Notas iniciais
Qual é não tá tão ruim assim... Vale um comentário kkk. Aproveitem...

Quando as cortinas se fecharam e Jeffrey tinha me beijado, todos da “plateia” disseram Oh!

Eu o empurrei e disse:

― Por que você fez isso?!

― Desculpa... Eu não sei o que deu em mim.

― Eu sabia que não devia ter feito essa peça. ― Estava indo embora quando ele puxou o meu braço e diz:

― Olha, você foi maravilhosa, desculpa pelo beijo.

Puxei meu braço e dei um golpe de Karate nele bem leve (também não queria ser expulsa).

― Eu falei que se tocasse em mim de novo ia se arrepender. ― Falei e fui trocar de roupa.

Tirei toda aquela roupa, tirei a maquiagem, desfiz o penteado, mas deixei os cachinhos e coloquei a camisa da amostra e meus óculos.

A amostra estava muito legal, falei o melhor possível.

O chato, Jeffrey era meu parceiro na apresentação, mas não dirigi uma palavra a ele. Quando estava nas ultimas visitas as professoras de teatro e literatura pedem licença e começam a falar:

― Bom, nós queríamos dizer que todos estão de parabéns, todos fizeram um ótimo trabalho, a peça, o figurino, estava tudo perfeito, o final foi uma surpresa... ― Ela foi interrompida pela turma que começou a gritar.

― Silêncio! ― Ela continuou.

― Todos fizeram um ótimo trabalho, vocês merecem nota máxima. Agora sem mais delongas o vencedor da poesia foi... Agnes Alencar Brito!

― Eu?

― Isso mesmo, você foi muito criativa.

― Obrigada...

― O terceiro lugar foi para Michele e segundo Jeffrey, também amei o seu, muito romântico, na verdade eu mostrei a diretora e ela gostou tanto que decidiu publicar o seu também no jornal da escola.

― Obrigado professora.

Quando tudo tinha acabado e eu estava indo embora, Jeffrey foi até mim e disse:

― Ei você me machucou.

― Me poupe, foi de leve e você mereceu.

― Onde você aprendeu a lutar?

― Meu pai está me ensinando, mas o que te interessa?

― Nada, só perguntei, quando vamos sair?

― Nunca! Eu ganhei, e combinamos que quem ganhasse, ou seja EU, você nunca mais falaria comigo.

― É, mas eu também ganhei.

― Não, eu ganhei, só vão publicar o seu porque gostaram.

― Conta também.

― Não, não conta.

― Tá, mas nós sabemos que eu não vou cumprir isso.

― Ha! Ha! Ha! Você vai sim.

― Você vai me obrigar?

― Vou!

― Tá, sem violência, se você sair comigo nunca mais falo contigo.

― Meu pai não vai deixar...

― Ele deixou.

― Como?

― É, eu fui na sua casa ensaiar uma última vez e você estava dormindo e pedi para sair contigo e ele disse que não tinha problema, você sabia se defender sozinha.

― Por que, pai...?

― Então, vai ou não vai?

― Por que você quer tanto sair comigo?

― Sei lá, gostei de você.

― Você tem certeza que se eu aceitar você nunca mais fala comigo?

― Tenho.

― Tá ― Falei com desânimo.

― A qual é. Se anima, você vai sair comigo, sou lindo, gentil... Modesto.

― Não te perguntei nada, não me interessa, só vou sair contigo para me livrar disso e eu não gosto de você, só para deixar claro.

― Para. Mas você gostou do beijo. Confessa, vai!

― Não, não mesmo você foi da lista do idiota para odeio. Nunca fui tão humilhada.

― Humilhada? Você foi demais, estava linda e beijou o cara mais lindo e popular da escola, todas as garotas matariam pra ter ficado no seu lugar.

― Para início de conversa você me beijou, eu te odeio, e quantas vezes tenho que dizer pare de me comparar com as “outras meninas”.

― Tá, tá... Vou te buscar às 18h hoje!

― Hoje?

― É. Você não quer se livrar de mim logo?

― Quero.

― Então...

― Tá!

― Ok!

― Idiota, mas se me beijar de novo não vou te dar um golpe leve, você vai parar no hospital!

― Ok.

Fui para casa com ódio, meu pai estava na sala lendo jornal, eu entrei e falei com ele:

― Pai, por que o senhor deixou eu sair com aquele idiota?

― Porque ele é um bom rapaz e confio em você, a propósito quero que venha pra casa às 20h.

― Tá, tudo conspira contra mim, até meu pai.

― O quê?!

― Nada! ― Falei indo pro meu quarto.

Eu tomei banho e fui dormir. Tive o mesmo sonho de sempre, mas desta vez vi o rosto da mulher, ela chorava muito, tinha olhos castanhos avermelhados, cabelo castanho, ela dizia:

― Não, minha filha não!!

Eu acordei com uma dor de cabeça tão grande que voltei a dormir.

Acordei de novo e fui tomar banho, escovei os dentes e fui ver minha roupa, mas quando ia me trocar a dona Joana, nossa empregada doméstica foi no meu quarto e disse:

― Agnes!

― Sim Joana.

― Menina não se arrume assim, é um encontro, cadê aquele lindo vestido florido, sapatilha azul, um brinquinho...

