Confidencial (HIATUS)
4 Capitulo 4 - Jeffrey...
Notas iniciais
Na escola, a professora de teatro fala sobre a peça e diz:
― Eu sou a professora Manoela de teatro, creio eu que a professora Marta já falou sobre a peça para vocês, então... Teve uma mudança de planos e agora, eu já escrevi a peça, vai ser uma história de amor baseada no poema de Cecília Meireles “Tudo é uma questão de olhar”. E já escolhi quem vão ser os personagens. ― Ótimo mais amor. Ela continuou:
― Os personagens principais são Agnes Alencar Brito como Lady Clarisse e Jeffrey Stony é Lorde Lincoln ll...
― Eu o que? ― Digo.
― Você vai ser a Lady Clarisse Petrova.
― Ok. Eu entendi, mas eu não quero fazer esse papel, eu não vou nem conseguir abrir a boca na hora da apresentação! ― Disse quase tendo um ataque cardíaco.
― Trataremos isso mais tarde, se não gostou do papel fique com nota 0,0 de participação... Assim está bom para você Agnes? ― Disse ela me olhando fixamente. Antes de responder Jeffrey interrompe e diz:
― Ela vai fazer sim professora, eu ajudo no medo de palco.
― Tudo bem, então cuide disso senhor Stony. ― Disse a professora Manoela nos entregando o roteiro.
Com raiva pergunto a Jeffrey.
― O que você pensa que está fazendo?
― Nada, só queria ajudar!
― Pois não ajudou.
― Ajudei sim, você deveria me agradecer.
― Agradecer o que? Você acha que sabe de tudo? Mas eu tenho uma novidade pra você. Você não sabe! Só por que estamos na mesma equipe de trabalho você pensa que somos amigos, ou que vou fazer o que você quer? Está muito enganado.
― Nossa... Calma, desculpa, já vi que não posso ser simpático contigo.
― É não pode, passar bem.
Quando sai de perto dele ouvi umas meninas falando:
― Ai credo que grossa! Se eu estivesse no lugar dela faria diferente.
Pouco me importa o que elas pensam de mim, só me importa o que eu penso de mim.
Eu dei uma lida no roteiro e é uma peça sobre um Lorde chamado Reginaldo Lincoln ll que iria se casar com a Baronesa Maria de Caprio, mas descobre que fica apaixonado pela bela jovem Lady Clarisse Petrova, e no final ele recita o poema “Amor é fogo que arde sem se ver” de Luís de Camões para a Lady, que a propósito, sou eu.
A sexta-feira chega e tive que arrumar bem a casa, porque Jeffrey viria para fazer o trabalho, tudo estava no seu devido lugar. Fui tomar banho, pois estava suada, me vesti e desci, fiquei esperando.
Quando finalmente toca a campainha, meu pai não estava, ia chegar mais tarde, que dia péssimo para ele ficar até tarde no trabalho.
Jeffrey se senta e diz:
― Que casa bonita!
― Obrigada...
― Então... Cadê seu pai?
― Está no trabalho.
― Ok.
― Então, vamos ver o trabalho do poema?
― Sobre isso... Eu já fiz o trabalho.
― Como assim você já fez?
― Bom, eu fiz tudo e não se preocupe coloquei seu nome.
― O quê?
― Relaxa, assim sobra mais tempo para ensaiar as falas da peça. ― Ele diz com um sorriso de lado.
― Não!
― Por quê? Vamos ter que ensaiar na escola mesmo!
― Mas eu não vou fazer.
― Como assim? ― Ele diz quase pulando do sofá.
― Eu já disse que não e não.
― Mas você vai.
― Não eu não vou. Você não pode me obrigar.
― Eu sei disso, mas eu disse para a professora que você iria se apresentar. ― Falou pegando em minha mão.
― Sabia. Você não está preocupado comigo, você só não quer perder pontos. ―Falei tirando a mão dele da minha.
― É, mas também estou preocupado com você... Quer dizer, acho que vais se sair bem.
― Até parece.
― Vamos ensaiar pra ver. Como vai saber que vai fracassar se não tentar.
― Mas eu não quero. Você não entende, não sou que nem você, ou as outras garotas da escola. Prefiro ficar sozinha no meu canto.
― Mas tenta!
― Tá, só um ensaio.
― Ok.
Começamos a ensaiar, o texto até que estava legal e chegamos na última fala da peça:
― Você, Lady é o amor da minha vida.
― Estou lisonjeada Lorde, mas não podemos ficar juntos. ― Ato em que o lorde fala o poema de Luís de Camões.
― Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
― Nossa Reginaldo... Que lindo.
― Espere minha cara. ― Ele pega um anel do bolso e pergunta.
― Quer casar comigo?
― Eu aceito.
E fim. Então eu e Jeffrey demos risadas pelas nossas interpretações e ele me diz:
― Viu? Você não foi ruim, você foi ótima.
― Fala sério?
― Sério. Você foi ótima.
― Tá, mas não sei se vou conseguir na frente das pessoas.
― Vai sim... Além disso, eu vou estar lá para te ajudar.
― Tá bom... Ha Ha!
― É sério e a propósito, quer sair comigo?
― O quê?
― É, quer sair comigo?
― Não, não mesmo, quantas vezes tenho que dizer que eu não sou as meninas da escola, você só pensa em si próprio e eu não gosto de você.
― Nossa... Só um não bastava.
― Desculpa, não!
― Ok.
― É melhor você ir embora.
― É, também acho. ― Disse ele.
― Vou te acompanhar até a porta.
Chegamos à porta e ele disse:
― Então... Tá tchau! ― Ele beija meu rosto e sai.
― Mas o quê...? ― Mas ele já tinha ido embora.
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