Confusão no Cruzeiro
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Mino e Eire conversavam animadamente, já haviam terminado de almoçarem quando alguém se aproximou delas.
– Oi, minha deusa loira!
– Shun! Que surpresa agradável! – Eire levantou-se, abraçou o rapaz com intimidade e o mesmo a beijava de um lado e do outro da face.
Hyoga na outra mesa olhava com olhar consumido de ciúmes. Sua mãe, aleatória ao que acontecia, apenas tagarelava coisas sem sentidos para o filho, não queria tocar no nome de Eire, pois o próprio Hyoga teria que resolver esse impasse sozinho, mas o filho não estava ouvindo o que ela falava, olhava apenas para a cena que se seguia entre Shun e Eire.
– Shun, quero lhe apresentar minha amiga Minu.
– Olá! – Saudou Shun. – É japonesa não é?
– Oi. Sim eu sou. – Falou com um sorriso.
– Têm pessoas que não sabem diferenciar japoneses, coreanos e chineses, mas eu sei classificá-los muito bem, sabe? É quase um dom!
–Impressionante! – Admirou-se Minu. – Eu mesma não saberia.
Shun virou-se para Eire, pegando-lhe nas duas mãos beijando-as.
– Eire, por que não me disse que viria almoçar aqui? Eu teria vindo junto também.
–Ah, eu não quis te incomodar... E eu decidi em cima da hora quando vi a Minu. Imagino que você também não tenha vindo sozinho.
– Mas sabe que para você eu abro uma exceção, não sabe? – Shun falou piscando um olho.
Hyoga não acreditava no que seus olhos viam, apesar de não poder ouvir muito, estava claro que aquele rapaz estava dando em cima de sua garota. Ora, como ele poderia achar que ela ainda era SUA garota se ele mesmo a dispensou? Esse pensamento o deixou ainda com mais raiva.
– Hyoga, meu filho, você está me ouvindo?
– Hã? É claro mamãe.
– Então, por que está assim?
– Assim como?
–Com raiva nos olhos, está vermelho como um tomate!
– Eu não estou! – Exaltou-se.
– Não precisa gritar sua mãe!
– Desculpe. Estou preocupado com o trabalho acumulado na empresa.
D. Natássia, não estava a par do que acontecia na mesa atrás de si, mas sabia que algo estava mexendo com seu filho e a Eire era responsável. Ela estava feliz por seu filho estar descobrindo seus sentimentos.
Eire e Minu se despediram de Shun, que fez questão de acompanhá-las até a saída.
– Eire, vem comigo ao toalete? – Disso Minu.
– Claro.
No toalete, Minu despejava toda sua curiosidade e espanto.
– Eire, o que foi aquilo?! Esse rapaz lindo está te paquerando!
– Ele é o meu chefe, Minu.
– E ainda por cima é o seu chefe! Você tem o dom de seduzir os chefes, não é?
– Não diga isso!
– Só estou dizendo o que eu vi.
– Er... Minu... Não é nada disso...
– Nunca é nada disso, Eire. – Minu respondeu com um sorriso malicioso. – Mas o que importa é que ele conseguiu fazê-la esquecer o Hyoga.
– Bem por esse lado... O Shun teve sua parcela de responsabilidade.
– Eu sabia! – Minu falou dando descarga. – Você está apaixonada por ele e ele por você, não é mesmo?
– Amiga, não tire conclusões...
– Está sim! Agora vamos que eu ainda tenho que arrumar as coisas para voltar ao Japão.
Hyoga já havia pagado a conta, estava esperando sua mãe acabar de tomar o cafezinho, o que o deixou um pouco apreensivo, pois Eire e Minu já retornavam do toalete e ele não queria ver a loira se despedindo com beijos aquele rapaz excêntrico, mas era inevitável naquele momento, pois mesmo que não quisesse ver, não se conseguia se controlar.
As duas amigas já estavam quase chegando à saída quando viram um belo e alto rapaz e de longos cabelos azuis, abraçando Shun. Minu, assim como Hyoga, quase desmaiaram ao ver o selinho que eles trocaram.
–Ma... Mas... Mas... – Minu estava sem palavras.
Shun avistou Eire, puxou-a alegremente para apresentá-la ao namorado.
– Eire, esse é o meu amado de quem tanto falei... O Dite!
– Olá, Dite. É um prazer conhecê-lo.
– Olá. – Falou apertando-lhe e a mão. — Realmente é como você disse querido... Uma deusa!
– Uma deusa dourada! – Disse Shun.
– Ora, não exagerem rapazes. Você também é belíssimo e glamoroso, Dite!
Hyoga não podia crer no que seus olhos viam. Estava com ciúme de uma “biba alegre”! Isso queria dizer que a Eire não estava se apaixonando por outro. Um misto de alegria e alívio se fazia em seu coração.
Após se despedirem, Minu e Eire voltaram para a loja de antiguidades. No caminho, Minu perguntou confusa:
–Eire, o que foi aquilo no restaurante?! Eu nunca imaginaria que o Shun... Puxa!!
– Ora, Minu. Acho muito incrível você não ter percebido antes e ainda ter desconfiado que ele e eu...
– Sinceramente, nem percebi.
– Pois eu percebi no primeiro dia que o vi.
– Ele é tão gatinho, né?
– É e o namorado dele também.– Eire ficou um instante olhando o vazio. – Mesmo que o Shun estivesse apaixonado por mim... Meu coração nunca deixará de amar o Hyoga.
– Lá vem o drama! – Brincou Minu. – Olha, eu vou ter que ir agora. Foi muito te encontrar. Falaremos-nos sempre.
– Ah, amiga! – Eire a abraçou. – Eu vou sentir saudades, mas estou muito feliz pela amizade que encontramos uma na outra!
Hyoga deixou sua mãe em casa e seguiu para a empresa. Já na sua sala, o gerente dos recursos humanos entrou com alguns papéis.
– Senhor Yukida, trouxe esse pedido de demissão ara o senhor assinar.
– Pedido de demissão? Isso é sério? Porque têm pessoas em fila de espera para conseguir um trabalho nessa empresa! — Hyoga falou assinando os papéis sem em ao menos saber de quem se tratava.
– Eu também não acreditei. Tentei vários argumentos, mas não teve jeito. Ela, além de linda, era uma profissional muito competente.
– Ela? Qual era a função?
– Era minha assistente. Ela sempre vinha aqui, a meu pedido, trazer a papelada dos funcionários para o senhor assinar.
– Eu não me lembro.
– É porque ela sempre deixava com a Bruna, sua secretária. – O homem suspirou — Uma pena que a Eire tenha pedido demissão...
– Você disse Eire?!
– Sim. Eire Kintana.
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