Conflicted - um recomeço

26 Estresse pós-traumático


Notas iniciais
Oi, meus amores! Sei que fiquei quase um ano sem atualizar e longe do Nyah, mas eu tive sérios problemas para me adaptar a este site haha Ano Novo, vida nova, me esforçarei mais para interagir aqui e postar outras histórias também! Espero que gostem, em breve responderei a todos os comentários feitos enquanto estive ausente! Beijos no coree

Naquela manhã de segunda, tudo na UAC parecia normal. Strauss perguntou se Reid e eu estávamos bem e prontos para retornar ao trabalho e falamos que sim. Eu não iria parar a minha vida por causa de uma maluca, sei que tudo o que ela queria era destruir minha vida e ela conseguiu me afetar em partes.

Eu deveria contar à minha mãe sobre a desventura que tive, entretanto, não tive coragem ainda mais depois do que houve com meu irmão. Ela me convidou para passar um tempo com ela em Nova Iorque, espairecer ou terminar o estágio na clínica da sua amiga, mas recusei. Ir para Nova Iorque significava deixar a UAC e, consequentemente, Spencer. Isso é tão irônico... Antes eu não queria nem colocar os pés aqui. Agora, não consigo me ver longe... Aliás, sendo mais específica e honesta comigo mesma, não consigo mais ficar longe dele.

Levei a tese para arrumá-la no estágio, faltava uma semana para a apresentação e eu tinha que entregar o trabalho escrito pronto até amanhã para que fosse entregue à banca. Meus nervos estavam à flor da pele! Nunca senti tanta pressão ao mesmo tempo. Minha vida mudou drasticamente desde que entrei no FBI. Tudo bem que eu sempre tive um irmão psicopata, porém, ele nunca tinha feito nada contra mim diretamente... E essa perseguidora do Reid? Que loucura...

Mudei o fundamento da minha tese sem alterar o assunto principal e a parte que ainda não consegui fazer foi a dedicatória.

Meus pensamentos foram interrompidos por Penelope, sempre agitada:

— Hey, como está?

— Estou bem... Me recuperando aos poucos.

— Eu entendo pelo o que está passando... Eu atirei num cara uma vez. — ela contou como se aquilo fosse a pior coisa que um ser humano pudesse fazer — Mas para salvar Reid, apenas.

— Você está falando sobre eu ter matado Susan? — fiquei confusa — Achei que queria saber sobre a tortura que ela me fez passar...

— Ah sim, isso também foi horrível, mas... matar alguém... bem, não mexeu nenhum pouco com você?

— Honestamente, essa maluca fez tantas coisas terríveis comigo que não consegui ter qualquer resquício de culpa e sei que foi uma morte por legítima defesa. — justifiquei.

— Nossa... Você soa como uma das agentes do FBI que temos aqui! Elas falam exatamente como você, que o unsub que mataram foi menos uma pessoa ruim no mundo. Já pensou em ser profiler, Alexis?

Eu ri com a ideia e disse, gentilmente:

— Não, quer dizer, eu gostei do meu estágio aqui, mas... Não é minha vocação, entende? — eu dei de ombros — E, até que você tem razão, por mais que Susan fosse uma psicopata, eu matei alguém e não quero repetir, e se eu trabalhasse para o FBI, seria inevitável não tirar a vida de outra pessoa de novo, mesmo que fosse para proteger os outros.

— Oh meu deus, Alexis, não quero que se sinta culpada, só fiquei curiosa! — ela se desculpou, temendo que eu interpretasse errado suas colocações.

— Está tudo bem, Penelope. Na verdade, acho que tenho que falar com Strauss sobre isso, ela me deve explicações.

— Strauss? — ela fez uma expressão de espanto — O que ela tem a ver com a história?

— Ela disse no meu primeiro dia de estágio que eu não precisaria pegar em nenhuma arma. Bom... Eu não só peguei em uma, como puxei o gatilho. — expliquei, brincando.

Garcia riu brevemente com meu senso de humor sombrio e JJ nos interrompeu:

— Alexis, Hotchner quer vê-la em sua sala agora.

— Tudo bem. — uni as sobrancelhas, um pouco confusa. O que Aaron poderia querer comigo?

Notei que Reid prestava atenção em JJ falando comigo e me acompanhou com os olhos enquanto eu caminhava até a sala de Hotch.

— Com licença. — falei, entrando e fechando a porta atrás de mim — A agente Jareau disse que você queria me ver.

— Sente-se, por favor. — pediu muito sério. Isso não era nada bom...

Receosa, sentei na cadeira do outro lado da mesa de Hotch e esperei que ele explicasse o que estava acontecendo.

