Confissões Do Exílio
2 Castigo
Notas iniciais
"Há riscos na vida os quais valem a pena correr. Eu diria que o risco que eu corri valeu. Mas eu perdi. Joguei as cartas que tinha em mãos e perdi. Perdi para o destino. Perdi. Eu confiei em um palpite que fosse talvez plausível em outra dimensão. Errei. Perdi.”
Disse isso no dia de meu julgamento. Acho que, se vou realmente contar essa história e registrar minha situação, hei de fazer da forma correta. Contarei então os pormenores da forma que puder, sem entrar muito em detalhes pois encontro-me fraco ainda para dar-me a esse luxo.
Era um salão amplo com cheiro de pinheiro. Madeira escura no chão, de um marrom confortante. Cadeiras quase negras, de madeira maciça. Um juiz de rosto carrancudo, pele escura, tez séria e dura. Meu estômago estava apertado, meu coração desparado. Meus olhos lutavam para fixarem-se no chão e não darem a mostra miha fraqueza meu medo.
A voz ecoava pelo salão, vinda de todos os lados, vinda de lugar nenhum. Um grito abstrato. Meus pés insistiam em correr, mas não saiam do lugar. Meu corpo estava rígido em cada músculo que eu podia mexer. Eu tremia de medo. E meus olhos fixos no chão.
O grito de morte preenchia cada canto da sala. A platéia se contorcia ao som. Eu morria a cada instante. O medo me preenchia.
- Parem — Uma voz rouca, forte, insistente se sobrepos ao grito agudo que teve fim instantes depois. — Que comece o julgamento.
Parei em fente ao juiz. Senti minhas pernas fraquejarem. Recobrei os sentidos e mantive-me firme. Era meu último instante de dignidade. Não digo que ouvi perfeitamente o que veio a seguir. Apenas sentia as palavras passano por meus ouvidos, mas não captava seu real significado. Já estava tudo decidido, anteriormente. Meu crime era demasiado grande para ser ignorado. Relaxei. Não havia mais solução. Aguardei a sentença respirando tranquilamente, sem suor escorrendo por meu corpo, sem calafrios, sem tremedeiras, sem medo.
- Que ocorra então o exílio. O sr. Hugh Pomfrey está proibido de pisar nas terras da Terra de Ignia, sob pena de morte caso vá contra a regra. Lembre-se de que ninguém irá aplicar a pena, senhor. A morte lhe encontrará por si só.
Eu já sabia. Mas não pude deixar de chocar-me. Se eu entrasse novamente em minha pátria, meu corpo tornaria-se uma pilha de pó. Eu não existiria mais. Meu espírito vagaria pela terra em busca to perdão eternamente. Tremi; fraquejei. Decidi não voltar mais. O exílio era minha única chance de viver. Mas que vida?
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