Conectados por laços
16 Garoto sorridente
Notas iniciais
— Vagabunda? – Eu repeti
— Débora... – Disse Luana olhando para Débora sem acreditar no que estava ouvindo e acontecendo.
De repente tudo ficou em silêncio. Todas nós estávamos tensas, o clima feliz tinha sido completamente arruinado.
Eu comecei a me sentir sufocada em estar ali.
— Eu já disse a verdade. Eu me apaixonei pelo Thomas. Aquele garoto estranho que senta no fundo da nossa sala. Eu me tornei amiga do Samuel, mas não imaginei que te irritaria tanto Débora. – Tentei me explicar
Débora não disse nada.
— Nunca imaginei que você gostasse do Thomas. – Disse Luana
— Pensei que você e o Samuel banana fariam um casal para ser sincera. – Disse Nádia
— Me desculpem, mas eu vou ir embora. – Eu disse me levantando.
— Mari... – Disse Nádia
— Eu sinto muito. Mas eu perdi a vontade, sabe? – Falei
— Entendo. – Disse Luana
Me troquei rapidamente.
— Tem certeza que você vai ir? – Perguntou Luana
— Tenho. A festa está ótima, mas eu realmente vou ir agora. Desculpe. – Falei
Saí do quarto e Luana me acompanhou até o portão.
— Então tchau Mari, liga quando chegar em casa. – Disse Luana
— Pode deixar. – Falei. – Tchau Lu!
Saí dali realmente sem palavras. Não imaginei que Débora fosse se irritar tanto assim por causa da minha amizade com o Samuel. Se ela gosta dele, então por que não disse de uma vez?
— E ela ainda diz que eu sou a ridícula. – Pensei. – Que desastre.
Quanto mais eu caminhava por aquela rua, mais eu me sentia irritada e confusa ao mesmo tempo.
— Por que isso aconteceu? – Sussurrei comigo mesma.
Peguei meu celular e comecei a andar em passos lentos. Não sei o que me deu, mas eu comecei a pensar em ligar para o Thomas.
Não consegui mais parar de pensar nisso até de fato eu fazer a ligação.
— Alô? – Eu o ouvi dizer.
— O que estou fazendo? – Pensei. – É incrível como eu ainda consigo vacilar com ele.
— Oi Thomas. – Eu disse em tom desanimado.
— Pensei que não queria falar comigo. Até saiu correndo naquele dia.
— Eu sei... mas será que você poderia conversar comigo agora?
— Depende. Não tenho a vida inteira. – Ele respondeu. Que direto.
— Só um pouco. – Eu disse . – Okay?
— Você é estranha.
— Você também.
Eu o ouvi rindo?
— Não te vi ontem na sala. – Falei
Uma brisa suave começou. Vi uma loja de conveniência aberta e pensei em entrar e tomar um sorvete.
— É. Não estava com vontade. De novo. – Thomas disse
Entrei na loja, lá estava bem quentinha. Procurei onde havia sorvete, enquanto olhava para o chão.
— Que engraçado. Você só aparece quando dá na telha. – Eu disse enquanto observava as opções de sorvete.
— Eu digo o mesmo de você. – Ouvi Thomas dizer. Mas a voz dele parecia tão próxima.
Olhei para o lado e me deparei com ele ali, parado bem do meu lado segurando um picolé de chocolate. Nossos olhos se encontraram e eu fiquei sem reação.
Ele deu um sorrisinho canto de boca e desligou a ligação.
Senti minha mão ficar mole e derrubei meu celular.
— T-Thomas...
Surpresa e de olhos arregalados. Meu coração deu uma acelerada repentina.
Eu estava me sentindo tão calma. Todo aquele sentimento de raiva havia sumido assim que o vi. Uma paz inexplicável tomou conta, eu poderia ficar para sempre ali o encarando.
— O que está fazendo aqui? – Perguntei
Ele pegou meu celular do chão e me entregou.
— Obrigada...
— Por que eu deveria dar explicações? Eu simplesmente vim nessa loja perto da minha casa comprar um sorvete. – Ele disse. – Você me ligou meio do nada, certo?
— É...
As palavras estavam fugindo de mim. Eu não sabia mais o que dizer ou o que fazer. Ele pegou um picolé de chocolate e me entregou.
— Esse é bom. – Ele disse.
Fiquei novamente sem saber agir.
