Conectados por laços
26 Sessão de estudos
Notas iniciais
Finalmente o sábado chegou. Passei o resto da semana tentando convencer o Thomas de vir na minha casa. Mas ainda não tive outra resposta oficial. Mesmo assim eu e as meninas continuamos empolgadas, porque mesmo que fosse para estudar ainda iriamos nos divertir.
— Rafael! – Eu chamei em tom alto, enquanto descia apressadamente as escadas.
— Quê? – Ele respondeu da cozinha
— Eles já devem estar chegando. Você já pegou suas coisas?
Caminhei para a cozinha, ele estava fuçando na geladeira.
— Depois eu faço isso. – Ele disse, tirando uma caixinha de suco de laranja.
— Você é mesmo viciado nesse suco né.
— Deixa eu e meu suquinho em paz, não fizemos nada para você. – Ele me disse com uma expressão debochada.
Fiz uma cara de quem estava rindo forçadamente e sai dali. Me joguei no sofá e comecei a mexer no celular.
Comecei a ficar pensativa sobre se Thomas viria ou não. Além das meninas não sei mais quem pode aparecer. Pode ser que a Nádia convide o Daniel ou algo do tipo.
— Mana. – Disse Rafael aparecendo. – Você acha certo uma pessoa querer controlar a vida da outra?
— Mas gente! Que pergunta. Eu não sei, talvez dependa da ocasião. – Respondi
— Falando hipoteticamente, vamos supor que há um casal. E algo aconteceu que eles romperam. Mesmo assim um deles ainda se acha no direito de querer controlar o que o outro fala ou com quem sai. – Rafael continuou, se sentando no braço do sofá.
— Bem aí eu acho que essa pessoa é bem abusada. Mas aonde você quer chegar afinal? – Perguntei ficando curiosa. – Poderia ser que você está interessado em alguém?
Ele pareceu ter se surpreendido com a pergunta, sua reação foi se levantar do braço do sofá.
— É o quê? Claro que não, só estou... ah deixa para lá, é bobeira minha. – Ele disse, logo em seguida saiu da sala.
Isso acabou me deixando ainda mais curiosa. Em torno de alguns minutos depois, deu para ouvir o som da campainha tocando.
— Já era hora. – Falei, olhando para a hora. Já era quase três da tarde.
Me levantei e fui correndo abrir a porta.
— Oi Marii. – Disse Nádia
Ela estava acompanhada de Daniel, Débora e Luana. Fiquei um pouco incomodada por Thomas não estar ali também, mas segui como se nada tivesse acontecido.
— Oi gente, podem entrar. É um casulo, mas fiquem a vontade. – Eu disse
— Que nada, é uma casa maneira. – Disse Débora olhando ao redor.
— Se você chama isso de casulo é porque não viu onde moro. – Disse Daniel
— Onde vamos estudar? – Luana perguntou
— No meu quarto. – Falei. – Vamos subir.
Caminhei até o meu quarto e eles vieram atrás. Abri a porta do meu quarto.
— Podem colocar as coisas de vocês em qualquer canto. – Falei
Nos sentamos na mesa que ficava no canto do meu quarto.
— Vamos começar pelo quê? – Perguntou Luana
— Sei lá, pode ser por matemática. – Eu respondi
— Sou péssima nisso, vamos escolher outra coisa? – Disse Nádia
— Que tal começarmos por biologia? – Disse Débora
— Boa. – Disse Daniel
— Vamos começar por inglês. – Disse Luana
— Eu sou péssima nessas duas também. – Disse Nádia
— Que nada mor, você é inteligente. – Disse Daniel
— Awn. – Disse Nádia
Rafael entrou no quarto, mas ficou boquiaberto quando viu que havia mais pessoas do que ele imaginava.
— Esse é o seu irmão? – Perguntou Débora
— Oi! – Rafael disse, que social ele.
— Que fofinho, ele parece ser inteligente. – Disse Luana
Rafael caminhou em nossa direção, mas acabou tropeçando e caindo no chão.
Comecei a rir enquanto Luana e Débora foram ajudar ele se levantar.
— Tá parecendo eu, não posso ver uma vergonha que já quero passar. – Disse Nádia rindo
— Coisas assim acontecem frequentemente comigo. Já estou até acostumado. – Disse Rafael
Optamos por começar com português. Rafael parecia estar boiando enquanto eu e Luana explicávamos a nossa matéria.
— Fala devagar pelo amor de Deus. – Disse Nádia tentando nos acompanhar
— Tendi, tendi. Eu te explico mor. – Disse Daniel, começando a explicar para ela.
— Você entendeu Débora? – Perguntei
— Eu consegui entender sim. – Ela respondeu, olhando para o livro.
