Conflicted - um recomeço
21 Ligações perigosas
Notas iniciais

Descobri que Reid estava me levando a Las Vegas em Nevada. Talvez ele quisesse nos casar numa daquelas capelas que fazem os casamentos malucos de Las Vegas. Ou ele só quisesse me levar num cassino. Mas recordei que ele disse que queria me apresentar alguém, então, não deveria ter a ver com um local.
Depois do aeroporto, pegamos um táxi e ele estava me levando a uma instituição mental. Acredito que era algo relacionado com a minha tese e ele, provavelmente, iria me apresentar a algum médico renomado que ele era amigo. Minha imaginação flutuava nas diversas alternativas para aquela viagem inesperada.
Chegamos lá e os funcionários pareciam conhecê-los e o direcionaram para o grande jardim que havia na instituição. Tinham vários pacientes executando diferentes atividades por todo jardim: xadrez, tricô, damas... Alguns conversavam com seus médicos, outros estavam apenas observando o céu e as árvores do local.
Reid e eu estávamos de mãos dadas, no melhor estilo namorados, caminhando em direção uma mulher de cabelos loiros curtos sentada num banco branco quase no final do jardim.
Com nossa aproximação, ela deixou de lado o livro que estava lendo e seu rosto se encheu de alegria em ver Reid.
— Meu filho!
— Olá, mãe. — disse ele, um pouco tímido com as mãos no bolso da calça — Quero te apresentar uma pessoa, essa é Alexis Parker.
Eu sorri para ela e Reid continuou:
— Alexis, essa é a minha mãe, Diana Reid.
— Muito prazer, Sra. Reid. — falei em meio a um sorriso, estendendo minha mão para aperta-la.
A mãe de Reid ficou me observando, fascinada, como se eu fosse a aparição de alguma santa. Ela segurou na minha mão com suas duas mãos e a apertou, dando um beijo em seguida.
— Você a encontrou, meu filho! — ela falou com júbilo nos olhos.
— Encontrei quem, mãe? — Spencer perguntou com compreensão, como se a mãe fosse uma criança.
— O anjo que mandei para a sua vida! Ah você a encontrou! Não acredito! Sente-se aqui, minha querida! — Diana sorria, entusiasmada e eu estava alegre e lisonjeada com toda a situação, sentando-me ao seu lado no banco no jardim.
Nossas mãos ainda estavam juntas e nos olhamos, sorrindo uma para outra como duas amigas que não se viam há algum tempo.
— Agora eu entendo por que você sumiu, Spence. Deveria estar ocupado tentando me dar um neto, não é?
Eu e ele coramos ao ouvir isso e olhei para baixo, um pouco envergonhada, mas achando tudo fofo.
— Mãe... Não é nada disso. — ele a repreendeu, mas com ternura — Não estávamos fazendo nada disso. — olhei para ele querendo rir daquela mentira.
— Então, trate de fazer, ora! — Diana ordenou — Quero um lindo neto ou neta...
— Alexis, você não prec...
— Está tudo bem, Spencer. — eu o interrompi, ainda sorrindo.
— E se for neto — Diana continuou e seu olhar era distante como se ela estivesse fantasiando em outro mundo — quero se chame Adam. E se for neta, quero que tenha meu nome, Diana. Você promete, meu anjo? — ela olhou nos meus olhos e apertou minha mão mais uma vez.
— É claro. Eu prometo. — respondi, assentindo com a cabeça.
O rosto de Diana se encheu de alegria e ela estendeu a mão para que Spencer a segurasse. Ele o fez e sentou ao lado dela também.
Ela nos abraçou de lado e disse:
— Ah como estou feliz agora! Spencer e Alexis, meus amores!
— Quero tirar uma foto para me lembrar desse momento! — eu anunciei, tirando o celular da bolsa e ligando a câmera frontal.
Diana nos encostou próximo ao seu rosto, ficando ao meio da foto, e nós três sorrimos, parecíamos uma enorme família feliz!
Tirei mais duas fotos para garantir e guardei o celular.
Nosso momento de alegria foi interrompido por uma médica da instituição:
— Dr. Spencer Reid, lamento interromper, mas está na hora da Sra. Reid tomar seus medicamentos e fazer a sessão de terapia em grupo. — avisou.
— Tudo bem, nós já estávamos indo.
Nós três nos levantamos do banco e eu coloquei minhas duas mãos no bolso traseiro da minha calça.
— Sra. Reid, foi um prazer conhecê-la!
— Ah que isso, me chame de Diana! E eu que estou extasiada em conhecer o anjo que enviei ao meu filho! — ao dizer essas palavras, ela jogou os braços em minha direção, me abraçando fortemente e eu retribuí uns segundos depois, uma vez que o abraço me pegou de surpresa.
Após me largar, ela virou-se para Reid e também o abraçou, falando para ele:
— Cuide muito bem dela. Apesar de ser um anjo, ela também precisa de proteção.
Aquela última frase dela foi um tanto profunda e lógica, tanto que fiquei séria ao ouvi-la. Senti um calafrio como se fosse uma premonição que ela tinha tido e não podia contar expressamente o que iria acontecer.
Reid assentiu com a cabeça e assistimos à Diana ser acompanhada pela sua médica e desaparecer na parte interna da instituição.
Virei para Spencer com um sorriso:
— Não acredito que você me apresentou à sua mãe.
— Achei que estivesse na hora e... Você me contou sobre seu irmão e parte de sua vida, não seria injusto eu manter esse segredo de você.
