Conflicted - um recomeço
20 Longa noite
Notas iniciais

Chegamos ao meu apartamento e Reid parecia um pouco desconfortável embora fosse a segunda vez que ele colocasse os pés ali.
Tranquei a porta e pendurei o chaveiro no porta-chaves que eu tinha próximo.
— Sinta-se em casa. — falei.
Ele não respondeu, estava estranhamente calado e eu não sabia se ele ainda estava pensando no que passamos naquele dia ou se estava incomodado com alguma coisa.
O apartamento estava silencioso o que deixava a situação mais constrangedora.
— Bem, eu vou tomar um banho. Você pode ir depois, se quiser... — ofereci, indo em direção ao meu quarto para tomar banho na suíte.
Deixei a porta do meu quarto escancarada e fechei a porta do banheiro, pois não havia motivos para tranca-la. Se Reid acidentalmente abrisse e me visse tomando banho, eu não iria me importar...
Fiquei quinze minutos no banho, lavei o cabelo, deixando a água escorrer sobre meu corpo. Meu curativo acabou saindo e senti uma ardência quando a água caiu no pequeno corte no rosto.
Desliguei o chuveiro e vesti uma lingerie preta. Passei meu creme hidrante nas pernas, pescoço, tórax e mãos. Dei uma chacoalha no meu cabelo com a toalha para que secasse um pouco e depois liguei o secador por uns dois minutos, o suficiente para que ele parasse de escorrer, mas continuasse úmido.
Peguei meu roupão de seda na cor branca e o vesti. Ouvi barulhos no meu quarto como se meu armário estivesse sendo aberto.
Abri a porta do banheiro e vi Reid procurando alguma coisa nele.
— Spencer, o que você quer?
Ele me olhou de cima a baixo com a boca entreaberta antes de me responder:
— Eu estava procurando travesseiros e um cobertor para levar para o sofá.
— Para quê? — comecei a dar passos lentos em sua direção — Você vai dormir aqui comigo. — eu olhei para a cama de casal arrumada que estava ao nosso lado.
— Alexis, eu não acho que isso seja uma boa ide...
— Não comece. — falei cada palavra pausadamente e levantei um dedo para ele — Olha, eu quase morri hoje e se tem algo que tirei de tudo isso é que a vida é curta. Eu não quero mais perder nenhuma chance de ser feliz, Reid. — agora eu já estava parada à sua frente, apenas alguns centímetros de distância e o encarando.
Spencer olhou para baixo e analisou a situação. Após, voltou o olhar para os meus olhos e perguntou com a voz gentil:
— Acha que está preparada para isso? Sabe que tornará tudo mais difícil e... intenso.
Olhei fixamente em seus olhos e respondi com meu tom mais firme:
— Eu estou preparada desde a primeira vez que nos beijamos.
Ele se aproximou para me beijar, mas eu recuei de forma delicada. Logo, ele ficou parado e esperou que eu tomasse alguma atitude.
Levei meus dedos aos botões de sua camisa branca e, calmamente, fui desabotoando até chegar ao último botão próximo ao seu cinto. Depois, mexi na sua fivela para soltar seu cinto e puxei-o do cós de sua calça, largando-o no chão. Reid estava imóvel, observando o que eu fazia.
Coloquei minhas mãos por dentro da sua camisa já desabotoada e empurrei-a devagar para trás, fazendo com que caísse aos pés dele. Percebi que ele ficou arrepiado quando minhas mãos deslizaram pelo seu peito até seu ombro. Eu estava no caminho certo.
Em seguida, abri o botão de sua calça e puxei o zíper para baixo e ele me ajudou a tira-la, passando por seus pés e revelando a cueca boxer preta que ele estava usando — quem diria, Spencer Reid usa boxer.
Observei seu corpo semi despido e vi que ele tinha a pele clara e nada atlético, bastante magro, mas perfeito para mim.
Coloquei cada mão em seus ombros e o conduzi até a cama para que ele se sentasse. Sentado à minha frente, agora era minha vez.
Abri o nó do meu roupão e deixei-o cair no chão, em volta dos meus pés, expondo minha lingerie preta. Reid mordeu o lábio inferior, me admirando com aqueles olhos castanhos maravilhosos ao mesmo tempo em que transparecia nervosismo com a situação.
Eu sorri para ele e sentei em seu colo com cada perna de um lado, notando uma saliência por debaixo de sua boxer. Eu, definitivamente, estava no caminho certo.
Eu estava pronta para beija-lo, mas ele me interrompeu, dizendo:
— Alexis... E se você não gostar?
— Isso é impossível. — respondi olhando diretamente em seus olhos.
