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1 Eu Não Espero que Ela Goste de Você


Notas iniciais
Hm. Não sei bem o que escrever nestas notas. Eu mesma costumo ignorá-las quando estou lendo uma fanfic, então nunca dei tanta atenção à elas. Enfim, antes de mais nada, não sou a única escritora desta fanfic, e o nyah! não é o único lugar pelo qual está sendo postada. Nos próximos capítulos, disponibilizarei nas notas os links para os outros sites, caso alguém prefira ler por outro lugar. Espero que gostem e acompanhem!! Por favor, leiam as notas finais para mais detalhes sobre a composição desta fic.

— Grazie, Pietra – agradeci à senhora que colocava um prato com ovo mexido na minha frente.

Ela respondeu em uma mistura de italiano com coreano e reconheci as palavras ‘’muito magra’’ e ‘’comer mais’’ – era difícil saber, já que seu vocabulário na minha língua era muito pobre e vice-versa. Limpou as mãos no avental e se virou para a cozinha, sempre sorridente. Observei enquanto se retirava, lutando contra o impulso de pedir para que me acompanhasse no café da manhã.

Suspirei. Teria que contar para o doutor Wu que ainda não encontrara uma companhia para minhas refeições. Meu psicólogo estava preocupado com minha alimentação; sabia que eu tinha dificuldade em me forçar a comer quando estava sozinha. Isso nunca tinha sido um problema, já que até alguns meses atrás tinha Sunhee (minha irmã) e Soekli (minha babá) na mesa durante as refeições. Agora que ambas haviam ido embora, tinha perdido mais de quinze quilos em três meses. Até as roupas novas precisavam ser ajustadas para encontrar o que vestir, já que estava perdendo peso rápido.

Pesarosa com a lembrança, dei umas garfadas penosas nos ovos e bebi alguns goles de suco. O barulho dos talheres na mesa de vidro parecia ensurdecedor diante do silêncio da sala espaçosa, embrulhando meu estômago. Sempre me sentia mal quando não conseguia comer o que era posto na minha frente; um prato com ovos, a cesta com pães, uma jarra de suco, uma tigela com frutas, café, leite, entre outros acompanhantes – Pietra fazia um banquete para mim todas as manhãs. Forcei-me a comer alguma coisa, sabendo que aquela poderia ser a minha única refeição do dia – e era justamente hoje que não podia correr nenhum o risco de desmaiar ou de passar mal. Tinha que ter energias para não surtar.

Em cima da mesa, meu celular tocou.

— Alô? – engoli algo que desceu pela minha garganta como se fosse papelão.

A voz zangada e exasperada da minha irmã soou pelo fone.

— É verdade que você vai se mudar com Lee Yuri? Isso foi ideia da mamãe, não foi?

— Bom dia, unnie – um sorriso brincou nos meus lábios. – Você não deveria estar no consultório?

— O que ela tem na cabeça, francamente? – Sunhee bufou no outro lado da linha. – Como você pôde deixar isso acontecer? Você tem que se impor mais, Jinhee! É com a sua vida que ela está brincando de deus.

— Ela não me obrigou a me mudar, eu que quis – peguei o copo de suco. – Ela ofereceu e eu aceitei. Você sabe como odeio as casas dos nossos pais.

Ela riu, secamente.

— É isso que fala para si mesma? Se esse fosse o motivo, teria vindo morar comigo quando te chamei. Mas você tem medo porque sabe que a mamãe me odeia.

— A sra. Choi não te odeia – minha voz saiu mais baixa do que pretendia. – Ela quer o seu bem, mas o que acha que é melhor pra você não é o que você escolheu.

— Como se eu tivesse escolhido ser gay – ela riu. — Isso não vem ao caso, não mude de assunto. Você tem que parar de fazer tudo o que ela manda.

— Eu não faço tudo que ela manda.

—Eu não vou nem discutir contigo, nós duas sabemos que você morre de medo de contrariar ela.

— Não pode me julgar por isso – peguei um pão na cesta, apoiando o celular entre a cabeça e o ombro. — Você, mais do que ninguém, sabe do que ela é capaz.

— Jinhee, por tudo que é mais sagrado, você já tem dezoito anos!

— Espero que não esteja no consultório. Deve ter uma fila de pessoas esperando para ser atendida enquanto a médica me dá bronca.

— Estou no terraço. Pare de mudar de assunto – fungou. – Você tem o direito de viver sua própria vida, Jinhee, de fazer suas escolhas. Já passou tempo demais presa nessas correntes. Mamãe não pode mais te ameaçar com internatos na Suécia nem com prisão domiciliar. Não tem mais nada a perder.

—Hm... – coloquei o resto do ovo mexido dentro do pão. – Ela poderia cancelar minha matrícula na universidade.

— Você odeia medicina, de qualquer jeito – ela rebateu. — Só entrou no curso daquela porcaria de escola de elite porque ela plantou essa ideia na sua cabeça desde que nasceu.

—Não odeio medicina – me defendi. – E ela também pode pegar o apartamento novo de volta.

—Então você viria morar comigo e seríamos felizes para sempre.

— Mas aí a Yuri ficaria sozinha, então acho que ela não faria isso.

