Conectados por laços
8 Saindo com alguém
Notas iniciais
— Muito bem alunos. Sobre o trabalho de ecologia, de alguns de vocês ficou uma bosta. De outros ficaram legalzinho. – Disse Edinéia.
Ela pegou uma pasta e começou a falar sobre os trabalhos de cada dupla.
— Trabalho de senhorita Nádia, tinha que ser. Sua dupla Daniel, que porcaria de trabalho de quinta categoria é esse que vocês me entregaram? – Disse Edineia
A sala inteira começou a dar risadinhas, a Nádia não sabia onde se enterrar.
— Desculpe pelo trabalho ruim, fessora. – Disse Daniel
— Se a senhora nos der outra chance prometemos que vamos fazer melhor. – Disse Nádia
— Os dois vão ter que apresentar para turma inteira o que aprenderam com esse trabalho. – Disse Edinéia
— O QUÊ? – Disse Nádia.
Nádia olhou assustada para Daniel. Ele piscou para ela, e os dois se levantaram.
Daniel começou a explicar detalhadamente, enquanto Nádia improvisava e falava o que lembrava para complementar.
Quando eles terminaram de falar, todos aplaudiram.
Nádia jogou o cabelo quando se sentou e Edinéia nem comentou mais sobre eles.
— Trabalho de Samuel e Débora, ficou muito ctrl c e ctrl v. Deveriam ter colocado a opinião, ponto de vista de cada um. Nota baixa. – Disse Edineia entregando e Débora indo pegar.
— Ai que ótimo. – Disse Débora para Samuel.
Samuel não sabia nem o que dizer.
— Agora o melhor trabalho da sala. A dupla Thomas e Mariana merecem aplausos me surpreenderam. – Disse Edineia
Eu fiquei tão feliz com os aplausos, me virei para trás querendo ver que tipo de expressão ele estaria fazendo. Eu o vi sorrir também.
Eu estava tão feliz que nem prestei mais a atenção na Edineia pelo resto da aula. Assim que o sinal bateu para o recreio me levantei na hora.
— Tudo saiu bem certo Thomas? Quero te dar os parabéns porque você conseguiu contribuir para o trabalho bem mais do que eu. – Falei
— Você também contribuiu. A personagem eu a desenhei me inspirando em você, não percebeu? – Disse Thomas
Fiquei sem reação, não consegui pensar em nada para responder e fiquei parada ali igual uma estátua. Thomas se levantou sorrindo e foi para fora.
Fiquei avoada pensando nas palavras de Thomas até o fim da aula. Assim que bateu o sinal para ir embora, vi Thomas sair e comecei a recolher as coisas.
— Vamos ir embora? – Disse Débora para mim, Nádia e Luana
— Hey, Mari! – Disse Samuel se aproximando
Nádia empurrou Luana e Débora para longe. Foi até engraçado.
— Parabéns, o seu trabalho e do carinha lá. Ficou realmente maneiro. – Disse Samuel
— Valeu, rs – Falei
— Você é bem legal, mas não somos muito próximos. – Disse Samuel
— Sério? Nunca botei reparo. – Falei rindo. – Talvez seja só impressão.
— Você toparia se eu te chamasse para sair por aí hoje á noite?
— Uau, hoje á noite? – Pensei pensando no que responderia
— Você é maneiro, então eu acho que aceitaria sim.
— Legal! – Disse ele sorrindo. – Então topa?
—Hoje á noite? Bem... não tenho nada para fazer.
— Ótimo. – Respondeu ele sorrindo mais ainda
— Pode ser ás 19:00? Eu posso te buscar na sua casa. – Disse ele
— Por mim tudo bem. Eu te mando uma mensagem depois falando onde moro. – Falei
— Certo então. – Disse Samuel. – Então até daqui a pouco, disse ele acenando para mim.
Acenei de volta até ele sair da sala.
***
Eu não havia planejado nada para fazer essa noite. Poucas vezes eu saio á noite desde que me mudei. Ainda mais depois da morte da minha mãe. Fiz bem em aceitar, eu acho.
Já era aproximadamente 18:54, eu assistia TV enquanto esperava. Meu irmão não havia voltado para casa ainda. Enquanto os minutos passavam eu ficava cada vez mais apreensiva, isso é um encontro?
Ouvi a campainha tocando.
—Oii Samuel! . – Falei assim que abri a porta. – Chegou cedo.
— Mariana, você está linda! Pois é, acabei vindo mais cedo do que imaginei... – Disse Samuel sorrindo
— Obrigada! – Falei dando um sorriso de volta.
Ele pareceu estar tão nervoso quanto eu.
