Notas iniciais
Oii, meus amores! Mais um capítulo saindo e neste capítulo veremos como nosso casalzinho está lidando com a distância : Aproveitem a leitura!

Dr. Spencer Reid POV

Sexta-feira na UAC e eu estava com meus cabelos mais embaraçados do que o normal, as olheiras profundas pela noite mal dormida e concentrado nas palavras-cruzadas, acompanhado de um café. Não liguei para Alexis para saber se ela tinha chegado bem em Nova Iorque ou se a viagem tinha sido cansativa e ela, do mesmo modo, não me ligou, ainda que tenha me visto sem ar, desesperado para encontra-la antes de embarcar. Ela, simplesmente, entrou no avião e fez o que havia dito: não olhou para trás. Se aquilo era um fim, não sei, mas é o mais próximo que chegamos de dizer adeus.

— Bom dia, Reid, tudo certo? — perguntou Dave, desviando minha atenção das palavras-cruzadas.

— Bom dia, Rossi. — retornei minha atenção ao livrinho que segurava — Sim... Eu estou aqui fazendo essas palavras-cruzadas enquanto não apresentam o novo caso.

— Então... — ele fez uma longa pausa — Falou com Alexis desde que ela foi para Nova Iorque?

— Não. — respondi monossilábico, demonstrando que eu não queria continuar aquela conversa.

— Por que não? Você tem noção de que ele pode ter ido embora para sempre, não tem? — ele uniu as sobrancelhas, parecendo preocupado.

— Sim, por isso que fui correndo ao aeroporto ontem quando voltamos da Califórnia, ela me viu e não desistiu de subir no avião. — eu respondia sem tirar os olhos do livro e percebi que meu rancor estava refletido em meu timbre de voz.

Dave ficou em silêncio por alguns minutos, tentando assimilar minhas palavras e mudou um pouco o rumo do diálogo:

— Sabe, Alexis me perguntou sobre Maeve um dia. Perguntou sobre seu luto...

— Ela era paranoica com Maeve. — eu o interrompi — Chegou a ler uma de nossas cartas e o pesadelo que ela teve com Susan que me fez presumir ser EPT foi, na realidade, com Maeve... Não me impressiona que ela tenha tentado arrancar informações com você ou qualquer outra pessoa.

— E o que você respondeu quando ela contou dessa paranoia com Maeve? — ele não iria terminar aquela conversa até provar seu ponto, qualquer que fosse ele.

Agora, eu estava irritado e parei de responder às palavras-cruzadas para olha-lo:

Maeve está morta. Foi isso o que respondi. Ela. Está. Morta. — voltei a escrever no livrinho, respondendo aos enigmas — E Alexis estava louca.

Rossi soltou um breve risinho e disse:

— Doutor, você é inteligente para quase tudo, mas quando se trata de relacionamento... — ele riu mais um vez e continuou, agora sério: — Fui casado três vezes, então, tenho total confiança no que irei te dizer agora: a Maeve poderia estar viva, saudável e morando no apartamento ao lado do seu e Alexis não daria a mínima para o relacionamento que tiveram se você a deixasse segura do que vocês têm. Reid, você pode não ter feito nada para deixá-la insegura, mas Susan fez e você não tentou restaurar a segurança... Ou tentou? E responder para uma namorada insegura que ela não precisa se preocupar porque sua ex está morta é praticamente dizer que estaria com ela se estivesse viva.

Estreitei meus olhos, processando as informações de Dave e ele poderia ter razão. Mas aquilo não iria diminuir minha raiva por ela ter me deixado:

— Acho que isso não importa mais... — minha voz era fria e dura — Nada muda o fato de que ela foi embora.

— Bom, se quer encarar dessa maneira, tudo bem. Não irei insistir. — ele se deu por vencido e aconselhou: — Mas, pelo menos, tente se recompor, pentear os cabelos e dormir. Você está péssimo.

Apertei os lábios numa linha e engoli em seco, retornando minha atenção para as palavras-cruzadas.

Nós dois fizemos tantas coisas erradas que era difícil saber quem deveria ir atrás de quem. Ela mentiu e mexeu na parte mais dolorida do meu passado; eu, por outro lado, desconfiei que ela estava grávida de outro homem. Quem teria que ceder numa situação como essa?

Alcancei meu celular e digitei o número dela. Pensei em apaga-lo da agenda várias vezes, mas do que adiantaria se tenho memória fotográfica? Bem, aí está uma desvantagem dela... Lembrar-se do que quer esquecer. Do que precisa esquecer.

