Conflicted - um recomeço
13 O caso
Notas iniciais

Chegamos ao departamento de Cleveland onde fomos recebidos pela detetive incumbida do caso, Samantha Krauss. Ela nos acomodou na sala de reunião do departamento e, Reid e eu, fomos falar com o legista que fez a autópsia das três outras vítimas. Ficamos em silêncio o caminho todo o que era muito estranho para duas pessoas que haviam se beijado na noite anterior.
— Boa tarde. Eu sou Dr. Spencer Reid e essa é Alexis Parker. Nós estamos aqui para conversar sobre as quatro mulheres que foram estupradas.
— Claro, já me informaram que vocês viriam. — disse o legista, nos levando até a sala onde os quatro corpos estariam.
Aquele lugar era macabro. Quatro mulheres deitadas sobre uma mesa de metal, todas muito brancas e provavelmente geladas, com marcas roxas de estrangulamento.
— Então, o que você pode nos dizer? — perguntei ao legista.
— Todas estavam com altos níveis de álcool no sistema, mas nenhum sinal de drogas dopantes. Elas foram estupradas repetidamente devido às lesões na região vaginal e a causa mortis foi falta de oxigênio, ou seja, o estrangulamento. Elas também têm marcas nos pulsos indicando que foram presas.
— Por cordas ou plástico? — Reid perguntou.
— Não, eu diria algemas.
— Sem ferimentos de defesa? — questionei.
— Apenas Alice Grey tinha pequenos ferimentos de defesa, mas as outras não. Nem teria como, pois estavam tão bêbadas que os reflexos foram alterados, mesmo que soubessem que estavam em perigo, não conseguiriam reagir.
— Por que apenas Alice conseguiu se defender? — fiquei intrigada.
— Provavelmente o álcool não a dopou tanto quanto as outras. — disse Spencer — Cada organismo responde de uma maneira diferente à mesma quantidade de álcool, ela deve ter ficado um pouco mais consciente do que as outras.
Terminado nosso esclarecimento, voltamos à delegacia para traçar o perfil geográfico e arrumar o grande quadro com as características que já havíamos traçados do perfil.
Reid estavam anotando os pontos de sequestro e desova para montar o perfil geográfico e eu fiquei apenas analisando as fotos das vítimas quando estavam mortas e com as roupas rasgadas no meio do mato. Eu sabia que elas tinham algo em comum e eu iria descobrir como o unsub escolhe as vítimas. Até que meu cérebro — não tão inteligente quanto o de Spencer — fez a conexão.
— Eu sei como o unsub escolhe suas vítimas. Doutor, chame todos aqui. — falei num tom imperativo enquanto saía da sala para buscar algo que provaria minha teoria.
— Você me dá ordens agora? — disse ele, brincando.
Eu apenas virei o rosto e sorri maliciosamente, e continuei meu caminho para fora da delegacia. Agora era a hora de mostrar do que eu era capaz. Ou melhor: meu cérebro.
Todos os agentes, inclusive a detetive Samantha, estavam na sala de reunião aguardando para que eu explicasse minha teoria.
Eu peguei o vestido rasgado de Emma Steel, a última vítima, estendi sobre a mesa e do lado, coloquei outro vestido exatamente igual, porém, intacto. Ambos eram de alça fina, bem justos e vermelho-sangue, apenas um pouco acima do joelho.
— Pessoal, qual a diferença entre esses dois vestido? — perguntei a todos.
— Nenhum. — Morgan respondeu prontamente e deu de ombros.
— Você diz isso, porque é um homem e não gasta cinco mil dólares num vestido. O vestido de Emma Steel era um Valentino original de cinco mil dólares. Cinco mil dólares e trezentos, para ser mais exata. Esse, ao lado, é uma réplica que não custa mais do que cem dólares na Bendel’s.
— E como você sabe disso? — Emily perguntou.
— Porque sou mulher. — mas percebi que eles não se convenceram da minha resposta, então, tive que especificar: — E ganhei um vestido da mesma coleção do meu ex-namorado no meu aniversário, então, eu sei o quanto ele custa.
Spencer Reid fechou a expressão quando falei do meu ex, mas tentou disfarçar logo em seguida. Não me importei e continuei a minha teoria.
— A primeira vítima, Alice Grey, tinha um Rolex de trinta mil dólares com ela; a segunda, Louise Turner, usava Louboutin de mil dólares e a terceira, Annelise Hudson, estava com uma bolsa da Channel de quinhentos dólares!
— Mas nenhuma delas tinha condições financeiras de arcar com esse tipo de luxo... — concluiu Dave.
— Exatamente! — exclamei — O unsub deve saber que as vítimas não tinham condições de ter essas coisas, porém, elas usavam para ostentar; ele deve ver essas mulheres como oportunistas que se interessam por dinheiro.