— Você falou com a Yuri sobre isso, pelo menos? – minha irmã resmungou. – Ainda não acredito que mamãe ofereceu a própria filha pra agradar dois colegas de negócios.

— Trocamos algumas mensagens. Não sei bem como agir, já que tudo aconteceu tão rápido. Mas ela foi bem amigável. Acho que vamos nos dar bem.

Descansei o copo na mesa.

—Esse barulho é de comida?

—Você me ligou sete da manhã. Estou tomando café.

— Jinhee, é feriado. Ninguém da sua idade acorda sete da manhã de um feriado por vontade própria. Você ao menos dormiu?

—Um pouco.

—Você tem dormido bem? – perguntou, e percebi o quão preocupada deveria estar, depois da reação que teve ao me ver tão fisicamente diferente há alguns dias. – E nem tente me enganar, sei que tem problemas com sono – acrescentou.

— Até dormi bem, esta semana. Umas quatro horas por dia, mais ou menos.

Suspirou, insatisfeita.

— Quando nos vimos na semana passada, pensei que você estivesse fazendo greve de fome. Fico feliz sabendo que você está comendo. Quanto está pesando?

— 55. – engoli em seco – Não se preocupe com isso.

Sua resposta não veio de imediato. Quase podia vê-la cerrando os olhos, suspeitando da minha mentira.

— Ou você fala o seu peso real agora, ou quando eu for te visitar na sua nova casa levo a minha balança. Pode escolher.

— Unnie, é sério. Não se preocupe com isso. Eu estou indo para o médico e minhas taxas estão ótimas.

— Não acredito em você. Vou querer ver seus exames também, se não me contar seu peso.

Analisei minhas opções. Meus resultados eram piores.

— ... 42.

Ela ficou um tempo em silêncio, enquanto eu pescava algumas uvas do cacho nervosamente.

— É por causa da Soekli? – perguntou, a voz mais suave.

— Acho que não. – respondi, e pude sentir a hesitação na minha voz perante o assunto – Eu só não gosto de comer sozinha.

Minha irmã suspirou, do outro lado da linha.

—Ela era mais nossa mãe do que a biológica. – falou.

Concordei com a cabeça, sem querer admitir em voz alta. Mas era verdade; Soekli cuidara de mim desde que eu nasci, e a sra. Choi nunca foi uma presença muito forte na vida das filhas. Quando precisava de conselhos ou de uma presença materna, era para a babá que eu ia. Me acompanhava para os lugares e morava comigo como se fosse, na verdade, a minha mãe – apesar de eu só ter percebido isso depois que ela morreu.

— Semana passada fez três meses. – Sunhee falou – Você visitou seu túmulo?

—Sim.

— Lírios brancos?

—Hu-hum. – concordei.

— Me sinto mal por nunca ter tempo para ir. – desabafou.

— Eu disse isso quando estava lá. – sorri – Tenho certeza de que ela não se importa. Iria querer que vivêssemos nossas vidas. Vá quando tiver tempo.

Ficamos caladas. Estava com medo de o assunto fazer minha irmã chorar – ela não era tão forte nesse aspecto.

— Eu tenho que voltar para o consultório. – declarou, sua voz um tom mais sério – Você vai ficar bem?

— Não se preocupe tanto comigo, unnie. Tenho dezoito anos, lembra?

— Você que parece esquecer, Jinhee. – ouvi um barulho de porta se abrindo e imaginei que ela estivesse saindo do terraço – Pare de agir como se tivesse trinta. Sua idade é para ser imprudente e cometer todos os erros que puder.

— Acho que estou fazendo certo, então. – ri.

—Ah, isso me lembra; algum progresso com o Tae?

—Ahá.- minha voz não tinha um pingo de humor – Você ainda tem esperanças?

—Ele não pode te odiar pra sempre. – a ouvi cumprimentar alguém, no outro lado da linha – Pelo menos, não por uma história tão mal contada como aquela.

—Ele não tem motivo para questionar o Hoseok. – falei, como que pela vigésima vez – É, tipo... Me deixa pensar em um exemplo aqui. Eu te conto uma versão de uma história e a sra. Choi te conta outra. Em quem você acredita?

— Em quem tiver provas. Mas eu entendi o seu ponto.

— Ele não vai querer acreditar em mim enquanto o Hoseok estiver na jogada.

—Ele é burro.

—Isso não importa mais, de qualquer jeito. Há muito tempo eu desisti de tentar falar a verdade para ele.

—Então, você é burra.

— Se ele souber, pode ser que se afaste do F4. – suspirei – Sei que você acha aquele grupo ridículo, mas são as pessoas que o ajudaram quando precisou. Não vou tirar isso dele por um motivo egoísta.

—Não é egoísta. E você também o ajudou.

—Ele está melhor sem mim.

— Você é tão ingênua, Jinhee. Pare de se menosprezar e lute pelo que quer. Isso vale para o resto da sua vida, também. Ninguém além de você deve fazer suas escolhas. Agora, eu tenho que ir.

—Ah, espera. Eu tenho um trabalho de anatomia para quinta. Algum conselho para agradar o professor?

—Hm... O sr. Jung gosta de maquetes.

—Como você fez o seu?

— Não me lembro. Durante todos os meus anos na Shinwa, acho que devo ter feito pelo menos uns 50 trabalhos.