Meu dedo pousou levemente sobre o botão de “ligar”, porém, não consegui.

Comecei a pensar comigo mesmo: o motivo que tornou mais difícil superar Maeve foi o fato de que ela foi tirada de mim, ou seja, ela jamais quis partir, queria ficar comigo. Mas no caso de Alexis, ela escolheu ir embora e me deixar. Por que eu deveria sofrer como estava sofrendo? Não consegui dormir mais do que duas horas na noite passada, recordando com cada detalhe todos os meus momentos e de Alexis como se estivesse vendo um filme. Rossi tinha razão, eu estava péssimo. E pelo o quê? Aliás, por quem? Por uma garota que em menos de um mês mexeu comigo de uma maneira que Maeve demorou seis meses para mexer. Mas ela não sabe disso... Talvez Rossi tivesse razão nesse quesito também e eu não deixei Alexis segura o suficiente depois do incidente com Susan.

Meus pensamentos que são tão concentrados e objetivos estavam espalhados e bagunçados... Como minha vida.

Alexis Parker POV

O apartamento da mamãe em Murray Hill era lindo e, por mais que eu já estivesse visitado ali inúmeras vezes, acho que nunca me acostumaria com o luxo de Nova Iorque. Bem localizado na cidade, com recepção, alta segurança e uma arquitetura moderna, três quartos e duas suítes, sendo uma delas minha. Margareth fez um bom negócio por aquele apartamento, vantagens de ser uma corretora de imóveis.

Cheguei da viagem muito cansada, por isso ainda não tinha ido à Clínica Pine River, meu novo local de estágio. Eu estava grudada no meu celular, esperando que Reid ligasse ou mandasse alguma mensagem, mas em vão. Eu também não me atrevia a ligar. Ainda estava muito magoada com tudo embora ele tenha ido ao aeroporto. Oh deus, como cortou meu coração vê-lo sem ar do outro lado do vidro!

Porém, ao mesmo tempo, me lembro que Spencer me magoou muito nos meus últimos dias em Virginia, aqueles me fizeram optar pela mudança. Eu estou muito confusa! Parte de mim quer voltar atrás, pedir desculpas e tentar resolver tudo, mas, outra parte que recomeçar. Eu já estava longe, em outro lugar, outro estágio, minha tese tinha sido aprovada... Ah eu estou tão perto de refazer minha vida longe dessa loucura de FBI, sabe? Será que valeria à pena olhar para trás? Quais as consequências de desistir de Nova Iorque? E... Quais as consequências de continuar aqui?

Na cama, eu rolava de um lado para o outro, enrolando ao máximo para levantar, perdida em minhas dúvidas e sofrimento. Eu chorei durante todo meu voo e quando cheguei, minha mãe achou que eram lágrimas de emoção por estar indo morar com ela... Quanta percepção...

— Alexis, querida, já está na hora de levantar! — minha mãe abriu a porta do quarto e entrou — Não vá passar o dia todo enfiada nessa cama, tente passar na clínica hoje para resolver sua admissão.

— Tudo bem. — respondi com a voz rouca de sono, puxando o cobertor para esconder meu rosto.

Escutei passos de salto alto se aproximando da cama e, em seguida, notei que minha mãe sentou na beirada, retirando o cobertor do meu rosto.

— Filha, está tudo bem?

— Sim, eu... só estou cansada da viagem ainda, é tudo muito recente. — respondi, ainda muito sonolenta.

— Não tem nada a ver com aquele nerd gatinho? O Doutor Red? — ela acariciava minha perna por cima do cobertor.

— É Reid, mãe. — eu ri pelo erro dela, iluminando minha feição ao falar dele.

— Ah então é sobre ele, não é? O que aconteceu em seu último dia em Quantico?

— Bem... — eu levantei meio tronco e encostei minhas costas na cabeceira da cama, para olha-la melhor — Nós estávamos brigando muito ultimamente. Quando achei que estávamos fazendo as pazes, nós encontramos outro motivo para desentendimento... Estava muito difícil, então... Bem, nunca nos despedimos.

— Talvez tenha sido melhor assim. Sei muito bem como você detesta despedidas.

— É, eu sei, mas... — eu tentava procurar as palavras para explicar o que estava sentindo, mas minha mãe entendeu antes que eu pudesse falar.

— Mas você não queria uma despedida. Queria que ele te pedisse para ficar.

— Algo do tipo. — admiti.

Segurei as mãos da minha mãe e olhei-a fixamente:

— Mãe, eu sei que você gosta de Sean e que me relacionamento com Reid foi bastante conturbado, mas eu amo ele... Como eu nunca amei ninguém e... Vai ser muito difícil supera-lo.