— Então, aonde vamos? – Perguntei
— Eu sei de um lugar que você vai gostar e provavelmente não foi ainda. – Disse Samuel
— Sério? Assim você me mata de curiosidade. – Disse eu ansiosa. – Eu ainda não fui a muitos lugares dessa cidade, seria legal ir em pelo menos alguns hoje.
— Nós podemos! – Disse Samuel ansioso. – Se você quiser claro.
— Por mim tudo bem! – Falei – Então vamos que quero curtir bastante.
Nós rimos, e eu fechei a porta assim que saí. Durante o caminho conversamos sobre a escola e as matérias que odiávamos e gostávamos. Temos algo em comum, gostamos muito de exatas.
— Nós estamos chegando, irei tampar seus olhos por um instante... apenas para fazer surpresa. – Disse Samuel
— Certo! – Falei fechando os olhos.
Ele botou suas mãos em meus olhos enquanto guiava meus passos. Suas mãos estavam quentes mesmo a noite estando bem gelada e sua respiração parecia estar eufórica.
— Tchan Tchan! O que acha de jogarmos uma partida?
— Boliche? – Perguntei
— S-sim! Não gostou da ideia? – Perguntou ele
— CLARO, é que eu nunca joguei antes então acho que vou ficar bem perdida. – Falei
— Ah, não tem problema. Eu costumo vir aqui sempre, eu posso te ensinar. – Disse ele sorrindo
Forcei um sorriso de volta. Eu acho que vou é passar vergonha.
— Tudo bem, vamos. – Disse eu confiante, ou pelo menos fingindo estar.
Ele tomou minha mão e começou a me levar. A cada momento que passava eu achava o Samuel cada vez mais fofo e gentil.
— Estou ansiosa. – Falei sorrindo
Samuel me explicava como fazia, e ele começou a jogar sozinho enquanto eu olhava. Ele conseguiu fazer 3 strikes.
— Você quer tentar? – Disse Samuel, segurando uma bola.
— Quero. – Falei, me arrependeria mais tarde.
— Se lembre das dicas que eu te dei antes. – Disse ele
— Okay.
Fui me preparar para jogar a bola, mas acabei pisando errado e escorreguei, a bola voou da minha mão e saiu rolando por aí enquanto eu caia com tudo no chão.
— Eu quero morrer. – Pensei assim que cai.
— Mariana, você tá legal? – Disse Samuel vindo igual ao flash.
— Estou sim. Eu acabei escorrendo. – Falei rindo. – Acho que está todo mundo olhando para mim, mas estou constrangida demais para olhar ao redor.
— Eu já cai várias vezes também. – Disse Samuel. – Mas você está bem mesmo? Não se machucou?
— Por sorte não, haha. – Falei fingindo rir. – Que desastre, me desculpa por isso.
— N-Não precisa se desculpar. – Disse ele – O importante é que nos divertimos aqui. Talvez seja melhor ir em outro lugar agora.
— Concordo! Acho que o mico foi enorme para eu continuar jogando, quem sabe outro dia né. – Falei
— Sim, com certeza. – Disse ele sorrindo.
Logo depois que saímos da pista, tivemos a ideia de ir comer alguma coisa em uma cafeteria não muito longe.
— Nunca vim aqui. Na verdade a maioria dos lugares que formos juntos eu ainda não fui. – Falei, enquanto entrávamos nessa cafeteria.
Ela tinha uma decoração bem legal, seu foco era Paris. Lá havia doces lindos.
— Meu Deus! – Exclamei assim que entrei no lugar. – Que incrível. Tem macarons? Eu nunca comi macarons antes.
— Sabia que iria gostar daqui. Como está frio vamos pedir algo bem quentinho para tomar e podemos pedir macarons. Nunca comi também. – Disse ele rindo
— SIIM! – Falei extremamente animada.
— Vou fazer os pedidos, vou pedir a bebida que eu mais gosto desse lugar. – Disse Samuel. – Vou te surpreender.
— Okay, vou sentar em algum lugar enquanto isso. – Falei claramente ansiosa.
Eu posso ter pagado o maior mico na pista de boliche, mas finalmente a parte que eu mais esperava: A que eu sento e como.
Eu me sentei em uma mesa perto da vitrine da cafeteria enquanto Samuel fazia os pedidos. Estava tão quentinho e agradável com um cheirinho bom.
Enquanto eu olhava o movimento da rua, vi um garoto passando. Ele estava com fones de ouvido e sozinho. Olhei melhor e percebi que esse garoto era quem eu menos imaginava ver.
— Thomas? – Pensei, o reconhecendo.
Ele me viu e parou. Trocamos olhares por alguns segundos, senti meu coração acelerar. Era como se houvéssemos apenas nós dois no mundo com apenas esse vidro nos separando.
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