— Por que seria? — ele franziu o cenho.
Coloquei minhas duas mãos em seu rosto, mantendo seu olhar no meu e disse:
— Porque eu te amo.
Spencer sorriu com uma alegria quase palpável e, de repente, seu comportamento mudou.
Em súbito, Spencer me beijou com animosidade e me jogou na cama. Ele ficou em cima de mim, deixando recair apenas um pouco de seu peso sobre meu corpo; ele desceu seus lábios até meu pescoço e começou a beija-lo lentamente, passando a ponta da sua língua até chegar ao meio dos meus seios; sua mão direita deslizava pela lateral do meu corpo enquanto a esquerda entrelaçava-se nos meus cabelos úmidos; eu arqueei meu corpo, tomada pelo desejo e minhas duas mãos arranhando levemente as costas de Spencer, sentindo nos mínimos detalhes cada toque dele em minha pele, mas meu gemido saiu um pouco abafado. Eu ainda não estava totalmente à vontade, afinal, era nossa primeira vez.
Ele desceu do meio dos meus seios, ainda encobertos pelo sutiã preto, para minha barriga, roçando seu nariz até chegar ao meu umbigo, como se estivesse sentindo o cheiro inebriante de minha pele. Alcançando a minha calcinha, Reid puxou a borda com seus dentes e largou-a em seguida e meu gemido ficou um pouco mais alto enquanto eu tombava a cabeça para trás com os olhos fechados, totalmente entregue àquele momento.
Ele fez um caminho de beijos até chegar à minha virilha, onde ele passou suavemente sua língua em cada lado e, sem eu notar, estava com as mãos envolvidas em seus cabelos castanhos, pressionando-o de modo delicado para que continuasse.
Sentia-me quente por dentro e úmida perto de onde ele estava, a excitação tomando conta de mim ao mesmo tempo em que eu gemia em cada movimento dele que me provocava por estar passando com a língua tão perto da onde eu realmente o queria.
Surpreendentemente, ele subiu e me olhou, eu ainda estava um pouco entorpecida pelo o que ele tinha feito há poucos segundos e eu podia sentir a elevação por debaixo de sua boxer em meu corpo.
Reid aproximou seu rosto e encostou seus lábios nos meus, sussurrando:
— Antes de continuarmos... quero te perguntar uma coisa. — a voz dele era sexy num timbre sugestivo.
— O quê? — respondi no meio de um gemido.
— Você é minha?
Eu olhei profundamente nos seus olhos, envolvi meus dedos em seus cabelos castanhos e murmurei:
— Sim, eu sou. — pausei, me aproximando um pouco mais de seus lábios para terminar a frase: — Só sua.
— Prove. — desafiou.
Dito isso, uni toda a força que tinha e me virei na cama, forçando Spencer a ficar embaixo de mim dessa vez. Sentei em seu quadril com uma perna em cada lado e ele estava deitado, ansioso para o que eu pretendia fazer.
Fiquei o olhando com malícia e percebi seus olhos sobre meu corpo, principalmente, nos meus seios escondidos, porém, apertados pelo sutiã. Delicadamente, coloquei meu dedo indicador na alça do meu sutiã, e empurrei-o para que caísse abaixo do meu ombro; do outro lado, fiz a mesma coisa. Ele segurava meu quadril e senti suas mãos me apertarem na iminência de me ver nua.
Logo, ele resolveu erguer seu tronco até mim, mas permaneci sentada em seu colo, ele apenas uniu nossos corpos e subiu suas mãos ao fecho do meu sutiã e, com um pouco de dificuldade, conseguiu abri-lo.
Agora, com meu sutiã solto, peguei-o com a mão direita e o joguei no chão. Pressionei o corpo dele contra o meu e meus seios enrijecidos entraram em contato direto com seu tórax. Eu mordi meu lábio inferior, fitando-o, e puxei levemente seu cabelo para trás.
Estava preenchida de excitação e desejo por ele como eu nunca havia sentido antes. Aquela noite seria memorável e eu estava pronta para me entregar a Spencer. De corpo e alma.
Senti as pontas de seus dedos deslizando por minhas costas suavemente, me deixando mais arrepiada do que eu estava e subindo para meus cabelos.
— Alexis... Eu...
— O que foi? — falei ofegante.
— E-eu estou um pouco inseguro...
Mas é claro que ele estaria... É da natureza dele embora se soltasse, às vezes. Eu precisava deixar as coisas mais confortáveis.
— Não parece para mim... — eu estava falando sobre seu membro enrijecido abaixo de mim e ele entendeu.
