Confidencial (HIATUS)
3 Capitulo 3 - Na Casa de Jeffrey
Notas iniciais
Quando acabou aula eu fui para casa, falei ao meu pai que na quarta-feira iria fazer um trabalho na casa de Jeffrey, ele não falou nada, eu achei que faria um interrogatório como os pais normais fazem, mas meu pai só falou:
― Tudo bem, mande lembranças aos pais deles.
A quarta-feira chega, quando cheguei à escola e fui para a classe, Jeffrey vai ao meu encontro e diz:
― Não esqueça que temos que ver nosso trabalho! ― Diz ele piscando.
― Ok. Não vou esquecer. ― Digo não muito empolgada.
Depois da aula fui direto pra casa, almocei e tomei banho, pesquisei alguns poemas e fui dormir um pouco, quando estava dormindo tive um sonho estranho, tinha tiros, um grito e choro de bebê, acordei desesperada quando ouvi um tiro e uma mulher gritando. Quando acordei era 14h35min fui tomar banho e, escovei os dentes e fui trocar de roupa, vesti uma calça e uma camiseta, fiz um coque.
Fui quase correndo para a casa de Jeffrey, quando cheguei, uma senhora muito educada e elegante abriu a porta, ela disse:
― Boa tarde, eu sou a Katherine Stony, Jeffrey disse que você viria. ― Fiquei com vergonha, mas respondi:
― Obrigada, meu pai o Major Marcelo Brito pediu para lhe mandar lembranças. ― Falei corajosa
― Bom, dê lembranças a ele também. Agora vou levar você até Jeffrey. ― Disse ela me conduzindo.
Era uma casa bem grande e com estilo daquelas casas americanas de filmes, os pais de Jeffrey eram médicos, vieram de Nova York há pouco tempo.
A senhora Stony me levou até uma biblioteca enorme onde estava Jeffrey com uma bermuda quadriculada. Ele me olha e dá um sorriso de lado.
― Vou deixar vocês fazerem este trabalho em paz. ― Diz a senhora fechando a porta.
― Que bom que você veio!
― Pois é... ― Disse eu sem graça.
― Bom... Então vamos começar logo. ― Diz ele com um dos livros na mão.
― Eu estava pesquisando neste livro e adorei este, vou ler. ― Disse ele
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama.
Mas que seja infinito enquanto dure.
― Este é do Vinicius de Moraes “Soneto da Fidelidade”. ― Disse ele dando aquele sorriso sonhador. ― E o que você acha?
― Legal, mas que tal o “Tédio” de Olavo Bilac? Ou “Minha desgraça” de Álvaro de Azevedo, talvez “Cárcere das almas” Cruz e Souza? ― Disse pensativa.
― Poxa você é bem negativa! Conheço estes e não são tão emocionantes... ― Disse ele.
― Eu não sou negativa, eu só não gosto desses poemas, eu não gosto de histórias de amor, nem leio livros melosos.
― É percebi, mas por quê?
― Porque não! ― Falei com raiva.
― Talvez porque você deve ter tido um namoro ruim... ― Disse ele sorrindo e me cutucando.
― Olha, eu nunca tive um namorado, e nem pretendo, e você... Desculpe-me, mas eu não gosto desse tipo de conversa. ― Disse quase saindo correndo.
― Desculpa! ― Disse ele com um sorriso.
― Tudo bem, pode ser este sim, “Soneto da fidelidade”, e por favor não faça isso de novo, senão...
― Valeu, mas senão o que?
― Vou arrancar seus dedos.
― Ha! Ha! Você tem senso de humor. ― Disse ele.
― Então, vai ser o soneto? ― Disse mudando de assunto.
― Sim.
― Hã... Então...
― Vamos fazer nossos poemas para o concurso.
― Sim, ok. ― Continuei. ― Já que decidimos podemos continuar outro dia.
― Sim, na sua casa, pode ser sexta-feira neste mesmo horário? ― Disse ele pegando papel e caneta.
― Acho que pode... ― Peguei o papel e a caneta e escrevi meu endereço.
― Ok. ― Disse ele sorrindo. ― Olha... Você é bem legal, só um pouco negativa.
― E você é um chato. ― Falei indo embora.
― Não é isso que as outras garotas acham... ― Falou tentando me provocar.
― É, mas eu não sou as outras garotas! ― Disse com um espírito competitivo.
― Nossa... ― Disse ele rindo e surpreso com minha resposta. ― Tchau!
Sai sem falar mais nada, ao chegar em casa, fui dormi.
Tive o mesmo sonho estranho, uma mulher com um tiro na testa e choros de bebê.
Acordei e já era de manhã.
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