— Isso explicaria porquê ele as trata como descartáveis. — Prentiss observou — Ele acha que, porque elas gostam de dinheiro, devem ser tratadas como mercadoria.
— E tem mais uma coisa. — comecei — Se eu consegui distinguir esses dois vestido, o unsub também soube para escolhe-las.
— Ou seja, ele tem recursos e é da alta sociedade. — completou JJ.
— Eu diria que é mais do que isso: ele nasceu na alta sociedade. — eu disse — Para um homem identificar um Valentino Original do outro lado do bar, ou ele é gay, ou ele está habituado com todo o tipo de coisas caras e luxuosas. Não é uma tarefa fácil.
— Tudo bem, estamos prontos para anunciar o perfil. — falou Hotch — Bom trabalho, Alexis.
Reid ficou quieto o tempo todo que eu expus minha teoria, o que era anormal para ele. Acho que ter mencionado o Sean no meio da apresentação o deixou abalado... Risos internos.
Divulgamos o perfil como um homem branco entre vinte e trinta anos da alta sociedade, rico, atraente e extremamente sociável que vê as vítimas como oportunistas e, por isso, quer puni-las por mostrarem serem algo que não são e serem fúteis por se importarem com dinheiro; ele provavelmente sofreu alguma desilusão amorosa ou teve algum trauma com sua mãe ou, ainda, perdeu o emprego ou muito dinheiro, motivos que seriam o estopim dos estupros; o unsub não seria um eletricista ou garçom, mas deveriam procurar em empresários bem sucedidos, bancários ou até mesmo políticos, pois ele possuía poder e dinheiro.
— Pessoal, pela agenda, hoje ele deve passar pelo Jeffrey Bar para escolher a vítima. — Reid avisou — Nós poderíamos cercar o local e perceber quais homens que se encaixam no perfil saem do bar com garotas embriagadas.
— Essa ideia é terrível. — eu o contrariei e estava amando aquilo — Gente, nós vamos cercar um bar de alto escalão que até mesmo vereador frequenta e vamos abordar alguém da alta sociedade baseado num perfil. Não é uma boa ideia e esses caras têm advogados bem caros para se livrarem de uma acusação dessas.
— Você tem alguma ideia melhor? — Reid me provocou, olhando-me diretamente nos olhos.
— Na verdade, eu tenho. — eu sorri cinicamente para ele.
Todos os agentes prestaram atenção para que eu revelasse o meu plano:
— Eu posso ir até o bar disfarçada com uma escuta, deixo o unsub se aproximar, converso com ele para ver se ele se encaixa no perfil e, quando estivermos saindo, vocês o pegam. Melhor do que fazer um alarde no bar de gente rica e assim podemos pegá-lo no flagra.
Reid fechou a expressão com a minha ideia, mas não falou nada, apenas olhou para Hotch, acredito que esperando que ele fosse discordar do meu plano.
— É uma boa estratégia. — falou Aaron — Vamos fazer do seu jeito.
— O quê?! Não podemos mandar Alexis para lá! — Spencer se alterou e percebeu que todos estranharam sua reação, e explicou: — Ela não tem treinamento para ir disfarçada e falar com um suspeito.
— Eu não preciso de treinamento para jogar conversa fora com um cara num bar, francamente... — ergui uma sobrancelha.
— Estão vendo?! — continuou Reid — Ela não está preparada! Por que não mandamos Emily ou JJ?
— Porque elas são mais velhas do que as vítimas que o unsub escolhe. Sem ofensa. — olhei para as duas quando disse a última frase e elas apenas assentiram sem se importar.
— Sim, se vamos armar uma emboscada, tem que ser a Alexis. — concordou Derek.
Percebendo que estava em desvantagem, Reid desistiu de impedir que meu plano continuasse e ficou apenas observando de braços cruzados. Ele parecia verdadeiramente incomodado com tudo aquilo.
— Mas qual peça cara vamos utilizar para que o unsub olhe para você? — Dave perguntou.
— Eu tenho o Valentino que meu ex me deu. Posso usá-lo. Com certeza o unsub vai reconhecer. — expliquei.
— Então, estamos combinados. Alexis vai disfarçada ao Jeffrey Bar com uma escuta, quando vocês estiverem saindo do bar avise na escuta que vamos abordá-lo. Não vamos tomar nenhuma atitude até você dar o sinal e todos os agentes estarão à paisana para não levantar suspeita. Vá se arrumar daqui a pouco, Alexis. — Hotch, dizendo isso, encerrou o assunto.
Todos saíram da sala e enquanto eu passava por Reid, pude ouvi-lo sussurrando para si mesmo: “Isso é uma péssima ideia. Uma ideia terrível.”
Pensei em falar com ele, mas achei melhor não. Falar consigo mesmo só demonstrava o quanto eu estava conseguindo tira-lo do sério, porém, aquilo não era o bastante. O toque final seria a algumas horas quando eu estivesse disfarçada e pronta para pegar o suspeito.
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