Notas iniciais
1. Essa fanfic, embora se passe cinco meses após a morte de Maeve Donovan, Emily Prentiss nunca saiu do UAC. 2. Como a maioria das histórias, a ação, emoção, amor, sexo, investigação e todos os gêneros anunciados, ou como gosto de chamar o "recheio do bolo" está mais para frente - mas não tão para frente - e as coisas acontecem gradativamente (tipo, não esperem que eles se apaixonem na primeira olhada haha) Digo isso porque, às vezes, os primeiros capítulos são mais "lights". 3. Ela é contada, em 90% da história, do ponto de vista de Alexis Parker. 4. Também é postada na Social Spirit. 5. Aproveitem!

Era um domingo ensolarado em Richmond, mas eu estava presa em casa terminando as leituras da semana para a faculdade de Psicologia. Eu viajava na internet pesquisando os mais variados artigos para embasar minha tese de final de curso o qual só falta mais um ano para acabar,

Porém, ainda faltava um requisito a ser preenchido para que eu finalmente conquistasse meu diploma: o estágio.

Hoje seria a data que os alunos receberiam via e-mail em qual instituição iriam estagiar pelos próximos meses.

Eu incansavelmente atualizava minha caixa de entrada na esperança de encontrar o decisivo e-mail que decidiria minha vida, pelo menos, pelos próximos meses.

Mordia as unhas. Meus cabelos castanhos escuros estavam presos em um rabo de cavalo meio folgado com as mechas lisas um pouco bagunçadas. Eu fitava a tela do notebook como se minha vida dependesse daquilo.

Até que finalmente recebi a mensagem: ESTÁGIO OBRIGATÓRIO – URGENTE!

Cliquei no assunto e para minha surpresa, não consegui o estágio na clínica que tanto queria, Saint Paul. Tudo o que eu mais queria era ficar todo o tempo estagiando e criando teses para a cura de psicopatia, esquizofrenia e todos os outros transtornos que a psicologia conhece... ao invés disso, me colocaram numa instituição policial... O quê? Eles só podiam estar LOUCOS! E no pior sentido da palavra.

Não pensei duas vezes e resolvi ligar para o reitor da universidade, o qual sempre tive um ótimo relacionamento, inclusive o contato pessoal – essas são as vantagens de ser uma boa aluna – porque eu não iria, de maneira alguma, fazer estágio numa área que praticamente não condiz com minha faculdade.

— Sr. Hayes? É a Alexis. Me desculpe estar ligando num domingo mas receio que isso não pudesse esperar.

— Olá, Sra. Parker! O que houve?

— Acabei de receber o e-mail que trata dos estágios para a graduação e eu não fui colocada na Clínica Saint Paul.

— Ah sim! Me lembro do seu requerimento perfeitamente... — ele pausou — Eu, infelizmente, não posso fazer nada, muitas pessoas se inscreveram para o estágio lá e o quesito para desempate foi a primeira tese que vocês desenvolveram na faculdade e a sua... bem... não é que ela não fosse boa, mas um tanto quanto irrealizável... entende?

— O quê? A minha tese tem total fundamento científico!

— Eu sei, Sra. Parker, eu sei! Mas você irá se encaixar melhor no UAC do FBI.

— UAC? Unidade de Análise Comportamental? Tipo, aquela loucura de descobrir os criminosos pela personalidade? — debochei — Francamente, Sr. Hayes...

— Ora, ora... Uma estudante de psicologia desdenhando de sua própria área? — ele me provocou.

— Não é isso... — ele notou que fiquei sem palavras.

— Sra. Parker, encare isso como um desafio. Você não conhece o trabalho deles e pode aprender muito da experiência. Quem sabe a sua obsessão por psicopatologia não ganha uma nova forma trabalhando no UAC?

— Talvez... Bom, já que não há nada que eu possa fazer nem você... Aonde eu vejo os detalhes para me acomodar no meu novo estágio? — me dei por vencida.

— Todos os detalhes estão no e-mail que você recebeu, se não está no corpo da mensagem, olhe os anexos.

— Tudo bem, então. Obrigada pela atenção, Sr. Hayes.

— De nada, Sra. Parker... E espere que a sua estrela brilhe no UAC! — ele tentou me animar.

Desliguei o telefone e bufei. Eu realmente não queria aquele estágio. Embora eu achasse impressionante a técnica de análise comportamental e dos profilers, aquilo não se encaixava na minha personalidade.

Sempre estive acostumada a falar com médicos e psicanalistas, estar rodeado de pessoas com distúrbios de todos os tipos, mas eu com certeza jamais fiquei no meio de agentes de FBI. Que tinham armas. E sabiam atirar com essas armas. E pessoas algemadas.

O mais próximo que cheguei disso foram instituições onde os pacientes ficavam em camisas de força e cuidadas por seguranças. Só isso.

Abri o e-mail e percebi que tinha um anexo e no corpo da mensagem dizia que eu deveria começar amanhã a partir das dez horas na unidade em Quantico que ficava apenas meia hora de Richmond. Bom, pelo menos me colocaram num estágio próximo do meu apartamento de um quarto.

Não sou uma pessoa que gosta quando não consegue o que quer e o fato de não ter conseguido o estágio em Saint Paul me deixou extremamente irritada.

Eu trabalho com certezas, estatísticas, análises, exames e tudo mais, coisas certas, coisas programadas e que tenham um resultado esperado ou, ao menos, surpreendente.

Não estava preparada para mudar meu cenário clínico para um cenário policial.

Será que eu teria que pegar em alguma arma? Espero que não. Minha mira nunca foi boa jogando dardos. Imagine atirando.