Conflitos Silenciosos
5 Almoço com Manu
Notas iniciais
Espero que gostem... :)
Boa leitura ^^
A manhã já chega me alegrando, me animando. Tinha passado uma noite ótima, não me recordo o que eu sonhei ou se cheguei a sonhar algo, mas dormi muito bem. Hoje contaria a Manu o que havia acontecido no dia anterior na escola.
Ter que contar tudo, explicar os detalhes, seria bom... O que eu estou pensando? .... Não me entendo mais! Essa confusão, chega a ser cômica.
Me arrumei pra aula, tomei meu café da manhã, peguei minhas coisas e fui pra escola. Seria um dia de muitos olhares, como já citei, e cheio de conversas.
Quando cheguei na escola, Manu não tinha chegado ainda. Achei bom! O tempo disponível que temos antes do início das aulas é pouco demais para contar e explicar tudo a ela.
Fui pra sala, com um sorriso no rosto que nem eu compreendia muito o motivo dele, mas me sentia bem o suficiente para não o conter.
Logo quando entrei na sala meus olhos bateram com os de Camille, como sempre, aquele clima constrangedor, sério, frio... Indecifrável! Camille estava sentada na carteira atrás da minha. Próximo demais. Seria impossível não lembrar todo hora da cena que imaginei, sem querer, no dia anterior.
Coloquei minhas coisas na mesmo mesa de sempre, sentei e peguei o caderno da primeira aula. Fiquei conversando com alguns amigos de classe até a aula começar.
Reparei que Camille, ficou todo o tempo antes do professor chegar, sem conversar com ninguém, permaneceu, sentada, com o rosto apoiado na mão direita, olhando pra baixo, pro nada, fios de cabelos lhe escondendo parcialmente o rosto. Uma imagem bonita de se ver, porém não me agrada ver pessoas sozinhas. Isso pode confundir um pouco sua mente, caro leitor, por eu a odia-la e mesmo assim não gostar de vê-la sozinha, mas esta e uma das minhas características. Não gosto de ver pessoas sozinhas, por mais que eu as odeie. Camille passava muita fragilidade sozinha. Na verdade, sempre. Mas quando estava acompanhada parecia ter mais poder, mais coragem para fazer as coisas. Enfim, não me agradava vê-la sozinha.
As aulas passaram, normalmente, não preciso dizer que houveram os olhares habituais.
No recreio, conversei com meus amigos, nada polêmico.
Quando as aulas acabaram, fui para frente do colégio, Manu já estava a me esperar. Não esperamos muito para sairmos do meio do grupo.
-Você vai almoçar comigo hoje!
-Que? -perguntei.
-Isso mesmo! Vamos. — disse ela.
-Ok ok ok — respondi. — Vamos só voltar no colégio, esqueci de deixar meus cadernos no armário.
-Ta!
Voltamos ao colégio, deixei minhas coisas no meu armário, o tranquei e fomos almoçar.
Chegamos a um dos diversos restaurante que tem no centro. Escolhemos uma mesa mais afastada.
-Você tem muito que me contar.
-Ah, não é tanto assim, Manu. — respondi.
-Ta, mas eu to curiosa e me importo com tudo sobre você amiga! — disse ela.
-Awn, eu também amiga. — disse
-Eu sei — disse ela rindo.
-Vamos pedir primeiro? — perguntei
-Vamos... Garçom- disse ela apontando pro garçom.
O garçom se aproximou de nossa mesa com o cardapio.
-Vamos comer uma pizza? Sair um pouco da rotina... — perguntou Manu.
-Vamos, estou com vontade de comer pizza também. -respondi.
-Calabresa?
-Aham.
-Uma pizza media de calabresa por favor — Manu pediu.
-Sem cebola, por favor. — pedi.
Garçom anotou nosso pedido, pedimos refrigerantes, depois nos deixou.
Manu me olhava animada, curiosa.
