Conectados por laços
7 Trabalhando juntos
Notas iniciais
Já se passou um tempo depois da morte de minha mãe. As magoas ainda permanecem em minha memoria. As lágrimas e tudo que passei depois disso.
— Hoje é sábadooooooooooooooooooooooo! – Disse Rafael animado
— Que animação toda é essa? Até pouco tempo atrás não queria nem sair do quarto. – Falei enquanto preparava o que iria comer no café da manhã.
— Eu estou bem agora. Sério. Tenho certeza que a mãe não iria querer me ver daquele jeito... – Disse Rafael se sentando na mesa.
— Realmente. – Falei.
— Oh, vocês já estão acordados? – Disse minha tia. – São oito horas da manhã, e é sábado.
— Eu acordei porque tenho algumas coisas para fazer, já o Rafael sei lá. – Falei, começando a comer.
— Eu acordei porque eu acordei. – Disse Rafael sorrindo
Eu e minha tia rimos, ou pelo menos fingimos.
Depois do café da manhã eu subi para o quarto ver o que eu iria usar para encontrar o Thomas. Tá, não é um encontro, mas mesmo assim acho que devo colocar alguma coisa legalzinha.
— Ai que ótimo. – Falei fuçando no guarda-roupa INTEIRO. – Não tenho roupa que preste.
Continuei revirando tudo.
— Ah! Essa blusa...
Eu estava reconhecendo, minha mãe havia me dado de aniversário no ano anterior.
— N-não eu não vou chorar.
Eu coloquei a blusa e uma saia azul, coloquei meu All Star preto, coloquei as coisas dentro de minha mochila e desci.
— Aonde cê vai? – Disse Rafael enxerido
— Eu vou para algum lugar. Não sei que horas vou voltar, mas não precisa se preocupar. – Falei, enquanto pegava alguma coisa para ir comendo no caminho.
— Você parece estar animada. – Disse Rafael erguendo as sobrancelhas. – Você por acaso está aprontando alguma coisa é? Safadinha.
— QUE? E-eu vou ir estudar. – Falei – Não está vendo a mochila nas minhas costas?
— Uhum, sei, sei. – Disse Rafael – Com quem será?
— Com um colega de classe. Apenas. Afinal por que diabos eu tenho que te dar satisfação? – Perguntei olhando na cara dele.
— Sei lá. Enfim boa sorte com esse seu tal trabalho. – Disse ele, voltando a mexer no celular
— Valeu maninho. – Falei pegando uma garrafa de água gelada e guardando. – Estou indo.
Sai de casa com pressa quando lembrei...
— Eu não acredito que me esqueci de colocar minha correntinha. – Pensei, parando imediatamente.
Aquela correntinha era preciosa para mim, minha mãe dizia que meu pai tinha comprado para ela e depois que ele nos abandonou. Ela não suportou mais olhar para aquilo e decidiu me dar. A considero uma lembrança dele.
— Tarde demais pra voltar já vai dar quase 10:00. – Pensei, olhando para o celular.
Continuei andando até encontrar um garoto com um boné sentado em um banco branco, cheguei mais perto e pedi informação pelo endereço que Thomas havia me mandado por uma mensagem de texto.
— Você é bem idiotinha. – Disse o garoto tirando o boné
— Ué, Thomas?? O que está fazendo aqui? – Perguntei sem entender mais nada
— Eu já esperava que você não fosse conseguir chegar até a minha casa, então eu já me preveni. – Disse Thomas
— Você disse que iria ligar para mim. Mas ao invés disso você me mandou uma mensagem com o endereço. Como você queria que eu chegasse lá tão fácil? – Falei em minha defesa.
— Por isso mesmo. – Disse Thomas se levantando. – Enfim, vamos?
Fiquei um pouco nervosa. Eu e Thomas, sozinhos, sem ninguém por perto...
— Sim. – Falei sorrindo
Passamos a maior parte do caminho sem falar nada, tentei olhar discretamente para seu rosto. Mas ele notou e olhou em minha direção.
— Merda. – Pensei
—Er... – Falei
— O que foi? – Disse ele
— Deixa para lá. – Falei
Passamos o resto do caminho em silêncio e paramos pertos de uma casa bem grande azul com um portão branco.
Entramos, a casa era bem simples, porém tão agradável. É aqui que ele vive. Por que estou me sentindo feliz por estar aqui?
— Fica aqui na sala eu vou pegar o resto das coisas lá em cima. – Disse Thomas
— Tudo bem. – Respondi, pegando meu material.
Assim que ele terminou de subir, aproveitei para dar uma pequenina olhada no resto da casa. Afinal eu não poderia deixar uma oportunidade dessas passar.