— Ahn. – gemi – Eu detesto isso.

—É, os trabalhos são chatos mesmo, quando você não gosta do assunto. Eu gostava da Shinwa, apesar de toda a futilidade das pessoas de lá. Ela tem um sistema acadêmico muito puxado, mas, agora que trabalho num hospital, percebo que valeu a pena. Falando nisso, tenho que trabalhar.

—Tchau, unnie. – cantarolei, me espreguiçando na cadeira – Ganhe muito dinheiro. Salve algumas vidas.

— Pode deixar.

*

O nome ‘’Choi Sunsaenin’’ iluminou o painel do carro quando eu fechei a janela após pegar o cartão de estacionamento. Segui caminho rapidamente para não atrapalhar a passagem dos outros veículos.

— Alô?

— Por que demorou tanto para responder, você estava dormindo? – a reclamação soou tão calma que me confundiu por um momento — Esqueceu que dia é hoje? Eu realmente espero que esteja se arrumando para sair.

—Estou estacionando o carro.

— E onde você está?

— Acabei de chegar ao aeroporto.

— O horário do voo da Yulie-ah mudou?

— Até agora não, ela vai chegar duas da tarde.

— São nove horas. O que faz aí agora?

— Eu –

— De qualquer modo, não importa. – me cortou — Só tenha o cuidado de ficar em um lugar com ar condicionado, não quero que Yulie-ah pense que filha minha fede. – fez uma pausa, esperando que eu respondesse.

— Hm.

— Você está com o presente?

Contive um suspiro.

— Está no bagageiro.

— Não se esqueça de dar a ela. E, pelo amor de Deus, expresse nossa verdadeira tristeza por não poder recebê-la apropriadamente. Explique que eu não posso faltar à inauguração do hospital aqui em Busan e que o sr. Choi foi obrigado a estender a viagem no Japão.

— A senhora está em... Busan?

— Há três dias.

— Pensei que estivesse na China com o senhor Choi.

—Deixamos a China há duas semanas. Ele não se interessou pelo projeto que ofereceram lá e partiu para o Japão. Parece que as coisas estão dando certo agora.

—Ah.

— O que foi?

— Nada. – controlei o tom de minha voz.

— Sabe que odeio respostas mal dadas, Jinhee. Fale de uma vez.

— É só que eu não sabia que você, quero dizer, que a senhora estava de volta à Coreia.

— E que diferença isso faz?

— Nenhuma, mas... Eu poderia ter cozinhado alguma coisa para nós inaugurarmos a cozinha do apartamento novo. Você sabe, juntas. Faz muito tempo desde a última vez que eu te vi, e isso teria sido incrível. Ver você de novo. Acho que a última vez que nos vimos foi na inauguração da...

—Soo Young, os documentos estão todos aqui? – Ela falou com alguém do outro lado da linha.

Sua voz estava abafada, então presumi que estivesse tampando o fone com a mão.

— Ãh, senhora Choi? Mãe...? Está me ouvindo? – esperei alguns segundos até ela me responder.

— Jinhee, vou desligar. – disse, de repente.

‘’Chamada encerrada’’ apareceu no painel do carro.

—Tchau. – despedi-me em um sussurro.

Pelo menos dessa vez foi ela quem me ligou primeiro.

Tendo estacionado o carro, reclinei o banco do motorista e coloquei um CD para tocar. Seriam longas horas de espera, então estava equipada meu bem mais precioso: meu notebook.

Mais por necessidade do que para passar o tempo, comecei a trabalhar em um seminário sobre os tecidos humanos para a próxima semana. Questionava a necessidade de tantos trabalhos no curso de medicina; tinha que apresentar no mínimo três por mês, e aquilo estava esgotando meus nervos. Talvez fosse a universidade em si e não o curso que tornasse aquilo tudo tão estressante.

Por volta das onze horas, descartei o projeto ainda inacabado e fui assistir a um filme — o tempo passou muito mais rápido.

Quando o relógio marcou uma da tarde, saí do carro e conferi o número do voo de Yuri pelo celular. Dentro do aeroporto, localizei seu portão de desembarque e me sentei em uma das mesas do McDonald’s ali perto. Usaria o tempo restante em uma tentativa de me acalmar e organizar os pensamentos antes de sua chegada.

Lee Yuri... Fazia anos que eu não ouvia esse nome. Trazia à mente imagens nostálgicas de uma garota de 10 anos – pálida, com os joelhos ralados e o cabelo preto sempre despenteado. Apesar de eu lembrar muito vagamente dos detalhes da minha infância, Lee Yuri era um nome muito importante em minha memória. Eu, Lee Yuri e Kim Nami éramos um trio inseparável (na época pensávamos assim, pelo menos). Apesar de termos perdido contato, até meus 8 anos de idade – antes de Yuri se mudar para o Brasil – nós éramos praticamente irmãs.

A mãe de Nami costumava dizer que éramos ‘’farinha do mesmo saco’’. O pensamento me fez sorrir.

E agora, dez anos depois, Yuri não só estava de volta para a Coreia como iria morar comigo.

