Confidencial (HIATUS)
1 Capítulo 1 - Dia Tenebroso
Notas iniciais
Em um dia nublado, em que o tempo tinha aspecto de palidez, o sol aparentava estar preso atrás das nuvens, não parecia o sol, parecia uma ostra de cor dourada, foi nesse dia que acordei e percebi que as férias haviam acabado. E já comecei o dia com o pé esquerdo: estava atrasada para o primeiro dia de aula. Nesse momento corri para o banheiro e tomei uma ducha, e quando acabei de vestir o uniforme olhei no espelho e me vi. Uma garota de cabelos longos e castanhos claros, olhos castanhos avermelhados e pele branca.
Depois de ficar um tempo me olhando no espelho coloquei meus óculos, fiz um rabo de cavalo e coloquei meu casaco preto, peguei minha mochila e desci. Meu pai a me ver só fez gritar:
― Agnes Alencar Brito! ― ele olha em meus olhos e continua. ― Você pensa que vai aonde sem tomar café?
Sem nada a declarar fui a cozinha e mordi um pedaço de pão, tomei o suco de maracujá e peguei uma maçã, sai sem falar nada, meu pai só disse:
― Espero que você faça amigos, e lembre-se de estudar!
― Sim pai, mas não conte muito com que eu faça amigos, você sabe que não sou muito boa com isso. ― sem dizer mais nada fui andando até a escola.
Ao chegar ao destino, vi que era um colégio grande, mas não parei para olhar detalhes, entrei sem hesitar. A primeira coisa que percebi quando entrei na sala foram os grupinhos: o de meninas com um quilo de maquiagem no rosto, outro dos meninos inteligentes, um dos roqueiros e um em especial que ficava no canto da sala (fundão), lá havia vários garotos, todos com porte atlético, eles se denominavam “os marombas”, um dos meninos a me ver entrando, não tirou os olhos de mim, ficava me encarando, mas só fiz me sentar e abrir meu livro, quando comecei a ler, um menino de olhos claros e cabelos loiros, veio em minha direção e disse:
― Oi, bem-vinda a nossa escola! ― e ele continua depois de uma rápida pausa. ― Eu sou o representante de turma, meu nome é Nathaniel.
― Oi, sou Agnes. ― digo sem tirar os olhos do livro.
― Você gosta de ler? ― Ele insistiu.
― Sim, gosto. ― Disse com um olhar obvio para ele.
O professor chegou e me salvou da conversa tediosa, e Nathaniel se sentou.
― Sentem-se todos! ― Ele olha fixamente para o grupo do canto da sala e continua. ― Sou o professor de física, me chamo Jorge, mas percebi que a maioria já me conhece, então vamos começar com as apresentações, pois temos alguns novatos. Quando ouvi essa palavra senti um arrepio na espinha, então um por um, dizia seu nome e idade, até que chegou no menino que estava me encarando:
― Bom, eu sou Jeffrey Stony, tenho 16 anos, sou capitão do time de futebol e se as gatinhas quiserem meu número é só pedir! ― Ele fala mostrando os músculos, sinceramente senti raiva daquele menino.
― Não precisava falar tudo isto senhor Stony, se quiser se exibir, coloque uma melancia na cabeça e desfile de sala em sala. ― o professor o advertiu, fazendo graça. Todos riram, então continuou a sequência e finalmente, meu castigo, eu era a próxima:
― Agnes Alencar Brito, tenho 16 anos. ― Falei tremendo, quase sai correndo da sala, mas lembrei de meu pai, ele é um militar de grande mérito e ficaria envergonhado, então fiquei firme e continuei a olhar para o professor, que pra minha surpresa o mesmo disse:
― Olha! Vejam só, a filha do honrado Major Marcelo Brito. ― Todos olharam para mim. Poxa! Porque ele tinha de falar isso? Não havia nenhuma necessidade!
Então ele continuou a aula e relembrou o assunto de velocidade média e as leis de Isaac Newton.
Depois de muitas aulas cansativas como: química, matemática e artes. Fui para o lanche, sentei em uma mesa sozinha, mas com meu fiel escudeiro, meu livro.
Depois tive outras aulas e finalmente fui para casa. Esse foi o dia mais chato da minha vida. Que escola mais sem sal, os alunos lá só ligam para a aparência e popularidade. Mas ao chegar em casa senti um alívio, finalmente o cheiro do meu quarto, meu pequeno mundo, a primeira coisa que fiz foi me olhar no espelho e me perguntar:
― Por que sou assim?
Tomei banho, almocei e voltei ao meu refúgio novamente, sentei-me na minha escrivaninha e suspirei: ― Que dia mais tenebroso.
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