Notas iniciais
Boa noite, minhas lindas! Esse capítulo tem uma "pegada" diferente dos últimos, mas espero que gostem! Gostaria de avisar que, daqui para frente, a história vai dar uns "pulos" no tempo, mas não se preocupem que eventuais acontecimentos entre um "tempo" e outro serão esclarecidos no decorrer da história hehe Infelizmente com a rotina de volta ao normal, não tenho como postar como antes, mas assim como hoje, farei o possível para atualizar a fic sem demora! Agradeço do fundo do core por cada comentário e favorito, eu não sei explicar o quanto vcs me deixam feliz com as suas palavras lindas ♥ PS: tem uma nova personagem nesse capítulo e nas notas finais tem o link para vcs visualizarem hehe

DOIS MESES DEPOIS

Alexis Parker POV

Passaram-se dois meses desde que saí da UAC e nunca mais tive contato com ninguém da equipe. Inclusive Reid. De vez em quando Morgan e Penelope curtiam alguma foto minha no Instagram, mas a interação não passava disso. Tive a sensação que a falta de contato do resto da equipe era proposital para não lembrar Spencer da minha existência.

Eu realmente estava adorando meu estágio na Clínica Pine River, fiz uma amiga que também está fazendo estágio obrigatório, Natalie Thompson, na mesma área que a minha: nós éramos auxiliares de psicólogos.

Nessa altura do campeonato, eu já havia me acostumado com minha nova vida em Nova Iorque. Claro que eu ainda pensava em Reid, mas aquela frase é verídica: o que os olhos não veem, o coração não sente. A distância me ajudou a esquecer aos poucos, não saber o que ele estava fazendo ajudava no processo e ele também não me procurou mais. Fico me perguntando se alguma vez ele leu a dedicatória que fiz em minha tese...

Bem, eu não estava totalmente recuperada, aliás, acho que jamais conseguiria me recuperar cem por cento da minha história com ele. Foi meu primeiro amor verdadeiro, Spencer Reid era o homem que eu poderia encontrar numa cafeteria daqui a trinta anos e ainda mexeria comigo mesmo que eu já estivesse casada.

Eu tinha olheiras profundas, meus cabelos na maior parte do tempo estavam oleosos e embaraçados, presos num rabo de cavalo mal feito e eu raramente passava maquiagem: quem me olhasse de longe pensaria que não durmo há dias. Fiquei assim por todo esse tempo.

Psicologicamente falando, eu estava no princípio de depressão. Comecei a sentir fortes enjoos e dores no estômago, provenientes da tristeza profunda que senti. É sabido que muitas doenças físicas são causadas pelo psique abatida como a minha estava. Meu sistema imunológico estava um lixo total.

Me recuperei aos poucos da possível depressão, mas as dores persistiam, então, tive que começar a tomar remédios para o estômago. Sou hipocondríaca e acredito que a cura para — quase — tudo está numa cápsula.

Eu não estava feliz, mas agora eu pelo menos conseguia viver sem parecer uma noiva cadáver de tão triste.

Naquela manhã de maio, eu estava ridiculamente atrasada para meu estágio na clínica. Dei apenas uma mordida no meu sanduíche e um gole no suco de laranja para café da manhã, vesti meu jaleco branco com meu nome bordado e corri para a clínica.