Eu nunca cheguei a perguntar, mas tinha certeza de que meus pais nunca aprovariam eu me mudar para um apartamento sozinha. Eles provavelmente não aceitariam meus argumentos, e apesar de entender o porquê, não concordava. De qualquer forma, estava esperando completar 18 anos para pedir. A data passou e eu não tive oportunidade; estavam sempre viajando e não atendiam meus telefonemas. Por isso foi um milagre dos céus quando os pais de Yuri ligaram para os meus – que eram amigos de longa data – e conversaram sobre não se sentirem seguros quanto a Yuri voltar para a Coreia sozinha depois de tantos anos.

Não contaram como se deu o desenrolar da conversa, mas acabou que me mudaria com ela para um apartamento perto da universidade de Shinhwa – onde nós duas estudaríamos juntas.

Hm... Universidade Shinhwa. Não fazia ideia de como Yuri se comportaria diante da hipocrisia das pessoas de lá — a maior e melhor universidade da Coreia, sem dúvida. Abrangia diversas áreas e seus cursos eram de fato reconhecidos como mais do que apenas exemplares. É verdade que a mensalidade era uma nota preta, mas era um preço a se pagar pela aprendizagem de ponta e, claro, pelos contatos que conseguiria – arranjar um emprego depois de concluir um curso ali era certo.

Mesmo assim, eu nunca matricularia um filho meu ali contra a vontade dele.

Filhos do mais alto escalão da Coreia estavam matriculados naquela universidade. Herdeiros de empresas, poderosos sobrenomes, riquezas incríveis; filhos de famosos, políticos, militares, artistas. Muito raramente alguém recebia uma bolsa de estudos, e, quando conseguia, mais difícil ainda era mantê-la. O bolsista, além de ter de lidar com notas obrigatoriamente acima de noventa e cinco, tem que aprender quem ele não deve irritar – conhecimento comum para quem já está acostumado (uma vez que os ricos de Seul costumam estudar nas mesmas escolas desde cedo).

O atual bolsista se deu mal nesse quesito. Eu não sabia bem os detalhes, mas ele recebeu a maior maldição possível daquele inferno: um cartão vermelho do F4.

E, bem, F4 era a elite da elite. Ele não deveria ter mexido com eles; ninguém deveria.

Alguns aprenderam com o meu erro, outros não.

Tentei afastar o assunto da cabeça; toda vez que lembrava sentia uma pontada de amargura.

Eram uma e meia, agora.

Eu não me importava de morar com Yuri – muito pelo contrário, a mudança era mais do que bem vinda – mas, custava perguntar? Por mais que fosse Yuri, minha amiga de infância, continuava sendo Yuri, minha amiga de infância com quem eu não tinha contato há mais de dez anos.

Mas, não. Esse lance de sentar e conversar não rolava na minha família.

Só fiquei sabendo que me mudaria três dias antes da chegada dela, quando entrei em casa e não encontrei nenhuma das minhas coisas – me perguntando se teria sido roubada ou possivelmente expulsa de casa. Um telefonema com menos de três minutos de duração e pronto, estava informada da minha situação.

Minha teoria era que mamãe provavelmente pensava que, ao me dar o mínimo de tempo possível para pensar no assunto, as chances de eu pular fora do acordo seriam menores.

Mal ela sabe que eu faria de tudo para não ter que passar nem mais uma noite naquela casa.

O apartamento novo era muito maior do que o necessário para apenas duas pessoas, mas era confortável (para mim, quanto menor melhor). Estava determinada a nunca mais voltar para a casa dos meus pais, então teria que conviver pacificamente com Yuri. Esperava que ela não tivesse mudado muito desde a última vez que a vi, mas isso era impossível; haviam se passado cerca de dez anos desde então.

Eu estava arrumada para dar uma boa impressão; tinha coberto as olheiras com maquiagem e feito uma trança no cabelo. Vestia um vestido branco rendado até os joelhos e calçava uma sandália cáqui.

Minha estratégia para um convívio pacífico seria agradá-la. Eu tinha comprado donnuts e um copo de chocolate gelado para o caso de ela chegar com fome. Tinha reservas em um ótimo restaurante e um presente no bagageiro.

*Por favor, Deus. Permita que nada dê errado hoje e eu prometo que amanhã termino meu trabalho sobre os tecidos humanos.*

O toque do meu celular me tirou de meus devaneios. ‘’Choi Sunsaenin’’ – minha mãe estava me ligando de novo. Não conseguia me lembrar da última vez que ela falou comigo mais de uma vez no mesmo dia.

— Sra. Choi? – podia ouvir curiosidade e surpresa estampadas em minha voz.

—Ela já chegou?

— Ah. Não, ainda é uma e quarenta, sra. Choi.

—Você conferiu as reservas no Dom Royale?

— Acabei de ligar para o restaurante confirmando.

—Bom. Sua chegada tem que ser perfeita. Escute, Choi Jinhee. – eu quase podia enxerga-la se aprumando em sua cadeira enquanto dizia aquelas palavras, o tom de voz comedidamente calculado — Se o assunto acabar e vocês não tiverem o que falar, pergunte sobre sua família e sobre o Brasil. Pergunte como foi o voo e seja educada, pelo amor de Deus. Não me faça passar vergonha. Eu não espero que Yuri goste de você, mas você ainda é minha filha. Tente passar uma boa impressão, entendeu?

