Conflicted - um recomeço
28 Os demônios de Reid
Notas iniciais

No dia seguinte, eu estava de volta à UAC depois da dispensa pela apresentação da tese. Sentada em minha mesa, eu estava realizando arquivamentos e inserindo dados no sistema e, num canto empilhado, estava o formulário de desligamento do estágio e a avaliação que eu tinha que fazer sobre ele bem como o formulário de transferência de estágio para a clínica Pine River em Nova Iorque da amiga da minha mãe. Depois de meu último contato com Reid, decidi sair do estágio na UAC e me mudar para Nova Iorque. Precisava sair de Virginia, do FBI, de tudo! Precisava de um recomeço embora eu tenha total noção de que Spencer me deu um. Nunca pensei que eu precisaria de um recomeço dele, mas ele deixou bem claro ontem que só teria distância entre nós agora.
Morgan se encostou na beirada da minha mesa segurando um copo de café:
— Ei, garotona, parabéns! — ele estava animado com aquele sorriso que com certeza me deixaria derretida se eu já não fosse apaixonada pelo colega dele.
— Pelo o quê? — perguntei, retribuindo o sorriso. Morgan era sempre tão simpático e atencioso!
— Pela sua tese! Reid contou que você tirou nove e meio e fez uma dedicatória para a UAC! — ele estava verdadeiramente entusiasmado com aquilo.
— Ah sim... Eu fiz. — confirmei — Esse estágio foi muito importante para mim.
— Foi? Não é mais? — ele indagou em tom de brincadeira.
— Na verdade, não vai ser... — rebati com gentileza — O diretor da minha faculdade me deu a opção de trocar de estágio devido aos últimos acontecimentos, então...
— Você vai embora? — Derek pareceu surpreso e triste ao mesmo tempo — Por que vai fazer isso?
— Morgan, sendo honesta com você que acompanhou tudo desde o primeiro dia, a única razão que me mantinha aqui não quer mais me manter aqui, então... — eu olhei para Spencer que estava um pouco longe em sua mesa, concentrado na sua leitura e nem sequer me olhava desde que eu tinha chegado.
— Tem certeza que essa é a melhor decisão? — ele me encarava como se quisesse traçar meu perfil.
— No momento, é. — respondi com melancolia no olhar.
Derek abaixou o olhar, decepcionado e disse:
— Não irá fazer uma festa de despedida?
— Não... — chacoalhei a cabeça negativamente — Não gosto de despedidas.
— Bem... — ele se desencostou da minha mesa e tomou um gole do café — Nós sentiremos muito a sua falta! Você foi a melhor estagiária que tivemos... Porque você foi a única! — Derek deu um soquinho leve em meu ombro, sempre muito brincalhão e rimos juntos.
— Também sentirei a falta de todos... — eu olhei para Reid distante e meu rosto se fechou em dor — Mais do que eu já imaginei sentir.
Morgan ficou em silêncio, como se estivesse pensando no que dizer, até que finalmente perguntou:
— Sei que não é da minha conta, mas... Acho que está cometendo um enorme erro. Seu lugar é na UAC...
— Eu não quero ser uma profiler, Derek. — eu o interrompi, encarando-o.
— Tudo bem. Entendo. Mas... — ele insistiria nessa conversa — E quanto a Reid?
Comecei a digitar no meu computador, fingindo que aquele assunto não me atingia e me fiz de desentendida:
— O que tem ele?
— Alexis... Todos na UAC sabem de vocês dois.
Parei de digitar para olha-lo:
— Até mesmo Penelope?
Derek riu brevemente e respondeu:
— Admito que ela demorou um pouco para entender o que estava acontecendo, mas depois da festa de JJ, ela não teve dúvidas!
— Aquela festa... — um flashback rápido invadiu minha mente, recordando dos momentos felizes que tive e das declarações que trocamos um com o outro.
Me perdi tanto em recordações que esqueci de completar a frase e Morgan falou:
— Bem, vou terminar meu café. Mas quero deixar claro que tenho esperança que você mude de ideia sobre a transferência. — ele ia saindo, até que se virou para finalizar a conversa: — Todos nós temos.
Sorri sem mostrar os dentes e voltei minha atenção à mesa. Vi os formulários para preenchimento que, quanto mais rápido eu preenchesse, mais rápido eu sairia dali.
Mas eu ainda tinha uma pilha de arquivos para organizar e muitas informações para atualizar o sistema, deixei meus devaneios para o lado e resolvi trabalhar, também para desviar minha atenção de Reid que não tinha feito nenhum contato comigo até o momento.
