Notas iniciais
Boa noite, meus amorecos! First of all: muuuuito obrigada pelos comentários! Second: pegue seu lenço, pois esse capítulo será pura lágrimas... Tem a música Same Mistake do James Blunt e, como sempre, o link está no final. Ah coloquei também uma imagem pra ilustrar uma cena, porque acho que não consegui descrever detalhadamente como é o local que eles estão, sabe? Esses foram os avisos paroquiais, agora aproveitem ♥

Naquela quarta-feira, acordei com muito sono, pois fiquei chorando até tarde na noite anterior. Tive que recorrer ao poder da maquiagem para esconder meu rosto abatido e inchado. Eu iria passar na UAC apenas para entregar meu formulário de desligamento do estágio e dar adeus à toda equipe. Não sabia ao certo como seria com Reid, mas eu não deixaria de me despedir de todos por causa dele. Ele já havia arruinado o suficiente para mim.

Meus cabelos estavam presos num rabo de cavalo meio alto, eu vestia uma calça jeans com um cinto preto, uma blusa de regata rosa-chá e um terninho preto por cima.

Carregava comigo uma pasta com as folhas e entrei na UAC rumo à sala de Erin Strauss.

Ela estava sentada em sua mesa, sempre muito ocupada em meio as papeladas e sorriu ao me ver.

— Bom dia, Sra. Strauss. Vim trazer o formulário do meu encerramento do estágio. — eu depositei a folha em sua mesa.

Ela pegou-a e olhou, dizendo em seguida:

— É uma pena que decidiu sair do seu estágio antes do prazo, Srta. Parker. A equipe gostou muito de trabalhar com você!

— É... Bem... Eu também gostei muito daqui embora eu não estivesse muito animada quando comecei...

Strauss se levantou, contornando a mesa e ficando de frente para mim.

— De qualquer modo, a UAC te deseja sorte e muito sucesso no novo caminho que você irá trilhar.

— Obrigada, Erin. — eu sorri, encabulada.

— E se precisar de qualquer coisa, pode contar com nossa unidade!

— Pode deixar... — assenti — Enfim, a equipe está aqui hoje? Queria me despedir.

— Infelizmente, não, minha querida! — informou com tristeza na voz — Eles foram resolver um caso na Califórnia e acredito que não estarão de volta até amanhã. Isso se resolverem o caso rápido.

Eu suspirei.

— Amanhã é meu voo. Pelo jeito não conseguirei dizer adeus. Mas acontece... Quem sabe foi melhor assim. — falei mais para mim mesma do que para Strauss.

— Eu falo para a equipe te visitar se aparecer algum caso em Nova Iorque. — ela me reconfortou, com brilho no olhar — Sou a chefe deles, irei fazer disso uma ordem!

Nós duas rimos e ela, inesperadamente, me deu um abraço. Acho que você só percebe o quanto é bem-quista quando está partindo.

Depois do abraço, ela anunciou:

— Oh mas Penelope está aqui! Se quiser vê-la...

— Eu irei.

Acenei com a cabeça e saí da sala, fechando a porta e respirando fundo.

Caminhei até a grande sala de comando de Garcia e a encontrei tomando um chá, e digitando rápido, deveria estar fazendo alguma pesquisa para a equipe.

— Com licença. — eu dei duas batidas na porta aberta para anunciar minha chegada.

— Alexis! A que devo a honra dessa ilustre visita? — ela falou, sempre radiante e simpática como se o mundo fosse cor-de-rosa.

— Vim me despedir. Amanhã estou indo para Nova Iorque.

— Ah não... Você aceitou a transferência do estágio? — fiquei perplexa por ela saber de detalhes e ela explicou — Morgan me contou. Não temos segredos um com o outro.

— Sim, eu aceitei. Queria me despedir de todos, mas...

Nesse momento, nosso diálogo foi interrompido pelo telefone de Penelope. Com a ponta da caneta, ela apertou no botão para atender e ouvimos:

— Hey, baby girl, pode cruzar algum...

— Meu querido trovão de chocolate — ela o interrompeu — Tem uma pessoa aqui comigo que quer dizer adeus. Você está no viva-voz?

— Sim, estou. A equipe está aqui ouvindo.

