Conflitos Silenciosos
6 Conversando com Bernardo
Notas iniciais
Espero que gostem!
Boa leitura!
^^
Passei uma noite calma, estava feliz por ter contado a Manu. Ela reagiu bem. Não ficou dizendo coisas contra ou criticando. Como eu já sabia, Manu era uma amiga que me entendia, por mais difícil que fosse. Ela tinha ficado muito feliz com o meu pensamento da aula, achou interessante e fofo... Mas não acho fofo... Se minha relação com ela fosse diferente ai sim poderia ser fofo. Mas não. Nos odiavamos na verdade.
Mas deixemos isso de lado...
Na mesma noite Manu me ligou e perguntei a ela o que ela pensava sobre o que eu tinha contado. Ela me disse que achava interessante, fofo — se analisar o fato separadamente — mas ela não sabia ao certo o que pensar.
Decidi que precisava da opinião de outro amigo. Pensei na hora em Bernardo. Ele seria o amigo ideal para contar isso. Manu e Bernardo eram amigos com os quais eu podia contar sempre, eles guardavam meus segredos e me entendiam. E eu guardava os segredos deles também.
Tomei a decisão de que no dia seguinte eu contaria meu pensamento para Bernardo. Nao sei qual seria sua reação, mas sei que ele nunca esqueceria isso... Com certeza não esqueceria.
...
O dia já tinha chegado.
Quando cheguei no colégio logo procurei Bernardo, não foi difícil de encontrar.
-Bom dia! — disse ele já me abraçando e me tirando do chão.
-Ah... Bom dia! — respondi rindo. — Me coloca no chão.
Ele riu e me abaixou.
-Aqui, eu tenho que te contar uma coisa que você não vai acreditar!! — disse a ele.
-Ai meu deus, conta conta! — disse ele ficando muito animado.
-Não dá pra contar agora, não vai dar tempo. Te conto na hora do intervalo.
-Me conta agora rapidinho! — pediu
-Não vai dar cara... Só saiba que você não vai acreditar. — disse rindo.
-Ai você me mata menina... — disse ele.
-Eu sei — respondi rindo.
O sinal tocou indicando o início das aulas.
-Vem, você vai me levar até a minha sala. — disse ele me puxando.
Levei ele até a sala dele, depois fui pra minha sala.
As aulas foram normais, não vale descreve-las.
Eu ria muito, mentalmente, imaginando, a cara do Bernardo quando eu contasse, ele não ia acreditar. Ele vivenciou nossas implicâncias, nosso ódio. Ele sabe como nos relacionamos.
O sinal do intervalo tocou. Antes mesmo que eu pudesse sair da sala Bernardo já estava a me esperar na porta. Ele estava muito curioso e ansioso pra saber. Peguei meu lanche e fui encontrar com ele.
-Vai, pode começar, já to ouvindo, por que ainda não começou? — disse ele rápido enquanto andavamos para um cantinho onde passávamos os recreios quando queríamos conversar algo sem ninguém escutar.
-Calma — respondi rindo. — Você nem me deixa respirar!!!
Sentamos no chão, um ao lado do outro.
-Então, aconteceu uma coisa muito bizarra esses dias lá na sala, comigo.
-O que? — perguntou ele.
-Eu e Camille nos encaramos muito...
-Mas isso é normal entre vocês — ele me interrompeu rindo, ri também.
-Calma, não terminei de falar. Nos encaramos e quando eu virei pra frente, na hora imaginei uma coisa muito louca...
-O que? — perguntei ele. Olhei pra ele mostrando que eu ia continuar. — Ok, continua.
-Me imaginei saindo do meu lugar, não tinha mais ninguém na sala além da Camille, fui até a carteira dela e a beijei!!
-O QUE? — perguntou ele pasmo.
-Exatamente. — respondi rindo da expressao surpresa dele.
-Como assim, me explica essa imaginação direito menina! — pediu ele.
-Foi como eu te disse. Não tinha mais ninguém na sala. Eu fui até a carteira dela e a beijei, depois a olhei nos olhos, ela me puxou e me beijou também...
-E como foi o beijo? — perguntou ele.
-Então... Foi bom... Foi, tipo, urgente sabe, como se a gente já desejasse isso por um tempo. E os detalhes foram perfeitos sabe. Pareceu real.
-Hum... pareceu real ne?! então você já experimentou ne? — disse ele rindo brincando comigo. -To brincando, pode começar a falar os detalhes.
-Ah, sabe, eu consegui sentir o toque dela entende? Foi perfeito. Foi quase real.
