Notas iniciais
Postando o segundo capítulo do dia e, particularmente, o meu favorito até agora ♥ Esse é um pouco extenso, BUT acredito que vcs irão gostar (espero) hauhau

Naquele domingo, haveria um jantar na casa de JJ para comemorar um ano de casamento com Will. Fui convidada assim como todos os membros da equipe. Seria algo pequeno, apenas para alguns familiares dela e a gente. Acredito que merecíamos um pouco de diversão depois de tudo que passamos na última missão.

Spencer se ofereceu para me dar carona e, assim, chegaríamos juntos. Eu recusei, obviamente. Não estava preparada ainda para assumir nosso “relacionamento” ou o que quer que aquilo fosse.

Tive a cara e a coragem de chegar sozinha num vestido preto, cabelos soltos e um delineador.

Os convidados estavam todos bem vestidos, os homens de terno e gravata, as mulheres em vestidos elegantes e saltos; a maioria estava em pé segurando taças do que parecia ser champanhe.

Meus olhos procuravam apenas uma pessoa e lá estava ele: me olhando com as mãos no bolso da calça preta, vestido com um terno preto e uma gravata bordô que contrastavam perfeitamente com seus cabelos e olhos castanhos.

Eu sorri para Spencer e me dirigi a ele.

— Você está ótimo, Doutor. E cortou o cabelo.

— E você está linda. — ele respondeu com os olhos brilhando e esboçando um leve sorriso.

Eu olhei para baixo e sorri, me sentindo um pouco envergonhada com aquele elogio. Acho que eu jamais me acostumaria a escutar coisas bonitas do Doutor Spencer Reid, eu sempre ficaria desconcertada, mas de uma boa forma.

— Então... Aonde é a nossa mesa? — me referi à mesa onde o pessoal da UAC estaria.

— Por aqui. — ele falou enquanto colocava a mão na minha cintura, me guiando por entre os convidados até a mesa onde os membros da equipe estavam.

Dei um “olá” geral para não ter que cumprimentar cada um que já estava sentado à mesa e Spencer, num cavalheirismo impressionante, puxou a cadeira para que eu sentasse e, depois, sentou-se ao meu lado.

Percebi que todos da equipe se entreolharam diante daquela atitude, mas pareciam alegres com a situação.

A mesa era redonda e coberta por uma toalha branca que descia até nossas coxas. Havia pratos, talheres e taças em frente a cada pessoa e ao meio, um belo arranjo com flores Iasmim.

— Alexis — começou Morgan, bebericando um pouco de champanhe — Conte para nós como foi sua primeira experiência como agente de campo.

— Traumática, devo dizer. — todos riram, pois notaram que falei na brincadeira — Eu nunca tomei calmantes na vida e em uma noite fui dopada com Ruphynol.

— Estou muito curiosa sobre uma coisa — disse Emily — O que aconteceu com a sua escuta?

Eu bebi um pouco de champanhe da minha taça e respondi:

— Oh, isso... Bem, eu estava me sentindo mal, então decidi ir ao banheiro e jogar um pouco de água no rosto... Mas a água acabou caindo no microfone e ele estragou.

— Nossa, que azar! — exclamou ela.

— Esses microfones para escuta policial não têm os circuitos integrados muito resistentes, são feitos com componentes eletrônicos mais baratos para diminuir custos para o governo, ou seja, uma pequena quantidade de água poderia facilmente causar um curto-circuito... Que foi exatamente o que aconteceu — Spencer falou tudo muito rápido, como sempre, e bebeu um gole do champanhe também, parecendo orgulhoso de sua explicação.

As coisas estavam um pouco entediantes por ali, por isso, decidi tornar tudo mais divertido.

Estava sentada do lado de Spencer e me aproveitei disso. Abaixei minha mão direita e fiquei segurando na taça de champanhe com a esquerda; depois, lentamente para que meu movimento não fosse percebido por ninguém, coloquei minha mão direita sobre a perna de Reid que, ao notar meu toque, me olhou e franziu o cenho, parecendo confuso. Eu não olhei para ele, apenas o observei pela minha visão periférica e continuei prestando atenção na conversa com a equipe, fingindo que nada estava acontecendo.