Chegando lá, em cima da hora, Natalie estava na recepção me esperando. Natalie tinha os cabelos dourados como o sol que desciam em suaves ondas até seus ombros; os olhos azuis, a pele clara e as feições perfeitamente esculpidas, o nariz fino e arrebitado e os lábios rosados que ela nunca colocava batom, apenas um sutil brilho. Ela era o tipo de garota que não precisava de maquiagem para chamar a atenção e ela sabia disso. Magra e um pouco mais alta do que eu, ela chamava a atenção com seu perfume doce por onde quer que passasse. E o sorriso? Igualmente perfeito. Para completar, era uma ótima estagiária e aluna. Praticamente a garota perfeita se não fosse um probleminha: ela era atirada demais com os homens, por isso, quase nenhum a valorizava. Não que ela se importasse, Natalie só queria se divertir, mas às vezes ela forçava a barra, porque dava em cima até dos médicos e outros homens no ambiente do trabalho. Não que eu pudesse julgá-la, afinal, eu tive um relacionamento com meu antigo colega de trabalho no FBI, entretanto, as circunstâncias foram bem diferentes: eu nunca me joguei para Reid, nossa história simplesmente aconteceu e não foi algo de apenas uma noite como era com Natalie.

Desde que a conhecia, sei que ela ficou com pelo menos dois médicos da clínica e um especialista de Ohio que volta e meia vem analisar alguns pacientes fixos. Obviamente eles também foram imorais, pois Natalie não forçou nenhum deles a ficar com ela... Enfim, por que estou devaneando sobre ela?

— Natalie, o paciente já chegou? O Dr. Caleb já o atendeu? — falei ofegante pela corrida que dei para chegar o mais rápido possível.

— Sim, já chegou, a sessão começou, mas...

Eu a interrompi:

— Tudo bem, me dê o histórico do paciente e eu entro agora.

— Mas o Doutor te dispensou dessa consulta — ela continuou de onde tinha parado a última frase — porque tem um agente do FBI aqui querendo falar com você.

Fiquei ereta e com os olhos arregalados quando ouvi a notícia.

— Agente do FBI? Qual o nome dele?

— Não me lembro, ele mostrou o distintivo e disse que era urgente. Insistiu em ficar te esperando na sala de atendimento número cinco. — ela diminuiu o tom de voz para falar a última coisa — E ele era um gato, viu? Faz meu tipo...

Girei os olhos e soltei um “urgh”. Aquilo era tão típico de Natalie...

Em passos lentos e entrelaçando os dedos um no outro, fui até a sala número cinco, me preparando psicologicamente para ver Spencer, afinal, ele era o único agente do FBI que poderia voar de Virginia até Nova Iorque para falar comigo.

Coloquei a mão na maçaneta da porta e senti que ela estava suada, o nervosismo tomando conta. Meu deus, por que eu me sentia tão nervosa? O estresse era tanto que eu sentia meu corpo todo estremecer e meu estômago começou a se revirar. Ultimamente, minhas emoções estão ampliadas e só poderia ser pela quase depressão que tive.

Depois de alguns segundos, abri a porta com um sorriso, respirei fundo e...

Vi Derek Morgan virando-se para me olhar com a feição preocupada.

Subitamente, o sorriso desapareceu e eu demonstrei desapontamento:

— Derek, é você.

— Uau... Nossa. — ele arqueou as duas sobrancelhas ao mesmo tempo — Você poderia pelo menos ter disfarçado a decepção, Alexis. — ele riu.

Fiquei envergonhada e acabei rindo de nervosismo.

— Me desculpe, eu... Achei que fosse outra pessoa.

— É, eu sei. Como você está?

Eu estava com as mãos nos bolsos do jaleco e dei de ombros:

— Bem. Gosto bastante do meu estágio aqui e Nova Iorque é linda, então... — pausei — E na UAC? Como estão as coisas?

— Nada mudou, as pessoas ruins continuam fazendo coisas ruins e nós as caçamos... Ah mas tem uma novidade... — ele fez uma pausa dramática — Nós te substituímos.

Fiquei em choque com a revelação e senti um frio na barriga semelhante àquele que sentimos quando descemos na montanh-russa. Quem será que era a nova estagiária?

— É mesmo? — fiz cara de espanto e minha voz soou preocupação depois — E quem é a substituta? É bonita, inteligente... simpática?

— É, é sim... — mais uma vez ele demorou para continuar a frase, mas agora ele riu — E é ele.