— Srta. Parker, você passou por situações intensas nos últimos tempos e temo que isso possa afetá-la aqui na UAC.

— Agente Hotchner, com todo o respeito, mas eu me sinto bem... Quero dizer, minha mente está bem. Estou me recuperando aos poucos. — repeti o que havia falado à Penelope.

Ele me olhou e estreitou os olhos como se estivesse analisando minha linguagem corporal.

— De qualquer forma, preciso que preencha esse formulário. — ele me entregou um questionário com vinte e uma questões.

Eu o examinei em cima da mesa e entendi do que se tratava.

— O quê? Você acha que estou com estresse pós-traumático?

— Eu não sei, Alexis, por isso te pedi para responder ao formulário.

— Eu faço psicologia, Hotch. Sei que esse questionário é para avaliar se o paciente tem propensão ao EPT. — eu empurrei a folha para a direção dele — Mas a questão é: quais sinais eu dei para você achar que...

Olhei pela janela da sala de Aaron e vi Reid. Mas é claro... Como não percebi antes?

— Reid te contou sobre o pesadelo que tive, não foi?

Aaron ficou surpreso por eu ter percebido o que estava acontecendo e disse:

— Ele está muito preocupado com você. E... você matou alguém. Esses fatores podem ter um efeito devastador numa pessoa comum.

Soltei uma breve risada, incrédula.

— Mas... O pesadelo não quer dizer nada! — desviei o olhar para baixo — E sobre matar... Bem, era legítima defesa! Não é como se eu tivesse matado gratuitamente ou por prazer.

Agora era a hora que podia contar toda a verdade e desmentir o que eu havia dito na noite anterior, mas não consegui. Não poderia falar em voz alta o sonho terrível que minha mente fez questão de criar.

— Como você mesma disse, você faz psicologia e sabe que pesadelos e atitudes extremas são sinais de EPT. Se o questionário der positivo, você vai fazer sessões de terapia comigo.

Engoli em seco e analisei minhas opções. Ou eu contava a verdade ou começava a terapia e escondia comigo toda a insegurança que estava sentindo e como Susan entrou em minha cabeça com aquela conversa de que eu era uma substituta para Maeve.

Cruzei os braços e respondi:

— Não vou fazer esse questionário. — ele me olhou com reprovação — Mas irei aceitar a terapia.

— Ótimo. Vamos para o sofá, por gentileza. — ele apontou para um grande sofá na sua sala que estava ao lado de uma poltrona

Aaron levantou-se e sentou na poltrona com uma prancheta e uma caneta e eu sentei no sofá, as mãos escondidas entre as pernas me sentindo desconfortável com tudo aquilo. Eu não estava com EPT e tinha medo que Hotch percebesse e, em consequência, descobrisse minha mentira. Não a mentira exata, mas que menti sobre o sonho, obviamente.

Agora acomodados, ele pediu:

— Alexis, feche os seus olhos e pense no dia em que foi sequestrada.

Ele iria realizar a entrevista cognitiva em mim. Suspirei e fiz o que ele mandou.

— Agora, me diga: você estava em seu apartamento após a investigação na UAC. Como estava se sentindo?

Com os olhos fechados, respondi:

— Preocupada. Reid ainda não havia chegado.

— Certo. — embora eu não pudesse vê-lo, escutei-o fazendo anotações em sua prancheta — E o que você fez para saber do paradeiro dele?

— Eu deixei a décima mensagem em sua caixa postal.

— E ele respondeu alguma de suas mensagens? — a voz de Hotch era controlada e séria.

— Não. Mas então... Eu ouvi a campainha.

— Quando foi abrir a porta, você olhou no olho mágico para ver quem estaria do outro lado?

— Não. — respondi, apertando os lábios.

— Por que não verificou? — as anotações na prancheta ficavam mais fortes pelos sons que eu ouvia.

— Porque eu estava esperando Spencer, então, só poderia ser ele.

— Ok, você foi até a porta, ansiosa, e quando a abriu... O que viu?

Nesse ponto da entrevista cognitiva, eu me distanciei do tempo presente e viajei até o dia do sequestro. Eu não escutava mais as anotações na prancheta e era como eu estivesse no passado e Aaron me acompanhava pela minha viagem na memória.

— Eu vi uma pessoa toda vestida de preto, não muito alta e... Não era Reid. Senti uma forte picada! Ai! — apertei meus olhos e coloquei minha mão no pescoço na área em que fui picada — E depois... Eu... Eu... Fiquei sonolenta e...

Eu senti que estava me desequilibrando, mesmo estando sentada, e que meu corpo estava caindo para o lado no sofá.