—Hm.

—Lembre-se sempre que é da Yulie-ah de quem estamos falando. Eu a adoro e seus pais são grandes companheiros nossos. Eles ajudaram o seu pai a fundar nosso primeiro hospital em Seul, então devemos muito a eles. Ela não deve lembrar muito da Coréia, então faça um tour completo; mas não a canse. Se ela tiver esquecido a língua, aprenda português e fale com ela. Hm... Não invada o espaço dela e não reclame se ela invadir o seu, essas coisas se resolvem com o tempo.

Alguém a chamou do outro lado da linha:

—Sra. Choi, seu carro está a sua espera.

—Estou indo. – respondeu antes de continuar a falar – Choi Jinhee, lembre-se do que eu falei. Vou desligar.

— Tchau, mãe. – consegui me despedir antes de sair da linha, mas provavelmente ela não ouviu.

‘’Eu não espero que Yuri goste de você’’.

Tentei não pensar no que ela quis dizer com aquilo e coloquei meus fones de ouvido.

Uma notificação interrompeu a música quase que imediatamente.

*Você recebeu uma imagem de um número desconhecido*

Uma amostra da foto se abriu na tela do celular. Era uma selfie de um casal; eles me eram familiares. Deviam ter a mesma faixa etária, por volta dos 20 anos, e eram diferentes demais para serem irmãos; as feições finas e delicadas da menina não tinham nenhuma semelhança com o rosto do garoto, e a pele clara dela contrastava com a dele, um tom mais moreno. Os dois eram muito charmosos, e não levou muito tempo para reconhecê-los.

Namjoon fazia careta para a câmera e Yuri apontava para ele como se estivesse surpresa. Atrás deles havia uma fila de pessoas — a maioria segurando bagagens — e mais ao fundo uma tela com números e horários de voos sugeria que eles estavam no aeroporto.

Uma mensagem seguia a imagem:

Yuri : Olha quem eu encontrei aqui! Você se lembra do Namjoon?

Jinhee : É difícil esquecer, a gente vivia na casa da Nami e ele sempre estava lá.

Yuri : É, isso e ele é super famoso agora. Quem diria, não é mesmo?

* Yuri adicionou Namjoon na conversa *

Namjoon : Eu morava na casa também, você sabe. A Nami é minha irmã.

Jinhee : Namjoon, quanto tempo. Como você está?

Namjoon : Sinto sua falta, Jinhee. Você nos abandonou.

Jinhee : Também sinto falta de vocês. Você nem imagina.

Yuri : Aqui estão duas caras que eu não vejo há séculos.

Namjoon : Tecnicamente, você não está vendo a Jinhee.

Yuri : Você entendeu.

Jinhee : Sem querer ser estraga prazeres nem nada do tipo, mas... Namjoon, o que você faz aí? Não vi nenhuma tag no Twitter anunciando a sua chegada.

Namjoon : Eu vim secretamente para não ser reconhecido. Nem o staff sabe ainda, então eu agradeceria se você mantivesse segredo.

Jinhee : Hm... Meu silêncio vai custar caro. Não é sempre que uma celebridade do seu escalão comete um descuido desses.

Yuri : Além de que eu acho que aquelas meninas que estavam no nosso voo perceberam quem você é.

Namjoon : ...Não tem nada no Twitter.

Jinhee : Ainda.

Yuri : As fãs vão te comer vivo.

Jinhee : O que você quer escrito no seu túmulo?

Namjoon : Lembrei agora porque não gostava quando vocês iam lá em casa.

Yuri : Você amava a gente, pode dizer.

Namjoon : Vocês roubavam todos os meus salgadinhos.

Yuri : Isso não é verdade.

Namjoon : É sim.

Jinhee: É sim.

Yuri : Tudo bem, a gente pegava um ou dois. Mas você nunca brigou por isso.

Namjoon : Porque vocês faziam a Jinhee fazer aegyo para eu me distrair enquanto vocês assaltavam a cozinha.

Jinhee : Sempre funcionava.

Yuri : Vocês conhecem o ditado: conheça o inimigo e use isso contra ele.

Jinhee: Não acho que isso seja um ditado.

Namjoon : Não é um ditado.

Yuri : Agora é. Quero meus direitos autorais se vocês forem usar, aliás.

Jinhee : Você não parece ter mudado nada, Yuri.

Yuri : Claro que mudei. Todo dia eu sou uma nova Yuri. Aliás, espero que você não esteja dizendo que eu continuo gorda. Eu parei de roubar salgadinhos de futuros idols há algum tempo.

Namjoon : É mentira, ela comeu todo o meu Cheetos durante o voo.

Yuri : Vocês estragam toda e qualquer tentativa minha de ser engraçada, céus.

Jinhee : Estou aliviada. Estava com medo de que você talvez tivesse criado uma personalidade difícil de lidar, mas vejo que você continua alegre como antes. Por favor, vamos nos dar bem.

Yuri : Omo, que fofa *^*. Vamos sim, querida. Você continua tímida?

Namjoon : A Jinhee nunca foi tímida.

Yuri : Ela era calada.

Jinhee : Eu tenho meus momentos.

Yuri : E então, como vai a Coreia? Não acho que o Namjoon saiba responder essa, já que ele só respira ar internacional agora.