— Ah claro... Um homem. — eu soltei o ar, extremamente aliviada com a revelação e Morgan tentou disfarçar o riso, porque ele percebeu — Bom, mas você não voou até aqui só para me pregar uma peça, não é?

— Infelizmente, não. — sua expressão se fechou, muito sério — A UAC está precisando da sua ajuda num caso.

— Da minha ajuda?! — indaguei, tão espantada que falei um pouco alto.

— Sim, da sua ajuda... — reafirmou.

— Mas o que eu poderia fazer por vocês que outra pessoa não conseguiria? — franzi o cenho, confusa.

— Bem... Nós estamos com esse caso de um esfaqueador em Quantico matando garotas morenas de alta classe, estudiosas, dedicadas, boas filhas, enfim... Como você. Acreditamos que o unsub está em um surto psicótico, porque as mortes são desorganizadas, então, ele provavelmente já frequentou alguma instituição mental.

— Tá — eu o interrompi — Mas se esse é o caso, vocês poderiam pedir para Penelope verificar no ViCAP os pacientes de instituições mentais por perto.

— Calma, Alexis, eu ainda não terminei. — ele fez um gesto para baixo para que eu me acalmasse — Nós achamos que o unsub é um imitador do seu irmão ou então alguém que ele já teve contato, pois o M.O. e a vitimologia são muito parecidos.

— Já tentaram falar com ele? Meu irmão foi julgado há um mês, pegou prisão perpétua e está na Prisão de Western Virginia. — quando terminei, percebi a idiotice que acabara de falar: é claro que eles tinham feito isso, dã.

— É aí que você entra. — respondeu seriamente como se meu questionamento não tivesse sido imbecil — Eu fui até à prisão para entrevistá-lo, mas ele se recusou a contar qualquer coisa para mim. Ele disse que a única pessoa com que irá falar é você, Alexis. Por isso estou aqui pedindo sua ajuda no caso, seu irmão com certeza sabe quem é o unsub ou, se não souber, tem alguma informação que nos leve até ele. Talvez ele tenha sido um colega de Brandon em Saint Paul ou dividiram o mesmo quarto em algum ponto...

Retorci os lábios, pensativa e falei:

— Não, assim vocês não vão conseguir nada. Brandon foi internado em inúmeras instituições antes de Saint Paul, ele conhece pessoas institucionalizadas no país inteiro, procurar por psicóticos ligados a ele seria como procurar por uma agulha num palheiro.

Morgan se aproximou de mim e pediu:

— Sabemos disso, Alexis, por isso estou aqui pedindo em nome de todos da UAC que vá para Virginia falar com seu irmão. Você o conhece melhor do que ninguém e pode nos indicar a direção certa.

Pensei brevemente com os braços cruzados agora, olhando o chão. Depois, voltei meus olhos para Derek e respondi com firmeza:

— Tudo bem, eu vou.

Derek se desmanchou num sorriso radiante e falou com empolgação:

— Eu sabia que você nos ajudaria, garota! Sempre soube que tinha uma profiler dentro de você! — ele riu e finalizou — Obrigada, Alexis.

Eu sorri de volta e avisei:

— Eu preciso passar em casa para fazer uma pequena mala e podemos ir agora. Há garotas como eu em perigo nesse momento.

Conseguir a dispensa do estágio foi fácil, afinal, eu teria um ofício do FBI informando que precisava de mim. O problema foi lidar com minha mãe que não podia nem ouvir falar em UAC por tudo que aconteceu, muito menos que eu estava indo ajudar, porque meu irmão maluco e preso só revelaria o que sabe para mim. Mas, como minha mãe sempre diz, eu já sou grandinha e posso fazer minhas escolhas mesmo que ela fique de cara emburrada.

