Conflicted - um recomeço
14 Plano (im)perfeito
Notas iniciais

A hora de executar a emboscada tinha chegado e eu estava toda arrumada. Usei meu Valentino vermelho com mangas delicadas e curtas e uma sandália preta de salto 10cm; meus cabelos estavam soltos e com ondulações nas pontas para dar volume; fiz uma maquiagem leve, apenas um pouco de blush dourado e uma sombra cinza fraca e muito rímel, e nos lábios, um brilho; e por fim, bastante perfume.
Cheguei à delegacia e todos estavam me esperando, tanto a equipe quanto os policiais do departamento.
Me senti um pouco envergonhada por estar tão arrumada em frente a equipe, mas eu tinha que ser profissional, eu estava disfarçada para pegar um estuprador filho da puta.
— Uau, você está um arraso! — disse JJ.
— Se você quiser, a gente pode cancelar a armadilha e saímos para tomar um drinque. — Morgan brincou e deu um sorriso encantador.
— Obrigada, pessoal. — agradeci, sentindo que minhas bochechas estavam ficando vermelhas.
— Tudo certo até agora, Alexis está aqui e já podemos falar sobre a tática com os policiais — informou Aaron, sempre muito sério — Reid, coloque a escuta em Alexis. O resto me acompanhe para montar a tática.
Fui deixada sozinha na sala de reunião com Spencer. Que ótimo. O mais engraçado de tudo é que Morgan era o único que, de fato, sabia sobre mim e Reid. Hotchner sempre fazia com que ficássemos juntos sem nem sonhar com o que acontecia entre nós e, devo admitir que isso tornava tudo mais irônico e divertido.
Spencer veio até mim com um dispositivo preto muito pequeno com um lado um pouco pontudo para encaixar no tecido e outro dispositivo para colocar no ouvido. Coloquei o ponto no ouvido direito e esperei que ele prendesse o mini microfone em mim.
— Terei que colocar isso aqui. — ele escolheu o canto esquerdo do meu vestido entre o decote e manga para coloca-lo.
Eu olhava para o chão, porque estava nervosa com aquilo. Quando senti a ponta dos dedos de Reid em minha pele, fiquei arrepiada instantaneamente e torci para que ele não houvesse percebido. Ele continuou mexendo no meu vestido e em minha pele, na área acima dos seios, para pregar bem o microfone. Os olhos dele não se desviavam de mim e eu mordi o lábio inferior levemente.
— Você está cheirosa. — disse ele.
— Eu tenho que estar. Quero chamar a atenção de um psicopata estuprador. — respondi ainda olhando para o chão.
— Você chamaria a atenção de qualquer homem desse jeito.
Quando ouvi isso, olhei diretamente para os olhos castanhos dele e ele conseguiu prender o microfone em mim. Fiquei olhando para ele com uma cara de pateta com a boca entreaberta, aquela que você faz quando olha para quem gosta... Fiquei ofegante, pois não estávamos longe e eu não sabia o que fazer diante da situação, só consegui encara-lo e sentir uma vontade incontrolável de beija-lo, mas não poderia fazer isso no meio da delegacia.
Reid interrompeu meus pensamentos:
— Alexis, se qualquer coisa sair do planejado, qualquer coisa, nos avise e a gente entra, ok? — ele disfarçadamente enroscou os dedos em minha mão esquerda que estava ao lado do meu corpo — Não se coloque em perigo, por favor.
Spencer quase suplicou a última frase. Tudo bem, ele estava realmente preocupado com a situação. Agora eu tinha entendido todo aquele piti de algumas horas atrás: ele está com medo de que eu me machuque.
— Está pronta? — perguntou Hotch, entrando na sala.
Rapidamente, Reid e eu nos afastamos e eu apenas concordei com a cabeça.
Fui no carro com Spencer, JJ, Derek e Hotchner dirigindo em direção ao bar.
Chegando lá, havia apenas carros muito caros no estacionamento e muitas SUV’s que batiam com o perfil do unsub.
Entrei no bar que não estava cheio e, para minha decepção, tinham muitos homens que poderiam ser o suspeito, todos aparentemente ricos, bem vestidos e atraentes. Fiquei no meio do bar, olhando sutilmente para todos os lados para perceber qual deles iria se destacar entre tantos... Até que meu olhar parou no canto do bar onde um homem de aparentemente 30 anos vestindo um terno branco e gravata azul-céu bebia uma dose de uísque. Ele ficou me encarando e decidi me aproximar.
— Alexis, consegue nos ouvir? — perguntou Hotch na escuta.
— Sim. — sussurrei um pouco para baixo, aproximando a boca do microfone.
— Consegue ver o unsub?
— Acho que o encontrei.
— Ótimo. Descubra o nome dele para passarmos para Garcia procurar.
— Entendido.
Me aproximei da mesa do possível suspeito e antes que eu pudesse aborda-lo, ele falou:
— É um belo vestido. — ele sorriu com o canto dos lábios.