-Manu, não é nada tão grandioso assim... Você vai ver.
-É vou, comece a contar. — disse ela.
-Ok...Ai que vergonha — disse rindo.
-Para de bobeira, conta logo Gabriela. — disse ela rindo.
-Ta, vou contar, calma — disse rindo.
Senti minhas bochechas queimarem, não parava de sorrir, sempre que estou com vergonha ou nervosa(ansiosa) eu não consigo parar de rir. Manu me encarava, com o rosto apoiado nas mãos, com um olhar fingindo seriedade.
-To esperando. — disse ela.
-Ta... — respirei fundo -... Você sabe quem é Camille, sim? — perguntei.
-Camille? — perguntou ela pensativa. -Não me soa estranho. Mas depois você me mostra quem é.
-Então... Ah, você sabe mais ou menos quem é sim... Ela é a namorada daquele menino que eu gostava ano passado, lembra?
-Ahh sim... Sei quem é, acho que já a vi algumas vezes. — respondeu ela.
-Então, você sabe que a gente não se da muito bem neh? — Manu balançou a cabeça em sinal de sim. — Então, mas aconteceu uma coisa bem estranha... Tipo a gente sempre se olha durante as aulas. Isso é rotina já. So que ontem quando todos estavam olhando pra Mônica, no fundo da sala, porque ela estava fazendo uma pergunta ao professor, quando eu me virei pra olhar tambem, Camille estava olhando pra mim, ela era a única que se manteve olhando pra frente, e seu olhar se fixou ao meu. — Manu arregalou os olhos. Mas eu continei. — Mas isso nao acaba por aí... Continuamos nos olhando até o professor começar a responder, então eu virei pra frente, nesse momento me veio uma cena na cabeça, foi mais forte que eu, não consegui bloquear o pensamento. -Manu estava muito interessada. Fiquei em silêncio, criando coragem.
-O que você imaginou? — perguntou manu.
Continuei em silêncio.
-Fala Gabriela, pode confiar em mim, você sabe... — disse ela fazendo carinho no meu braço.
Quando fui falar, o garçom apareceu trazendo nossa pizza. Nos serviu e a deixou no lado não ocupado da mesa, depois se retirou.
Comi um pedaço da fatia que estava no meu prato, Manu fez o mesmo so que mais rápido, bebeu um pouco de refrigerante e já estava pronta pra ouvir mais do ocorrido.
-Vai, continua Gabi!
-Eu imaginei... Lembra que não tive controle da minha imaginação, foi um nanosegundo que me distrai e imaginei isso... — Manu fez que sim, nervosa de curiosidade — ... no instante que virei pra frente me imaginei levantando, era como se não houvesse mais ninguém na sala, somente eu e ela, eu andei até ela, ela estava sentada de braços cruzados, me olhando, com seus cabelos levemente ondulados caindo perfeitamente sobre seus ombros, seus olhos não se desviavam dos meus. Cheguei à mesa dela. Ela se virou pra mim. Eu me inclinei sobre ela, segurei seu rosto e a beijei... — me senti envergonhada — Toquei meus lábios nos dela e logo me afastei lentamente para olhar em seus olhos, ela me olhou sutilmente, manteve um entre nós, ela passou suas mãos pelos meu cabelos, me puxando para junto dela novamente, me abaixei para ficar na altura que ela estava, pois ela estava sentada, ela me puxou... Ela me beijou forte e urgentemente, um beijo misterioso e urgente, como se já fosse por muito tempo desejado...- silenciei-me
Manu nem piscava.
-...E depois? — perguntou ela.
-Depois eu pisquei várias vezes pra voltar minha mente ao normal...
-Assim, do nada? — perguntou ela.
-É, quando eu comecei a me segurar muito nos detalhes eu reparei no que estava pensando.
-Diga os detalhes... — pediu ela, voltando a comer.
-Ahh Manu... — disse voltando a comer tambem.