Eu estava decidida a ajudar a UAC nesse caso e voltar. O engraçado é que falar com meu irmão não me deixava nervosa ou com frio na barriga, mas a ideia de reencontrar Reid, sim. Dois meses sem notícias e agora eu apareceria onde tudo começou. É uma reviravolta e tanto. Haviam duas possibilidades: ou eu iria sentir tudo novamente ou não iria sentir nada. Comigo e Spencer sempre foi assim: ou oito ou oitenta.

QUANTICO: 5 de maio de 2016 (quinta-feira) — Três horas da tarde

— Pessoal, eu trouxe alguém que pode nos ajudar. — anunciou Morgan na sala de conferência onde todos estavam acomodados e eu dei dois passos, revelando quem era a pessoa.

— Oi, gente. — acenei brevemente.

Para minha decepção — mais uma vez naquele dia — Reid não estava na sala. Presumi que ele estivesse na cafeteria pegando outro copo de café e resolvi não comentar. A qualquer minuto ele iria aparecer e eu deveria estar psicologicamente preparada para isso.

Todos da equipe sorriram e me saudaram, surpresos com minha chegada. Penelope também não estava, porque provavelmente estava em sua sala.

— Alexis, é uma pena nos reencontramos nessas circunstâncias. — Hotch disse, com as mãos no quadril, muito sério — Morgan te deixou por dentro da investigação?

— Ele disse que vocês acham que meu irmão sabe alguma coisa sobre esse caso... E que só irá falar comigo.

— Sim e, antes de falar com ele, você precisa se informar do caso — Hotch prosseguiu — Nos três últimos dias, foram encontradas dois corpos brutalmente esfaqueados em locais próximos. O primeiro corpo foi de Isabelle Norton, 22 anos, estudante na Southside Virginia College, boas notas, boa família... Ela foi atacada na trilha que fazia todo dia quando voltava da sua corrida; sem ferimentos de defesa e sem violência sexual, o que indica que o unsub a surpreendeu por trás com a primeira facada. Ela morreu com aproxidamente trinta e quatro facadas espalhadas pelo tórax e abdômen, em toda a região do tronco, com exceção da única facada nas costas para dominar a vítima, a maioria foi post mortem. Devido à grande quantidade de sangue, o unsub espalhou o sangue das vítima por todo o seu rosto...

— Mas então não teriam impressões digitais dele nas vítimas? — eu o interrompi.

— Achamos uma parcial de impressão digital que não deu resultados. Acreditamos que o unsub tenha raspado suas digitais ou arrancado há algum tempo, pois a ferida não sangrava mais, do contrário, teríamos encontrado outro tipo sanguíneo que não o da vítima. Auto flagelo é outro indício de surto psicótico. — depois de me responder, ele continuou o relato — A segunda vítima Abigail Kol, 20 anos, frequentava a Virginia Wesleyan College, mesmo estilo de vida da vítima anterior: boas amizades, boa família, ótima aluna e com uma rotina sólida. Ela foi encontrada ontem à noite morta no estacionamento do prédio onde tem ioga toda segunda, quarta e sexta. Mesmo M.O., trinta facadas pelo tronco e somente uma nas costas, a maioria post mortem, sem ferimentos de defesa e sem violência sexual, e o sangue da vítima espalhado por todo seu rosto. Pelo curto intervalo entre as mortes, o unsub deve conhecer suas vítimas há bastante tempo, já que não teria tempo hábil para segui-las e conhecer suas rotinas em tão pouco tempo, mas não conseguimos achar um ponto em comum entre as duas ainda. Pelo mesmo motivo e pelo nível de desorganização das mortes, há uma grande chance do unsub estar em surto psicótico projetado nessas garotas e, por isso, é imprevísivel. Ele está numa matança.

— Entendi... — assenti com a cabeça — E como vocês chegaram até meu irmão?