Dez horas da noite. Sala de reunião da UAC. Eu estava sozinha, a unidade absolutamente em silêncio e eu tinha a companhia dos formulários do estágio no FBI, minha aplicação para a clínica em Nova Iorque e uma caneta. E sem esquecer que também me acompanhavam minhas dúvidas...
Eu mordia a ponta da caneta lendo as perguntas: O estágio obrigatório foi importante para sua vida profissional? Assinalei o “sim”, mas queria que tivesse uma opção para selecionar “mas, por outro lado, destruiu a minha vida pessoal”. Na sua opinião, qual foi sua maior conquista no período do estágio obrigatório? Pegar o agente mais gato do FBI — claro que eu não coloquei isso, mas mentalmente, era minha resposta. Gostaria de seguir carreira na instituição em que realizou o estágio obrigatório? Por quê? Não, nunca, nem em mil anos. Porque meu ex trabalha nela — agora, infelizmente, ele era ex, embora nunca tenha me pedido em namoro oficialmente, afinal, não temos mais quinze anos de idade.
Comecei a escutar barulhos de passos e fiquei alerta. Da última vez que chequei, eu era a única ali. Mas por que deveria me preocupar? Eu estava num enorme prédio do FBI, não poderia estar mais segura.
Vamos voltar ao questionário e às respostas mentais: Você recomendaria a instituição para outro estudante realizar o estágio? Sim, desde que fosse um estudante homem ou uma mulher bem feia. Não quero Reid se apaixonando por outras estagiárias, oras. Qual o grau de importância dessa exper...
A porta da sala se abriu e uma voz masculina familiar, murmurou:
— Alexis?
— Doutor? — expressei perplexidade, levantando da cadeira e permanecendo parada ao lado da mesa de reunião — O que está fazendo aqui a essa hora?
— Eu te pergunto a mesma coisa. — ele entrou, fechando a porta atrás de si e me encarando.
— Eu perguntei primeiro. — rebati, séria.
— Sou um agente do FBI. — ele começou a dar passos lentos em minha direção, muito misterioso e as mãos nos bolsos da calça — É você quem tem que me responder.
Quando ele parou em minha frente, bufei e finalmente falei:
— Você é um idiota. — estreitei os olhos, muito irritada — Mas se quer mesmo saber, eu estava preenchendo os formulários para meu desligamento da UAC. Vou embora em breve.
Ignorando meu insulto, Spencer abaixou o olhar, fitando as folhas em cima da mesa e colocou os cinco dedos em cima delas, mexendo-as de um lado para o outro:
— Realmente quer isso, Srta. Parker? — ele me desafiava... argh!
Continuei imóvel e, com o olhar firme e a voz também, respondi:
— Não estou em posição de querer nada, no momento. Só estou fazendo o que é necessário.
Spencer se aproximou mais, deixando-nos perigosamente perto — tanto que eu já sentia a beirada da mesa encostando, pois eu não tinha mais como ir para trás — e olhando um pouco para baixo para que nossos olhos não se perdessem, afinal, eu era mais baixa do que ele. O que Reid pretendia?
Ele sorriu de lado. Eu conhecia aquele sorriso como a palma da minha mão. Era seu sorriso malicioso de quando estava prestes a arrancar a minha roupa.
— Não está em posição de querer nada? — ele repetiu minhas palavras, ironizando — Essa não é a Alexis que eu conheço.
Agora, ele inclinou seu corpo em minha direção e eu fiz o movimento contrário, me inclinando para a mesa, quase deitando nela, e me apoiando com as duas mãos para me equilibrar. Sem se deixar intimidar, Spencer também colocou suas mãos na borda da mesa, exatamente ao lado das minhas, se inclinando mais ainda para mim.
Reid manteve seu rosto próximo ao meu, eu podia sentir seu hálito fresco em minha pele e, de modo impensado, fitei sua boca que eu sentia tanta vontade de beijar.
Engoli em seco e deixei minha boca entreaberta, extremamente temerosa com a situação. Ele tinha sido um tremendo babaca nos últimos dias, eu não queria ceder tão facilmente, mas era tão difícil se controlar com ele por perto...
Depois do meu transe momentâneo, murmurei com a voz trêmula:
— E... qual é a Alexis que conhece?
Diminuindo a distância entre nossas bocas, Reid sussurrou quase em meus lábios num tom íntimo:
— Aquela que saberia dizer exatamente o que quer e quando quer.
É claro que aquela frase tinha cunho insinuante.