-Meu Deus, você se imaginou beijando a garota que você não gosta, odeia, sei lá.... -disse ele sorrindo incrédulo.
-E ela me odeia também.
-Já disse que ela te acha legal!
-E eu já te disse que não consigo acreditar!
-Ta, que seja. Ainda assim é estranho... Tipo vocês nem têm muito contato.... Além das encaradas — ele riu.
-É! — ri também.
-Então, não tem muito sentido... Mas, muito danadinha você hein. — disse ele sorrindo pra mim.
-Ah, para. Eu não escolhi pensar nisso, a cena veio à minha mente do nada, sério! — me defendi da brincadeira.
-Sei...
-Bobo!
Ele riu e me abraçou.
-Mas e agora, como está sua relação com ela? — perguntou ele.
-Como estaria? A mesma de sempre ne, ela não sabe o que eu pensei. — respondi.
-É, realmente. Mas em relação de você com ela? Você ta conseguindo olhar pra ela? — perguntou ele rindo.
-É, é meio difícil olhar pra ela e não lembrar da cena. Mas sempre que eu lembro eu tento me distrair com outra coisa.
-Entendo. E o que achou desse pensamento?
-Então, eu não sei muito o que pensar sobre, porque ne, não tem razão que explique isso. Não sei se gosto ou se tento esquecer e fingir que nunca pensei isso.
-Você gostou, da pra ver no seu rosto que gostou. — ele sorriu. — você está vermelha sabia?
-Arghhh! — abaixei a cabeça.
-Que bonitinha. — disse ele rindo me fazendo cócegas.
-Para! Para! Para! — pedi, ele parou. — Me diz agora o que você acha desse pensamento.
-Loucura... — ele riu. — Brincadeirinha, na verdade achei fofo, só que vocês nem se falam ne, ai dificulta um pouco o que pensar. Mas sabe o que eu acho? Acho que tem algo ai dentro que quis pensar nisso. — disse ele apontando pra mim, sorrindo.
-Como assim? Ta dizendo que eu quis pensar nisso? — perguntei.
-Mais ou menos, não to dizendo que você quis realmente pensar nisso, mas que algo te fez pensar nisso, sabe, algo que nem você percebeu.
-Entendi.
Ficamos uns instantes em silêncio, pensativos.
-Mas se houver algo que te fez pensar nisso, um dia você vai acabar descobrindo. — disse ele por fim.
-Isso tudo me deixa muito confusa.
-Imagino, tambem ficaria confuso se estivesse numa situação como essa. — ele me abraçou. — Mas calma, não esquenta cabeça com isso não...
-Pode deixar. — retribuí o abraço e ri.
O sinal tocou novamente, o intervalo tinha acabado. Mas não queria ir pra sala, queria continuar conversando com Bernardo.
-Vamos, não posso chegar atrasado na sala. — disse ele se levantando e me puxando pelas mãos.
-Vamos... — disse e saimos andando pelo colégio, o deixei na porta da sala dele e fui pra minha sala.
Quando cheguei na sala, Camille estava em pé num canto da sala conversando com alguns amigos. Não sei se por coincidência, mas no instante que olhei pra ela, ela me olhou também. Me prendi por pouco em seus olhos. Desviei o olhar antes que ela. Não sei se depois que fiz isso ela parou de me olhar ou se continuou me observando. Foquei na minha mesa. Sentei, tirei da mochila um livro que havia pego na biblioteca e comecei a ler, Jardim do Éden (Ernest Hemingway). Um leitura muito boa. Um romance tranquilo, gostoso de ler. Li até o professor chegar na sala. Depois me concentrei nas últimas três aulas.
Tinha a tarde livre, então fui para casa, almocei, arrumei algumas coisas no meu quarto depois deitei na minha cama e voltei a ler Jardim do Éden... Depois de algumas páginas, fechei o livro e comecei a pensar no que Bernardo havia dito.
Algo haveria em mim que me fizesse ter aquele tipo de pensamento. Não consigo imaginar que eu tivesse certa culpa por aquilo, não culpa na verdade, mas aquilo ter sido causado por minha vontade. E eu não tinha outros pensamentos por Camille que justificassem aquela imaginação. Ela era só uma menina pela qual sentia um ódio intenso e recebia o mesmo sentimento dela por mim. Como já citei, eu sentia raiva só de pensar no nome dela. Pensar em estar no mesmo lugar que ela, por um ano, já me deixava impaciente. Não há maneira que algo em mim, na minha mente (sei lá), fizesse com que aquela imagem fosse construída.
