Confidencial (HIATUS)
7 capítulo 7- O Acampamento.
Notas iniciais
Próximo a minha casa Jeffrey me pergunta:
― Agnes?
― Hum?
― Você está bem?
― Sim.
― Você não disse uma palavra desde que saímos da praça.
― Não, tudo bem.
― Mesmo?
― Sim.
― Posso te fazer uma pergunta?
― Faz. ― Disse.
― Você gosta de mim?
Nesse exato momento chegamos a minha casa, eu vou batendo na porta, meu pai abre e não falo mais nada. Meu pai fala pra ele:
― Boa noite Jeffrey!
― Boa noite senhor! ― E foi embora.
Meu pai me perguntou como foi, mas eu fecho a porta do meu quarto e vou dormir.
De manhã estou com dor de cabeça por causa do pesadelo de sempre, mas vou me arrumar, tomo café e um dorflex. Papai me deixa na escola.
Ao chegar vejo Jeffrey de longe com os meninos da sala, coloco o capuz do meu casaco e fui andando, ele não me viu, na sala sentei mais no fundão possível, no lanche fui para a biblioteca, fiquei um bom tempo lá, fui a primeira a entrar na sala e me escondi, no final da aula fui andando mais rápido possível para sair sem ele me ver, cheguei em casa.
Abri a porta e meu pai estava na sala conversando com Jeffrey, eu não sei o que ele estava fazendo lá, tomei o maior susto da minha vida, esse menino foi criado por ninjas? Todo lugar que eu vou ele está. Meu pai está com um folheto na mão e ele diz:
― Agnes! Estávamos falando de você neste exato momento.
― Nossa...
― Agnes, eu vim mostrar para o seu pai um folheto de um acampamento muito bom que treina artes marciais, são 25 dias de treinamento intensivo!
― É, mas e as aulas?
― Damos um jeito! ― Disse meu pai
― O senhor quer que eu vá?
― Sim! E Jeffrey também vai.
― Me diga uma novidade...
― Você vai e pronto, amanhã faço sua inscrição.
― Beleza... ― Digo sem ânimo.
― Ok, senhor eu já vou indo, tenho aula de piano. ― Disse Jeffrey.
― Bom. Muito obrigado por tudo meu jovem.
― De nada. ― Disse Jeffrey caminhando na direção da porta.
― Agnes leve ele até a porta!
― Tá!
Levei-o até a porta e perguntei:
― Você faz aula de piano?
― Sim, por quê?
― Porque eu amo piano.
― Humm... Sério?
― É, mas tchau.
― Ei espera...
― Fala.
― Não vejo a hora de ir nesse acampamento. ― Ele dá o seu sorriso de lado.
― Pois eu não, e você disse que não iria mais me falar comigo.
― Tá, tchau Agnes! ― Ele sai rindo.
Esse menino é uma pedra no meu sapato, primeiro me beija, segundo me chama pra sair, terceiro diz que me ama e agora isso, me poupe, ele é pior que chiclete, mas tem algo nele que me deixa feliz.
No dia seguinte, meu pai me deixou na escola e foi fazer a minha inscrição no acampamento, fui para sala e ouvi Jeffrey e seus amigos conversando e um deles disse:
― Você está namorando a Agnes?
― Não cara, mas não por muito tempo, ela não vai resistir a mim por muito tempo. ― Disse ele sorrindo de lado (pra variar).
Eu passei e ele me viu, provavelmente ele percebeu que eu tinha escutado a conversa e veio até a mim e disse:
― O que foi?
― Nada!
― O que você tem?
― Eu já disse que nada!
― Me fala. ― Disse ele me cutucando.
― Eu já falei pra você ficar longe de mim!
― Calma...
― E a propósito eu consigo sim resistir a VOCÊ!
― Será mesmo?
― Sim e digo com muita propriedade.
― Humm! Usando uma palavra difícil, também sei jogar esse jogo.
― Tá agora me deixa em paz!
― Claro amor...
― Seu idiota.
Na hora do lanche uma das meninas do grupo das que usam muita maquiagem a Estela (ex-namorada do Jeffrey) foi falar comigo:
― Ei garota quem você pensa que é?
― O quê?
― Não se faça de desentendida.
― Olha eu não faço ideia do que você está falando.
― Você acha que pode roubar o namorado dos outros e ficar por isso mesmo é?
― Eu não roubei ninguém, não sei nem o que você está dizendo, passar bem... ― Nessa hora ela me empurra e continua a falar.
