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2 Celebridades Amargas e um Irmão Egocêntrico


Notas iniciais
Teoricamente, seguindo as datas agendadas para a publicação dos capítulos, este aqui só sairia sexta-feira - já que as escritoras combinamos que sairia um a cada quinze dias. Mas, como estamos com folga no número de capítulos escritos, acho que os próximos virão antes do previsto. De qualquer modo, mesmo que os capítulos sejam muito longos, por favor continuem acompanhando! E, sintam-se livres para comentar.

Prólogo

Pov. Kim Nami

Eu estava atrasada. Muito atrasada.

A gravação do dorama que seria o meu debut estava próxima e ainda não tinha decorado nem mesmo duas falas. Não podia arriscar decepcionar os produtores de novo; não quando a confiança deles já estava por um triz. Depois do fracasso com a dança no meu antigo girl group, eles foram assustadoramente generosos me dando uma segunda chance para debutar; agora como atriz. Convenceram-me que as minhas composições poderiam ser úteis no teatro e, se me esforçasse, me tornaria uma roteirista ou atuaria na música como produtora. Não era nada do que eu havia planejado para mim, mas era o que tinha a meu dispor no momento.

Até consegui fazer algumas peças — as mais ridículas, inclusive -, mas perdi o total controle dos meus horários quando tive a brilhante ideia de atuar em várias ao mesmo tempo. Disseram que eu precisava de alguém que me ajudasse com meus compromissos e performances, e tiveram a brilhante ideia — para não dizer o contrário — de me arranjar um sunbae. Eu deveria ficar feliz por ter alguém para me apoiar e por não estar sozinha, certo?

Bem, não exatamente.

Se pudesse evitar, não queria gente se intrometendo na minha vida; mesmo que fosse com a melhor das intenções — e, normalmente, não era. Sabia que tinha o orgulho mais sensível do que o recomendado, mas não perdia tempo pensando sobre isso. Não gostava e ponto. Eu negaria o "sunbae" se pudesse, mas a minha atual situação não me dava muita escolha. Era pegar ou largar.

E, parada em frente à porta da sala que mudaria o meu futuro, pensava em todos os acontecimentos que me guiaram até ali, ensaiando o meu melhor — e, torcia, não tão falso — sorriso para não estragar tudo. De novo. Eu já estava até me convencendo de que tudo acabaria bem; adoraria o sunbae, nos daríamos bem e finalmente teria o meu tão esperado debut. O que daria errado, afinal?

Além de tudo?

*

Pov. Min Yoongi

Eu não tinha experiência em lidar com trainees. Não deveria ter aceitado me tornar sunbae de um — principalmente de uma garota como aquela, que já deveria ter debutado há muito tempo mas amarelou de última hora e desistiu, achando que iria conseguir debutar se tentasse de novo. Patética.

Seria inútil perder tempo enchendo a cabeça da pobre com palavras de apoio, iludindo-a e fazendo acreditar que um dia conseguiria realizar seu sonho — provavelmente alcançar pelo menos um terço do sucesso que pessoas como eu alcançaram. Ela deveria estar confusa e com a integridade frágil depois de todo o estresse pré-quase-debut. Bom, seria fácil a manipular para tirar da cabeça a ideia ridícula de ser atriz. E então, finalmente, aquele esforço serviria pra alguma coisa.

O fato é que ela sabia compor muito bem — tanto que até o próprio YG elogiou suas letras. Aquele era o único motivo porque a garota não fora expulsa da empresa na primeira oportunidade.

E o que isso tem a ver comigo?

Bem, não era cego nem idiota a ponto de não perceber que a minha carreira não estava no seu melhor momento. As músicas que fluíam da minha mente para o papel não vinham mais com tanta facilidade. E é claro que não me rebaixaria ao ponto contratar um compositor em busca de auxílio — a minha glória vinha de escrever minhas próprias músicas. E os produtores também não pareciam satisfeitos com os meus atrasos nos shows e nas fanmeetings (admito que poderia ser um pouco mais pontual, mas na maioria das vezes não era algo que pudesse evitar). Agora, pensavam que podiam me dizer como deveria agir para elevar minha moral, já que no cérebro lerdo deles “eu não tinha responsabilidade para administrar uma carreira tão saturada”. E, como se já não houvesse problemas o suficiente, ainda tinha o novato que mal debutara e o YG já o nomeara como o futuro da empresa. O tal Rap Monster estava ameaçando o meu monopólio e eu precisava, urgentemente, colocá-lo de volta no seu lugar.