Como mantive minha mão parada sobre sua perna, Reid pensou que eu estava apenas querendo manter contato físico com ele... Coitadinho...

Quando percebi que ele estava novamente entretido e distraído pela conversa do grupo, comecei a deslizar minha mão para cima, no sentido do quadril dele e, instantaneamente, ele começou a se mexer na cadeira, como se estivesse desconfortável. Eu bebia champanhe e continuava com a famosa cara de paisagem.

Novamente, ele olhou para mim tentando entender aonde eu queria chegar com aquilo e, dessa vez, eu retribuí o olhar e ergui as duas sobrancelhas na mesma hora, uma única vez, como se eu estivesse dizendo com os olhos “o que foi?”, isto é, estava me fazendo de desentendida.

Agora era a hora do grand finale. Resvalei de forma delicada minha mão mais para cima, chegando em seu cinto e, quando tateei a fivela, segurei-a fortemente e dei um leve puxão, o suficiente para provoca-lo.

Ao sentir meu toque, Spencer deu um pequeno pulo na cadeira que acabou fazendo com que ele batesse com o joelho na mesa e derrubasse sua taça de champanhe em seu colo, chamando toda a atenção para ele. Rapidamente tirei minha mão dali e todos olharam para Spencer.

Eu colocava a taça de champanhe na boca, tentando desesperadamente disfarçar meu riso que eu quase não conseguia segurar diante daquela situação. Eu queria muito gargalhar. Eu estava me deleitando com aquilo.

— Reid, está tudo bem? — perguntou Emily no meio de uma risada e todos na mesa o observavam, também segurando a risada pela lambança que ele fez derrubando o champanhe em si mesmo.

Ele afastou sua cadeira da mesa e levantou a taça derrubada.

— Sim, sim, eu... só... — ele procurava as palavras, mas não sabia como se explicar e tentava se secar com um guardanapo de pano que havia pegado em cima da mesa — Hãm... Acho que vou ao banheiro. Com licença.

Spencer levantou-se rapidamente e todos viram que sua calça estava molhada do lado da perna esquerda onde o champanhe caiu. Ele andou em passos rápidos ao banheiro dentro da casa de JJ.

Esperei dez minutos e resolvi ir atrás dele para não ficar muito evidente, embora eu achasse que todos da UAC já desconfiavam de alguma coisa.

Perguntei a Jennifer em qual banheiro Reid tinha ido e ela disse que no que ficava no segundo andar. Subi as escadas e vi a porta entreaberta com a luz acesa, presumi que ele estivesse lá.

Empurrei-a devagar e encontrei Spencer na frente do espelho tentando se secar com papel toalha.

— Quer ajuda com isso? — ofereci e fechei a porta atrás de mim — Sou muito boa com as mãos! — ergui minha mão direita e mexi todos os meus dedos, dando um sorriso sem mostrar os dentes.

— Há-há muito engraçada, Alexis. — ele estava com a expressão séria e continuou tentando se secar em frente ao espelho.

— Você está brabo comigo? — perguntei, fazendo uma carinha de cão abandonado enquanto eu chegava por trás dele e colocava minhas mãos em seus ombros.

Spencer virou-se, jogando o papel toalha em cima da pia e me olhando:

— No que diabos você estava pensando? Está maluca?

— Não fique irritado... Eu só estava te provocando. — eu fui descendo meu dedo indicador do ombro dele até seu peito e meus olhos acompanhavam a trajetória.

— Não estou irritado! — falou de modo agressivo e tirando minha mão dele.

Fiquei assustada com a reação de Reid e franzi o cenho, confusa. Ele, então, me empurrou sem me machucar contra a parede do banheiro que estava atrás de mim e, antes que eu pudesse pensar, ele encostou seu corpo no meu impedindo que eu saísse dali.

