Conflicted - um recomeço
2 Um novo ambiente

Dezoito de janeiro, dez horas da manhã. Cheguei no enorme prédio do FBI em Quantico. Me identifiquei na recepção e mostrei o papel que havia em anexo no e-mail de minha faculdade, avisando que eu era a nova estagiária do UAC.
A recepcionista ligou para alguém que presumi ser quem iria me acomodar no meu novo e o odiado estágio. Esperei cerca de cinco minutos quando uma mulher de mais ou menos cinquenta anos com os cabelos loiros presos para cima em um coque se dirigiu a mim:
— Sou Erin Strauss, diretora do UAC. — ela estendeu a mão e eu prontamente a apertei.
— Sou Alexis Parker, a nova estagiária. É um prazer. — na verdade, não. Quero ir embora.
— Me acompanhe, por favor.
Ela entrou no elevador e a segui. No terceiro andar, o elevador parou e ela caminhou na minha frente enquanto eu a acompanhava.
Passando uma enorme porta de vidro, percebi que a maioria das mesas estava vazia e bem desorganizada.
— A equipe do UAC está na sala de reunião, eles têm um caso para resolver, não poderei apresenta-los agora a você. — disse ela.
Eu apenas assenti com a cabeça e continuei a seguindo até o que eu pressupus ser minha mesa. Tinha apenas um porta-trecos com canetas, borracha, post it¸clips e um computador, duas gavetas. Perto da minha mesa tinha um enorme arquivo cheio de pastas beges com o símbolo do FBI.
— Bem, é aqui que você ficará. O seu trabalho consistirá basicamente em organizar os arquivos do UAC, apresentar novos casos para a equipe e qualquer outro tipo de auxílio interno que eles precisarem.
— Isso quer dizer que eu não terei que pegar em nenhuma arma? — brinquei.
— Oh não, querida! Claro que não! — ela respondeu como se minha pergunta tivesse sido séria — Você é estudante de psicologia, o máximo que irá fazer com a equipe do UAC é dar base e fazer pesquisas para ajuda-los na formação dos perfils dos criminosos, nada mais. Sem ação para você. Pode ficar tranquila. — ela segurou no meu ombro direito e sorriu, tentando me tranquilizar.
Eu coloquei minha bolsa transversal em cima da mesa, ao lado de uma pilha de pastas que estava ali, presumi que seria meu trabalho do dia.
— Enfim, agora já mostrei suas acomodações eu tenho que ir à uma conferência, estava apenas esperando a sua chegada para ir. Aproveitando que você está aqui, leve essas cópias da cena do crime para a equipe que está ali naquela sala — ela apontou para uma porta fechada que ficava um pouco acima do nível do chão que estávamos — pois elas chegaram apenas agora de San Francisco. Entre sem bater e entregue para cada um da equipe que estará sentado na mesa redonda. — Erin me entregou seis pastas finas — Tenha um ótimo primeiro dia!
Strauss virou-se, andando em direção ao elevador. Respirei fundo com as pastas na mão e demorei dois minutos para cair na real.
Não acreditava ainda que estava fazendo estágio na área policial. Aliás, era difícil digerir que eu seria auxiliar do FBI. Minha vontade era sair correndo e jogar tudo para o alto, mas, embora não fosse o estágio que eu queria em primeiro lugar, ele também me daria direito ao diploma que tanto estudei para conseguir. Me foquei nisso. “Estou aqui para me formar, lembre-se disso, Alexis. O UAC é apenas um requisito para a graduação”, pensei comigo.
Respirei fundo mais uma vez e fui até a porta fechada. Abri-a lentamente e vi uma moça um pouco acima do peso loira com óculos de armação azuis e roupas bem coloridas em frente a um telão passando algumas fotos do que eu pressupus serem criminosos.
Sem olhar muito para todos na mesa que estavam me encarando, esperando que eu me apresentasse ou esclarecesse o porquê de eu estar ali, comecei a colocar uma pasta na frente de cada um dos membros da mesa redonda sendo eles: Emily Prentiss, David Rossi, Derek Morgan, Jennifer Jareau e Dr. Spencer Reid. Li todos os nomes no crachá enquanto entregava as pastas e não me atrevi a me apresentar.
Percebi que sobrou uma pasta, então, acho que o time estava incompleto. Nesse momento, um homem alto de cabelos morenos entrou na sala e perguntou, antipático:
— Quem é você e o que você está fazendo aqui?
A pergunta, obviamente, só poderia ser para mim.
— Eu... eu sou a nova estagiária. Alexis Parker. — gaguejei e engoli seco. Não esperava uma recepção tão hostil. Todos ficaram em silêncio — Erin Strauss pediu para que eu entregasse esses arquivos, porque ela estava atrasada para uma conferência.
Andei cautelosamente até o homem alto e entreguei a pasta que havia sobrado. Ele não disse nada, apenas estreitou os olhos em desconfiança e logo depois abriu a pasta e viu as imagens da cena do crime que estavam investigando.
