Conectados por laços
17 F-o-f-i-n-h-o
Notas iniciais
Rafael P.O.V
— Mariana? – Falei
— Ué Rafa. – Ela disse quando finalmente me percebeu.
— Pensei que ainda estava em casa já que dormiu a manhã toda. – Falei sem entender mais nada.
— Acordei e vim para cá, minha amiga está aqui. E ele?
— Ele é meu amigo Pedro. Viemos aqui para comprar games novos.
— E aí, tudo bem? – Disse Pedro
— Oi, prazer em conhecer. Imagino que meu irmão deve ser insuportável né?
Que irmãzona. E ainda dando trela para esse abestado.
— Um pouco. – Pedro respondeu
— Ah vai cagar. – Disparei
— Ele fala isso depois me deixar o maior tempão esperando aqui nessa mesma entrada? – Pensei, ficando irritado.
— CHEGUEI.
Uma garota do nada apareceu ali.
— Oi Nádia! Esse é meu irmão Rafael, acho que nunca cheguei a apresentar ele para vocês né.
— Não miga, nem sabia que você tinha irmão. Ele é muito fofinho! – Disse Nádia
— Fofinho? – Perguntei descrente.
É essa a impressão que as pessoas tem sobre mim?
— O que ele tem de fofinho também tem de burro. – Disse Mari
— Não é o que você diz quando estamos jogando e me pede pra passar de nível para você. – Eu disse
— E esse é o amigo dele, Pedro, conheci agora também.
— Vocês são muito lindas. – Disse Pedro
Wtf, esse é mesmo o Pedro?
— Ai brigada. Só não vou dizer o mesmo de você, pois sou comprometida. – Disse Nádia
— Nem liga, ele está fazendo graça. – Falei. – Bem, temos que ir agora. Depois a gente se fala mana. Tchau Nádia.
— Tchau gente! – Disse Pedro
— Tchauzinho. – Disse Nádia
Saímos do shopping e do ar condicionado, sentir aquele ar quente que eu odeio. Pensei em voltar para o shopping imediatamente.
— “Vocês são muito lindas“. – Falei imitando.
— Haha, que foi? É a verdade uai. – Disse Pedro
— Verdade que você deu em cima da minha irmã e da amiga dela? Hehe, melhor desistir. – Falei rindo da cara dele
— Não dei em cima delas. – Ele disse
— Uhum. – Falei. – Bem tenho que ir e estrear esses games novos e cheirosos.
— Certo então. A gente se vê “fofinho“. – Disse Pedro rindo e se afastando.
— Era só o que faltava todo mundo me chamar de fofinho agora. – Falei.
Fui chutando pedrinhas pelo caminho. Recebi a ligação de alguém. Fui ver quem era e quase cai para trás.
— Luan? – Falei atendendo.
— Oi Rafael, foi mal ligar do nada. – Ele disse
Eu não estava nem acreditando que ele havia me ligado.
— Não tem problema nenhum. Sério mesmo. – Falei, me arrependendo logo em seguida. – Ah, ér... o que foi?
— Você esqueceu um livro aqui em casa. Esqueci de te avisar ontem na escola. – Disse Luan
— Putz. Eu posso ir buscar agora, estou livre. – Falei
— Tá bom. – Disse Luan. – Você se lembra o caminho para cá?
— Lembro. Estou aí dentro de alguns minutos. – Falei.
Eu vou guardar esse livro para o resto da minha vida. Comecei a me apressar em direção a casa dele. Quem diria que esse sábado seria tão agitado assim.
***
— Foi mal te fazer vir até aqui para buscar o livro. – Disse Luan. – Eu deveria ter lembrado e te entregado ontem.
— Não tem problema, eu estava na rua mesmo. – Falei.
— Quer entrar e tomar uma água? Você parece meio cansado, sei lá. – Disse Luan
— CLARO.. quero dizer pode ser. Estou com sede por que esse sol está realmente pegando fogo hoje né.
— Que piada ruim. – Pensei
— Pode entrar. – Disse Luan – Minha mãe saiu para ir no mercado e quando ela vai no mercado ela praticamente mora lá.