— Obrigada. — eu sorri de volta — É um Valentino Original.
— Eu sei disso. — seu olhar era ameaçador — Meu nome é Erick Hills.
— Sou Alexis Parker.
Eu ouvi na escuta que Aaron mandou Garcia pesquisar o nome Erick Hills.
— Por que você não se senta? — Erick ofereceu.
Eu apenas assenti com a cabeça e me sentei em frente a ele.
— Você quer algo para beber? Estou bebendo uísque... Você quer vodca ou outra coisa?
— Uísque está ótimo. — falei, enquanto apoiava o cotovelo em cima da mesa e passava a mão em meus cabelos.
Droga! Deixei a escuta do ouvido cair no chão quando fiz isso. Nota dez.
— Ops, deixei cair meu brinco! — avisei e me abaixei na mesa, procurando o dispositivo e encaixando-o no meu ouvido novamente.
Quando voltei à “superfície”, tinha um copo de uísque para mim e Hills parecia não desconfiar de nada.
Dei um enorme gole no uísque, porque eu precisava depois de quase arruinar tudo.
— Então, Alexis... — ele começou, bebendo o uísque — O que você faz da vida?
No momento, sendo estagiária da UAC e tentando te prender.
— Eu estou me formando em Psicologia em Richmond. Só falta apresentar a tese. — achei melhor nem falar sobre meu estágio.
— Quer dizer que a todo momento você está me analisando? — Erick sorriu de modo agressivo, ele tinha todas feições de um psicopata.
— Não é bem assim que funciona... — desconversei, sorrindo para que ele pensasse que eu estava flertando com ele.
Enquanto isso, eu ouvia na escuta o que Penelope estava passando para equipe: Erick Hills, 29 anos. Herdeiro de uma imobiliária famosa em Ohio, sempre foi rico, praticou algumas infrações na adolescência, mas a família conseguiu apagar dos registros; ele namorava Kimberly Jones de 22 anos, mas há um mês, nossa querida Kim furtou dois milhões de dólares do nosso suspeito e fugiu com o amante para Nova Iorque.
Terminado o histórico do suspeito, Aaron disse: — Alexis, esse com certeza é o nosso suspeito.
De repente, comecei a sentir minha cabeça pesada e minhas pálpebras também. Meus músculos estavam moles e eu não conseguia nem pegar o copo direito. Comecei a sentir um enjoo e mal estar como se eu estivesse há muito tempo sem me alimentar.
Apertei meus dedos em minhas têmporas, tentando organizar as ideias.
— Eu vou ao banheiro. — informei a Erick, as palavras saíram quase inteligíveis, eu falava arrastado.
Levantei muito lentamente e fui cambaleando até o banheiro que ficava a uns dez passos do local que eu estava sentada. Ninguém deu a mínima, afinal, eu estava num bar, o máximo que pensariam é que tomei muita bebida. Mas eu não havia tomado. Dei um enorme gole no uísque, claro, mas isso não é quantidade suficiente de álcool para me deixar cambaleando e com as palavras arrastadas.
Cheguei em frente ao espelho do banheiro e estava mais pálida do que o normal. Minha visão ficou turva e eu tinha dificuldade para respirar.
Decidi lavar o rosto com água gelada para ver se resolvia. Não deu resultado. Joguei um pouco de água sobre meu tórax e, acidentalmente, molhei o microfone. Droga de novo!
— Alô? Tem alguém me ouvindo? — falei para o microfone.
Ninguém respondeu. A tontura começou a ficar mais forte, minha visão estava completamente embaçada e eu não conseguia me manter em pé, tive que me encostar na parede. Eu precisava sair daquele bar.
Cambaleei até a porta do banheiro e quando a abri, tive uma surpresa: Erick estava me esperando do lado de fora.
— Está tudo bem? — eu o via totalmente embaçado e escutava sua voz com dificuldade.
— Eu... Eu... não... — as palavras saíam quase inaudíveis e eu estava perdendo os sentidos.
— Vamos lá, vou ajudar você.
Erick me segurou pelo ombro e foi me conduzindo até a porta dos fundos do bar. Não, seu babaca, a equipe está no lado da frente, eles não vão te ver por aqui!
Eu queria resistir, fazer alguma coisa, mas meu corpo não obedecia aos comandos, meus músculos estavam moles, eu não conseguia gritar, minha escuta não funcionava e eu andava tropeçando e Erick me levando até seu carro.
Ele parou na frente do seu SUV preto e abriu a porta do carona.
Até que, repentinamente, não senti mais suas mãos sobre meus ombros e caí no chão por não conseguir suportar mais meu próprio peso. Caída no chão, pude ver de modo embaçado Reid apontando uma arma para Erick e Morgan o algemando.
No meio da confusão, JJ abaixou-se e disse:
— Alexis... Você está bem?
Foi a última coisa que ouvi antes de fechar os olhos e perder totalmente a consciência, jogada no chão do estacionamento.
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