Quando achei que ele iria me beijar, seu rosto se desviou para meu pescoço e nossas bochechas se encostaram. Eu sentia seu hálito quente em minha pele e fiquei inerte, esperando seu próximo movimento.
Nossos corpos se encostavam e eu sentia um calafrio subindo por toda minha espinha. Minha respiração estava descompassada.
Reid passou a ponta de seu nariz em meu pescoço, subindo até o lóbulo da minha orelha, inalando o perfume que eu usava. Fechei os olhos por sentir intensamente seu toque.
Simultaneamente, ele fechou seus braços em minha cintura, me apertando contra seu corpo. Agora, ele puxou levemente a base da minha orelha com seus lábios e eu me arrepiei instantaneamente.
Spencer, roçando a ponta do seu nariz em minha bochecha, seguiu até ir de encontro com o meu; com nossas testas encostadas, sussurrou:
— O que você quer agora?
Fitando seus lábios que quase tocavam os meus, respondi no mesmo tom:
— Você.
Subitamente, ele desceu suas mãos para minhas coxas e me puxou para cima, obrigando-me a sentar na mesa. Em seguida, colocou sua mão em minha nuca, puxando-me para ele e, finalmente, fazendo com que nossos lábios se encontrassem. Nos beijamos com veemencia e eu levei minhas mãos aos seus cabelos, entrelaçando meus dedos naqueles fios macios. Ele apertava minha cintura e eu já começava a sentir meu corpo quente.
Paramos de nos beijar e nos olhamos por breves instantes, ofegantes. Spencer abriu minha camisa social de modo voraz até a metade, expondo minha lingerie branca e desceu seus lábios para meu tórax, beijando entre meus seios.
Eu prendi minhas pernas em seu quadril e ele me pegou por elas, me erguendo e levando-me até a parede onde me encostou fortemente, mas eu estava tão extasiada que não me importei com o impacto.
Reid voltou a me beijar, me segurando pelas coxas e eu apertava seu braço enquanto a outra mão pressionava sua cabeça contra a minha. O beijo dele era algo inexplicável e me dava sensações únicas, nunca fiquei com alguém que me deixasse com fogo tão rápido.
Depois, ele desceu seus lábios pelo meu pescoço, beijando-o com a respiração fora do ritmo, e então, eu falei sem fôlego:
— Achei... que... nós... tínhamos acabado... — eu continuava segurando sua cabeça contra meu corpo e estava de olhos fechados sentindo a boca dele em meu pescoço que me deixou totalmente arrepiada.
Ele olhou nos meus olhos e respondeu:
— Nós só iremos acabar se você for embora.
Apertando mais a minha coxa, ele me guiou até o chão, deitando-me delicadamente; depois, puxou minha saia para cima, revelando minha lingerie branca e, então, começou a tirar seu cinto enquanto nós dois ofegávamos pelos beijos trocados há alguns minutos.
Abaixando até a metade sua calça, ele expôs sua boxer preta — que eu tanto amo — e eu pude ver a saliência nela. Ele se inclinou para minha barriga e começou a beija-la, descendo até minha calcinha que ele fez questão de puxar com os dentes e eu arqueei meu corpo involuntariamente, arrepiada. Spencer puxou a calcinha com os dentes até certo ponto e depois utilizou as mãos para removê-la totalmente. Eu estava nua da cintura para baixo e achei que era a vez dele, porém, surpreendente como sempre, Reid apenas ficou sobre mim — e sentir a saliência da sua boxer contra minha intimidade estava me matando — se apoiando com cada mão ao lado do meu corpo e, olhando nos meus olhos, perguntou:
— Ainda quer ir embora?
— Não.
Aquela resposta foi suficiente para que ele retirasse seu membro enrijecido da boxer e, lentamente, só para me provocar, o colocasse dentro de mim. Gemi sentindo-o em mim como se fosse a primeira vez...
Reid aproximou seu rosto do meu, enquanto começava vagarosos movimentos indo para frente e para trás, e mais uma vez ele me beijou. Seus beijos estavam cada vez mais urgentes, como se fosse a última vez que ele iria me beijar e eu retribuía na mesma intensidade, misturando meus dedos aos seus cabelos e cravando minha unha em suas costas, tomada pela excitação de estar com ele.
Então, os movimentos ficaram mais rápidos e ele já suava um pouco, nós gemíamos juntos, mas controlados — não sei porquê, estávamos sozinhos — e ele depositava delicados beijos por meu pescoço, meu ombro e meus lábios.