— Oh isso... Bem...É difícil controla-lo com você em cima de mim sem sutiã.
— Vamos fazer o seguinte: eu vou ficar apenas brincando com você e quando sentir que está preparado a gente vai adiante, ok? — eu usei minha entonação mais sexy e íntima.
Ele concordou com a cabeça e aquele foi meu passe livre. Empurrei-o, forçando a deitar na cama. Depois, me inclinei em sua direção e passei a ponta da minha língua em seus lábios e desci para seu pescoço, começando a dar beijos lentos e algumas mordidas. Agora, ele havia descido suas mãos tímidas para minha bunda e fincou de leve suas unhas na minha pele.
— Você gosta disso? — murmurei em sua pele, continuei passando meus lábios, minha língua e beijando-o pelo seu pescoço e descendo até seu peito nu.
— S-sim.
A voz dele era falha e seus olhos estavam fechados para aproveitar cada momento.
Continuei descendo, sempre deixando que meus seios enrijecidos deslizassem por sua pele, passando pela região do seu umbigo, chegando em sua boxer, mas não era isso que eu queria...
Segurei na borda da boxer e comecei a puxa-la para livre-lo dela, e percebi que ele se arrepiou, ainda com os olhos fechados e engolindo em seco, nervoso.
Quando a boxer chegaram nos seus pés, rapidamente as joguei no chão e ele abriu os olhos:
— Alexis, eu...
— Shh, continue com os olhos fechados. — coloquei um dedo na frente da boca para que ele não falasse mais nada.
Mesmo receoso, ele fez o que pedi e voltei para a área um pouco acima de seu membro. Passei a língua por toda a região, descendo para a virilha, pois eu queria deixa-lo explodindo de vontade antes de coloca-lo na boca.
Ele tentava se manter totalmente parado, mas, de vez em quando, arqueava poucos centímetros seu corpo e respirava fundo.
Segurei em seu membro que estava sólido como uma rocha e ele arfou com meu toque; no topo, comecei calmamente passando a ponta da língua em volta, afinal, ninguém tinha pressa e eu precisava dele no ponto certo para perder a timidez e me possuir como eu queria.
Ele acabou entrelaçando seus dedos em meus cabelos, pressionando-os, acredito que querendo que eu fosse adiante enquanto eu conseguia ver sua outra mão apertando meu lençol. Perfeito...
Então, decidi acabar com a tortura, abri minha boca o suficiente para abocanha-lo e desci até a metade, observando sua reação. Ele soltou um gemido delicioso, tombando a cabeça para trás e apertando mais seus dedos em meus cabelos.
Continuei subindo e descendo com minha boca, minha mão acompanhando o movimento bem devagar e ele respondia gemendo cada vez mais.
— Oh meu deus, Ale... — nessa hora coloquei até o fundo em minha boca e ele não conseguiu terminar a frase — Oh não pare, por favor...
Permaneci no mesmo ritmo, deixando seu membro — que estava pulsando —, completamente molhado com minha saliva, deslizando minha mão num ritmo perfeito para deixa-lo louco.
— Isso, continue... Não pare... — ele falava no meio dos seus gemidos.
Vê-lo daquele jeito estava me deixando cada vez mais excitada e úmida, podia sentir minha calcinha molhada em minha intimidade; daqui a pouco, seria eu quem não aguentaria mais...
Aumentei a rapidez dos movimentos com a boca e com a mão de sobe e desce até que, entre seus gemidos deliciosos, ele anunciou:
— E-es-tou quase lá... — ele apertava minha cabeça contra seu corpo e arqueava na cama.
Quando ouvi, parei na hora o que estava fazendo, impedindo que ele atingisse o êxtase naquele momento.
Ele ficou confuso com minha parada repentina e me assistiu retirar minha calcinha, revelando minha intimidade desprovida de pelos.
Coloquei um joelho de cada lado em seu quadril e espalmei minhas mãos sem seu peito, inclinando-me para ele e mordendo meu lábio inferior, demonstrando toda a excitação que estava sentindo.
Com aquele jeito envergonhado, fofo e sexy que só ele tem, timidamente perguntou:
— Agora... devo fazer o mesmo ou voc...
Coloquei meu dedo indicador em sua boca, impossibilitando que ele continuasse a frase e apenas mexi negativamente a cabeça.
Mais uma vez, peguei seu membro rígido em minha mão e o posicionei em minha intimidade. Bem devagar, soltei meu peso sobre ele, introduzindo-o completamente dentro de mim e nós dois gememos juntos, numa sintonia única.
— E disso? Você gosta? — repeti a pergunta.