Quem respondeu foi JJ:

— Como o unsub está num surto psicótico, acreditamos que ele sofre de psicose e provavelmente já foi internado. E é raro um unsub psicótico ter exatamente a mesma vitimologia e M.O. de outro psicopata sem ao menos ter tido um contato com ele e escutado sua fantasia. — ela pausou, respirando fundo — Bem, é aí que ligamos o caso ao seu irmão. Nossa teoria é que seu irmão dividiu com alguém os desejos de matar você que ele tinha enquanto estava internado e o unsub se apoderou da história de Brandon e, quando foi solto ou fugiu, reproduziu as fantasias do seu irmão como se fossem dele.

— O seu irmão com certeza deve saber quem é esse esfaqueador. — Prentiss completou — Pelo nível de raiva que esse unsub demonstrou, seu irmão deve ter contado detalhes sobre o ódio que sentia da você de uma maneira que tornou o psicótico obcecado para cumprir o que Brandon tanto desejava.

Eu assenti com a cabeça, demonstrando que estava compreendendo o raciocínio da UAC.

— Alexis — Morgan começou — quando conversar com seu irmão, você precisa saber com quais pacientes das clínicas ele teve mais contato e falou mais sobre você. Não procure por médicos ou visitantes. O nosso unsub teve acesso à toda raiva que Brandon sente de você, não somente à história de vida da sua família que está relatada em arquivos, a ligação entre os dois deve ser forte. Ah também descarte da mesa qualquer paciente que não tiver histórico de esquizofrenia, psicose ou qualquer outro delírio semelhante. — fiquei confusa e ele percebeu, explicando em seguida — Por exemplo, se Brandon informar que era próximo a um paciente com depressão, descarte-o. Estamos procurando por alguém agressivo, paranoico, que vive numa realidade diferente e tem dificuldade para se controlar sem medicação. Você acha que pode fazer isso?

— É, eu posso. — respondi com a voz trêmula — Só espero que meu irmão realmente ajude.

A equipe se entreolhou, esperançosas com a minha ajuda. E eu também estava.

Durante toda a explanação do caso, Spencer não apareceu. Agora eu estava estranhando, mas tinha medo de perguntar o motivo de sua ausência. Decidi deixar para lá e me concentrar no que tinha vindo fazer: falar com meu irmão.

Prisão de Western Virginia

Derek me acompanhou até a prisão. Eu estava nervosa e meu estômago começou a me incomodar novamente. Tive que tomar anti-ácido para conter a irritação. A prisão era um local sombrio e sujo, nunca tinha estado em uma antes. Mas o interior de uma clínica de internação era parecido. Segurança, visitas limitadas, celas ao invés de quartos... Uma internação não deixa de ser uma prisão.

O policial nos conduziu à pequena sala com apenas uma mesa quadrada e duas cadeiras, uma de frente para outra, onde meu irmão estava sentado com aquele uniforme laranja e as mãos algemadas. Respirei fundo antes de entrar e Morgan passou a mão no meu ombro como se quissesse dizer “eu estou aqui”.

Entrei naquele cômodo sinistro e me sentei em frente ao meu irmão que estava com uma barba grande e o rosto cansado. Ele sorriu como um psicopata sorri: como se ele fosse tornar seus piores pesadelos em realidade.

Engoli sentindo minha garganta seca e o estômago revirando, mas não saberia dizer se este último foi pelo nervosismo ou pela irritação que estava tendo pelos últimos dois meses.

— Olá, Brandon. — comecei, quebrando o silêncio infernal naquele cubículo insalubre.

— Olá, irmãzinha! Quanto tempo... — o sorriso nos seus lábios não se desfazia — Não a vi no meu julgamento, achei que tinha me esquecido.

Eu estava tensa, ereta na cadeira e muito séria enquanto Brandon mantinha o ar de diversão.

— Você sabe muito bem que se eu presenciasse o seu julgamento, teria que ser testemunha da acusação. E eu jamais testemunharia contra meu próprio sangue, você sabe disso. — falei categoricamente.

— É... E eu fui condenado à prisão perpétua sem o seu depoimento. — disse, me desafiando.

