Uma e meia da manhã e eu não havia dormido. Estava deitada em minha cama, olhando o teto vestida com meu baby doll branco. Como eu conseguiria dormir com meu irmão desaparecido? Ainda mais com a condição que ele tem...

Eu suspirava e diversas coisas passavam-se em minha mente. Eu pensava em Reid e ficava feliz, mas logo em seguida vinha a lembrança do desaparecimento do meu irmão... não conseguia manter um sentimento. Era uma mistura de tristeza, preocupação e felicidade.

Meus pensamentos foram interrompidos pela campainha. Quem poderia estar me procurando a essa hora? Fiquei com medo de atender a porta, então, imaginei que pudesse ser meu irmão que de alguma forma me encontrou sozinho.

Levantei rapidamente, alegre com essa ideia e fui até porta. Quando eu a abri, não era meu irmão.

— Doutor... O que está fazendo aqui tão tarde?

— Posso entrar? — perguntou e parecia aflito.

Reid vestia uma espécie de roupão cinza por toda a roupa, seus cabelos estavam bagunçados, parecia que ele não dormia há algum tempo.

Eu dei espaço para que ele entrasse e fechei a porta.

— Então... O que veio fazer aqui? — cruzei meus braços.

— Eu preciso te contar uma coisa, Alexis.

— Conte.

— Preferia que nós dois sentássemos... A história é longa.

Eu apontei para o sofá para que ele sentasse e me sentei exatamente ao lado dele.

Reid demorou uns segundos para começar a contar.

— Há seis meses, eu perdi alguém que eu amava. Maeve, o nome dela.

Engoli seco quando percebi que o assunto tratava-se de uma ex-namorada.

— Vocês terminaram... E aí? — eu o interrompi.

— Não... Na realidade, nunca chegamos a ficar juntos. — sua expressão estava triste e sombria.

Fiquei quieta e esperei que ele continuasse, pois eu não estava entendendo nada.

— Nós ficamos nos comunicando por cartas e telefones durante um bom tempo, mas Maeve tinha uma stalker. Um dia ela foi sequestrada e eu fui rasgata-la e bem... Não teve um final feliz. — ele respirou fundo e continuou — A stalker matou Maeve na minha frente. E eu nunca tive a chance de toca-la enquanto ela estava viva...

Diante daquela história, eu não sabia o que responder. Morgan tinha razão. Reid tinha passado por um trauma muito grande e isso explicava o comportamento evasivo comigo. Parte dele deveria estar ligado à Maeve ainda e deveria sentir que estar comigo era uma traição.

Escolhi cuidadosamente as palavras e falei:

— Bom, estando lá, quando tudo aconteceu, eu acho que você nunca vai conseguir superar tudo o que aconteceu. Você apenas vai aprender a conviver com isso.

— É... Eu acho que sim. — ele deu um breve sorriso, mas sua expressão se fechou em tristeza logo em seguida.

Eu, então, segurei a mão dele que estava pousada sobre sua perna.

— Vai ficar tudo bem... Vivendo dia após dias, você vai aprender a lidar com esse trauma. — segurei forte a sua mão para tranquiliza-lo.

— Alexis... Você ficou pensando no que aconteceu hoje à tarde? — ele mudou de assunto.

Automaticamente, larguei sua mão, porque estava começando a ficar nervosa.

— Sobre o quê? Você ter levado um tiro? — desconversei.

— Não. Sobre nós. Sobre o que quase aconteceu... — Reid não tirava os olhos de mim e eu olhava para o chão, queria desesperadamente evitar aquela conversa.

— Não, eu não pensei naquilo. — menti.

— Então por que está acordada até tarde? — ele insistiu.

— Estava trabalhando na minha tese e o desaparecimento do irmão, então...

— Como estava trabalhando na sua tese se seu computador está desligado? — rebateu. Droga. Esqueci que ele era um profiler. E um dos bons.

Me irritei com toda aquela insistência dele para falar sobre nós e levantei do sofá.

— Por que você se importa, Doutor? Não é como se fosse estivesse interessado em mim ou algo do tipo! Você me deixa confusa e eu não posso lidar com isso! — falei num tom de voz mais alto que o normal.

— Eu não quero te confundir, Alexis, acredite. — ele levantou-se também e fazia um gesto com as mãos para que eu me acalmasse.

— Olha, Doutor Reid, eu realmente entendo o que você passou com Maeve, mas minha vida está uma bagunça agora e eu não posso ficar com um homem que... que não sabe o que quer. — aquelas palavras doeram para sair.

— De fato, eu não sei o que eu quero... — ele deu passos lentos até estar em minha frente — mas o que eu sei é que quando estou você, eu sinto que posso recomeçar.

Nossos olhos estavam fixos um no outro. Ele segurou meu rosto entre suas mãos e diminuiu a distância entre eles. Eu estava ficando ofegando, ansiosa pelo o que poderia acontecer. Eu não sabia o que ele pretendia, nem o que esperar.