― Dona Joana pare, eu sei que a senhora cuida de mim desde que nasci, mas eu não quero ficar bonita.

― Menina, só essa vez, por mim. ― Ela fez a uma cara bem convincente.

–Tudo bem, só desta vez, mas não vou me maquiar.

― Tá bom.

Ela tirou meu prendendo de cabelo e deixou ele solto, coloquei o vestido de saia rodada branco com rosas azuis turquesa, uma sapatilha azul, ela colocou um brinco dourado de laço e uma pulseira dourada com uma pedra.

― Pronto. Você está linda.

― Obrigada...

Desci as escadas, papai ao me ver disse:

― Você está linda, minha filha!

― Obrigado pai.

Então Joana diz:

― Ah, mais uma coisa ― Ela tirou meus óculos.

Quando olho para porta Jeffrey tinha acabado de chegar, ele me olha e sorri de lado (o que ele sempre faz). Meu pai explica o horário para ele me deixar em casa e diz tchau.

― Você está linda.

― Valeu, mas o que vamos fazer agora?-Disse mudando de assunto.

― Vamos a um lugar maravilhoso, é surpresa.

― Odeio surpresa.

― Me diz uma coisa que você não odeia?!

― Ficar no meu quarto.

― Ha! Ha!

― Qual é a graça?

― Nada. ― Diz ele com sarcasmo.

Nós chegamos em um parque cheio de luzes nas árvores, muitas flores lindas, várias barraquinhas de comida com músicos cantando e tocando músicas românticas. Jeffrey me pergunta:

― Gostou?

― É até que é legal...

― Sabia que você ia gostar.

Ele escolheu uma mesa e pedimos uma comida bem caseira, enquanto a comida não vinha ele começou a puxar conversa:

― Então... O que você gosta de fazer?

― Ler.

― Sério? O quê?

― Todo tipo de literatura, o que mais gosto é Percy Jackson.

― Legal, também gosto desse, tenho todos.

― Qual sua cor favorita?

― Azul.

― Também e verde.

― Ok. ― Disse sem graça.

― Música?

― Todos os ritmos.

― Até funk?

― Não! Menos funk.

― Ata.

A comida chega, comemos e quando terminamos ele pagou, neste momento a música que começou a tocar foi “Echo”. Então ele diz:

― Ei, eu amo essa música, vamos dançar?

― Não!

― Por quê?

― Eu não sei dançar.

― Vem eu te mostro. ― Ele me puxou.

― Vamos lá, eu te conduzo.

― Se eu pisar no seu pé é sua culpa.

― Vou correr o risco.

Dançamos. Eu ficava preocupada em pisar no pé dele a dança inteira, mas ele diz:

― Não se preocupe, sinta a música, olhe pra mim.

Eu olhei pra ele e não liguei para os meus pés, nunca tinha reparado, mas ele tinha lindos olhos azuis, Jeffrey diz:

― Você é tão bonita e sem os óculos fica mais ainda.

― Essa música nunca acaba não é?

Ele me beija de novo, eu o empurro, mas ele é mais rápido e me puxa para continuar dançando, tentei o empurrar de novo, mas parece que ele já sabia o que eu faria e me segura pela cintura e diz:

― Não desta vez.

― Para agora!

― Calma, nem terminou a música.

― Não me importa. Me solta agora! ― Disse com raiva.

Ele não me solta de jeito nenhum e continuamos dançando, a música acaba e ele me solta, vou indo na frente e ele pega na minha mão e diz:

― Pra onde você pensa que vai sem mim?

― Vou pra minha casa. E me deixa em paz.

― Por que você é assim?

― Eu? Você que vive fazendo isso, o que eu te fiz?

― Nada.

― Você me beija, faz eu sair contigo e pergunta o que eu tenho?

― Desculpa... ― Diz ele me olhando fixamente.

― Eu já vou, pra mim já chega.

― Espera... ― Ele tenta me segurar, mas eu dou um golpe chamado chave de braço, com um tipo de rasteira muito famosa no Jiu Jitsu a chamada “vassourinha”, ele cai no chão e o deixo lá, fui andando o mais depressa possível, mas ele me alcançou e segurou na minha mão e disse:

― Não adianta tentar, você não vai se livrar de mim tão rápido.

― Afinal, o que você quer?

― Terminar o nosso passeio.

― Não, eu vou pra casa!

― Não. Você me prometeu, vamos a outro lugar agora. ― Diz ele puxando meu braço.

Nós andamos até uma pracinha, tinha uma ponte, ele me levou até a ponte e ficamos parados, eu perguntei logo:

― Eu não vou ficar olhando para o nada.

― Você não percebe? Parece que estamos em um cenário de um filme romântico, as estrelas, a imagem da lua cheia refletida no lago... Lindo.

― Não vejo nada demais. ― Cruzei os braços.

Ele pegou na minha cintura e me puxou contra seu corpo, olhou em meus olhos fixamente, acaricia meu rosto e diz:

― Eu te amo!

Ele me beija delicadamente, me solta, fica me olhando, mas vou andando em direção a minha casa sem palavras e ele me segue.

Notas finais
Amarão? Gostaram? Odiaram? Querem bater na autora? Deixem um comentário.