Eu me aproximei da mesa para falar mais perto do telefone e disse:

— Oi, pessoal! Como todos devem saber, eu fiz uma transferência para terminar meu estágio obrigatório numa clínica em Nova Iorque. Hoje é meu último dia aqui, meu voo sai amanhã às seis horas da tarde. Fiquei muito chateada que não pude dizer tchau apropriadamente para vocês.

— Não, você não pode ir! — reclamou JJ com a voz suplicante.

— Por que está indo embora? — Rossi perguntou — Aposto que foi Morgan que te incomodou com as brincadeiras dele, não é? Já falei que ele não é tão engraçado quanto pensa...

Escutei risadas e eu também ri.

Nada a ver! — era Emily agora — O que fez ela correr foi a festa na casa de JJ, as músicas dos anos 80 de Will a espantaram para sempre! Ou os péssimos passos de dança de Reid! — mais uma vez houve risadas.

— Pessoal, pessoal... Me deixem falar. — Hotch pediu em meio uma risada — Alexis, em nome de toda a equipe, queria te agradecer por esse tempo que ficou conosco, mesmo que breve. Você é uma garota incrível e tem um futuro brilhante pela frente. A UAC sempre estará de portas abertas e será sempre lembrada como a primeira estagiária da nossa unidade. E, mais do que parte da equipe, você se tornou parte dessa grande família que é a UAC. — ele pausou, dizendo depois — Mais alguém quer dizer algumas palavras?

O silêncio do outro lado da ligação pairou por uns segundos e eu estava me recuperando da despedida de Aaron que foi mais bonita do que eu esperava.

Por mais que eu estivesse machucada com Spencer, esperei que ele dissesse suas últimas palavras naquele momento. Será que ele deixaria que nosso último contato fosse aquele confronto terrível?

Queria muito poder ver o que estava acontecendo no outro lado, as expressões de Reid e como ele estava reagindo àquilo. Mas eu não podia e seu silêncio dizia muita coisa.

Penelope — começou Morgan — Dê um grande abraço em Alexis por todo mundo, por favor!

Seu desejo é uma ordem, meu amo. — ela uniu as mãos em oração e reverenciou com a cabeça, como se fosse budista, embora somente eu pudesse vê-la.

Garcia se levantou da cadeira para me dar um enorme abraço e eu retribuí.

Nesse momento, um flashback do meu primeiro dia de estágio invadiu minha consciência:

Subitamente após a apresentação, a moça loira de óculos veio rapidamente ao meu encontro e me deu um abraço.

— Seja muito bem-vinda, Alexis! Nós nunca tivemos uma estagiária antes! A UAC está ficando muito chique! Qualquer coisa que você precisar, pode contar comigo, tá bom?

Quando nos separamos, olhei em seus olhos com os meus embaçados de lágrimas e disse:

— Você foi a primeira pessoa que me abraçou aqui. Então, faz sentido que seja a última também.

Percebi que os olhos dela se encheram de lágrimas quando me escutou dizendo isso. Provável que ela fosse nostálgica como eu.

Dei uma ótima olhada na sala de Garcia e me retirei enquanto ela se acomodava novamente em seu lugar, retomando a ligação para a equipe que estava no stand by. Eles tinham um caso para resolver.

Ao mesmo tempo em que caminhava pela última vez, eu observava cada detalhe daquela unidade: observei minha mesa, a de Reid, a sala de reunião — que agora eu tinha uma memória inesquecível — a sala de Hotch... Tive diversos flashbacks dos bons momentos que tive ali e as experiências que colecionei.

Eu nunca mais seria a mesma depois da UAC.

Quinta-feira. Cinco e quarenta e cinco da tarde. A equipe não tinha retornado da Califórnia ainda da última vez que entrei em contato com a UAC, portanto, decidir ir embora sem uma despedida oficial. Eu estava no aeroporto movimentado de Virginia, arrastando atrás de mim uma enorme mala de rodinhas e falando com minha mãe no celular.

Sim, mãe, eu peguei tudo. Peguei a aplicação, peguei minha transferência na UAC. Estou indo para a área de embarque agora.

— Tudo bem, querida. Me ligue assim que aterrissar, ok? Eu te amo e estou ansiosa pela sua chegada!

— Também te amo, mãe. Te vejo em breve, tchau.

Desliguei o celular e coloquei-o no bolso de trás da calça jeans preta que eu vestia.