— Se eu tivesse testemunhado, pode ter certeza que seria pena de morte. — rebati com firmeza — O júri não teria compaixão por um réu que tentou matar sua própria irmã.

Ele torceu os lábios, desatando aquele sorriso irritante e desviando o olhar. Mas, logo em seguida, ele voltou a me olhar de modo ameaçador e perguntou:

— Devo achar que essa visita é apenas saudades ou... — ele pausou, olhando-me com deboche — Resolveu ajudar à UAC?

— O que você sabe, Brandon? — fui direta, queria sair dali o mais rápido possível.

— Depende do que quer saber. — ele inclinou a cabeça para o lado, debochado.

— No tempo em que ficou internado, em todas as clínicas, para quem você contou do seu ódio por mim? — fui direta, queria sair dali logo.

— Uou! — ele espalmou as mãos que estavam algemadas ainda — Essa é uma lista longa... Quanto tempo você tem?

Pacientemente, respirei fundo e decidi ignorar suas provocações. Ele tinha me chamado ali apenas para se deliciar revivendo todo o rancor que tem por mim.

— Estou me referindo a um paciente homem com quem você criou um vínculo e contou em detalhes tudo o que sentia por mim... Esse homem ou amigo que você tinha era extremamente violento e paranoico. Você deve se lembrar de ter contato com alguém assim.

Ele olhou para cima como se tentasse puxar alguma coisa da memória e depois, falou com deboche:

— Hm... É, pode ser... Eu conheço um cara que conhece um cara e...

— Conhece um cara que conhece um cara? — eu o interrompi, irritada — Brandon, não tenho tempo nem paciência para seus joguinhos! Esse cara era alguém bem próximo a você, não tem um intermediário.

— Sabe quem mais era próximo de mim? O pai! — ele mudou de assuntou — Mas ele está morto agora, então... Como está a mamãe? Vendendo muitas coberturas?

Soltei o ar abruptamente, tentando manter a calma. Claro que Brandon não me daria as respostas facilmente, tinha uma razão por ele ter pedido expressamente por mim e ele aproveitaria cada minuto disso.

— Está bem. Eu estou morando com ela em Nova Iorque.

— Você está morando em Nova Iorque? E voou até aqui só para me ver, irmãzinha? — ele riu — Nossa, estou impressionado!

Me inclinei sobre a mesa, diminuindo a distância entre nós e falei:

— Sim e, meu voo de volta sai hoje ainda, então, não desperdice meu tempo. — ele ficou quieto e sério, me encarando e esperando que eu — Anda logo, Brandon: um cara jovem, paranoico com quem você teve uma amizade e contou em detalhes sobre mim.

A expressão dele se fechou em raiva e, de muito malgrado, ele contou:

— Teve esse cara no meu primeiro ano em Saint Paul... — ele fala pausadamente, o que me deixava irritada por estar perdendo tempo — Entre os nossos quartos tinham uma pequena abertura do tamanho de uma moeda que passava o som, apenas. Um dia, coincidentemente, nós nos encostamos próximo ao buraco e eu escutei ele dizendo “Eu vivo num inferno, num inferno... Todas essas coisas... As pessoas... Eu vejo tudo!” e então, eu respondi, “Você acha que vive num inferno, cara? Tente ser criado numa família com a filha perfeita”, ele se espantou quando escutou minha voz e disse “Vo-você é real?”. Acho que o cara era maluco e tinha sérias alucinações, então, eu fiz o que qualquer pessoa entediada faria: me diverti às custas dele. Falei que eu era o Senhor Destino falando diretamente com ele e comecei a contar sobre meninas más que se disfarçavam de boas moças, me inspirando em você, claro... — ele começou a rir porque aquela história era absurda, qualquer pessoa normal desacreditaria — Eu a descrevi para ele e disse que tudo o que ele via é real. Nós nos falamos por cerca de sete ou oito meses e eram em intervalos irregulares, porque ele não estava todo dia naquele quarto. Mas quando estava, eu sabia, porque ele gritava pelo “Senhor Destino”. — ele gargalhou, provavelmente lembrando-se da cena.