— Por favor, Sra. Parker, venha até a minha sala.
Abaixei a cabeça e segui o homem o qual eu nem sabia o nome ainda.
Entrei numa sala que ficava a três salas da de reunião e esperei que o misterioso homem explicasse o motivo dessa recepção nada calorosa.
— Eu sou Aaron Hotchner, chefe desta unidade e não fui informado de nenhuma estagiária começando hoje. Aliás, eu nem sequer imaginei que o UAC contratava estagiários. — explicou, com a expressão fechada.
— Nem eu, acredite. — retruquei, ríspida. Eu não me deixaria intimidar, afinal, eu não dava a mínima para esse estágio.
— Aqui no UAC tomamos muito cuidado com qualquer nova contratação, porque, como você pode imaginar, corremos um risco diariamente de ter alguém infiltrado querendo vingança ou algo similar.
— Sim, eu compreendo. — pausei — Mas afirmo que sou apenas uma estagiária, tenho essa folha que minha faculdade me encaminhou ontem quando descobri da minha admissão aqui. — entreguei a folha que estava amassada no bolso da minha calça. — E, com todo respeito, não é minha culpa se a Sra. Strauss não o avisou sobre minha chegada.
Aaron pegou a folha e leu por cima.
— Parece tudo bem, pelo jeito apenas deixei de ser informado sobre a sua chegada e preciso me inteirar de suas obrigações para saber com o que podemos contar com a sua ajuda. Mas de qualquer forma, irei entrar em contato com a sua faculdade para ter certeza que tudo está sendo feito legalmente. — ele pausou — Não seria a primeira nem a última vez que algum jovem curioso tenta trabalhar no UAC por curiosidade.
— Posso garantir ao senhor que estou aqui por pura obrigação. O UAC não foi minha primeira escolha. — falei com seriedade e um certo desprezo.
O agente Hotchner se mostrou surpreso com minha resposta, com certeza não era o tipo de sentimento que o UAC causava nos jovens, a maioria era fascinada com o trabalho que eles exerciam aqui.
— Venha comigo, vou apresenta-la oficialmente a equipe.
Voltamos à sala de reunião e agora todos os agentes estavam analisando fotos, depoimentos e arquivos em cima da mesa. Ao perceberem minha presença e de Aaron, pararam o que estavam fazendo e prestaram a atenção.
— Pessoal, esta é Alexis Parker. Ela é estudante de psicologia e foi designada para fazer o estágio de final do curso aqui no UAC. Ela irá nos auxiliar internamente, mas não será uma agente de campo, pelo o que Strauss passou para ela e ela me contou.
— Olá! — dei um sorriso sem mostrar os dentes e dei um oi breve com a mão, eu estava muito envergonhada, quase podia sentir minhas bochechas corando.
— Alexis, este é Davi Rossi, Emily Prentiss, Dr. Spencer Reid, Jennifer Jareau, Derek Morgan e aquela é Penelope Garcia, nossa técnica de informática.
Subitamente após a apresentação, a moça loira de óculos veio rapidamente ao meu encontro e me deu um abraço.
— Seja muito bem-vinda, Alexis! Nós nunca tivemos uma estagiária antes! — ela me soltou e me segurou pelos ombros — O UAC está ficando muito chique! Qualquer coisa que você precisar, pode contar comigo, tá bom?
— Ei, ei, baby girl, vá com calma! — pronunciou-se Morgan — Não queremos assustar a garota no seu primeiro dia. — brincou ele, sorrindo.
Respirei fundo e notei que estava mais envergonhada ainda.
— Não, está tudo bem. — falei com a voz num tom baixo — Eu vou voltar para a minha mesa e deixar vocês trabalharem. Com licença.
Virei-me e saí da sala, voltando a minha mesa.
“Bom, pelo menos nem todos são antipáticos como o Agente Hotchner”, pensei enquanto me sentava.
Peguei todos os arquivos em cima de minha mesa e comecei a organiza-los e lançar no banco de dados do FBI. Tudo lentamente, afinal, eu ainda teria que me acostumar com o sistema e meu trabalho.
Passaram-se dez minutos e toda a equipe saiu da sala de reunião e, com exceção de Penelope, todos foram em direção ao elevador.
Enquanto passavam por mim, notei que o único agente que era chamado de “Doutor” me olhava, desviando o olhar assim que olhei para ele. Spencer Reid? Ou seria Reed? Algo assim...
Talvez ele estivesse apenas observando a nova colega de trabalho... Ou talvez não. Seria ridículo tentar entender o que aquele olhar significava sendo que ele vinha de um profiler que saberia muito bem disfarçar suas intenções.
Aliás, por que estou devaneando sobre isso enquanto tenho uma pilha de arquivos para organizar?
Ele estava apenas se acostumando com o novo rosto na UAC. E só.
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