Conectados por laços
6 Olhos profundos
Notas iniciais
— Eu soube o que aconteceu com você. – Ele disse
Me surpreendi.
Abri os olhos e virei para o lado. Ele estava me encarando.
— Sei o que você esta sentindo Mari...ana. – Disse ele
— Eu já ouvi boatos de que você é órfão. – Falei, olhando ele nos olhos. – Isso é verdade?
— E se for? – Disse Thomas
— Só foi uma pergunta.
— Ta,ta. É verdade sim, meus pais morreram quando eu ainda era pequeno em uma batida de carros, e fui adotado pelos meus tios que estão pouco se lixando para mim.
Fiquei sem resposta. Palavras me fugiram e meu de um grande branco.
— Não posso sequer imaginar o que você passou. Eu sinto muito. – Falei.
— Não precisa. Eu já superei isso. Foda-se. – Disse ele
Eu ri.
— Mentira. Eu sei que não é verdade. – Falei o encarando.
— E se for? – Disse Thomas repetindo aquilo
— Só fiz um comentário. – Falei
Nós dois rimos.
— Sobre o trabalho. – Disse ele dando uma pausa.
Ele pegou o celular.
— Me empresta o seu. – Disse ele
O emprestei sem entender.
Ele salvou seu número no meu celular e meu número no dele.
— Vou te ligar depois para te falar meu endereço. – Disse Thomas, me devolvendo meu celular.
— Certo. – Falei
Olhei para seu número. Que nome de contato eu daria para ele? Eu não me sentiria satisfeita com apenas ‘Thomas ‘ ?
Guardei o celular e ri comigo mesma.
Ficamos sem dizer mais nada. Ele voltou a fechar os olhos. Aqueles lindos olhos profundos. Ele era tão atraente. Admirei cada detalhe de seu rosto, um sorriso de orelha a orelha logo se formou em minha face.
Desviei o olhar. Voltei a lembrar sobre a minha mãe.
— Sabe... Eu queria voltar no tempo para poder passar mais tempo com minha mãe. É horrível, horrível demais isso... – Falei sem conseguir segurar as lágrimas
Ele se aproximou mais de mim e meu coração começou a bater mais forte. Ele me abraçou gentilmente.
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Fui totalmente pega de surpresa. Ficamos alguns segundos assim.
— Meu coração....por que ele está tão acelerado? Merda, ele vai acabar percebendo. – Pensei
Ele se afastou de mim.
— Eu estava te devendo. Depois de dizer a você algumas besteiras. Foi mal. – Disse ele
Eu me senti feliz de repente. Tão feliz que eu queria gritar de felicidade.
— O-obrigada. Um abraço era tudo que eu precisava. – Falei sorrindo
Enxuguei as lágrimas, peguei minha mochila e sai correndo deixando ele lá. Com essa conversa toda eu acabei me sentindo ainda melhor. Um apoio de um ami... quero dizer de um "conhecido" que de certa forma, é tão especial e único para mim. Eu acho que sou realmente estranha.
***
Rafael P.O.V
— Não estou me sentindo bem. – Falei deitado na cama, enquanto minha tia estava na porta do meu quarto.
— Eu entendo. – Disse ela. – Pode ficar mais um dia descansando. Mas amanhã você tem que voltar para a escola.
— Eu sei. – Falei bufando. – Apenas mais hoje.
— Certo. – Disse ela, logo após fechando a porta devagar.
Isso ainda é surreal. Não posso e nem quero acreditar que aconteceu. Até pouco tempo atrás estávamos nos mudando para cá. Ela estava feliz e sorridente, disse para mim e para minha irmã que nossa vida melhoraria para melhor.
— Isso é melhor? – Falei, enquanto voltava a deitar.
Pensava sobre se eu realmente deveria voltar para a escola no dia seguinte.
A cena de como recebi a noticia do acidente veio a minha cabeça de repente. Cada detalhe.