Fiquei ofegante, porque eu não sabia o que viria a seguir. Spencer colocou sua mão direita em minha bochecha e encostou sua testa na minha. Ele encarava minha boca como se a desejasse e eu percebi que sua respiração estava descompassada.

A alguns centímetros dos meus lábios, com nossa testa e narizes se encostando, ele sussurrou:

— Eu estou louco por você.

Parei de respirar quando ele disse aquilo com a voz mais sexy que eu já escutei em toda minha vida! Em súbito, ele chocou seus lábios contra os meus e uma explosão de calor invadiu meu corpo.

Eu levei minha mão direita aos seus cabelos e entrelacei meus dedos neles enquanto minha mão esquerda estava em suas costas, apertando-o fortemente contra meu corpo.

Spencer, enquanto me beijava fervorosamente, levou a mão que estava em minha bochecha de encontro com meus cabelos e os puxou de leve na mesma hora em que sua outra mão descia pela lateral do meu corpo e, chegando na barra do meu vestido preto justo, o puxou alguns centímetros para cima e apertou minha coxa.

Eu estava completamente envolvida e enlouquecida naquele momento, eu queria tirar toda a nossa roupa ali mesmo. O frenesi que estava sentido era único, jamais vivenciei algo parecido, nunca tive tanta vontade de me entregar a alguém como eu queria me entregar a ele.

Nossas línguas se mexiam no mesmo ritmo e o beijo continuava caloroso, eu sentia a mão dele no meu cabelo e em minha coxa, podia sentir cada toque dele como se minha sensibilidade na pele houvesse aumentado em um milhão.

De modo inesperado, Spencer parou o beijo puxando um pouco meu lábio inferior, mas encostou novamente sua testa na minha enquanto nossas respirações ofegantes se misturavam e os dois ardiam em desejo.

Pensei que ele estivesse apenas recuperando o fôlego para que nos beijássemos novamente, porém, ficou ali fitando meus lábios e não fazia nenhum movimento para me beijar novamente.

Então, aproximei meu rosto para que nos beijássemos mais uma vez e fui surpreendida com o afastamento de alguns centímetros dele de mim.

Fiquei sem entender nada até que Reid murmurou perigosamente perto dos meus lábios:

— Eu também sei provocar, Alexis. — ele sorriu com o canto dos lábios e me soltou.

Arrumou o seu terno que ficou um pouco amassado pelo nosso contato e saiu do banheiro como se nada tivesse acontecido e eu fiquei lá parada, encostada na parede arfando, totalmente incrédula com o que acabara de acontecer: eu tinha sido feita de idiota pelo nerd do FBI. Ou não tão nerd assim...

Mas eu estava amando aquilo. Reid estava apenas mostrando que aquele era um jogo que dois poderiam jogar e tudo o que ele fez foi equilibrar o jogo, uma vez que eu tinha o provocado primeiro na mesa.

Vamos dizer que estava empatado.

Me olhei no espelho e dei uma arrumada no cabelo, passei a mão nos meus lábios que estavam um pouco vermelhos devido ao beijo fervoroso que trocamos e me preparei para voltar à festa fingindo que nada tinha acontecido.

Chegando ao jardim que estava maravilhosamente decorado, percebi que agora havia música e parecia algo brega dos anos 80 e todos estavam cantando e rindo. Acho que a intenção era mesmo tocar músicas antigas bregas.

Não consegui identificar a que estava tocando e Penelope veio até mim:

— Vamos, Alexis! Venha cantar com a gente essas musicas terríveis que Will gosta! — ela parecia um pouco embriagada e me puxou pelo braço, andando rápido e eu andava um pouco desajeitada por Penelope estar andando rápido e eu estar me desequilibrando do salto.

Paramos numa roda aonde o pessoal da equipe cantava enquanto se abraçavam sempre segurando uma taça de champanhe. Era oficial: a equipe da UAC estava levemente embriagada e eu estava me divertimento muito com eles.

