Conflicted - um recomeço
9 Muito perto
Notas iniciais

Fazia algumas horas que a equipe estava trabalhando no caso do atirador em Quantico e eu já havia finalizado meu trabalho do dia. Aproveitei para fazer mais pesquisas online sobre a minha tese, mas chegou um momento que eu não conseguia me concentrar mais e comecei a estranhar a demora da equipe para voltar ao escritório.
Decidi, então, ir até à sala de Penelope e me informar sobre o que eles estariam fazendo.
A porta estava aberta e ela estava sentada olhando os monitores, estava tão concentrada que nem ao menos notou minha presença.
— Penelope?
Ela virou a cadeira e eu percebi que seus olhos estavam cheio de lágrimas embora nenhuma tivesse escorrido ainda. Permaneceu em silêncio, me olhando diretamente.
— Penelope, o que aconteceu? — demonstrei preocupação.
— O atirador pegou o Reid. — respondeu com a voz trêmula.
Ao ouvir essas palavras, senti um soco em minha barriga. Meu estômago embrulhou e minha visão ficou turva. Eram lágrimas se acumulando.
— Não... — eu murmurei, incrédula.
Saí correndo da sala em busca de Strauss. Eu precisava ir até lá.
Garcia me seguiu e me puxou pelo braço, agora as suas lágrimas já haviam escorrido.
— Me deixe ir, eu preciso ir lá! — gritei.
— E fazer o quê? Não tem nada que você possa fazer!
— Eu sei, eu sei... — meu rosto começou a ficar molhado, resultado das lágrimas que escorreram — Eu só queria estar lá.
Penelope me abraçou, querendo me consolar e também querendo ser consolada. Decidi ficar ali com ela e aguardar notícias pelo telefone.
Hotchner avisou por telefone que Morgan estava negociando com o atirador até que um som de tiro ecoou no fundo da ligação e ele falou para os policiais no local:
— Tiros disparados! Vamos entrar!
Eu e Garcia escutávamos tudo pelo viva-voz e ficávamos cada vez mais aflita. O tiro disparado foi de Reid ou contra ele?
— Reid foi baleado, mas foi no colete, está apenas com um machucado. O unsub foi preso. — avisou JJ para nos tranquilizar.
Respirei fundo com Penelope, mas eu precisava ver Spencer, nada mudava o fato de que ele tinha levado um tiro e eu não estava lá por ele.
Passou-se uma hora desde que tínhamos a informação de que Reid foi baleado e a equipe chegou à UAC, mas eu não o vi.
Perguntei diretamente para JJ com minha cara inchada de choro:
— Aonde está o Reid?
— Ele está no quinto andar na enfermaria refazendo o curativo. Ele está bem. — respondeu ela.
Sem nem falar com os outros membros da equipe, entrei no elevador e apertei o número cinco.
Chegando lá, Reid estava sozinho, sentado em uma maca sem camisa com um curativo branco feito um pouco abaixo do ombro esquerdo que estava com uma pequena mancha de sangue.
— Alexis. — disse ele ao notar minha presença.
Eu não falei nada, andei até ele e num impulso, joguei meus braços por cima dos seus ombros e o abracei fortemente. Ele ficou surpreendido com minha atitude, porém, me abraçou de volta, mas com os braços soltos como se eu fosse feita de vidro e ele não quisesse me quebrar enquanto eu o apertava contra meu corpo.
— Ai. — ele gemeu — Você está pressionando meu machucado.
— Desculpe, eu só... — eu estava atordoada e me afastei poucos centímetros dele, apenas o suficiente para não apertar mais a lesão.
De um modo surpreendente, Spencer não tirou seus braços de mim, ele somente deslizou sua mão esquerda para minha cintura e me manteve perigosamente perto dele.
Eu apoiei minhas mãos delicadamente uma em cada ombro dele e o olhei.
— Uau. — ele começou — Você estava preocupada mesmo.