Não encontrava nem uma brecha nos meus pensamentos, nas minhas ideias sobre ela...
...
Acabei caindo em sono de tanto pensar sobre o assunto. Acordei com minha mãe me chamando para lanchar, no final da tarde.
-Gabriela... — disse balançando meu braço de leve. — Querida, eu fiz um lanche... Vem...
Sentei na cama, coloquei o livro na minha cabeceira e fui pra cozinha. Sentei a mesa com a mamãe, que tinha acabado de chegar do serviço. Já eram seis horas da tarde.
-Descansou muito heim... — disse mamãe sorrindo.
-É, foi muito bom! — respondi.
-Quer misto quente? — perguntou
-Quero sim. — respondi passando meu prato pra ela colocar o misto quente. — Esse suco é de quê? — perguntei apontando para a jarra.
-Laranja.
Coloquei um pouco de suco no copo e peguei o prato com o misto quente.
-Cuidado que está muito quente hein. — disse mamãe.
-Aham. — disse assoprando uma pontinha antes de morder.
-Como foi a aula hoje? — perguntou mamãe.
-Foi legal, nada muito diferente.
-Tem dever de casa?
-Mamãe! — ri — Não precisa mais perguntar isso, já estou no terceiro ano do ensino médio! Mas não tem não. — respondi sorrindo.
-Mas você vai sempre ser minha criancinha! — respondeu ela rindo também.
-Awnt! — disse.
-É então eu posso te perguntar essas coisas sempre, até quando você estiver na faculdade! Ta achando o que? Sou sua mãe menininha! — disse ela rindo, falando fingindo ser autoritária.
Começamos a rir juntas.
-Aii... — eu disse abanando a boca e tomando suco rápido.
-Eu falei que estava quente... — comentou mamãe rindo.
-Mas eu assoprei...
-A primeira mordida neh...
-Ahh...mas... ok... -concordei e voltamos a rir.
-Aiai bebê. — disse mamãe. — Agora toma cuidado com o resto.
-Ta bom.
Comi cuidadosamente para não pegar um pedaço pelando de novo.
Terminamos de lanchar, tirei as coisas da mesa, guardei algumas coisas, coloquei a louça na pia.
-Vou tomar banho. — disse mamãe.
-Ok.
Enquanto mamãe foi tomar banho eu fui lavar as louças. Quando estava terminando de lavar papai chegou em casa. Passou na cozinha pra me ver.
-Boa noite querida. — disse papai me dando um beijo na testa.
-Boa noite papai. — disse sorrindo.
-Sua mãe ta tomando banho? — perguntou ele.
-Sim sim. Já deve estar quase saindo.
-Ok. Já tomou banho? — perguntou
-Não, to indo agora. — respondi, pendurando a toalha de prato no suporte de toalha.
-Vai lá, vou depois da sua mãe.
Sai da cozinha, papai foi pra sala. Fui pro meu quarto peguei meus pijamas e fui tomar banho no meu banheiro. Mamãe saiu do banho e papai foi logo após.
Depois do banho coloquei meus pijamas e fiquei no meu quarto arrumando meus cadernos e materiais do colegio. Li alguns e-mails, nada havia de interessante. Fiz algumas pesquisas extra escolares.
Toc toc... bateram na porta do meu quarto.
-Sim..? — disse
-Querida, o jantar já está quase pronto! — disse papai aparecendo na porta do meu quarto.
-Ok.
Foi então que eu reparei que já tinha passado tanto tempo. Já eram 20h e 40min. Desliguei o computador, arrumei minha cama para dormir e depois fui pra sala ver um pouco de TV até a hora do jantar.
-Vem Gabi! — escutei mamãe chamando.
-To indo.
Desliguei a TV e fui jantar. Papai tinha feito macarrão. Eu amo macarrão, amo massas em geral, mas macarrão é minha massa favorita. -Uhhmm.. Ta muito bom! — elogiei.
Eles riram.
-Está mesmo. — mamãe concordou.
Conversamos sobre como foi nosso dia.
Terminamos de jantar. Coloquei meu prato na pia e depois fui escovar os dentes.
-Boa noite mamãe, boa noite papai. — disse abraçando eles e dando um beijo na bochecha de cada um.
Mamãe estava tirando as coisas da mesa e papai guardava algumas coisas que tinha usado no preparo do macarrão.
-Boa noite filha. — disse papai.
-Durma com Deus querida. — disse mamãe.
Fui pro meu quarto, fechei a porta e apaguei a luz. Deitei na cama e logo dormi.
Notas finais
beijinhos
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