-Você já contou o principal, agora é só detalhar... Para de vergonha. — respondeu ela sorrindo.
-Ta... Eu senti os dedos delicados dela passando por meu pescoço, se entrelaçando em meus cabelos, meus braços a envolviam, seu lábios faziam uma certa pressão sobre os meus...
-Você está vermelha. — comentou Manu.
-Para... — escondi o rosto com as mãos.
-Continua.
-Ah... nada mais. — Manu nao falou nada, então continuei com simples detalhes. — sentia seu corpo perto do meu, sua pele, seus lábios.
-Meu deus... que loucura, Gabi! — disse ela.
-Né!
-Como isso aconteceu cara?!- perguntou ela.
-Não sei, foi de repente. Nos olhamos, virei pra frente e veio essa cena como um flash na minha mente. Não pude impedir.
-Mas, o mais engraçado é que vocês nem tem uma relacionamento estável, bom, vocês nem são amigas!
-Exato! Isso que não da pra entender.
-Vocês nem se davam bem neh?
-É, na verdade, não nos damos bem ainda. Conversamos um pouco um dia desses, porque almoçamos juntas, mas nada demais.
-Vocês almoçaram juntas?
-É, mas não só a gente, o Bernardo, Henrique, Talita e Stela foram também.
-A sim.
E continuávamos comendo.
-Isso tudo me deixou muito perdida. Sem saber o que pensar. — disse a ela.
-Imagino. Mas será que não está acontecendo nada que tenha provocado isso? — perguntou ela.
-Não sei, acho que não.
-Porque, cara, toda reação vem de uma ação, então tem que ter uma explicação pra isso.
-Mas não sei, sério mesmo, não fazemos nada demais.
-Enfim, depois a gente pensa melhor nisso... Agora eu quero saber outra coisa... — ela bebeu um gole grande de refrigerante — ...Como você está com isso?
-Como assim? — perguntei.
-Como você está se sentido, o que você sentiu com tudo isso?
-Ahh sim... — bebi um pouco também. — Então... Acho que essa pode ser a parte mais estranha.
-Diga — disse ela rindo.
-Não posso dizer que não gostei... Eu me senti... Bem. E sempre que lembro da cena me sinto muito bem, tem um sentimento muito indefinido, confortavel... — Manu começou a dar risadinhas. -Que foi?
-Você tinha que ver seu rosto, você está muito vermelha.
-Ai você é muito chata Manu. — disse, ri e abaixei a cabeça na mesa.
-Mas, que gracinha tudo isso. Então resumindo, você se sentiu bem com essa cena. Certo?
-Certo.
-Que gracinha.
-Não é tão legal assim... Nem somos amigas, nos odiamos. Tem noção disso? Ela me odeia e eu a odeio.
-Ta. Mas nem esse ódio todo impediu sua mente de imaginar aquela cena.
O garçom chegou para recolher os pratos. Manu pediu para que ele fechasse nossa conta. Pagamos e saimos do restaurante.
-Tudo isso é muito confuso neh? — perguntei a ela.
-Muito. — ela riu. — Você teve esse tipo cena de novo?
-Não.
-Também neh, aconteceu ontem, não aconteceria de novo tão rápido.
-É.
-Engraçado e estranho ao mesmo tempo.
-Também achei. — rimos juntas.
Ficamos passeando um pouco pela cidade, depois voltamos e depois deixei Manu no colégio, pois ela tinha aulas extras a tarde nesse dia.
-Amiga, depois a gente conversa mais. E tenta não esquentar muito a cabeça com isso. A gente vai encontrar o por que de tudo isso.
-Ok, pode deixar. -Respondi.
Nos abraçamos, despedimos. Manu foi pra aula. Eu voltei pra casa, pensativa, achando tudo aquilo muito engraçado. Eu me sentia até mais leve por ter contado para a Manu o que aconteceu.
Notas finais
O cap. seis já esta em andamento.
Beijinhos,
ate o próximo capítulo.
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