— Sim... Eu... Bom, você pode me ajudar na minha tese e... É só isso. — eu estava sem jeito — Depois que eu terminar minha tese, você pode morrer à vontade. Eu não ligo.
— Sua tese... Sei. — disse ele em meio um risinho baixo.
Ficamos em silêncio, mas nenhum dois se atreveu a se afastar. Reid permaneceu com a mão esquerda em minha cintura e a outra ele posicionou na minha bochecha. Eu estava muito nervosa. Aquele contato com ele estava me enlouquecendo. Toda a situação estava. Ele sem camisa com a mão na minha cintura a apenas alguns centímetros do meu rosto.
Eu apenas diminuí a distância entre nossos rostos e agora, eu já podia sentir a respiração dele em minha pele, nossos lábios prestes a se tocar... Eu fechei meus olhos enquanto meu sangue pulsava por aquele beijo que viria.
Até que meu celular tocou.
Muito obrigada, vida.
Reid se afastou de forma delicada, mas continuou me segurando pela cintura e eu peguei o celular no bolso da minha calça.
— Me desculpe. — falei enquanto olhava na tela que era minha mãe me ligando — Preciso atender.
— Não, tudo bem, eu já terminei o curativo aqui. — ele pegou sua camisa e a vestiu, porém, não saiu dali e nem eu.
Atendi a ligação.
— Oi, mãe.
— Filha... Você não vai acreditar... Eu não sei como falar... — a voz dela estava fraca e dava para perceber que estava chorando.
— Mãe, o que aconteceu? Pelo amor de Deus...
— O seu irmão... Ele fugiu da clínica.
— O quê?! Como assim?
— Ele fugiu há poucas horas, mas só agora notaram!
— Eu vou até aí ajudar... Como isso pôde ter acontecido?
— Não, filha, fique aí! Já coloquei uma equipe de buscas atrás dele. Não pode ter ido longe.
— Mãe, eu não vou conseguir ficar aqui parada enquanto meu irmão está desaparecido!
— Você precisa ficar! Tem seu estágio e sua faculdade. Prometo te manter informada. Agora tenho que ir, os policiais estão querendo me interrogar para obter informações. Te amo.
— Mas mãe...
Antes que eu pudesse continuar, ela desligou. Isso não poderia estar acontecendo... Não comigo.
— Alexis, está tudo bem? — Reid perguntou, muito preocupado.
— Não. — respondi, segurando as lágrimas que eu senti que viriam novamente — Eu tenho um irmão mais velho e... Bem, ele... — eu não conseguia encontrar as palavras certas para contar a Spencer — Ele tem uma condição especial e está há três anos internado na Clínica Saint Paul e hoje... Ele fugiu. — falando esta última frase, não me contive e as lágrimas desceram de meus olhos até minha bochecha.
— Que tipo de condição? — ele perguntou, se aproximando de mim.
— Não importa! Ele tem uma condição e está desaparecido! — esbravejei, as lágrimas escorrendo como se fossem uma cachoeira.
— Tudo bem, se acalme. — ele tentou me abraçar, mas eu o afastei.
— Eu... Eu preciso ficar sozinha, Doutor. — falei enquanto eu fungava de tanto chorar — Eu vou para casa.
— Então me deixe levá-la. — ele ofereceu, aparentando estar muito preocupado.
— Não, eu vou pegar um táxi. Preciso mesmo ir.
Dito isso, dei as costas para ele e fui embora. Peguei minha bolsa em minha mesa e chamei um táxi. Não falei com ninguém, não dei explicações, eu só queria chegar em casa e entrar em contato com a clínica.
Fiquei refletindo se seria uma boa ideia ir até lá, mas no estado em que eu me encontrava, não seria uma boa ideia. Eu estava atordoada, perdida, um conflito de sentimentos dentro de mim. Aquele dia tinha sido muito pesado, começando com o tiro que Spencer tomou e, agora, isso.
Tinha certeza que não conseguiria dormir naquela noite, porém, eu precisava ficar na minha cama e descansar.
Será que agora era o momento que minha vida começava a desmoronar?
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