Ele, sem fôlego, respondeu:
— M-muito.
Me apoiando em seu peito, iniciei os movimentos de sobe e desce, lentamente para sentir cada centímetro dele dentro de mim. Eu nunca havia me sentido tão completa e extasiada como agora.
Perdendo um pouco da timidez, ele levou sua mão esquerda até meu seio e o manteve em sua mão enquanto a outra estava segurando meu quadril, acompanhando os movimentos que eu fazia.
Eu gemia, tombando minha cabeça para trás e cerrando os olhos, me entregando àquelas sensações e aumentando o ritmo do sexo...
Alternei os movimentos de subir e descer e comecei remexer com seu membro dentro de mim e mordi meu lábio porque a sensação era muito boa; o gemido dele saiu um pouco mais alto pela mudança de movimento.
Desci meu tronco e encostei em seu corpo, eu estava ficando um pouco suada pela ação e ele percebeu, mas não pareceu se importar.
Agora, eu mexia apenas a parte do meu quadril, subindo e descendo, resolvi pegar as duas mãos dele e prender uma em cada lado, obstando que ele me tocasse. Eu permanecia no movimento ritmado e colei meus lábios em seu ouvido, sussurrando:
— Spencer, ah... hm... Isso está muito gostoso... Spencer... Você me deixa louca!
Ele cravou suas unhas em minhas costas, gemendo e murmurou, ofegante:
— Se você continuar gemendo meu nome não irei aguentar mais...
Dizendo isso, ele entregou o ouro ao bandido.
Intensifiquei meus movimentos e permaneci prendendo suas mãos, eu também não aguentaria muito mais tempo e, como num golpe fatal, gemi:
— Spencer... ah...
Como numa explosão, ele chegou ao êxtase ao mesmo tempo em que o fiz. Senti que ele me preencheu com seu clímax, me deixando mais úmida do que eu já estava e gemi mais alto quando atingi o meu.
Encaixei minha cabeça entre seu pescoço e seu ombro, ofegante, com aquela sensação maravilhosa de cansaço após atingir o limite da excitação. Soltei suas mãos e ele prontamente me abraçou, nossos suores se misturando.
Retirei seu membro que, devido ao clímax, não estava mais tão enrijecido como no início e caí deitada ao seu lado.
— Alexis... — ele falou com dificuldade — Me desculpe, eu... eu... queria ter durado mais.
Recuperei o oxigênio e me aninhei em seu peito, colocando seu braço por cima de mim, nós dois nus em minha cama após finalmente nos entregarmos um para o outro.
— Foi incrível. É só o que tenho a dizer.
Ele beijou o topo dos meus cabelos.
— Para mim também... Foi inexplicável. E é difícil eu não conseguir explicar alguma coisa.
Spencer me segurava próximo ao seu corpo, mas eu me desfiz de seus braços para procurar nossas roupas intimas. Ficava incomodada em deitar sem roupa por muito tempo e estava cansada, logo eu iria adormecer.
Achei meu sutiã e calcinha jogados no chão e o vesti e depois, entreguei a boxer para Reid.
Depois que colocamos nossas roupas intimas novamente, voltei a me aninhar em seu peito, passando delicadamente minha mão sobre ele; e Reid afagava meus cabelos e, mais uma vez, beijou o topo das minha cabeça.
— Não tenho dúvida. — falou repentinamente.
— Do quê? — eu estava confusa.
— Estou apaixonado por você.
Foi a melhor maneira que caí num sono na minha vida: sendo amada por quem eu amava. De corpo e alma.
Nove horas da manhã, abri meus olhos e percebi que um feixe de sol passava pela janela direto em meu rosto. Olhei para lado, um pouco grogue por ter acabado de acordar e notei que Reid não estava. Eu escutava barulhos na cozinha e levantei metade do corpo, permanecendo sentada na cama, vestindo apenas minha lingerie preta.
Bom, meu irmão estava preso e eu não teria mais que me preocupar, afinal, tem uma grande chance de que as flores envenenadas foram enviadas por ele apesar de ainda não saber o que significava IO.
Passados alguns segundos, Spencer entrou no meu quarto segurando uma bandeja de café da manhã:
— Bom dia, bela adormecida!
Ele colocou a bandeja sobre meu colo e me deu um breve selinho.
— Bom dia. — falei com a voz rouca de sono.
Olhei para a bandeja que tinha chocolate quente, torradas, manteiga e geleia para passar, uvas e uma omelete, um prato e talheres.
— Uau! — exclamei — Vou ficar mal acostumada.
Reid se sentou na beirada da cama ao meu lado, me observando.