Escutei atentamente ao relato. O cara no outro quarto correspondia ao perfil de paranoico.

— Nome, Brandon. Eu preciso de um nome.

— Eu não tenho um. — ele se divertiu falando isso por mostrar que eu estava num beco sem saída — Nunca perguntei, porque eu me identifiquei como o “Senhor Destino” para ele, seria ridículo perguntar o seu nome, já que eu deveria saber.

— Eu realmente espero que não seja uma brincadeira, Brandon. — eu estreitei meus olhos com a feição séria.

Ele se aproximou de mim e pude sentir seu odor carcerário. Era um cheiro de terra molhada insuportável.

— Eu jamais faria isso com você, irmãzinha. — ele sorriu de lado, rindo em seguida.

— Nós acabamos aqui. — eu apertei um botão que soou um “béim”, avisando que a visita havia acabado.

Prontamente, o guarda entrou e eu vi Morgan do outro lado me esperando com ansiedade. Eu fiquei olhando Brandon por alguns minutos, pensando em qual ponto minha família errou para ele ter chegado aonde chegou. Sei que a psicopatologia é, em parte, biológica por problemas no córtex frontal, mas fatores externos também são determinantes dessa condição.

Respirei fundo e saí da sala, me encontrando com Morgan.

— Conseguiu alguma coisa? — ele perguntou.

— Sim, temos algo para rastrear agora. Vamos voltar à UAC.

Saí daquela prisão sem o intuito de retornar. Brandon não havia mudado nada e o cárcere, talvez, tenha o piorado.

UNIDADE DE ANÁLISE COMPORTAMENTAL

Retornando à sala de conferência, Spencer não estava lá. Ok, ele definitivamente não estava na UAC. Mas então, onde estaria? E por que eu estava pensando nisso agora que tenho que contar a todos o que descobri na prisão?

Informei para a equipe o relato do meu irmão e Hotch pediu à Garcia para verificar os registros da Clínica Saint Paul sobre um paciente que ficou no quarto ao lado do meu irmão por sete ou oito meses, porém, não todos os dias e com histórico de alucinação.

Penelope, sabendo da minha presença na UAC, saiu da sua sala com uma folha na mão alguns minutos depois, correndo em direção à sala de conferência, dizendo:

— Ai meu deus, onde está ela? — os olhos dela me procuraram pela sala e quando me encontrou, saiu correndo em minha direção, me abraçando fortemente — Alexis, que saudades! Não acredito que você está aqui!

Fui surpreendida pelo abraço e retribuí segundos depois.

— Oi, Penelope... Também estava com saudades!

Ela se afastou, colocando as mãos nos meus ombros para me observar melhor:

— Mas você está terrível. — ela fez uma careta — Tem dormido direito? Dê um jeito nessas olheiras!

Eu apertei os lábios numa linha e assenti com a cabeça. Os membros da equipe se entreolharam, porque todos eles entendiam o motivo da minha aparência tão descuidada. Obviamente eu ainda estava mal pela separação de Reid.

— Tudo bem, vamos ao que interessa. — Garcia disse, começando a ler a folha que trazia — Eu encontrei um cara chamado Johnny Coppermann de 28 anos que foi internado em 2013 na Clínica Saint Paul por esquizofrenia. Ele trocava de quartos diariamente, porque, quando ficava mais de um dia no mesmo, começava a alucinar sobre anjos e demônios e todas essas loucuras! — Penelope fez um gesto com as mãos na última palavra — Ele passou vários dias alternados nesses oito meses no quarto ao lado de Brandon. E se vocês acham que eu parei por aqui, estão completamente enganados, porque eu fiquei pensando como uma profiler e me perguntei “ok, mas como ele cruzou o caminho das duas vítimas já que ele é doido e elas são normais, certo?” então, fiz uma pesquisa aprofundada e descobri que as duas vítimas se voluntariaram numa seminário de uma semana sobre esquizofrenia em 2011 e o nosso querido Johnny estava lá. Ele foi atendido numa tenda pelas duas vítimas, essa é a ligação. — ela ficou quieta, até que completou: — Ah e para não esquecer, ele se mutilava... especificamente, seus dedos e pulsos.