— Mana, me ajuda com a minha matéria. – Disse Rafael, passando o livro para mim.
Peguei o livro e comecei a ler o que ele estava aprendendo.
— Ai Rafael isso aqui é fácil demais. – Eu disse
— Mesmo assim, você sabe que eu sou lerdo. – Rafael respondeu
— Te entendo perfeitamente Rafael, eu consigo entender qualquer coisa menos a matéria. – Disse Nádia
Comecei a explicar a matéria para o Rafael, enquanto Luana falava da matéria de inglês para os outros.
— Essa matéria de inglês tá muito mole. Vou gabaritar, fácil, fácil. – Disse Daniel
— Mor para de se exibir, já basta eu ser ruim. – Disse Nádia
— Eu não entendi nada. – Disse Rafael para mim.
Ouvi a campainha tocando novamente. Arregalei os olhos ao pensar na possibilidade de ser o Thomas.
— Já volto. – Eu disse, me levantando.
Desci as escadas apressadamente e abri a porta.
— Oi. – Disse Thomas
Quando eu o vi parado ali, pensei que estava vendo uma miragem. Dei um sorrisinho.
— Eu sabia que iria vir. – Eu disse
— Sabia é?
— Pode entrar. Começamos a estudar faz um tempinho. – Falei
O levei até meu quarto.
— O THOMAS VEIO. – Nádia gritou quando o viu.
— Fala aí cara. – Disse Daniel
— Pode vir Thomas, estamos estudando Geografia agora. – Disse Luana
Thomas se sentou em uma cadeira que estava vazia, parecia um pouco incomodado.
— Obrigado pelo convite. – Thomas disse
— Que nada. – Eu disse – Onde estávamos mesmo?
— Eu comecei a explicar Geografia, o Rafael está vendo matemática com a Nádia e o Daniel.
— Matemática, eu não entendo nada. – Disse Nádia
— Nem eu. – Disse Rafael bufando.
— Eu sou bom em matemática. – Disse Thomas
— Ajuda a explicar essa matéria aqui para eles. – Disse Daniel mostrando o livro.
— Ah, eu adoro isso. – Disse Thomas, começando a resolver os cálculos para explicar.
Me senti feliz ao ver aquilo. Thomas parecia estar se divertindo, dando aquele sorriso lindo de orelha a orelha notando que estavam conseguindo entender o que ele dizia.
— Incrível, explica melhor que minha professora. – Disse Rafael impressionado por conseguir entender a matéria.
Eu ri sozinha.
— Mari, você pode explicar a matéria de sociologia? Estou totalmente perdida nela. – Disse Luana, pegando a apostila de sociologia.
— Claro! – Eu afirmei, dando umas olhadas discretas em Thomas.
A tarde passou voando, conseguimos estudar mais matérias do que imaginamos. Até o Rafael conseguiu acompanhar. Estou mesmo me sentindo aliviada por ter dado tudo certo.
— Estou realmente exausta! – Disse Nádia, guardando o material em sua mochila.
— Pelo menos valeu a pena, você entendeu a matéria direitinho mozin. – Disse Daniel
— Milagre né, nem eu estou acreditando que entendi. – Disse Nádia
— Vocês são mesmo legais, me ajudaram mesmo eu sendo um ano mais novo. – Disse Rafael
— Quem sabe você agora pega e senta para estudar né queridinho. – Eu disse rindo
— Boa sorte para a gente com todas as provas vindo aí... – Disse Thomas
— Nem lembra. Da vontade de picar essas provas em picadinho, depois botar fogo e enterrar o que sobrou. – Disse Débora fazendo todos darem gargalhada.
Nós descemos e eu abri a porta para eles irem embora. Nos despedimos e eu os vi ir. Thomas deu uma pequena olhada para mim e sorriu docemente. Me sentindo envergonhada e apenas acenei o vendo ir embora.
— Eita mana, está rolando alguma coisa entre você e esse cara aí? – Perguntou Rafael do meu lado, ao perceber o que estava acontecendo.
— Oi? Não viaja. – Falei sem jeito, dando risada.
— Como é o nome dele mesmo? Thomas, né? – Ele perguntou
— Sim! – Eu respondi abrindo um pequeno sorriso.
— Huum.
— Ah! Você realmente se esforçou hoje hein maninho. Pelo visto conseguiu entender a matéria né?
— Consegui. Eu achei eles bem legais, você poderia trazer eles aqui mais vezes. – Disse Rafael
— Pode deixar. – Eu disse rindo. – Bem, vamos entrar, vou revisar a matéria mais tarde porque as provas já vão começar.
Acabei me lembrando de algo que prometi a mim mesma. “Quando as provas acabarem...”
E dessa vez é para valer. Sem volta atrás.
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