― Você não vai se safar dessa quatro olhos!
― Você não me empurrou...
― Empurrei! ― Ela me empurra de novo.
Quando eu ia batendo nela Jeffrey chega e me puxa, ela fica com mais raiva ainda e diz que vai me matar.
― Você não vai matar ninguém Estela, eu já disse que nosso namoro acabou. Você ainda não entendeu?! ― Ele diz com raiva.
Eu puxo meu braço e vou embora, ela me alcança e joga refrigerante em mim. Eu com ódio grito:
― Já chega! ― Vou na direção dela e dou um golpe de Jiu Jitsu chamado triângulo e depois uma chave americana, quando penso que vou quebrar o braço dela, Jeffrey me leva para longe e diz:
― Você está louca?!
― Me deixa ou vai ser o próximo!
― Eu não tenho medo de você.
― Não te perguntei nada.
― Para de ser grossa.
― Eu sou o que eu quiser!
― Vem aqui! ― Ele me puxa para o corredor.
Jeffrey me leva para a sala de música e se senta no piano e toca a música Holding On And Letting Go. Eu senti tudo, raiva dele, amor e vontade de sair correndo.
― Você gostou?
― Eu não gostei...
― Sério?!
― Eu amei.
― Nossa... Sério que eu fiz alguma coisa que Agnes Alencar Brito gostou?
― Pois é.
― E ai, tá mais calma?
― Sim.
― E você vai para o acampamento?
― Sim, é quando?
― Amanhã.
― Legal.
― Sobre o que te perguntei. O que você me diz?
― Sobre?
― Se você gosta de mim?
― Sim.
― Sério?
― Só um pouco.
― Isso por causa do piano não é?
― Sim, eu AMO piano.
― Mas você gosta de mim como?
― Meu amigo.
― Tá, já é um começo.
― É melhor irmos para sala agora.
― É. ― Ele sorri e vamos para a sala.
Depois da aula vou para casa, e arrumo minhas coisas para o acampamento, eu confesso, estava ansiosa e aflita. De noite não consegui dormir, só dei uma soneca.
De manhã tomei um café reforçado com frutas. O ônibus do acampamento estaria nos esperando às 08h até 09h, e partiria sem ligar para quem ficasse pra trás. Meu pai me deixou cedo, ele me abraçou e disse:
― Te amo querida, boa sorte e tome cuidado, tchau minha princesa! ― Ele foi embora.
Alguns minutos depois o Jeffrey chega, seus pais se despedem e vão embora, ele vai até mim e diz:
― Bom dia!
― Bom dia!
― Tá ansiosa?
― Estou muito, nem consegui dormir.
― Nem eu. ― Diz Jeffrey
Neste momento o ônibus chega e vamos logo entrando. É um ônibus militar com muitas cadeiras de cor marrom, fui para a janela e Jeffrey sentou ao meu lado. Durante o percurso acabei dormindo e tive de novo o mesmo sonho, mas desta vez eu vi bem o rosto da mulher. Ela era minha cópia, eu acho que era eu, não sei bem, mas eu carregava uma criança e estava de mãos dadas com um homem que não vi o rosto, corríamos de alguém, um homem com roupa de policial atirava em mim, Ru gritava e chorava, mas neste momento acordo desesperada, eu estava dormindo com a cabeça encostada no ombro do Jeffrey e ele me abraçava, ele assustado pergunta:
― O que foi?
― Nada.
― Como nada? Tem lagrimas nos seus olhos!
― É... ― Eu ia falar, mas ele enxuga meu rosto e continua.
― Não gosto de ver você chorar.
― Obrigado...- Disse envergonhada.
Depois disto não dormi mais, fiquei conversando com Jeffrey sobre música, livros e ele me perguntou por que eu era tão tímida:
― Bom, eu não sou de me dar com ninguém, não sou boa com amizades.
― E por que você parece que tem medo de mim?
― Porque não quero ser mais uma menina que você encanta e depois parte o coração.
― Nossa que profundo.
― Por que você faz isso?
― Isso o quê?
― Fica dando uma de “garoto que todas querem”?
― Eu não faço isso, eu sou assim, eu sou lindo o que posso fazer?
― Tá vendo, é isso que me deixa com raiva, você é muito prepotente.
― Eu não... ― Neste momento nós chegamos.
Saímos do ônibus e fomos pegar nossas coisas.
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