Ela, então, levou sua mão até minha bochecha e acariciou-a com a ponta dos dedos:

— Oh minha querida, eu não queria que você estivesse assim... Não posso mentir, vai ser difícil sim. Mas tente pensar por outro lado: você já fez o mais difícil que é ir embora. Está em Nova Iorque agora, meu amor. O tempo que você irá demorar para se reconstruir depende somente de você, eu posso ajuda-la, mas quem tem o poder é você, filha!

— Então, acha que eu devo desistir? — minha pergunta era sincera e tímida, eu definitivamente não sabia o que fazer.

— Desista dele para dar uma chance a você. — ela depositou um carinhoso beijo em minha testa — Tente não ficar em casa o dia todo, ok? Saía para espairecer, faça qualquer coisa, mas não fique alimentando esses pensamentos em sua cabeça, não faz bem. Agora tenho que ir. Qualquer coisa, me ligue!

Apenas assenti com a cabeça e observei minha mãe sair de meu novo quarto muito maior do que o anterior.

Decidi seguir cento por cento dos conselhos de Margareth, então, me levantei, deixei o celular de lado e resolvi colocar uma roupa de ginástica: eu iria correr pela cidade, fazer um exercício e liberar um pouco de endorfina.

Vesti um top preto bem justo, shorts de corrida também preto, nike colorido nos pés e prendi meu ipod nano no braço. Amarrei o cabelo num rabo de cavalo alto e desci empolgada para meu recomeço.

Coloquei a música Breathless da banda The Corrs, porque era uma música coringa: não falava de amor de uma forma deprimente e tinha um ritmo agradável.

Comecei correndo pela calçada em passos ritmados. Eu passava pelas pessoas que estavam atrasadas para o trabalho, as barraquinhas vendendo comida mexicana, as crianças brincando na rua, ciclistas, idosos caminhando na velocidade que sua idade permitia, passava por lojas, confeitarias... O clima estava agrádavel e fresco, o dia nublado, mas sem chance de chuva.

Eu sorria pelas pessoas que eu passava no meu exercício, sentindo-me um pouco melhor de quando eu havia chegado e a música animada ajudava também.

So go on, go on

Come on leave me breathless

Tempt me, tease me,

Until I can't deny this lovin' feeling

Make me long for your kiss

Go on, go on, yeah

Come on

Até que comecei a notar algo interessante: lojas repletas de corações; floriculturas movimentadas; bombonieres enfeitadas com cupidos e balões de corações; restaurantes com placas de “sem reserva”.

Comecei a estranhar a romântica decoração e eu diminuía o ritmo cada vez que encontrava estabelecimentos com enfeites exagerados de corações e cupidos, observando e tentando entender o porquê de tudo aquilo ter tomado conta da cidade.

Percebi, também, que do nada vários casais cruzavam meu caminho, abraçados, de mãos dadas ou trocando beijos e juras de amor nos bancos da calçada... Meu deus, era alguma pegadinha? Onde estava a câmera escondida?

Finalmente, vi um letreiro enorme com letras vermelhas sanando a minha dúvida idiota, dizendo: Tenha um ótimo Dia de São Valentim!

Droga, mil vezes droga! Como eu havia esquecido? O dia dos namorados é daqui a quatro dias! Argh, que ódio! Parecia que a vida estava zombando de mim... Comecei a ficar depressiva com aquela corrida e nem a música me animava mais... Todos aqueles corações, flores, cupidos só me lembravam do terrível término que eu acabara de ter.

Resolvi dar meia volta e ir para minha casa onde eu estaria salva de qualquer decoração amorosa.

Minha primeira tentativa de esquecer Reid falhou desgraçadamente.

O porteiro do prédio ficou me encarando quando voltei, provavelmente me julgando por eu não ter corrido mais do que dez minutos.

Entrei no elevador e apertei no nono andar. Encostei-me na parede, ofegando pela corrida ridícula que acabei de fazer.

Esquecer é tão fácil na teoria... Na prática, complica um pouco.

Dr. Spencer Reid POV

Naquela segunda-feira pós Dia de São Valentim, todos na equipe me tratavam como se eu tivesse perdido alguém na família e nem sequer mencionavam o dia dos namorados na minha frente. Morgan contava para Penelope sobre como tinha sido com Savannah; JJ falava sobre William, mas quando eu aparecia, o assunto se encerrava. Ou eles estavam fazendo de propósito ou realmente acreditavam que eu não estava sacando o que ocorria.

