Conflicted - um recomeço
15 Consciente
Notas iniciais

Quando abri meus olhos, eu estava deitada num local todo branco, mas estava difícil recuperar a consciência total e entender o que tinha acontecido. Tinha uma agulha em meu braço e um soro ao lado da cama. Claro, eu estava no hospital. Aos poucos, fui absorvendo as informações e, quando olhei para o lado, Spencer estava sentado numa poltrona lendo um livro sobre a matemática e física quântica.
Me esforcei ao máximo e tirei todas as forças que eu tinha em mim para chama-lo:
— Doutor... — mas ainda sim a voz saiu baixa.
— Alexis, você acordou! — prontamente ele se levantou e veio até mim.
— Eu acho. Mas não consigo me lembrar de muita coisa. — minhas memórias estavam confusas — O que aconteceu?
— O desgraçado colocou Ruphynol na sua dose de uísque. Você foi dopada.
— Oh meu deus... Ele deve ter feito isso quando me abaixei para pegar a escuta. — concluí, embora meu raciocínio estivesse um pouco lento ainda.
— Tivemos que te trazer ao hospital porque você estava totalmente inconsciente. — ele começou a tagarelar coisas que ele só ele sabia: — Eles queriam te dar uma alta dose de adrenalina para que você acordasse mais rápido, mas eu falei que BZD, ou como é mais conhecido, flumazevil intravenoso, daria resultados mais rápidos e você não teria os efeitos colaterais que a adrenalina poderia causar.
— É claro que você fez isso... — eu dei um breve riso. Isso era tão a cara do Reid...
— Eu pedi para você não se colocar em perigo, Alexis. — ele pegou minha mão que estava estendida ao lado do meu corpo na cama.
— Não achei que eu estivesse... Ele nunca tinha dopado uma vítima até agora. E eu bebi uma dose de uísque. — expliquei.
— Eu sei. O importante é que você está bem. Nem quero imaginar o que poderia ter acontecido se não tivéssemos chegado a tempo. — Reid passou a ponta do seu dedo indicador em volta do meu rosto e depois, colocou a palma de sua mão em minha bochecha, delicadamente, como se eu fosse feita de porcelana.
Só por sentir o toque dele já me sentia melhor. Ele olhava para mim e sorria com os lábios, feliz em me ver acordada. Meu deus, como eu queria ficar com ele! Aquele jeito todo nerd preocupado com aqueles cabelos bagunçados e a arma que ele sempre carrega no quadril... Eu pularia nele ali mesmo se eu não estivesse tão fraca e presa por um soro no braço! Ah eu queria que alguém tivesse filmado a cena de Reid mandando nos médicos e dizendo-os o que fazer... para usar BZD ao invés de adrenalina... Eu consigo imaginar o jeito dele falando isso e começo a rir comigo mesma...
— Doutor, você está decepcionado comigo? — perguntei com a voz trêmula.
— Por que eu estaria, Alexis? — ele parecia confuso.
— Porque eu fui teimosa... — desviei o olhar — Você tinha dito que era uma ideia ruim, mas eu quis continuar...
— É, você é teimosa. — ele ergueu a sobrancelha — Mas é uma das coisas que eu gosto em ti.
Eu sorri. Não tinha como disfarçar a alegria em ouvir aquilo.
— E quais são as outras? — eu não poderia jamais perder aquela brecha para questiona-lo sobre seus sentimentos por mim.
Até que alguém interrompeu nosso diálogo:
— Ela acordou? — Aaron olhou para mim — Alexis, está se sentindo bem? — ele foi entrando no quarto.
— Sim, estou... Só me sinto um pouco fraca.
Aaron notou que Reid estava segurando a minha mão, mas não fez nenhum comentário a respeito. Ufa!
— Posso pedir para prepararem o avião daqui a pouco? Precisamos voltar para Virginia.
— Claro, claro. Quero voltar para casa logo.
— Ok. — Hotchner saiu do quarto.