Flashback On
— Que aula insuportável. – Disse Pedro, na carteira ao lado.
— Pois é. – Falei. – Quero ir embora.
No último tempo é raro eu não estar com sono ou com fome. Meu amigo mexia secretamente no celular, enquanto eu planejava abaixar a cabeça e dormir ali mesmo.
Fui dormir tarde novamente. Que maravilha.
Foi aí que percebi que meu celular começou a vibrar. Vi que era minha tia.
— Ué. – Pensei – O que ela quer assim do nada?
Preferi não atender e esperar a aula terminar para ligar de volta. Assim que a aula terminou guardei as coisas rapidamente.
— Não tenho nada para fazer. – Ouvi alguém dizer.
Olhei para trás, era Luan conversando com outros colegas. Ele parecia estar se divertindo.
— Wtf. Por que estou parado aqui o encarando, eu tenho que ligar para minha tia. – Pensei jogando o estojo dentro da mochila.
Ele do nada me viu.
— Puta que pariu. – Pensei.
Ele sorriu e veio até mim.
— Você já conseguiu ajeitar tudo que os professores queriam? – Disse Luan
— Ainda não. Eu tenho tantas coisas para fazer que acabo me esquecendo disso... – Falei
— Tipo ficar até tarde jogando jogos. – Pensei
— Ah! Entendi. – Disse Luan. – Não tenho nada para fazer, se quiser eu posso te ajudar.
— S-sério? Cara, iria me ajudar muito. – Falei sorrindo
— Você quer hoje? – Disse Luan
Eu balancei a cabeça concordando. Acabei pegando esse hábito da Mariana.
— Beleza. Já volto a falar com você. – Disse Luan, voltando para os outros colegas que ele estava conversando antes.
Por algum motivo eu estava feliz por isso. Como se eu quisesse me tornar amigo desse cara aí.
— A LIGAÇÃO. – Veio em minha mente.
Fui até o corredor enquanto ligava para o número da minha tia. Fiquei olhando para a janela, o tempo estava nublado.
— Ah tia! – Falei assim que ela me atendeu. – Você me fez uma ligação antes, certo?
— Sim. – Disse ela, sua voz parecia estar rouca. Ela devia estar chorando.
— Eu estava na aula... – Falei, tendo um mau pressentimento. – O que aconteceu?
— É a sua mãe. – Disse ela. Assim que ela terminou de dizer a palavra ‘ mãe ‘ desabou em choro.
— O que tem a minha mãe? – Falei assustado. – Fala o que aconteceu.
— ELA SOFREU UM ACIDENTE DE CARRO E ESTÁ AQUI NO HOSPITAL EM CASO GRAVE. – Gritou ela. Aquilo foi levar um tiro, eu estava totalmente despreparado.
Meus olhos se arregalaram. Meu corpo inteirou congelou. Ela continuou, dizendo onde eles estavam e desligou. Eu deixei o celular cair no chão, minha mão e nem mais nada se mexeu.
Eu fiquei alguns segundo ali parado enquanto respirava fortemente, tentando capitar o que minha tia havia acabado de dizer.
— Hey Rafael! – Disse Luan, me cutucando.
Ele pegou meu celular e verificou se não tinha quebrado a tela.
— Odeio quando isso acontece. – Disse ele
— L-Luan. – Falei desesperado. – D-Desculpa! Houve um imprevisto, hoje não vai dar. Até mais. – Falei
Ele me entregou o celular e comecei a correr procurando minha irmã.
— Merda. – Pensei. – Acho que ela não saiu ainda.
Perguntei para outros sobre minha irmã. Me disseram onde era a sala dela e esperei do lado de fora.
Flashback Off
Eu não só imaginava como esperava o pior. Minha mãe foi uma heroína para mim, e tenho certeza de que minha irmã pensa o mesmo.
— Eu vou voltar. Eu tenho que voltar. – Pensei, enquanto me cobria com o edredom.
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