Só precisava encontrar uma maneira eficiente de garantir o meu sucesso de volta o mais rápido possível. E, embora fosse ser um saco trabalhar com aquela garota, estava apostando que seria ela.

Aliás, quando era que não conseguia o que eu queria?

A verdade era que as pessoas me amavam. Eu só precisaria voltar a falar mansinho e distribuir uns sorrisos por aí para ter de volta a minha boa popularidade e recuperar a confiança do YG. E, quanto às composições, a tal Kim Nami seria minha solução. Ou melhor: meu banco particular de músicas.

Com um pouco de lábia, eu a convenceria de que não deveria ser atriz e que era melhor trabalhar pra mim se ainda quisesse ter alguma chance na indústria musical. Como ela morria de medo de perder a chance de ouro que tinha de debutar, iria compor cegamente sem me questionar. Era a maneira perfeita para me erguer de novo, sem levantar suspeitas e sem romper com a minha "filosofia". Eu teria novas músicas, voltaria ao topo facilmente e o tal Rap Monster não seria mais uma preocupação. Simples e fácil assim.

Ou pelo menos era isso que eu queria acreditar.

*

Pov. Kim Nami

Além do meu irmão, Namjoon, eu nunca havia encontrado um idol na YG. A empresa era bem rígida em relação a ''distrações'', então separava os trainees dos idols em dois prédios diferentes. E, se um dia encontrasse algum famoso durante o meu pré-debut, a probabilidade de ser aquele em especial era mínima. Ainda mais em uma sala de treinamento comum no prédio dos trainees.

Min Yoongi, mais conhecido como Suga.

O idol que, em pouquíssimo tempo, se tornou o mais amado, invejado, cobiçado e, por algumas atitudes inconsequentes, o mais odiado da Coreia. O tipo de artista que estava sempre no topo dos charts e das pesquisas de popularidade, que nunca perdia o posto de melhor compositor. Não era à toa que me inspirava em suas letras para escrever. O tipo que podia até ter um número assustador de haters, mas o de admiradores seria sempre maior. Yoongi era aquele por quem as pessoas, inclusive eu, facilmente se encantavam com o seu trabalho e com a sua paixão.

Mas o fato de ser tão popular me fez questionar o por quê de estar largado em uma sala de treinamento enquanto todos os estúdios VIP da YG — e de qualquer outra empresa — estavam à sua disposição.

Observei ele por um momento, sentado na cadeira de escritório com os pés apoiados em cima da mesa, digitando alguma coisa no celular com os fones de ouvido. Parecia não ter notado a minha presença. Sem saber o que fazer ou o que pensar — me segurando para não pedir um autógrafo–, bati suavemente na porta para chamar sua atenção.

— Com licença, disseram-me que esta sala estava vaga.

Esperei ele fazer algum sinal de que havia me escutado.

— Você entrou por engano, talvez? — perguntei, fechando a porta atrás de mim — Eu deveria esperar por alguém aqui…

Ele levantou os olhos para mim, indiferente, e se voltou para a tela do celular. Um sinal amarelo apitou na minha cabeça. Ele fingiu que não me viu?

Quando alguém se tornava trainee, aprendia da pior maneira a valorizar o tempo. Então, tão delicada quanto possível, caminhei até ele e tirei um de seus fones da orelha. Ele saltou na cadeira num relance rápido de susto e me lançou um olhar de raiva.

Opa.

Acabo de irritar o idol mais querido da Coreia no primeiro dia de treinamento e ainda nem está na hora do almoço. Palmas para você, Kim Nami.

Yoongi se levantou lentamente, os olhos cravados em mim, e retirou o segundo fone. Não era exatamente esse o tipo de atenção que eu queria.

— Posso saber que merda você pensa que está fazendo, pirralha? Nunca ouviu nada sobre bater na porta?

A agressividade em suas palavras me surpreendeu.

—Eu bati, mas você não ouviu. Desculpe por isso, eu não pretendia te assustar…

—Não assustou. Agora sai daqui que eu tenho mais o que fazer. — ele se virou para sentar novamente, recolocando os fones no ouvido.

Pisquei, desnorteada.

—Eu nunca tinha acreditado nos rumores da empresa, mas você realmente é… assim. — fiz uma careta.

—Te decepcionei? — ele apertou um botão no celular e fechou os olhos — Que bom que não tenho obrigação de dar atenção pra trainees, então. — deu de ombros.

Fiquei sem reação por alguns segundos. Toda a ideologia que tinha formada sobre ele quebrou na minha cara bem ali, e percebi que não era nada como eu imaginava. Já tinha ouvido alguns boatos sobre como ele tratava mal as pessoas, mas aprendi com Namjoon como rumores podiam não significar absolutamente nada — por isso tinha escolhido não acreditar. E, agora, como eu poderia negar, sendo a maior prova possível aquela na minha frente?