Até que Hotch falou alto, mas sem gritar:

— Alexis, volte!

Antes que meu tronco pudesse atingir o sofá, eu despertei da entrevista, um pouco confusa.

Coloquei a mão na testa e respirei fundo.

— Deu certo? — perguntei.

— É o suficiente por hoje. — ele guardou a prancheta — Amanhã teremos que começar a partir do momento que você acordou em cativeiro.

— Hotch, por que estamos fazendo isso? Achei que a entrevista cognitiva servia para as vítimas revelarem detalhes dos quais não se lembram conscientemente e ajudar vocês a pegar o suspeito, mas, bem... A nossa suspeita está morta.

— A entrevista cognitiva também serve para reviver a experiência traumática, mas, de um modo positivo, fazendo o paciente perceber que o estresse não é real e o perigo também não.

— Hm... Entendo. — me levantei do sofá — Bem, posso ir agora?

— Claro, Srta. Parker. Fique bem.

Eu sorri sem mostrar os dentes e saí da sala.

Como eu fui parar nessa roubada somente mentindo sobre um sonho? Inacreditável! O pior é que se eu continuar na entrevista cognitiva, não irá demorar muito tempo para Hotch notar que o motivo do meu estresse é Maeve.

Por mais que Susan fosse uma desequilibrada, suas palavras ecoam em minha mente e depois que li a carta tudo ficou impregnado em mim. É difícil lidar com o fantasma de um amor perdido que nem teve tempo de começar... É diferente quando você se relaciona e vê a parte boa e ruim da pessoa, mas Reid nunca teve a oportunidade de conhecer os defeitos de Maeve. Em sua memória, ela é uma mulher perfeita, inteligente e a alma gêmea dele, porque ele jamais teve tempo para pensar de outro modo. Então, me digam: como eu posso competir com isso? Com uma mulher — em teoria — perfeita?

Peguei uma garrafa de água e encostei minha cabeça na parede ao lado da pia que tinha na copa do FBI, um lugar onde as pessoas iam tomar café e relaxar. Dei um gole na água e Dave entrou, dirigindo-se à cafeteira.

— Ei, como está? — ele perguntou, despejando o café numa xícara.

— Viva. — bebi mais um pouco da água, direto da garrafa — Melhor do que eu imaginava.

— Não consigo imaginar pelo o que vocês passaram... Você e Reid. — ele, agora, colocava duas colheres de sobremesa de açúcar na xícara e mexia em círculos.

— É... — resolvi mudar de assunto e perguntei: — Rossi, você estava presente no caso da Maeve Donovan, certo?

Ele parou de mexer o café e tomou um gole, me olhando um pouco intrigado.

— Sim, estava. Por quê?

— Como foi o luto de Reid? — me aproximei para que falássemos mais baixo e ninguém ouvisse.

— Hmm... ele ficou duas semanas trancado em seu apartamento... Abraçado num livro.

— A Narrativa de John Smith. — completei.

— Esse mesmo. Ele te contou?

Eu engoli mais um pouco da água e mexi positivamente com a cabeça.

— É, contou... — menti.

— Mas, por que está interessada nisso? — ele bebeu mais um pouco do café na xícara, sem tirar os olhos de mim como se quisesse me pegar desprevenida.

— Nada, é só que... — revirei minha mente para achar uma boa desculpa — Ele falou sobre Maeve, mas nunca me contou o que aconteceu depois que ela morreu. Estava curiosa, só isso. — dei de ombros.

Rossi estreitou os olhos, extremamente desconfiado e pousou a xícara em cima da pia.

— Alexis... O que aconteceu com vocês naquele cativeiro?

Minha expressão ficou sombria e respondi, séria:

— A única coisa que eu achei que não aconteceria: nós mudamos.

Dei o último gole na garrafa de água e joguei-a no lixo, dando às costas a Dave e voltando à minha mesa.

Mas tomei um susto quando cheguei à sala da UAC, pois minha mãe estava parada, ao lado da minha mesa com os braços cruzados, parecendo impaciente.

Fui até ela e disse:

— Mãe? — meu espanto em vê-la era nítido.

Spencer, que estava sentado em sua mesa não muito longe, escutou e prontamente se ergueu, mas sem vir diretamente até nós.

— Filha! Meu deus, como eu estava preocupada com você!

Ela me abraçou forte e não consegui retribuir na mesma intensidade, porque ainda estava atônita com sua presença em Quantico.

Minha mãe se afastou, segurando meus ombros e ela me observou:

— Oh minha filha, você está machucada! Que horrível! A Agente Jareau me explicou tudo o que aconteceu! Por que não me contou nada? — ela mais uma vez me abraçou — Não acredito que você sobreviveu ao seu irmão e essa maluca!