Chegando à área de embarque, vi que me voo estava no horário. Vi os passageiros entregando suas passagens para a atendente e eu deveria fazer o mesmo, porém, permaneci parada, encarando a passagem em minha mão e depois o letreiro com os horários do voo.

Respirei fundo e olhei para trás. Ninguém conhecido, apenas centenas de pessoas anônimas trafegando.

Ele não vem, Alexis. Desista. Ele está na Califórnia e vocês não vão se despedir, pensei comigo. Mas talvez... se eu esperar mais um minuto, ele chegue. Falei claramente o horário do meu voo no telefone.

Nesse devaneio, passaram-se cinco minutos e a atendente me abordou:

— Senhorita? Seu voo é para Nova Iorque às seis horas?

— Ãnh, sim, é sim. — respondi meio perdida.

— Por favor, terá que embarcar agora, já irão fechar os portões.

— Tudo bem, eu vou.

Dei mais uma olhada para trás, esperançosa, mas vi o mesmo cenário anterior. Suspirei e desisti de vez.

Entreguei minha passagem à atendente e andei pelo corredor de vidro que me permitia ver o aeroporto em direção ao avião.

Tinham muitos passageiros embarcando também e, olhei mais uma vez para o aeroporto através da passarela de vidro que dava acesso ao avião, mas, dessa vez, fiquei perplexa: Reid estava grudado à parede de vidro do aeroporto, parecendo esbaforido, como se tivesse corrido até ali. Saí da fila de embarque direto no avião para me aproximar do vidro nas paredes da passarela, espalmando minhas mãos nele, olhando Spencer do outro lado.

And maybe someday we will meet

And maybe talk and not just speak

Don't buy the promises 'cause

There are no promises I keep

And my reflection troubles me

So here I go

Nesse momento, um flashback inoportuno me atingiu. Lembrei-me da conversa que tive com Reid em Las Vegas:

— Espero que esteja falando para valer. Porque, para mim, o que temos é muito sério, Alexis.

— Para mim também é. E eu jamais te deixaria.

Eu falei para ele que jamais o deixaria e o que estava fazendo? Sim, quebrando essa promessa. Mas eu não tinha mais escolha. Era tarde demais para voltar atrás. Já tínhamos nos machucado o máximo, tudo já tinha sido dito e feito. As cartas estavam na mesa. Não tinha como recuperar os danos que fizemos um ao outro. Não tinha como recuperar o que Susan e Maeve fizeram. O que eu fiz. O que Spencer fez. Por mais que me cortasse como uma lâmina, eu não podia ceder. Por mais que me doesse ver o rosto de Reid desolado do outro lado do vidro, ansiando por dizer adeus ou me convencer a ficar mais uma vez.

Ficamos nos olhando com melancolia, ele não podia entrar na área de embarque, na verdade, acredito que ele nem queria, de certo modo ele esperava que sua presença me fizesse desistir da loucura de ir para Nova Iorque. Mas não o fiz. Com os olhos acumulados de lágrimas, desencostei do vidro e entrei no avião, desaparecendo de sua vista.

Meu assento era da janela que estava virada para o aeroporto. Encostei minha cabeça na janela, chorando e fitando o aeroporto no exato ponto onde eu tinha visto Reid da última vez. Agora eu estava longe, mas pude ter quase certeza que a silhueta que eu via era a dele — ou eu queria acreditar que era.

Em alguns minutos o avião decolaria e eu não veria mais a silhueta dele. Nem sentiria sem cheiro. Muito menos beijaria aqueles lábios tímidos e doces. Era o fim da história entre a estagiária e o agente do FBI.

Look at the stars

Look at the stars, falling down

And I wonder

Where did I go wrong?

Notas finais
Link da música: https://www.youtube.com/watch?v=HxYJnRVUJ6s Gente, essa foto aqui é da passarela de vidro que a Alexis vê o Reid no aeroporto através dela. Na cena, ela já estava para entrar no avião, mas se encosta no vidro para vê-lo dentro do aeroporto hehe: http://www.vidroimpresso.com.br/imagens/materias/AEROPORTO-SANTOS-DUMONT.jpg Bom, minhas lindas, espero que tenham gostado desse cap extremamente triste e dramático... O que será deles agora? :