—Mas você é um idol! O maior nesta empresa! — me senti uma tola tentando argumentar.

—E desde quando ser idol significa dar atenção pra trainee? — ele riu.

— Desde quando? – olhei descrente para ele, que se virou para mim com uma expressão indiferente — Desde quando você inspira e serve de exemplo para as pessoas, talvez?! Você decidiu treinar tão intensamente pra ser alguém que nós, trainees, possamos nos inspirar e nos espelhar. — ele levantou a sobrancelha, pousando o celular na mesa — Um idol não só deve dar atenção como ajudar os trainees justamente por já ter passado por essa fase e saber que não é fácil ser alguém que tem agradar todo mundo.

Antes que tivesse tempo de me arrepender daquele discurso, ele começou a rir. Revi mentalmente o que havia dito procurando por algo que justificasse aquilo, a gargalhada que soava estranha na sala vazia.

Esperei que ele recuperasse o fôlego, me convencendo de que não deveria me sentir inferior.

— Você é idiota? — limpou uma lágrima do canto no canto do olho — Pensei que estivesse treinando pra ser uma idol, e não uma missionária. Se quiser passar a vida "sendo um exemplo para pessoas" e ajudando os indefesos, sugiro que saia desta empresa e vá para uma instituição de caridade. Eu conheço umas ótimas pra te indicar. — ele suspirou, divertido — Talvez você seja muito mais útil lá do que aqui.

— Como você pode dizer isso?

— Como você pode ser tão ingênua? — rebateu — Vai quebrar a cara mais cedo do que imagina. Ninguém quer que seja gentil; eles querem que você faça render o investimento que fizeram. Isso se chama capitalismo. — pegou o celular na mesa e deu uma última olhada para mim — Agora, se me der licença, eu tenho mais o que fazer. A porta está aberta pra você sair.

— Eu não vou sair. — me encostei na mesa, pronta para ser tão teimosa quanto ele — Esta sala está reservada no meu nome.

Ele respirou fundo, ainda sem levantar os olhos do celular.

— Não teste minha paciência.

— Não sei se percebeu, mas o mundo não gira ao seu redor. Eu também estou ocupada e tenho negócios a tratar nesta sala. Meu sunbae vai chegar a qualquer momento, mas, até aí, vou ficar aqui esperando. Se estiver incomodado, pode ir embora. A porta está aberta pra você sair.

Virou a cabeça para mim, semicerrando os olhos. Meu coração deu um salto, nervoso, quando ele arqueou a sobrancelha e analisou uns papéis que tinha sobre a mesa. Se virou para mim, balançando a cabeça negativamente. Sorriu. Não foi um sorriso amigável.

— Então... você deve ser a Kim Nami.

Oh, não.

— Como você sabe o meu nome?

— Não importa. — alinhou os papeis sobre a mesa — Percebi que você é bem desaforada, mas não é nada com que não possa lidar.

— Do que está falando?

Não me respondeu imediatamente. Estendeu a mão para mim, um sorriso jovial no rosto, satisfeito com a minha expressão confusa. Não apertei sua mão, e então declarou:

— Poderia dizer que é um prazer te conhecer, mas como não estou sendo pago para isso, prefiro não mentir. — guardou o celular no bolso — Sou seu novo sunbae, e esta é sua nova sala de treinamento. — conferiu as horas no relógio e franziu o cenho — Isso é tudo que você precisa saber no momento.

Pisquei algumas vezes. Procurei por câmeras escondidas na sala, mas não encontrei nada suspeito.

— Isso é alguma brincadeira?

—Bom demais pra ser verdade, não é? — cruzou os braços no peito, divertido.

—Não seja dissimulado. Por que uma pessoa como você perderia tempo sendo sunbae de alguém?

— E adivinha quem está sendo hipócrita? Não foi você mesma que disse que eu deveria ajudar os outros?

— Não tenho certeza se a sua intenção é ajudar.

— Pode apostar que não. Você não vai durar sequer dois dias comigo. — ele pegou seu casado no encosto da cadeira e os papeis em cima da mesa — Aproveite a nova sala. Hoje será o único dia que você vai gostar dela.

Tendo dito isso, saiu. E eu fiquei lá, pasma com o futuro que me esperava. Era só o que me faltava. Eu tinha tanta coisa me preocupando e agora mais isso.