— Saquei. – Falei
Me joguei naquele tapete fofinho.
— Ar-condicionado. – Falei
Ele olhou para o ar que estava ali.
— Ah é né. – Disse ele. – É ótimo nesses dias quentes que andam fazendo.
— Quem dera ter na minha casa também. – Falei
Ele trouxe dois copos de água. Estou me sentindo naquele dia de novo.
— Na sua casa não tem? – Perguntou Luan
— Só tem uns ventiladores que vivem dando problema ou fazendo barulhos irritantes. – Falei rindo.
Ele começou a rir também.
— Complicado. – Disse ele
— Pois é.
— E o que é isso aí no seu braço? – Perguntou Luan
Tinha esquecido que ainda estava com o saquinho com os jogos pendurado no braço.
— Isso são jogos novos que eu comprei mais cedo. – Falei.
— Então você curte jogar games? – Perguntou Luan
— Sim, eu curto bastante. Sem querer me gabar, só que eu sou muito bom na maioria em que jogo. – Falei
— Não sou de jogar, mas se você puder me ensinar eu jogaria. Iria querer? – Disse ele
Mano. Eu. Vou. Morrer.
— Claro. Você me ajudou naquele dia com aqueles trecos. Não teria motivos para eu não te ajudar também. – Falei, com o coração quase saindo para fora do peito. – E somos amigos, não somos?
— Yes. – Disse ele sorrindo. – Podemos marcar um dia para jogar.
— Perfeito. – Falei
— Quem sabe eu até consiga ser melhor que você, hehe. – Disse ele zoando.
— Nossa, eu ia chorar. – Falei brincando.
Comecei a tomar o copo de água e me lembrei de mais cedo.
“Não miga, nem sabia que você tinha irmão. Ele é muito fofinho!“
Será que ele também me acha “fofinho“?
— Desculpe pela pergunta idiota que eu vou fazer, mas você vai responder e ser sincero? – Perguntei olhando nos olhos dele.
— Pode deixar. Mas que pergunta? – Perguntou ele
— Merda, agora não da para voltar atrás. – Pensei
— Você acha que eu sou fofo? – Perguntei
—...
Caralho, onde eu estava com a cabeça de fazer uma pergunta dessas.
— É uma pergunta idiota mesmo, haha. É que de manhã eu encontrei com minha irmã no shopping e a amiga dela disse que eu era fofo. Então fiquei intrigado com isso. – Falei tentando me explicar.
— Tendi, tendi. – Disse Luan. – Bem seria estranho eu dizer isso, mas acho que ela está certa. Você é fofinho.

Fiquei sem palavras.
Logo em seguida cocei a nuca.
— Então é essa a impressão que as pessoas tem de mim mesmo.
Comecei a rir.
— E você? Qual é a sua impressão sobre mim? – Ele perguntou
Agora sim, eu me lasquei.
— Eu acho que você é realmente uma pessoa muito maneira. Eu gostaria de ter te conhecido mais cedo. – Eu falei
— Valeu. – Disse ele
— Você é divertido, inteligente, agradável. Não é a toa que muitas pessoas gostam de você e te admiram. – Continuei
— Caramba. – Ele disse rindo. – Você acha tudo isso sobre mim enquanto eu simplesmente disse que você é “fofinho“.
Eu ri também.
— Bem, então foi legal você vir aqui. É melhor você ir antes que minha mãe chegue. E você viu como ela é. Pega seu livro de matemática. – Ele disse
— Isso. Antes que eu me esqueça de novo. – Falei.
Ele me entregou e nossas mãos acabaram se encontrando. O livro caiu no chão.
— Opa! – Disse ele
Eu fingi rir, estava totalmente envergonhado. Meu coração batia a mil por hora.
— Bem então até a próxima. – Disse Luan abrindo o portão
— Temos que combinar de você vir na minha casa. – Falei. – Você vai ver como sou bom jogando.
— Claro. Vamos combinar direitinho. Afinal você já veio aqui duas vezes e eu ainda não fui nenhuma vez na sua casa.
— Verdade, haha. Então até a próxima, Luan. – Falei sorrindo.
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