Confidencial (HIATUS)
6 Capitulo 6 - O Encontro
Notas iniciais
Quando as cortinas se fecharam e Jeffrey tinha me beijado, todos da “plateia” disseram Oh!
Eu o empurrei e disse:
― Por que você fez isso?!
― Desculpa... Eu não sei o que deu em mim.
― Eu sabia que não devia ter feito essa peça. ― Estava indo embora quando ele puxou o meu braço e diz:
― Olha, você foi maravilhosa, desculpa pelo beijo.
Puxei meu braço e dei um golpe de Karate nele bem leve (também não queria ser expulsa).
― Eu falei que se tocasse em mim de novo ia se arrepender. ― Falei e fui trocar de roupa.
Tirei toda aquela roupa, tirei a maquiagem, desfiz o penteado, mas deixei os cachinhos e coloquei a camisa da amostra e meus óculos.
A amostra estava muito legal, falei o melhor possível.
O chato, Jeffrey era meu parceiro na apresentação, mas não dirigi uma palavra a ele. Quando estava nas ultimas visitas as professoras de teatro e literatura pedem licença e começam a falar:
― Bom, nós queríamos dizer que todos estão de parabéns, todos fizeram um ótimo trabalho, a peça, o figurino, estava tudo perfeito, o final foi uma surpresa... ― Ela foi interrompida pela turma que começou a gritar.
― Silêncio! ― Ela continuou.
― Todos fizeram um ótimo trabalho, vocês merecem nota máxima. Agora sem mais delongas o vencedor da poesia foi... Agnes Alencar Brito!
― Eu?
― Isso mesmo, você foi muito criativa.
― Obrigada...
― O terceiro lugar foi para Michele e segundo Jeffrey, também amei o seu, muito romântico, na verdade eu mostrei a diretora e ela gostou tanto que decidiu publicar o seu também no jornal da escola.
― Obrigado professora.
Quando tudo tinha acabado e eu estava indo embora, Jeffrey foi até mim e disse:
― Ei você me machucou.
― Me poupe, foi de leve e você mereceu.
― Onde você aprendeu a lutar?
― Meu pai está me ensinando, mas o que te interessa?
― Nada, só perguntei, quando vamos sair?
― Nunca! Eu ganhei, e combinamos que quem ganhasse, ou seja EU, você nunca mais falaria comigo.
― É, mas eu também ganhei.
― Não, eu ganhei, só vão publicar o seu porque gostaram.
― Conta também.
― Não, não conta.
― Tá, mas nós sabemos que eu não vou cumprir isso.
― Ha! Ha! Ha! Você vai sim.
― Você vai me obrigar?
― Vou!
― Tá, sem violência, se você sair comigo nunca mais falo contigo.
― Meu pai não vai deixar...
― Ele deixou.
― Como?
― É, eu fui na sua casa ensaiar uma última vez e você estava dormindo e pedi para sair contigo e ele disse que não tinha problema, você sabia se defender sozinha.
― Por que, pai...?
― Então, vai ou não vai?
― Por que você quer tanto sair comigo?
― Sei lá, gostei de você.
― Você tem certeza que se eu aceitar você nunca mais fala comigo?
― Tenho.
― Tá ― Falei com desânimo.
― A qual é. Se anima, você vai sair comigo, sou lindo, gentil... Modesto.
― Não te perguntei nada, não me interessa, só vou sair contigo para me livrar disso e eu não gosto de você, só para deixar claro.
― Para. Mas você gostou do beijo. Confessa, vai!
― Não, não mesmo você foi da lista do idiota para odeio. Nunca fui tão humilhada.
― Humilhada? Você foi demais, estava linda e beijou o cara mais lindo e popular da escola, todas as garotas matariam pra ter ficado no seu lugar.
― Para início de conversa você me beijou, eu te odeio, e quantas vezes tenho que dizer pare de me comparar com as “outras meninas”.
― Tá, tá... Vou te buscar às 18h hoje!
― Hoje?
― É. Você não quer se livrar de mim logo?
― Quero.
― Então...
― Tá!
― Ok!
― Idiota, mas se me beijar de novo não vou te dar um golpe leve, você vai parar no hospital!
― Ok.
Fui para casa com ódio, meu pai estava na sala lendo jornal, eu entrei e falei com ele:
― Pai, por que o senhor deixou eu sair com aquele idiota?
― Porque ele é um bom rapaz e confio em você, a propósito quero que venha pra casa às 20h.
― Tá, tudo conspira contra mim, até meu pai.
― O quê?!
― Nada! ― Falei indo pro meu quarto.
Eu tomei banho e fui dormir. Tive o mesmo sonho de sempre, mas desta vez vi o rosto da mulher, ela chorava muito, tinha olhos castanhos avermelhados, cabelo castanho, ela dizia:
― Não, minha filha não!!
Eu acordei com uma dor de cabeça tão grande que voltei a dormir.
Acordei de novo e fui tomar banho, escovei os dentes e fui ver minha roupa, mas quando ia me trocar a dona Joana, nossa empregada doméstica foi no meu quarto e disse:
― Agnes!
― Sim Joana.