Estava tão distraída sentindo pena de mim mesma que mal percebi o celular vibrando no bolso. Quando vi Oppa aparecer na tela, um sorriso involuntário apareceu em meu rosto. Agora que o tour mundial havia acabado, meu irmão estava voltando para casa.

— Nami-ah — cantarolou — Acabei de chegar na Coreia. Não vai dizer oi pro seu irmão favorito?

— "Favorito" porque? Você é o único irmão que eu tenho.

— Eu estou bem e tive uma viagem ótima, obrigado. Que bicho te mordeu? Você tá insuportável. Quero dizer, mais do que o normal.

— A sua preocupação me comove, Kim Namjoon. Não é nada. Eu não tive um dia muito bom.

— Problemas no training?

— Antes fosse. Você deveria ter me avisado o quanto as pessoas daqui são arrogantes.

— De quem você está falando, exatamente?

— Do Suga. Sabe o sunbae que disseram que iam me arranjar? Era ele.

— O Suga. Aquele cara cor de farinha?

— Ele mesmo.

— Ele me odeia.

— A mim também.

— Por que que escalaram o maior idol da empresa pra ser seu sunbae?

— Não me pergunte como ou o porquê. Eu sinceramente não sei.

— Isso é muito estranho. Na próxima vez que for pra YG tento descobrir alguma coisa. Mas... Esquece isso por enquanto e se arruma aí. A gente vai sair.

— Oi? Como assim a gente vai sair? Quando foi que eu disse que queria ir?

— Para de ser fresca. Qual o problema de se divertir um pouco? Nós vamos pra um lugar que você conhece; sem falar que algumas pessoas querem te ver.

— Quem?

– Ficou curiosa?

– Não estou curiosa, só quero saber vai valer a pena perder o meu tempo com essa saída.

— Aish... Por que eu ainda suporto você? A gente vai pro UnderGround. E quanto as pessoas... vai ver quando chegarmos lá.

— UnderGround? Você não estava saindo com a gerente desse restaurante?

— Como foi que ficou sabendo disso?

— Você deveria tomar mais cuidado com o que as pessoas postam na internet. A sua vida não é mais segredo pra ninguém. Tem que ver o que suas fãs escrevem sobre você, é hilário. Elas mandam lingerie pra YG, colocam coisas nojentas nos bilhetes e te chamam de-

— Eu já entendi, Kim Nami. Não enfatize o que não tem necessidade de ser enfatizado. — bufou — Você vai ou não?

— Acha mesmo que eu tenho todo esse tempo livre? Oppa, sou trainee. Vivo pra praticar. Aliás, nem vivo mais; sou só uma máquina que trabalha o dia inteiro até eles decidirem que fui boa o suficiente. Eu sei que você tem a melhor das intenções, mas acho melhor não ir. Alguém pode reclamar.

— Kim Nami, você esqueceu que é irmã da nova aposta da YG?

— Kim Namjoon, você esqueceu que ninguém além do YG-sii sabe disso? Mais um motivo pra eu não ir; podem descobrir que você é meu irmão.

— Relaxa, eu já pensei em tudo. Um carro vai te buscar para uma "avaliação médica." O motorista da YG é um parceiro meu, pode confiar.

— Então... não tenho escolha além de ir.

— Só confia em mim. Vai se arrumar e melhora esse humor; não quero passar a noite toda nesse seu clima de morte.

— Clima de morte?! O único com clima de morte aqui é você.

— Tchau, Nami.

— Não ouse desligar...

Chamada encerrada

— Namjoon, você não existe.

Talvez ele tivesse certo sobre sair um pouco para esfriar a cabeça. Depois da overdose de generosidade que recebi de Min Yoongi, a empresa se tornou o último lugar que gostaria de ficar naquele momento. E eu também estava curiosa para saber quem queria me ver.

Notas finais
Os povs. da Nami são escritos pela Maria, os da Yuri pela Camila e os da Jinhee por mim. Mesmo assim, acho que o resultado de cada capítulo tem uma linha de escrita bem homogênea, já que eles são revisados por nós três inúmeras vezes antes de postarmos. Mesmo assim, somos meras estudantes que se juntaram para criar uma história (o que é bem divertido) e podemos errar, então por favor, correções de erros ortográficos são bem vindas e críticas construtivas principalmente. Até o momento (não temos certeza se seguirá com esta ordem) os povs serão Jinhee-Nami-Yuri, então o próximo será escrito pela Camila. Espero que continuem nos acompanhando!! Tenho certeza de que nossas habilidades como escritoras serão aprimoradas de acordo com o desenvolvimento dessa história. P.S. ainda não sei quando vou poder liberar o link para o trailer da fanfic, então até lá, por favor, fiquem atentos às notas.