— Mãe... Você está aqui... — ainda não conseguia absorver o que estava acontecendo.

— Sim, eu precisava te ver, já que você não aceitou minha proposta de ir para Nova Iorque, tive que vir pessoalm...

— Nova Iorque?! — Reid se manifestou com as duas mãos no bolso da calça.

Agora estávamos nós três na conversa e eu não sabia direito como agir diante da situação.

— Ãnh, mãe, este é o Dr. Spencer Reid. Doutor, esta é minha mãe, Margareth Parker.

— É um prazer conhecê-la. — ele estendeu a mão para que ela a apertasse num gesto gentil.

Minha mãe fechou a expressão em desprezo e levantou o nariz, sem apertar a mão de Reid que ficou literalmente no vácuo.

— Então é você o responsável por aquela louca ir atrás de minha filha, hein?

— Mãe! — eu a repreendi, arregalando meus olhos.

Spencer ficou sem jeito e recolheu sua mão que estava estendida para seu bolso, permanecendo quieto. Afinal, o que você responderia diante de uma situação dessas?

— A vida da minha filha era tão boa antes de vir pra cá... Este lugar a arruinou! — minha mãe falava com um rancor sem tamanho.

— Mãe, pare com isso! — implorei — Foi ele quem me salvou de Brandon, sabia? Meu irmão, seu filho, poderia ter me matado se não fosse por ele!

— E do que adiantaria ele te salvar só para deixa-la a mercê de uma psicopata depois? Espero que você mude de ideia sobre Nova Iorque e perceba que este lugar não é bom para você.

— Mãe, por favor, vá embora... Já viu que estou bem e, querendo você ou não, aqui é meu ambiente de trabalho.

Ela fez uma expressão de desgosto, mas acabou cedendo:

— Tudo bem, eu vou. Sean está me esperando para almoçar...

— Sean? — falei com indignação — Você só pode estar brincando! Ele me traiu, mãe. Ele não é o anjo que você pensa que ele é.

— Mas com certeza ele nunca colocaria sua vida em perigo. — ela falou com repulsa, desviando o olhar para Reid.

Em passos raivosos, ela saiu da UAC e eu fiquei ali parada, sem acreditar na cena que minha mãe havia feito. Spencer ouvira tudo e eu notei que ele estava chateado.

Virei para ele com os braços cruzados, sem ter coragem de olha-lo nos olhos.

— Reid... Eu nem sei como me desculpar por isso. Sua mãe foi tão amável comigo e a minha... — chacoalhei rapidamente a cabeça — Nem sei como definir.

— O que tem em Nova Iorque? — ele perguntou, parecendo não se importar com o episódio que acabara de acontecer.

— Ah isso... Bem, minha mãe quer que eu vá para lá depois que eu apresentar minha tese, terminar o tempo de estágio na clínica de uma amiga dela. Mas eu recusei, como você pôde perceber.

Ele apenas apertou os lábios em uma linha reta e assentiu, muito pensativo. Eu não estava gostando daquilo.

— Spence, por favor, ignore o que minha mãe falou. — pedi com ternura — Ela só está sobrecarregada com tudo o que está acontecendo, meu irmão, eu sendo sequestrada... É muita coisa e ela só tem a mim agora.

— Ela, claramente, tem preferência pelo Sean.

— Ah meu deus... — eu girei os olhos — Ela somente é cega por ele... como eu era. Quando cair em si, ela vai odia-lo tanto quanto estou agora.

— Eu não quero que ela o odeie. — ele pausou — Só queria que gostasse de mim.

Dizendo isso, ele virou e caminhou em passos lentos a sua mesa.

Tudo estava desmoronando e eu não sabia como fazer as coisas ficarem bem de novo. Eu tenho tanta saudade da época que minha maior preocupação era pensar em como chamar a atenção de Reid... Agora tudo estava tão tenso e complicado.

Quando estamos apenas nós dois, é tudo tão bom, tão perfeito, como se o mundo lá fora não existisse... Mas quando ele existe, se torna destruidor. Sean, Brandon, Susan, Maeve e agora minha mãe... Todos esses parecem desempenhar um único papel de se colocar entre nós. Eu faria de tudo para que não consigam, afinal, Reid e eu já passamos por tanta coisa, por que desistiríamos agora?

Mas, tenho que admitir que estava me exaurindo. Lutar contra a correnteza, por mais que seja necessário para chegar ao paraíso perdido, é cansativo da mesma forma.

Notas finais
A mãe da Alexis estava demorando pra aparecer né? Espero que gostem!