Passei o dia dos namorados lendo qualquer livro que não tivesse uma página sobre amor. Me concentrei em obras de física quântica, matemática, química... Tive azar na última obra, porque teve um capítulo que explicou sobre a ocitocina, mais conhecida como o hormônio do amor.

Alexis não me procurou desde que partiu e eu também não. Agora eu estava assimilando melhor o fato de que tínhamos acabado de verdade; de que ela não apareceria na sua mesa e eu não poderia mais oferecer carona; aceitei que não poderia mais aparecer na sua casa em meio a madrugada para confessar-lhe alguma coisa. Me dei conta que minha vida voltaria a ser como ela era antes.

O engraçado é que, depois que ela foi embora, não senti vontade alguma de reviver minhas cartas com Maeve o que era um hábito antes de conhecê-la quando eu me sentia sozinho. Até guardei o livro de John Smith na prateleira em meio a tantas outras obras literárias como se fosse apenas um livro sem nenhum significado em especial.

Percebi que a equipe se reuniu na sala de conferência, porém, não me chamaram, por isso decidi ir por conta própria.

Quando abri a porta, percebi que eles estavam agitados, mas, subitamente ficaram quietos, inertes e me encarando, como se eu tivesse os flagrado comentendo algum crime.

Notei que todos estavam com uma espécie de trabalho encadernado na mão e Penelope estava em pé segurando uma cópia também.

— Pessoal, o que estão fazendo? — perguntei, unindo as sobrancelhas, confuso.

— Nós estamos lendo uma tese de psicologia. — respondeu Penelope, evasiva e com os olhos arregalados. Alguma coisa estava errada...

— Ótimo, sobre o que fala? — me aproximei da mesa para pegar um exemplar — Quero uma cópia também.

Antes que Emily pudesse evitar — porque percebi que ela mexeu a mão para me impedir — eu peguei sua cópia e engoli em seco quando li o nome na capa: Alexis Parker.

Todos na sala se entreolharam, temendo minha reação.

Garcia se aproximou com passos vagarosos e colocou a mão em meu ombro, consoladora:

— Reid, nós queríamos ver a dedicatória para a UAC, mas não queríamos falar para você sobre ela e...

— Entendo. — eu a interrompi, sendo vago na resposta.

— Ela colocou você na dedicatória também. — Morgan se pronunciou — Já leu o que ela escreveu a seu respeito?

— Não, na apresentação dela só citava meu nome.

Corajosamente, abri o trabalho e na terceira página, eu li: Ao meu falecido pai, que sempre me protegeu; À minha mãe, a quem devo tudo o que sou hoje; Ao meu irmão, o primeiro motivo pelo qual me interessei por psicologia; À equipe da UAC – FBI, que me mostrou o poder da psicologia em deter os monstros reais; e, finalmente, ao Doutor Spencer Reid, que abandonou os seus demônios, apenas para tomar conta dos meus.

Meus olhos ficaram presos à última frase. Estava surpreso com a profundidade de sua dedicatória para mim. Não sabia o que pensar, o que aquilo significava para nossa relação... A única coisa que eu tinha certeza é que ela me imortalizou para sempre em sua vida. Fazer uma dedicatória como essas num trabalho de final de curso é significativo, uma vez que ela poderá se casar com outro — o pensamento fechava minha garganta — e meu nome ainda estará lá, sempre! Acredito que a mensagem que ela quis passar para mim foi que eu sou eterno para ela e não importa qual caminho nossas vidas sigam, sempre teremos nossa história. E mais: sempre teremos nossos demônios que, infelizmente, nos venceram.

Fiquei em silêncio por muito tempo e eu sentia os olhares preocupados da equipe em mim, sempre esperando pela minha reação.

— Reid... — era JJ — Você está bem?

Fechei a expressão em frieza e falei:

— Sim, estou. — larguei o trabalho de Alexis em cima da mesa com desdém — Me avisem quando tivermos um caso para resolver.

A equipe ficou emudecida com minha atitude, porém, não surpresa, eles conheciam meu comportamento quando estava chateado com alguma coisa. Eu me fechava para o mundo e ficava extremamente frio.

Com as mãos no bolso da calça, andei em passos firmes para a copa do FBI, rumo à cafeteria. Precisava de café. Precisava esquecer as palavras de Alexis na dedicatória que, agora, seriam as últimas palavras dela para mim.

Notas finais
Finalmente apareceu a dedicatória... Espero não ter decepcionado vcs com a "revelação" não tão chocante, porém, muito triste pelo momento em que Reid a leu : Deixem suas opiniões, minhas lindas ♥