— Obrigada... – Falei envergonhada
Ele passou por mim, virei para trás e me apressei para ir até o caixa também.
— Vou pagar pelos dois picolés. – Disse Thomas para a atendente.
— Certo. – Disse a atendente
— N-não precisa. – Eu disse. – Eu tenho dinheiro.
— Muito obrigada, voltem sempre. – Disse a atendente.
Ele saiu da loja me deixando para trás, me apressei novamente.
— Obrigada por pagar.
— Se você disser “Obrigada“ mais uma vez eu vou devolver seu picolé para a loja.
— Okay. – Falei, logo em seguida abri meu sorvete. Por alguma razão eu senti vontade de rir.
Nos sentamos em um banco perto da loja e ficamos vendo o movimento, enquanto comíamos o sorvete em silêncio.
— Ainda não entendi. Por que me ligou? – Perguntou Thomas
— Ah, eu não sei. Senti que você era a única pessoa que eu queria falar nesse momento. Então eu liguei.
— Tendi. Aconteceu alguma coisa?
Hesitei se eu deveria contar. Mas notei que as palavras estavam subindo pela minha garganta.
— Só tive uma discussão com a Débora, minha amiga. Nada demais.
Ele me olhou e eu olhei de volta. Ficamos alguns segundos assim.
— Eu gostaria muito que o tempo congelasse nesse momento. – Pensei
— Seu picolé está derretendo. – Disse Thomas
— Droga. – Disse eu
Ele terminou seu sorvete.
— Bem eu tenho que ir. – Disse Thomas
— Mas já? – Pensei
— Okay. – Falei
— Até a próxima, Mariana.
Logo em seguida ele sorriu.
— A-Até... – Eu disse gaguejando sem querer.
— Esse sorriso. Eu nunca o vi sorrindo assim antes.
Comecei a rir igual uma idiota enquanto o observava ir. Sinto que a distância entre nós está diminuindo.
— Ele fica lindo quando sorri. – Falei comigo mesma, enquanto terminava o picolé de chocolate.
***
Rafael P.O.V
— Sábado, finalmente. – Pensei assim que acordei.
Pensei em sair para comprar uns games novos para jogar, iria chamar a Mari para ir comigo, mas ela estava dormindo.
Comecei uma ligação a cobrar para o Pedro só para saber se ele iria junto ou não.
— Fala aí Rafa. – Ele disse atendendo.
— E aí Pedro, estava pensando em dar uma passada no shopping, quero comprar uns games novos. – Eu disse
— Pode ser. Em qual shopping? – Pedro perguntou
— Naquele perto da escola. – Falei
— Beleza, então estou indo já,já.
— Também. – Falei
Logo em seguida desliguei. Era quase 10:30, então me troquei bem rápido e comi algo antes de sair.
Dei passos rápidos para chegar até o shopping, logo na entrada não consegui avistar ele.
— Onde ele tá? – Pensei comigo mesmo.
Fiquei uns 20 minutos ali.
— Bu. – Disse Pedro colocando as mãos nos meus ombros.
Olhei para ele com cara de ódio.
— Eita. – Disse ele
— Eita? Fiquei aqui mofando já faz o maior tempão. – Reclamei. – Onde você tava?
— Acabei me distraindo no caminho então demorei mais para chegar aqui.
— Ta, não importa mais. – Eu falei. – Vamos na loja de games.
— Você é mesmo viciado nisso. Não está planejando virar mais madrugadas jogando essas coisas né cara?
— Mas é claro que não. – Menti. – Vamos, vamos.
Fomos a loja e conseguimos comprar games novos para mim. Falei para o Pedro que não queria nada para comer, mas ele insistiu em comprar Milk shake para nós dois. Bem como não seria eu que iria pagar, aceitei de braços abertos.
— Quer um pouco do meu? – Disse Pedro
— Não gosto do de chocolate. Prefiro o de morango. – Falei fingindo rir.
— Comigo é o contrário. – Disse Pedro
— Acho que podemos ir. Já compramos tudo que precisávamos.
— Vamos.
Caminhamos para sair de lá, quando avistei alguém muito parecida com a minha irmã. Mas pera...
— Ué. Aquela ali é minha irmã. – Falei
— Quem? – Perguntou Pedro
Apontei para ela que nem notou de tão atenta que ela é. Fomos até ela.
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