— Como você não descobriu sobre o seminário antes? — perguntei, curiosa.

— Porque, como elas eram voluntárias, seus nomes não estavam no registro eletrônico do seminário, mas quando eu pesquisei o nome de Johnny, apareceram duas fichas manuais de atendimento assinadas por elas. — esclareceu ela.

— Ele deve ter cismado com as meninas e começou as seguir... — concluiu Prentiss — E por que ele só começou a matar agora se foi liberado em 2013?

— Ele foi liberado da Clínica Saint Paul para ser internado em Jersey, o que ocorreu e ele ficou um ano nessa última instituição. Em novembro 2015, Johnny estava bem controlado e seus medicamentos faziam efeito, então, os pais dele cancelaram a internação e ele voltou para casa, porém... No caminho de volta, a família inteira sofreu um acidente, a mãe morreu na hora, o pai sobreviveu e Johnny ficou em coma por cinco meses até que acordou semana passada e... Ele descobriu que a namorada que tinha antes das internações, ou ex namorada, Jessica Mills de 21 anos, estava com outro cara.

— Nossa, ele é esquizofrênico, perdeu a mãe em um acidente, ficou em coma por cinco meses e, quando acordou, sua namorada estava com outro... — comentou JJ, erguendo as duas sobrancelhas — Alguém quer escolher qual foi o fato estressante para as assassinatos?

— Garcia, passe o endereço do pai de Coppermann e vamos logo! — ordenou Hotch e todos começaram a se mexer para sair da UAC.

— Bem, acho que essa é a minha deixa... Tenho que ir ao aeroporto. — falei e todos me olharam.

— Alexis, em nome de toda a UAC, muito obrigada por ter nos ajudado a solucionar esse caso. Não teríamos conseguido sem você. — Hotch agradeceu com ternura e vi a equipe se iluminando num sorriso quase único.

— Imagine, eu ajudarei sempre que puder. — sorri para todos, sentindo um deja vu por estar numa investigação novamente.

— Hotch, vocês conseguem cuidar disso sem mim? — Morgan perguntou — Queria levar Alexis ao aeroporto.

— Sim, é claro, vocês podem ir e nós vamos à casa de Johnny. Se cuide, Alexis.

Todos da equipe saíram afoitos da sala, afinal, eles não poderiam perder o unsub e correr o risco de mais alguma garota ser assassinada.

Morgan e eu estávamos indo para o elevador, rumo à saída do FBI. Fiquei refletindo se deveria ou não perguntar sobre Reid, ele não era do tipo que pessoa que faltava ao trabalho sem um motivo plausível. Porém, outro pensamento surgiu: talvez aquilo fosse a vida me mostrando que Spencer e eu estávamos definitivamente acabados, afinal, quais as chances de eu ajudar justo na investigação que ele não participou, certo? Não acredito em coincidências, então, se Reid não estava ali e nós não nos encontramos, é porque era para ser assim. Para que perturbar o passado? E, por hoje, eu estava cansada do passado.

Notas finais
Natalie Thompson: http://data.whicdn.com/images/50791017/large.gif EU NÃO SEI VCS MAS NÃO ACREDITO Q LOGO NO DIA Q A ALEXIS VAI À UAC O REID TÁ SUMIDO! PQP HEIN? Mil desculpas pelo sumiço, espero que ainda estejam aí! Deixem suas opiniões, críticas e desabafos, me adicionem tb, eu sou gente boassa e falo pra caramba, bjos no coreee