Com a movimentação ritmada e nossos suores se misturando em nossas roupas que não haviam sido tiradas completamente, nossos gemidos se intensificaram até que, não foi preciso anunciar, para sabermos que os dois tinham atingido o clímax juntos.
Ofegando, Reid desfaleceu em mim e, depois, deitou-se no chão ao meu lado enquanto nós dois tentávamos recuperar o fôlego, um pouco confusos pelo o que acabara de acontecer, afinal, nosso último contato íntimo tinha sido um desastre, terminando em briga.
— Nós... deveríamos tomar mais... cuidado. — falei enquanto arfava — Daqui a pouco... engravidarei de novo. — claro que eu estava brincando, mas Spencer levou a sério.
Deitado no chão ao meu lado, fitando o teto como eu fazia também, ele contou:
— Você nunca esteve grávida.
— O que quer dizer, Spence? — uni as sobrancelhas, mas ele não pôde ver, porque eu olhava para o teto vazio.
— Seus exames foram trocados no hospital com outra Sra. Parker que estava lá no mesmo dia.
Diante da revelação, eu me apoiei em um cotovelo e fiquei de lado para ele, olhando-o atentamente:
— Como assim?! E como você sabe disso?
— Eu voltei ao hospital para pegar uma cópia dos resultados dos exames daquele dia, porque, na hora eu percebi que não seria possível estar grávida de mim, já que demora em torno de...
— Espere um minuto... — eu o interrompi — Não seria possível estar grávida de você? Quer dizer que... Oh não!
Eu abaixei minha saia e levantei do chão, furiosa por ter entendido o motivo de ele ter ficado tão quieto quando recebemos a notícia enquanto eu desabava em lágrimas.
Reid levantou-se prontamente, se ajeitando, arrumando sua calça e eu continuei:
— Você achou mesmo que eu estava grávida de outra pessoa? Que eu te traí? Como pôde desconfiar de mim dessa maneira?!
— Alexis, eu não desconfiei de nada... Você poderia ter engravidado antes mesmo de me conhecer e...
— Mas você acreditou no médico quando ele disse que eu estava grávida mesmo sabendo que era impossível eu estar grávida de você! — eu o interrompi mais uma vez, elevando o tom de voz.
— Por favor, tente entender a minha posição... Eu... — ele mexia insistentemente com suas mãos, tentando se explicar.
— Eu não quero entender nada! — esbravejei, juntando minha calcinha do chão e a vestindo rapidamente, totalmente desnorteada com aquelas revelações e, em seguida, abotoando minha camisa.
Não só descobri que eu não perdi um filho como também soube que o meu namorado desconfiava de mim da pior maneira possível! Ele desconsiderou todas as variáveis para acreditar apenas na minha infidelidade ou descuido com algum parceiro antes dele — que era Sean.
— Como eu sou burra! Burra, muito burra! — eu gritava comigo mesma, recolhendo os formulários em cima da mesa, pronta para ir embora. Eu terminaria em casa.
— Alexis, eu te imploro, fique calma e me escute! — Reid se aproximou e colocou as mãos em meus braços, mas me desvencilhei delas violentamente.
— Não me toque! Me deixe em paz!
Recolhidas as folhas, saí praticamente correndo da sala, desesperada para sair do prédio. Eu ouvia passos atrás de mim, isto é, ele estava me seguindo, mas não dei importância e continuei minha trajetória rumo à saída do FBI.
Claro que eu não iria esperar pelo elevador, então, desci pelas escadas, muito rápido segurando minhas folhas e Reid ia atrás, pedindo para eu esperar, porém, eu ignorava e lutava ao máximo contra as lágrimas que eu sei que viriam. Eu estava devastada. Acredito que podemos superar tudo num relacionamento, menos a desconfiança. Aliás, desconfiança que eu nunca dei razão para existir!
Empurrei a porta de vidro do prédio abruptamente, chegando finalmente à calçada e meus olhos procuraram de modo inquieto por algum táxi na rua antes que Reid me alcançasse.
Mas ele me alcançou.
— Alexis, me escute, por favor! — ele me puxou pelo braço, forçando-me a olha-lo.
Eu virei e, raivosa, perguntei:
— Desde quando você sabe que eu não estava grávida?
— Desde ontem. Não fui antes ao hospital, porque... Tive medo de saber a verdade, mas depois da nossa discussão, precisei saber. Passei lá antes de ir para a sua tese.
— Por isso que se atrasou, não foi? Tinha acabado de descobrir que eu não estava grávida, então, se sentiu culpado pela desconfiança e foi ver minha apresentação mesmo depois da nossa briga feia na noite anterior... Tudo faz sentido! — comecei a juntar as peças do quebra-cabeça.
