltou uma de suas mãos novamente, prendendo minha mão no ar.

Corei, mas não deixei de implicar.

— Cadê o seu pendrive, Hoseokssi? — minha voz estava menos forte, desta vez.

Ele não soltou nossas mãos.

— Eu desculpo você, Hoseokssi.

Ele me olhou rapidamente, confuso.

— Por aqueles incidentes de antes — expliquei.

Então, entrelaçou nossos dedos.

E mesmo que eu quisesse afastá-lo, porque aquilo parecia muito íntimo, eu deixei nossas mãos unidas.

Balancei minha cabeça, tentando acostumar-me com aquela situação.

— Você é estranho, Jung Hoseok.

Ele deu um sorriso.

— Espero que você goste de doces, Yurissi.

Mordi o lábio.

— Tipo cheesecakes?

— Tipo cheesecakes – repetiu.

Eu assenti, tentando tirar a neblina da minha mente. O calor da sua mão na minha me distraía.

Lembrei-me rapidamente, do que Jinhee me dissera antes: “Jung Hoseok… Por incrível que pareça, ele era um oppa legal”.

Olhei-o de canto, ainda sorridente enquanto segurava minha mão.

Talvez ele fosse mesmo um oppa legal.

Notas finais
Comentem o que acharam ♥