Jinhee : Hm... Nada mudou muito. As ruas continuam as mesmas, as pessoas continuam as mesmas, as escolas continuam as mesmas.

Yuri : Será que eu vou reconhecer alguém? Eu fui ver o álbum de fotos da escola e, meu Deus. A gente era tão fofa, e o resto do pessoal era todo feio.

Namjoon : Você não mudou nada mesmo.

Yuri : Tem gente bonita onde a gente vai estudar? Não que eu esteja procurando alguém no momento, é só curiosidade. A propósito, você tá namorando, Jinhee?

Jinhee : O pessoal se cuida bem, lá na universidade. Não sei qual é o seu padrão de beleza, mas tem muitos agentes de modelos que vão procurar uma cara nova lá de vez em quando.

Yuri : Omo. Agente de modelo?

Namjoon : Ela não respondeu à última pergunta.

Yuri : Oh, e você está curioso? Antigos sentimentos estão voltando à tona?

Namjoon : Isso soa tão estranho.

Yuri : Concordo. Retiro o que disse. Na época o seu crush pela Jinhee era fofo, mas agora seria estranho. E perigoso.

Jinhee : Contanto que vocês não espalhem, tudo bem. Imagina o que aconteceria com a minha imagem se saísse na internet que o Idol RapMonster levou um fora meu?

Yuri : Iriam queimar o nosso prédio.

Namjoon : Minhas fãs não são tão violentas.

Jinhee : Soube que elas jogaram coisas em você durante um show no México. Calcinhas, inclusive.

Namjoon : É, bem. Isso não foi violento.

Yuri : Quem diria que o nosso Namjoom, o vara-pau desengonçado com um vício em óculos escuros, se tornaria o RapMonster, o Idol top trending do momento que recebe calcinhas das fãs? Jinhee, querida, você perdeu um bom partido.

Jinhee : Não é? Aliás, Namjoon – quero dizer, RapMonster -, o que acontece com as calcinhas? Vocês jogam fora?

Namjoon : Ei, eu continuo sendo eu. (E o staff que cuida das coisas que jogam no palco, então não tenho certeza do que acontece com elas. Talvez fiquem na sala de presentes).

Jinhee : Sala de presentes?

Namjoon : Fica na empresa.

Jinhee : É uma sala só com presentes das fãs?

NamJoom : Costumava ser um escritório. Não dá pra levar tudo pra casa, e tem umas coisas bem estranhas lá.

Yuri : Defina ‘’estranho’’.

Namjoon : Um cachecol feito de cabelo.

Yuri : Ah. Que... fofo?

Namjoon : Tinha cheiro de shampoo.

Jinhee : Você cheirou?

Namjoon : Na hora eu não sabia que era cabelo de verdade.

Yuri : Jinhee, estamos entrando no avião agora, espere um pouco.

Namjoon : Nós deveríamos sair para algum lugar depois do voo. Você já almoçou, Jinhee?

Jinhee : Ainda não. Eu e Yuri temos reserva em um restaurante para irmos comer quando ela chegar. Você quer ir com a gente?

Yuri : Onde nós vamos?

Jinhee : No Dom Royale. Minha mãe falou que seria uma boa escolha, já que eu não sei o que você gosta de comer e lá é conhecido por ter várias opções de cardápio.

Yuri : Parece bom. Você conhece, Namjoon?

Namjoon : Sim, mas lá é muito aberto para mim. Vocês não vão conseguir comer confortavelmente se eu for.

Jinhee : Então eu cancelo as reservas e ligo para outro lugar. Onde você sugere?

Yuri : Ser uma celebridade deve ser cansativo. Quando foi a última vez que você foi pro McDonalds?

Namjoon : Ontem, em um aeroporto. E quanto ao restaurante, qualquer lugar fechado serve.

Jinhee : Hm... Tem um restaurante que uns amigos me recomendaram há algum tempo, mas nunca tive a oportunidade de ir. É dentro de um prédio, então não tem como causar tumulto.

Namjoon : Isso é um desafio? Sou mestre em causar tumulto.

Jinhee : O nome do lugar é UnderGround. Vou fazer as reservas.

Namjoon : Eu conheço. Não precisamos de reservas.

Yuri : Oh, desculpe, Rap Monster. Esqueci que você ostenta, agora.

Namjoon : Me chama de Namjoon, por favor. E eu quis dizer que lá não é muito cheio, principalmente essa hora.

Yuri : Nosso Namjoon perdeu completamente o senso de humildade, Jinhee. Você fez bem, rejeitando-o.

Jinhee : Ainda tenho fé que a Nami está tomando conta desse lado dele.

Namjoon : Ela é uma das poucas pessoas que me tratam como Namjoon.

Yuri : Own *^* A gente tá aqui pra te tratar feito um humilde plebeu também, agora.

Jinhee : Falando na Nami, você acha que ela aceitaria almoçar com a gente? Para completar o quarteto.

Namjoon : Vou perguntar. Temos que desligar o celular agora. Até daqui a quarenta minutos, Jinhee.

Yuri : Annyeong =D

Jinhee : Boa viagem.

Pousei o celular sobre a mesa. Uma onda de alívio inundou meu corpo, tirando parte da tensão que acumulara nos últimos três dias.