Ele mexeu positivamente a cabeça, apertando os lábios em uma linha.
— Meu deus! — eu coloquei o rosto entre minhas mãos — Nem sei o que falar! Nunca esperaria algo assim de você, Reid.
— Tente me entender, por favor... Eu... estava com medo. — ele engoliu em seco e me olhou, continuando — Você apareceu do nada em minha vida e virou tudo de cabeça para baixo... Você era bonita demais, simpática demais, apenas... perfeita demais. E uma parte de mim não acreditou quando essa garota linda se interessou por mim. Eu sou estranho, sempre fui. Então... eu procurei por algum defeito seu e... quando apareceu a possibilidade da gravidez, pensei o pior.
Meus olhos estavam embaçados em virtude das lágrimas que se acumulavam de raiva. A declaração — se é que podemos chamar assim — não me afetou em nada.
Olhei fixamente para ele e rebati:
— Você tem suas inseguranças, eu entendo. Mas eu também tenho as minhas e... em momento algum eu desconfiei de você! Nunca! — vociferei — Nem com Lila nem com ninguém!
— Eu sei, me desculpe... — seu olhar era melancólico e ele ficou sem palavras. Doutor Reid sem palavras: achei que não viveria para ver isso.
— Sabe, Reid... Quando eu acho que você não tem como me machucar mais, você dá um jeito de fazê-lo. — ele abaixou o olhar e eu prossegui — Eu vou entregar esses formulários amanhã e irei embora o mais rápido possível para nunca mais voltar.
— Vai mesmo partir depois do que houve agora entre nós? Tem noção de quanto orgulho eu tive que deixar de lado para te procurar depois de descobrir que você mexeu nas minhas coisas e de Maeve? De que mentiu na minha cara sobre o sonho e me deixou preocupado com um possível EPT?! — agora ele parecia um pouco irritado e não mais triste.
— Bem, então eu acho que farei um favor a você indo embora, não é mesmo? Assim não terá que passar por cima do seu orgulho nunca mais.
Ele ficou com a boca entreaberta, como se fosse dizer algo, mas tivesse desistido e continuou me fitando.
Felizmente, um táxi passou pela rua e eu levantei o braço, sinalizando.
Eu entrei no táxi no banco de trás e Spencer observava, sem falar ou fazer nada, apenas estava quieto e pensativo.
Encostei a cabeça na janela e deixei as lágrimas caírem, por fim. Uma delas atingiu o formulário que estava pousado sobre meu colo.
Oh, you think that you know me, know me
That's why I'm leaving you lonely, lonely
'Cause baby you don't know a thing about me
You don't know a thing about me
Uma mescla de emoções tomava conta de mim. Estava magoada, ofendida, incrédula... Tudo isso porque Doutor Spencer Reid acreditou que eu pudesse estar grávida de outra pessoa! Que tipo de garota ele pensa que eu sou? No fim das contas, achei que ele era o homem que mais me conhecia, que sabia dos meus demônios e minhas lutas, e acabou demonstrando que não conhecia o mais importante: meu caráter. E, também, não é só de mim que ele desconfiou: desconfiou dos meus sentimentos. Se ele realmente tivesse certeza do meu amor, não teria tido dúvidas sobre minha gravidez que nunca existiu, no final das contas.
Aquilo doía de uma maneira inexplicável. O homem que eu mais amei estava me magoando de jeitos irreversíveis. Eu precisava me afastar dele. Nunca pensei que essa pudesse ser a solução, afinal, Reid sempre foi meu abrigo, minha salvação em tantos sentidos que eu não conseguiria enumerar. Sempre caluniei mulheres que se submetiam a parceiros que as faziam sofrer e, de certa forma, eu estava me tornando uma delas... Sou obrigada a cuidar disso.
Mas... em meio desses pensamentos sobre ir embora e estar ressentida, me lembrei das palavras de Reid contando sobre suas inseguranças. Você era bonita demais, simpática demais, apenas... perfeita demais. Ah Spencer... Por que teve que me magoar assim? Eu queria acreditar em suas palavras, aliás, até acho que acredito, mas isso não te exime da culpa de ter desconfiado de mim.
Não importa. Remoer o que aconteceu é inútil. Eu tinha que ser madura e olhar para o futuro. Mesmo que esse futuro não incluísse o Doutor Spencer Reid.
Mr. know it all
Well ya think you know it all
But ya don't know a thing at all
Yeah baby, ya don't know a thing about me
You don't know a thing about me
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