― Menina não se arrume assim, é um encontro, cadê aquele lindo vestido florido, sapatilha azul, um brinquinho...
― Dona Joana pare, eu sei que a senhora cuida de mim desde que nasci, mas eu não quero ficar bonita.
― Menina, só essa vez, por mim. ― Ela fez a uma cara bem convincente.
–Tudo bem, só desta vez, mas não vou me maquiar.
― Tá bom.
Ela tirou meu prendendo de cabelo e deixou ele solto, coloquei o vestido de saia rodada branco com rosas azuis turquesa, uma sapatilha azul, ela colocou um brinco dourado de laço e uma pulseira dourada com uma pedra.
― Pronto. Você está linda.
― Obrigada...
Desci as escadas, papai ao me ver disse:
― Você está linda, minha filha!
― Obrigado pai.
Então Joana diz:
― Ah, mais uma coisa ― Ela tirou meus óculos.
Quando olho para porta Jeffrey tinha acabado de chegar, ele me olha e sorri de lado (o que ele sempre faz). Meu pai explica o horário para ele me deixar em casa e diz tchau.
― Você está linda.
― Valeu, mas o que vamos fazer agora?-Disse mudando de assunto.
― Vamos a um lugar maravilhoso, é surpresa.
― Odeio surpresa.
― Me diz uma coisa que você não odeia?!
― Ficar no meu quarto.
― Ha! Ha!
― Qual é a graça?
― Nada. ― Diz ele com sarcasmo.
Nós chegamos em um parque cheio de luzes nas árvores, muitas flores lindas, várias barraquinhas de comida com músicos cantando e tocando músicas românticas. Jeffrey me pergunta:
― Gostou?
― É até que é legal...
― Sabia que você ia gostar.
Ele escolheu uma mesa e pedimos uma comida bem caseira, enquanto a comida não vinha ele começou a puxar conversa:
― Então... O que você gosta de fazer?
― Ler.
― Sério? O quê?
― Todo tipo de literatura, o que mais gosto é Percy Jackson.
― Legal, também gosto desse, tenho todos.
― Qual sua cor favorita?
― Azul.
― Também e verde.
― Ok. ― Disse sem graça.
― Música?
― Todos os ritmos.
― Até funk?
― Não! Menos funk.
― Ata.
A comida chega, comemos e quando terminamos ele pagou, neste momento a música que começou a tocar foi “Echo”. Então ele diz:
― Ei, eu amo essa música, vamos dançar?
― Não!
― Por quê?
― Eu não sei dançar.
― Vem eu te mostro. ― Ele me puxou.
― Vamos lá, eu te conduzo.
― Se eu pisar no seu pé é sua culpa.
― Vou correr o risco.
Dançamos. Eu ficava preocupada em pisar no pé dele a dança inteira, mas ele diz:
― Não se preocupe, sinta a música, olhe pra mim.
Eu olhei pra ele e não liguei para os meus pés, nunca tinha reparado, mas ele tinha lindos olhos azuis, Jeffrey diz:
― Você é tão bonita e sem os óculos fica mais ainda.
― Essa música nunca acaba não é?
Ele me beija de novo, eu o empurro, mas ele é mais rápido e me puxa para continuar dançando, tentei o empurrar de novo, mas parece que ele já sabia o que eu faria e me segura pela cintura e diz:
― Não desta vez.
― Para agora!
― Calma, nem terminou a música.
― Não me importa. Me solta agora! ― Disse com raiva.
Ele não me solta de jeito nenhum e continuamos dançando, a música acaba e ele me solta, vou indo na frente e ele pega na minha mão e diz:
― Pra onde você pensa que vai sem mim?
― Vou pra minha casa. E me deixa em paz.
― Por que você é assim?
― Eu? Você que vive fazendo isso, o que eu te fiz?
― Nada.
― Você me beija, faz eu sair contigo e pergunta o que eu tenho?
― Desculpa... ― Diz ele me olhando fixamente.
― Eu já vou, pra mim já chega.
― Espera... ― Ele tenta me segurar, mas eu dou um golpe chamado chave de braço, com um tipo de rasteira muito famosa no Jiu Jitsu a chamada “vassourinha”, ele cai no chão e o deixo lá, fui andando o mais depressa possível, mas ele me alcançou e segurou na minha mão e disse:
― Não adianta tentar, você não vai se livrar de mim tão rápido.
― Afinal, o que você quer?
― Terminar o nosso passeio.
― Não, eu vou pra casa!
― Não. Você me prometeu, vamos a outro lugar agora. ― Diz ele puxando meu braço.
Nós andamos até uma pracinha, tinha uma ponte, ele me levou até a ponte e ficamos parados, eu perguntei logo:
― Eu não vou ficar olhando para o nada.
― Você não percebe? Parece que estamos em um cenário de um filme romântico, as estrelas, a imagem da lua cheia refletida no lago... Lindo.
― Não vejo nada demais. ― Cruzei os braços.
Ele pegou na minha cintura e me puxou contra seu corpo, olhou em meus olhos fixamente, acaricia meu rosto e diz:
― Eu te amo!
Ele me beija delicadamente, me solta, fica me olhando, mas vou andando em direção a minha casa sem palavras e ele me segue.
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