Tecnicamente, tirando as breves mensagens diretas trocando informações e endereços para que eu pudesse realizar sua matrícula na universidade, aquele havia sido meu primeiro encontro com Yuri – mesmo sem ter sido cara a cara. E as coisas ocorreram bem. Na minha cabeça, agora, mais do que alguém com quem eu deveria conviver pacificamente, talvez eu e ela pudéssemos até nos tornar próximas?

Talvez estivesse sendo muito otimista. Falar por mensagem era muito mais simples do que uma conversa cara a cara.

E... Namjoon. Me arrependia tanto do que havia feito... Gostaria de dizer que não tive escolha a não ser deixá-lo, mas isso soava como uma desculpa. Sempre temos outra escolha. Por isso ver um outdoor na rua ou ouvir alguma música dele me trazia uma onda de orgulho, mas acompanhava uma culpa bem merecida. Ele devia ter me superado há muito, e esperava que eu também.

Levantei a cabeça quando duas meninas entraram no McDonalds. Uma delas tinha cabelo pintado de azul, o que me chamou atenção. Deviam ter por volta de quinze anos. Elas estavam sem fôlego e vermelhas, como se tivessem corrido até ali. Tive um mau pressentimento quando percebi que as blusas que usavam tinham o rosto do Rap Monster estampado; decidi prestar atenção no que falavam.

— Eu tenho certeza de que é ele nessa foto. Ele usou essa mesma camisa no evento cultural que teve em junho do ano passado aqui em Seul. Está vindo pra cá!

Elas se sentaram em uma mesa perto da minha.

— Mas isso não faz sentido. Na agenda dele no site da empresa diz que ele só vai chegar terça-feira que vem, e não sexta. Como você sabe que não é montagem?

— Porque quem tirou a foto é uma das líderes da fanbase oficial da Coreia do RapMonster. Ela não postaria isso se não fosse verdade, mas não temos como confirmar porque ela está sem internet dentro do avião.

Um garoto entrou correndo pelo McDonalds, parando em frente da mesa delas.

—Está todo mundo confuso se é ele ou não naquele avião. Estão dizendo que é ele na foto, mas os seguranças não foram avisados se teriam que abordar alguém para fora do aeroporto.

—O que vocês acham que está acontecendo?

— Será que vamos conseguir ver ele? Eu tenho três autógrafos, mas nunca tirei uma foto...

—Acho difícil. O voo vai pousar em dez minutos e aqui já está lotado de gente para vê-lo.

Olhei para o portão de desembarque, percebendo só agora a multidão que parecia ter brotado do além ali. Devia ter cerca de setenta pessoas, segurando cartazes e presentes. Alguém conseguiu um daqueles carrinhos de golfe que o aeroporto usava para transportar bagagens e tinha um cartaz preso por todo o para-brisa escrito ‘’BEM VINDO DE VOLTA À SUA CASA, OPPA’’.

Chequei meu Twitter. A primeira tag da Coreia e a terceira dos mundiais: #BemvindodevoltaRAPMON.

...

Eu não estava realmente surpresa, conhecendo como eram as fãs dos idols (principalmente deste em questão). Mas isso com certeza não deveria estar nos planos de Namjoon.

Peguei meu celular e fui até a mesa das três garotas, lentamente.

—Hm, com licença. – chamei a alguns passos de distância — Vocês estão aqui pelo Rap Monster também...?

— Você é army? – o garoto perguntou.

—Há pouco tempo, para falar a verdade.

—Qual a sua base?

—RapMonsterBrasil.

—Brasil...? – ele olhou para mim, desconfiado – Você é brasileira?

— Não. – desbloqueei a tela do meu celular – Olhem isso. Minha amiga está vindo no mesmo voo. Ela até tirou uma foto, então eu posso confirmar que é ele.

Mostrei o celular para elas.

A menina sentada no meio parecia estar tendo um ataque epilético.

—Ela está muito perto! Como ela... Ele pintou o cabelo! – arrancou o celular da minha mão e deu zoom no rosto dele – Eu amo quando ele fica com o cabelo platinado. Ele fica tão perfeito, e o rosto dele fica tão –

—Será que ele fez isso para o comeback? Ele estava com o cabelo dessa cor quando -

— Ele está voltando agora do tour, vai demorar algum tempo para o próximo comeback. – a menina com cabelo azul falou, se levantando – Falta menos de cinco minutos para o voo desembarcar, vamos para o portão.

Peguei meu celular em cima da mesa.

— Você vem com a gente. – o menino falou – Nós te colocamos na fila da frente com a nossa base e você nos atualiza através da sua amiga. O que você acha?

Fiz que sim com a cabeça, e eles me levaram em direção à multidão.

Eu não gostava de ficar no meio de muitas pessoas. Com meu 1,55 de altura, tudo o que eu enxergava na minha linha de visão era ombro e peito. Senti como se fosse cega, seguindo para onde a mão da menina me puxava. Estava arrependida por não ter calçado minhas anabelas naquele dia.

Quando chegamos à fila da frente, a menina com cabelo azul começou a falar sobre mim para outra pessoa – uma garota com uma blusa escrita RapMonsterSeul. Aproveitei aquele tempo para mandar uma mensagem de texto para Yuri.