— Mas o que é isso? – Pensei, abrindo uma porta que estava entre aberta.
Nesse quarto havia algumas caixas de papelão e fotos coladas na parede e algumas em porta-retratos. Nela havia fotos de Thomas e seus pais adotivos que seriam seus tios.
Ao olhar para as fotos dele. Senti meu coração acelerar. Eu peguei um porta- retrato onde havia uma foto dele mais novo, eu sorri comigo mesma.
— O que está fazendo aqui? – Perguntou Thomas
Me assustei e derrubei a foto no chão.
— Eu não acredito que isso está acontecendo. – Pensei
Olhei para trás, ele estava com uma expressão séria. Fingi um sorriso.
– Eu... eu me perdi. Na verdade eu fui procurar o banheiro e acabei parando aqui. – Falei, pensando em inúmeras desculpas que ele poderia acreditar.
— O banheiro é lá em cima. – Disse ele apontando para o teto. – Te levo lá se quiser.
— Perdi a vontade, hahaha. – Fingi ri.
— Então vamos começar essa porcaria de trabalho. – Disse Thomas
— Vamos, claro. – Falei, fui correndo para sala. Me sentei rapidamente na cadeira, como se nunca tivesse saído dali.
Ele apareceu ainda com a cara séria. E colocou alguns livros, em cima da mesa.
Começamos a fazer o trabalho sobre ecologia, ele desenha muito bem e isso nos capacitou de desenhar mais ou menos um mangá pequeno.
Criamos uma personagem e colocamos ela explicando as parte mais importante e por último decidimos pôr um nome.
— Que tal Ecologia é show? — Sugeri
— Não.
— Ecologia é demais?
— Não.
— Ecologia não é demais?
— Claro que não, larga de ser estúpida. Tem que ser algo interessante para chamar a atenção de quem vê. – Disse Thomas.
— Hum...então que tal: Ecologia, e seus conceitos. – Falei sorrindo apontando o lápis na direção dele
— Err, não está para lá dessas coisas, mas pode ser. – Disse Thomas
Não aguentei não sorrir.
— Vou colocar o título e provavelmente vai estar terminado. – Disse ele
— T-tá – Falei.
Ficamos alguns segundos sem dizer nada. Eu apenas o observava escrevendo o titulo cuidadosamente. Eu olhei seu cabelo, seu pescoço, seus olhos concentrados, sua boca...
— Mariana. – Disse Thomas do nada
Senti meu coração disparar. O que diabos está acontecendo comigo?
— Oi? – Perguntei de olhos arregalados.
— Deixa para lá. – Disse ele, dando um sorriso malicioso.
— Ele imitou o que eu fiz antes? – Pensei
— Acabamos. – Disse Thomas
— Foi até que divertido. – Falei enquanto guardava minhas coisas.
Ele não disse nada.
— Então eu já vou nessa. – Falei colocando a mochila nas costas. – Até segunda...
— Até Mariana...
***
— E aí, como foi o trabalho com o Daniel? – Perguntei, no celular para Nádia.
Eu já estava em casa, deitada em minha cama. Não conseguia mais parar de pensar nos momentos que eu passei com ele hoje. Quantos vacilos eu dei? Meu Deus.
— Nós nem começamos a fazer ainda. – Disse Nádia aos risos.
— Sério? Mas é para segunda feira. – Falei rolando para a direita.
— Ai depois a gente da um jeito. O Dani além de gato é inteligente, um partidão. – Disse Nádia
Comecei a rir.
— E você? Já começou a fazer com aquele garoto lá? – Perguntou Nádia
— Thomas. Já terminamos de fazer. Ele é realmente bom em desenhar. Nosso trabalho ficou realmente massa, mal vejo a hora de mostrar para vocês. – Falei.
— Ah então o nome dele é Thomas. Huum, conte-me mais. – Disse Nádia
— Bem eu passei um pouco de vergonha, eu fui espiar a casa dele sem ele saber e fui pega. Derrubei uma foto, não estava conseguindo pensar em títulos legais... – Falei suspirando. – Mas deu tudo certo, estou tão animada!
— Mas por que você foi espiar a casa dele Mari? Ficou doidona?
— Eu não sei também. – Falei rolando para a esquerda. – Estou prestes a descobrir.
— Amiga, acho que você está interessada, hihi. – Disse Nádia.
— QUE TAL MUDAR DE ASSUNTO, HEIN? – Falei
Continuamos conversando por mais um tempo. Depois desligamos e fiquei olhando para o teto. Levantei da cama e observei a janela.
— Acho que estou me aproximando dele. – Pensei, sorrindo.
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