Até que a música brega acabou e começou a tocar uma música dos anos 80 que eu conhecia, gostava de certa forma: Total Eclipse of the Heart da Bonnie Taylor. Como se trata de uma música romântica e lenta, os casais começaram a se formar: Hotch foi dançar com Beth; Emily com Dave; JJ e William; e Penelope com Morgan.

Spencer veio até mim e estendeu a mão direita, esperando que eu a segurasse para que nós dois dançássemos juntos. Eu sorri e segurei a mão timidamente.

Ele me puxou, encostando nossos corpos delicadamente e segurou minha cintura com as duas mãos enquanto eu deixei as minhas sobre seu ombro, mas mantive um pouco da distância para que pudéssemos olhar um para o outro.

A música tocava e nós íamos de um lado para outro lentamente, acompanhando o ritmo até que Reid se perdeu um pouco e saímos da sintonia.

— Desculpe, eu... eu não sei dançar. — ele parecia envergonhado.

— Está perfeito para mim. Tudo. — falei, olhando diretamente nos seus olhos e sorrindo.

Comecei a mexer meus lábios de acordo com a letra da música, mas sem cantarolar em voz alta.

And I need you now tonight

And I need you more than ever

And if you only hold me tight

We'll be holding on forever

And we'll only be making it right

'Cause we'll never be wrong

Reid percebeu e perguntou:

— Você gosta dessa música? — perguntou enquanto nos movíamos no meio de todos os outros casais que faziam o mesmo.

— Sim... Eu gosto. — respondi esboçando um sorriso.

Então, abracei-o, entretanto sem parar de dançar lentamente, e encostei meu rosto no dele, deixando minha boca próxima ao seu ouvido e quando chegou na parte da música que eu queria, sussurrei em seu ouvido a letra que tocava:

Forever is gonna start tonight, Spencer.

Ao ouvir isso, ele apertou minha cintura, pressionando meu corpo contra o seu e, em seguida, se afastou para me olhar e ele deu um breve riso baixinho de felicidade com os olhos brilhando e conectados aos meus:

— Você finalmente me chamou pelo nome.

— Já estava na hora de eu falar em voz alta o nome de quem eu gosto, Spencer Reid. — agora eu tinha o chamado pelo nome, parecia que não conseguiria mais parar.

— Isso não é justo... — ele reclamou e nós continuávamos dançando, aquela música tinha sete minutos e não parávamos de nos olhar, até esquecemos das pessoas que estavam à nossa volta.

— O que não é justo? — uni as sobrancelhas.

— Você me dizendo tudo isso quando eu não posso beija-la... Isso está me matando. — ele desceu seu olhar para minha boca.

— Eu quero te beijar também. — anunciei.

Desse modo, aproximamos nosso rosto e eu inclinei um pouco a cabeça para o lado e ele fez o mesmo, porém, para o lado oposto.

Estávamos prestes a nos beijar ali, no meio do jardim de JJ, até que minha visão periférica me lembrou que estávamos em público e eu não estava preparada ainda para aquele tipo de exposição.

Desviei meu rosto para que nossos lábios não se encontrassem e sussurrei:

— Tenho que ir embora, Reid. Estou cansada.

Paramos de dançar e me dirigi à Jennifer, querendo me despedir e agradecer pelo convite da festa.

Spencer se ofereceu para me deixar em casa, mas recusei. As coisas estavam acontecendo rápido demais, minha vida estava agitada, eu mal tinha me recuperado do trauma de ser drogada e ainda me lembrei do meu irmão que permanecia desaparecido.

Eu não sabia até que ponto meu relacionamento com Reid iria afetar minha vida naquele momento com todas aquelas coisas acontecendo, então, eu precisava de um tempo para mim.

Mesmo que fosse somente aquela noite. Eu só precisava chegar em casa, dormir e me preparar para o estágio no dia seguinte.