Eu peguei uma torrada, passando geleia nela e dei uma mordida.
— Eu já tomei banho, se não se importa. — ele informou.
— Me importo sim... Eu poderia ter o acompanhado. — rebati com um olhar malicioso.
Ele desviou o olhar e mudou de assunto:
— Então, Alexis... Eu queria te apresentar a uma pessoa. — começou ele.
— A quem? — falei com a boca cheia de torrada que eu ainda estava devorando.
— É surpresa... Mas acho que você vai gostar.
Franzi o cenho e parei de prestar a atenção na comida para olha-lo:
— Surpresa?
— É... Termine seu café-da-manhã e se arrume que vamos para o aeroporto.
— Aeroporto? — perguntei, espantada.
— Confie em mim. — ele se inclinou em minha direção e depositou um doce beijo em minha testa.
Continuei comendo minha torrada e observei ele deixar o meu quarto. Quanto mistério, Doutor Reid!
Terminei meu café e fui para o banho. Após, me vesti com uma blusa branca de regata e uma jaqueta de couro por cima, calça jeans e um cinto preto; nos pés, uma botinha sem salto marrom; deixei os cabelos ao natural e coloquei minha bolsa que vai até a cintura pendurada no meu ombro esquerdo.
Saí do quarto e vi Reid sentado no sofá com um dos meus livros de psicologia.
— Vamos?
Ele parou a leitura e me olhou:
— Esses seus livros de psicologia são muito bons!
— Você leu esses dois livros enquanto eu estava me arrumando? — eu franzi o lábio para o lado.
— Sim. — ele respondeu como se fosse a coisa mais comum do mundo.
— Achei que a essa altura do campeonato eu já estivesse acostumada com sua genialidade, mas... — eu dei de ombros — parece que não.
Spencer riu e deixou o livro de lado, levantando-se do sofá e indo em direção à porta. Ele girou a chave e a abriu.
Foi, então, que percebeu algo estranho.
Um bilhete deixado embaixo da porta.
Ele pegou-o e mostrou para mim.
Fiquei atônita, receosa em abri-lo e ler seu conteúdo.
Agarrei o bilhete de sua mão e, antes de lê-lo, falei:
— Não pode ser... Não pode ser...
Reid estava quieto com a expressão aflita.
Tomei coragem e abri o bilhete que dizia em letras digitadas: A terceira, é uma paixão secreta que se tentou esconder com nuvens escuras. Mas não conseguiu.
Engoli em seco, sentindo falta de oxigênio de tanto nervosismo e entreguei o bilhete para que ele lesse. Aquelas palavras não faziam o menor sentido para mim!
Ele estreitou os olhos lendo as palavras e finalmente, disse:
— Essa frase não é de nenhum livro, poema ou música conhecida, provavelmente foi construída pelo stalker.
— Isso não me deixa mais tranquila... — falei, cruzando os braços — Não tem como! Meu irmão está preso! Como posso continuar recebendo essas coisas?
— Só tem uma explicação: não é seu irmão quem está enviando os bilhetes.
— Quem é, então?! — esbravejei, extremamente tensa com a situação.
— Quer que eu convoque a equipe? Podemos fazer uma investigação... — Reid ofereceu com ternura na voz. Ele sabia que eu estava amedrontada com aquilo.
Será que eu não conseguiria ter um dia de paz?
Respirei fundo e me acalmei. Dei dois passos para ficar na frente dele e coloquei minhas mãos em seus ombros.
— Não, eu... Eu quero ir para o aeroporto com você. Quero ficar longe dessa loucura de irmão psicopata e stalker. Com você eu fico mais segura. Está com a sua arma, não está? — indaguei.
Ele apenas mexeu positivamente com a cabeça.
Tirei o bilhete de sua mão e enfiei na minha bolsa com muita raiva.
— Vamos deixar isso para lá e fazer a viagem. Qualquer que seja ela...
Saí do apartamento e dei espaço para que ele fizesse o mesmo, trancando a porta em seguida.
Estava chocada com o fato de que eu tinha um stalker e não fazia ideia de quem poderia ser! Mas me lembro que, quando tive uma breve aula sobre perseguidores, eles tendem a criar relacionamentos com as vítimas baseado em contatos cotidianos e sem importância, mas que em suas mentes doentias, são demonstrações de paixão e afeto. Podia ser o cara atrás de mim na fila do pão! Poderia ser meu porteiro! Meu professor, meu amigo, o carteiro... As possibilidades eram infinitas e isso me deixava louca!
Estávamos indo ao aeroporto, quietos. Não precisávamos de palavras para saber que estávamos preocupados com a mesma coisa.
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