Alguém me cutucou nas costas. Era outra menina que estava no McDonalds.

— Quando o avião chegar, você fala com a sua amiga para avisar quando ele for sair, ok? Quando ele estiver vindo eu vou dar o sinal para todo mundo gritar ‘’Bem-vindo, oppa’’, então grite o mais alto que puder! – sorriu, animada.

—Unnie, — uma menina chegou por trás dela – o bolo chegou. Não tem nada escrito porque não deu tempo de arrumar, mas pelo menos é de chocolate. O sabor preferido dele.

— Ótimo. Avise para tentar entregar quando ele tiver chegado perto do carro, assim não tem tanto risco de cair. Vou comandar para as pessoas darem espaço na hora.

Mais ao longe, alguém falou através de um megafone:

— A COR DA CAMISA É BRANCA. TODO MUNDO DIZ ‘’BEM-VINDO, OPPA’’ QUANDO LIBERAREM O SINAL. – ela apertou um botão no megafone, que fez um barulho estridente – ESSE É O SINAL.

O pessoal bateu palmas. Dava para sentir a animação das pessoas, todas sorrindo e nervosas.

Meu celular tocou.

Chamei a menina de cabelo azul, colocando a ligação no viva voz.

—Yuri? Estou no meio de uma multidão, então fale alto.

— Oi, estamos indo para o portão K06. Os seguranças disseram que tinha muita gente aí.

— Portão K06? – a menina quis confirmar.

—Sim. Quem é?

—Eu sou uma das representantes da base RapMonsterCoreia. – inflou o peito com orgulho – O RapMonster está indo para o portão K06 com todo mundo?

— Estamos pegando nossas bagagens ainda, mas o segurança disse para todo mundo seguir ele daqui a pouco.

—Estamos indo para lá, então.

—Vou ter que desligar. – Yuri disse — Estamos indo pra lá. Até daqui a pouco.

Desliguei o telefone e olhei para cima, mas a menina de cabelo azul não estava mais lá. Procurei por ela na multidão e não a encontrei. Segundos depois, ouvi sua voz pelo megafone:

—ATENÇÃO: ESTÃO LEVANDO O RAPMONSTER PARA O PORTÃO K06. ESSE É O B02. O CERTO É O PORTÃO K06, DO OUTRO LADO DO AEROPORTO. VAMOS RÁPIDO. AVISEM NAS REDES QUE O PORTÃO CERTO É O K06.

Eu parei de ouvir aí, tentando não ser levada junto com a confusão de pessoas correndo para alcançarem o portão a tempo. Escondi-me atrás de uma pilastra para não ser imprensada pela multidão.

Em menos tempo do que eu esperava, o lugar ficou vazio. O único vestígio de que antes houvera tanta gente ali era um cartaz que alguém deixou cair no chão. O peguei para entregar para Namjoon mais tarde. Aquele pessoal tinha feito tanto esforço para dar uma boa vinda calorosa que me sentia culpada agora.

Podia sentir a trança toda bagunçada na minha cabeça, mas não tinha um espelho para ajeitar o estrago. Teria que lidar com isso até chegar dentro do carro.

Meu celular tremeu.

Yuri : Estamos saindo. O que você está vestindo? Não tenho certeza se vou te reconhecer.

Olhei para o portão. Ao longe pude ver Yuri caminhando com Namjoon – agora vestido em uma camiseta preta.

Acenei para eles, sorrindo.

Notas finais
E então? Espero que tenham gostado tanto deste capítulo quanto foi divertido escrevê-lo. Meu nome é Carol, e eu sou a responsável pelos povs da Jinhee (e do Jimin e do Tae). A Camila é a responsável pela Yuri (e o Hoseok e o Jin), e a Maria pela Nami (e pelo Yoongi). O Jungkook e o Namjoon aparecerão, é claro, mas não é certo se terão povs. Somente a história dirá o futuro, e ela sempre pode mudar. Enfim, já estamos pensando em escrever esta fic há quase um ano, e finalmente conseguimos!! Urrul. Vai dar certo. Planejamos postar sem falta um capítulo a cada dez dias, no máximo. Pode ser que saia antes, dependendo de como estamos de capítulos prontos para postar. De qualquer modo, acompanhem e comentem o que estão achando, por favor. Espero que possamos trabalhar nesta história juntos, e ver como vai acabar. Qualquer erro de digitação ou algo que incomodou você de alguma maneira, sinta-se livre para expressar a sua opinião nos comentários. E, se quiser elogiar, saiba que vai pregar um sorriso na minha cara por no mínimo vinte minutos até eu conseguir pensar em outra coisa. ENFIM, as notas já ficaram muito grandes, e eu espero não ter esquecido nenhum detalhe crucial. Qualquer coisa, continuem checando as próximas notas para mais conversas monótonas e desnecessárias minhas. Perdão, sou estudante em plena época de simulado e já são 00:25. Se eu ficar de recuperação em físico-química, pelo menos foi por uma boa causa. Boa noite!! P.S. A talentosíssima Camila fez um trailer para a fanfic que ficou show, mas ainda não dá para disponibilizar o link porque não postamos em nenhum lugar. Quando puder, coloco na sinopse e nas notas!!