Eu aproximei meu rosto e dei um selinho demorado em seus lábios, segurando seu rosto entre minhas mãos, dizendo ao final:
— Muito obrigada.
— Pelo o quê? — ele parecia confuso.
— Por gostar de mim o suficiente para compartilhar isso.
Nos demos as mãos e saímos da instituição juntos.
Andando pelas ruas de Las Vegas que, de manhã, não tinha muito graça uma vez que os letreiros estavam todos apagados; a estrada estava movimentada, as ruas também. Crianças passeando com seus pais e cachorro, idosos com seus passos vagarosos; vendedores de sorvete atendendo crianças que faziam fila...
O vento soprava bagunçando meu cabelo e andávamos em passos lentos e despreocupados, sem pressa de voltar para Virginia.
— Então, o que a sua mãe tem? — comecei um dialogo enquanto caminhávamos.
— Ela tem esquizofrenia.
— Ah... Bem, ela me pareceu ótima perto de outros pacientes que conheci com a doença.
— Ela tem tomado os medicamentos diariamente e ido à terapia, então... Ajuda bastante.
— Tirando a parte que ela achou que eu fosse um anjo, acho que ocorreu tudo bem. — brinquei.
— Pensei que você fosse falar sobre a conversa dos netos. — ele balançou a cabeça, rindo.
— Não me incomodou... Pode ser nosso futuro.
Spencer parou de andar e ficou à minha frente.
— Espero que esteja falando para valer. — ele colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha — Porque, para mim, o que temos é muito sério, Alexis.
— Para mim também é. E eu jamais te deixaria. — respondi, encarando-o.
Depois, eu dei um abraço nele, misturando meus dedos aos seus cabelos e o apertando contra meu corpo. Ele retribuiu na mesma intensidade, beijando o espaço entre meu pescoço e meu ombro, inalando meu perfume.
Quando nos separamos, deixei minhas mãos em seus ombros e ele desceu as suas para minha cintura, me fitando.
— Spencer, tudo isso tem a ver com o que aconteceu ontem entre nós?
— Um pouco. — ele ficou tímido por eu trazer à tona a noite passada — As coisas estão mais intensas entre nós, Alexis, e eu... — ele parecia procurar as palavras certas — eu estou cada vez mais envolvido com você. E eu não achei que pudesse me sentir assim de novo depois de... Bom, você sabe. — ele estava se referindo à Maeve.
Notei que toda aquela conversa tinha um fundo de insegurança e decidi desviar um pouco o foco para descontrair:
— A noite passada foi... incrível. — aproximei meu rosto do dele e sussurrei quase em seus lábios para que somente ele ouvisse: — Estou ansiosa para repetir a dose... Aqui em Las Vegas seria perfeito, não acha?
Ao invés de beija-lo, mordi seu lábio inferior levemente e puxei-o para provoca-lo.
Antes que ele pudesse responder, olhei por cima de seu ombro e vi alguém desagradável:
— Só pode ser brincadeira... — falei num tom irritado, incrédula por quem estava vendo.
Lila Archer estava vindo em nossa direção em passos rápidos e decididos com os sedosos cabelos loiros esvoaçando ao vento.
Percebendo que eu encarava uma imagem atrás dele, Reid virou-se e viu Lila também.
Ela aproximou-se e cumprimentou:
— Doutor Spencer, fico tão feliz em vê-lo!
— Anh, Lila, essa é Alexis, ela é minh...
— Meu empresário te ligou? — ela o interrompeu, não dando a mínima para minha presença.
Fiquei incomodada coma a ousadia dela e resolvi me meter:
— Com licença, senhorita. Eu sou Alexis Parker e por que diabos o seu empresário ligaria para ele? — eu apontei para ela quando disse “seu” e para Reid quando falei “ele”, sorrindo cinicamente.
— Por causa das flores que recebi e do bilhete que apareceu em minha porta ontem à noite. — ela explicou.
— Que bilhete? — ele perguntou, estreitando os olhos.
— Esse aqui. — Lila tirou um pequeno bilhete da bolsa e nos mostrou.
Nele constava em letras digitadas: A primeira, foi poupada por aquele com coração apaixonado, mas somente para sofrer as consequências de um castigo pior: o silêncio.
Terminamos de ler o bilhete e nos olhamos, apavorados com a semelhança entre meu bilhete e o dela.
— Lila, você recebeu flores com heras venenosas e um cartão também?
— S-sim. — ela respondeu, assustada — Como você sabe?
Eu passei meus dedos pelo meu couro cabeludo e fiquei com o olhar perdido para baixo, aflita e confusa.
— Você tem que pegar as flores e os bilhetes que recebeu e entrar num avião para Virginia com a gente. — mandou Reid.
Lila estava tão apavorada quanto nós e assentiu com a cabeça.
Nós três fomos com o motorista dela para o aeroporto, apreensivos com tudo aquilo. Reid já havia mandado uma mensagem para toda a equipe com urgência, informando que tinham que se reunir para analisar a situação.
Simplesmente não era justo. Não era justo depois da noite maravilhosa que eu tive com Spencer e o dia conhecendo a sua mãe que eu estivesse num carro com ele e Lila Archer — o nome me dava náuseas. Não era justo que, logo após ser salva do meu irmão psicopata, eu tivesse que lidar com um stalker que, por alguma razão, cismou comigo e Lila, duas pessoas opostas.
No carro, Reid segurava a minha mão e eu a apertava, tomada pelo nervosismo e ansiedade em resolver aquilo.
Fiquei refletindo quando eu e Spencer teríamos um período de trégua de todos esses monstros que ele é obrigado a caçar dia após dia.
Fale com o autor