Nossas respirações se misturaram e estávamos muito perto, os lábios quase se encostando... Antes que eles realmente se encontrassem, sussurrei:

— Então, recomece...

Fechei meus olhos e me deixei levar por aquele momento. Spencer encostou seus lábios quentes nos meus e o gosto era melhor do que eu imaginava. Ele, amorosamente, continuava segurando meu rosto entre suas mãos e o beijo foi lento, durou alguns segundos, mas o suficiente para me deixar com corpo fervendo.

Reid afastou-se alguns centímetros de mim e esperou minha reação diante do beijo.

— Minha vez. — murmurei quase em seus lábios.

Em súbito, apoiei minhas duas mãos em seu peito e o beijei, empurrando-o delicadamente para trás e indo junto. Quando vi que chegamos ao sofá, empurrei um pouco mais forte fazendo com que ele se sentasse e Reid parecia confuso, afinal, tudo aconteceu muito rápido.

Fiquei por cima dele, uma perna de lado e voltei a beija-la arduamente. Minha mão direita estava entrelaçada em seus cabelos bagunçados e a outra apertava seu braço, eu estava ardendo por dentro. Spencer parecia assustado com minha atitude e suas mãos estavam timidamente segurando minha cintura, como se ele estivesse cuidando de alguma coisa.

Ele retribuía o beijo na mesma intensidade e nossas línguas se mexiam num ritmo perfeito e muito bom, eu estava enlouquecendo com aquilo.

Até que, inesperadamente, Reid parou de me beijar e me olhou seriamente:

— Alexis, por favor... — ele tentava recuperar o fôlego — Nós estamos sozinhos em seu apartamento e você está em cima de mim vestindo um baby doll justo... Não torne isso mais difícil do que já está...

— Me desculpe. — falei, mordendo o lábio inferior — Eu não sei, eu... perdi o controle, só isso.

De modo delicado, sentei do lado dele e me encostei no sofá. Ele fez o mesmo, mantendo nossos rostos muito perto um do outro.

Ficamos ali nos olhando por alguns minutos, ninguém se atrevia a tocar no outro, estávamos apenas pensando no que tinha acabado de acontecer, tentando assimilar as ideias. Aquele momento foi único e eu queria que o tempo parasse.

Até que uma lembrança me veio em mente. Desencostei do sofá e apoiei os cotovelos em minhas pernas, permanecendo sentada.

— O meu irmão... Eu não deveria estar me sentindo feliz assim com ele desaparecido. — desabafei.

— Não quer me contar o que houve? — Spencer perguntou enquanto se aproximava de mim para ouvir melhor.

— Eu tenho um irmão mais velho de 27 anos chamado Brandon... Depois que meu pai morreu quando éramos crianças, ele nunca mais foi o mesmo... Eu e a minha mãe sempre o mantivemos sob controle, mas agora ele escapou e não pode ficar sem supervisão... Alguma coisa ruim pode acontecer com ele. — olhei para ele fixamente e continuei — E é só isso que você precisa saber.

— Entendo. — disse ele, colocando a mão direita nas minhas costas, me consolando — A equipe da UAC pode ajudar, Alexis. Nós somos bons. Podemos encontrar seu irmão mais rápido do que qualquer departamento policial comum.

Duas lágrimas escorreram dos meus olhos e, ao ouvir a sugestão do Spencer, levantei bruscamente do sofá e falei:

— Para quê?! Para vocês analisarem a mim, minha mãe e meu irmão?! Analisarem tudo sobre a nossa vida? Não mesmo! Não quero a ajuda da UAC! — as palavras saíram da minha boca rapidamente entre lágrimas e raiva.

— Tudo bem, nós não vamos intervir se você não quiser, mas nós pudemos ajudar... Me deixe ajudar. — ele colocou uma mão em cada ombro meu, tentando me acalmar.

Eu apenas olhava para o chão para disfarçar o rosto molhado de choro. Como se ele já não tivesse percebido...

— Vá embora, Doutor. Preciso ficar sozinha. — minha voz era trêmula e não passava segurança.

— Alexis, eu...

— Vá! Agora! — ordenei, me livrando de suas mãos em meu ombro.

Ele ficou triste, deu para perceber em seus olhos quando finalmente o encarei.

— Eu vou... Mas você pode me chamar sempre que precisar... Boa noite, Alexis.

Notei que ele não sabia ao certo como se comportar diante da minha raiva súbita e resolveu apenas ir embora.

Caí em lágrimas lembrando que meu irmão estava desaparecido... E em meio a essa lembrança, as memórias dos momentos com o Reid me davam uma luz de alegria. Eu e Spencer nos beijamos. Eu estava profundamente envolvida com ele e agora tinha certeza que estava atraída por ele e que tínhamos muita química.

Eu pensava no beijo, nas mãos dele em mim, em seus cabelos... Nas respirações descompassadas... E no quanto eu o queria.

Agora que eu já havia experimentado o gosto, queria mais. Eu precisava dele mais do que nunca.