Reid chamou o doutor para me dar alta e eu precisava trocar de roupa. De certa forma, ele tinha razão. O meu plano poderia ter acabado em tragédia se eles não tivessem me encontrado antes de entrar no carro. Sabe quando você passa por uma situação de perigo, mas só vai se dar conta de quanto perigo correu depois que a situação passa? Então, eu estava me sentindo assim nesse momento. Meu deus! Eu poderia ter sido estuprada e morta. No fim das contas, por mais que eu odiasse admitir — mesmo que apenas para mim — Spencer tinha razão e meu plano foi uma péssima ideia.
No jatinho, voltando para Virginia, tudo estava quieto e escuro, afinal, estávamos viajando de madrugada graças a mim que fiquei inconsciente algumas horas. Todos no avião dormiam e eu estava sentada na última poltrona ao lado da janela. Ao contrário dos outros, eu estava mais acordada do que nunca, devia ser o efeito do BZD que me injetaram no hospital.
Até que senti a presença de alguém ao lado. Spencer havia sentado na poltrona vazia.
— Está se sentindo bem? — ele falou num tom baixo para não acordar os outros.
— Sim. — respondi no mesmo tom — Só estou sem sono... E você?
— Estou pensando.
— Sobre o caso? — franzi o cenho.
— Não, sobre nós. — Reid respondeu enquanto me olhava.
Fiquei atônita com a resposta e o encarei. Nós dois estávamos encostados na poltrona com o rosto virado um para o outro, nos olhando.
Aproximei um pouco o meu rosto do dele e sussurrei:
— O que tem para pensar sobre nós?
Spencer também se aproximou um pouco mais, de modo que nossos narizes já se encostavam.
— Eu estou pensando — ele sussurrava, quase encostando em meus lábios — no quanto eu quero te beijar agora.
Ele desceu o olhar para minha boca e eu olhava a dele.
— Nós não podemos... Não aqui. — murmurei, mas sem me afastar um centímetro.
— Então por que não se afasta um pouco? — ele me provocou.
— Porque eu não quero.
Minha respiração estava descompassada e eu podia sentir a de Reid em minha pele. Estávamos perigosamente perto, bastava inclinar um pouco mais a cabeça para frente e nós iríamos nos beijar. No jatinho. Com a equipe da UAC ali. Fiquei imóvel, apenas esperando uma atitude dele e aquela antecipação estava me matando. Mas, de certa forma, eu temia que se começasse a beija-lo, talvez não conseguisse parar. Passamos tanto tempo juntos sem poder chegar perto um do outro de uma forma romântica que, quando finalmente estamos a sós, eu quero desesperadamente toca-lo.
O beijo era iminente, eu tinha que pensar rápido se iria ou não ceder àquele momento. Pensei na UAC. Pensei em Reid. Pensei em nós. E... infelizmente... pensei em Lila Archer e Maeve Donovan: os dois motivos que me levaram a participar daquela investigação que quase me custou a vida.
Spencer, não vendo nenhum movimento meu, decidiu aproximar-se para, enfim, nossos lábios se chocarem.
Mas eu me afastei o mesmo tanto que ele se aproximou, apenas o suficiente para impedir que nos beijássemos.
— Acho que nós deveríamos dormir. — murmurei, desviando meus olhos de seus lábios e encarando-o.
Notei que ele franziu o cenho, parecendo confuso com minha decisão e um pouco desapontado, como se tivesse feito algo errado.
Decidi apoiar minha cabeça em seu ombro direito e segurei sua mão que estava pousada em sua perna. Ele era um profiler e, obviamente, entendeu o recado: eu não estava o afastando, só não queria nos expor à UAC.
Fechei meus olhos, apoiada em seu ombro e segurando sua mão, e eu podia sentir seu perfume. Meu deus, como ele era cheiroso!
Percebi que Reid mexeu sua cabeça e, em seguida, eu senti: ele beijou o topo dos meus cabelos.
Depois, ele apoiou sua cabeça na minha e apertou minha mão de volta.
Eu simplesmente esqueci o perigo que corri há algumas horas e me senti totalmente completa naquele momento.
Acredito que eu e Spencer caímos num sono assim: juntos.
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