Conectados por laços
5 Danificado
Notas iniciais
— Ela faleceu...
Rafael caiu ajoelhado.
Muitas lágrimas escorriam pelo meu rosto.
Eu larguei minha mochila enquanto caminhava lentamente para trás.
— Não. Não. Não. Não. – Repetia
Rafael se levantou e me abraçou enquanto eu continuava repetindo milhares de NÃO. Comecei a chorar abraçada com meu irmão sem acreditar no que estava acontecendo.
Estava indo tão bem, eu estava tão feliz por essa realidade nova. Por que essas coisas tinham que acontecer?
Eu chorava, eu gritava, eu berrava.
Passei por momentos horríveis naquele hospital. E quando voltei para casa, me tranquei no meu quarto. Pulei para cama. Não me mexi, não me troquei, não falei nada. Apenas continuei chorando alto com o rosto afundado no travesseiro. Logo após sonhei com boas lembranças da minha família antigamente.
Onde meu pai ainda estava com nós. Onde éramos uma família feliz. Mas tudo começou a se danificar quando meu pai nos abandonou. Minha mãe passou por tempos difíceis.
Naquele momento eu não sabia mais o que aconteceria dali em diante. Eu só pensava em chorar e chorar.
***
Acordei assustada. Olhei ao meu redor, estava tudo arrumado. Eu ainda estava de uniforme. Ele estava todo amarrotado.
– Mãe. – Falei, em tom baixo. Quase sem voz.
Lágrimas começaram a escorrer em meu rosto.
— O que vou fazer agora? – Falei.
Continuei chorando baixinho em meu quarto.
Ouvi alguém batendo na porta.
— Mana. – Disse Rafael – Hoje vai ser o enterro.
Não consegui pensar em nada para responder.
Respirei fundo, mordi os lábios e limpei as lágrimas.
— Vamos ficar bem. – Falei
— Vamos... – Disse Rafael.
Foi um dia triste. Eu queria que tudo isso não passasse de um pesadelo. Mas era a realidade. Nada mais que a fria e cruel realidade.
— Adeus mãe! – Eu disse chorando, segurando uma rosa. A coloquei em seu túmulo.
— Nunca vou esquecer você. – Pensei, dei um sorriso ao lembrar os bons e maus momentos com ela. ***
Mais um dia amanheceu. Já faz dois dias desde que minha mãe morreu. Eu não estava com coragem nem com saco para ir para escola.
Fiquei sabendo que minha mãe sofreu um acidente de carro. Minha tia havia contado para mim e Rafael que nossa mãe estava embriagada enquanto dirigia o carro. Provavelmente ela bebia para esquecer tudo o que sofreu com nosso pai.
— E-eu não posso chorar... Tenho certeza de que minha mãe quer que eu seja forte. – Falei me segurando.
Minha tia entrou no quarto preocupada.
— Já está tudo certo. Nós vamos ficar com você seu irmão, estamos confirmando a mudança para essa casa, em breve trarão nossos moveis. – Disse ela
— Nós teremos que vender algumas coisas, não é? – Perguntei
— Infelizmente. Isso é inevitável. – Disse ela
Balancei a cabeça concordando.
— Sua mãe sempre vai estar conosco bem aqui em nosso coração! – Ela disse apontando para o lado esquerdo de seu peito.
Eu sorri.
— Vou para escola hoje! – Falei
Ela sorriu também e saiu.
Penteei meu cabelo, passei a mão no uniforme para desamarrotar um pouco e desci.
— Onde está o Rafael? E o tio? – Perguntei
— Rafael não quer sair do quarto. Disse que precisa de mais tempo. Seu tio já está no trabalho. – Disse ela preparando a mesa do café.
— Entendi. – Falei me sentando para comer. – Eu espero que meu irmão fique bem.
— Ele vai ter que ser forte. – Disse minha tia. – Vocês dois tem.
Balancei a cabeça concordando novamente. Apenas vou ser quem minha mãe esperava que eu fosse. Continuar sendo eu mesma. É assim que vou ser daqui em diante.
***
Quando cheguei na escola todos olhavam para minha cara com cara de dó. Tive vontade de continuar a chorar mas respirei fundo e continuei controlada, não quero estragar tudo que eu prometi a mim mesma.
—Amiga fiquei sabendo do que aconteceu e realmente estou mal por você. Espero que esteja tudo bem. – Disse Nádia
— Obrigada Nádia. Não está tudo bem, mas pode melhorar. Estou confiante. – Falei, sorrindo.
— Você é realmente muito forte, te admiro bastante. – Disse Luana
— Concordo, se eu fosse você não conseguiria aparecer nesse inferno por um longo tempo. – Disse Débora.
— Obrigada gente! – Falei rindo – Estou me sentindo melhor agora.
— Vamos sair para comprar nosso SALGADO SAGRADO. – Disse Nádia
— VAMOS. – Dissemos eu, Luana e Débora
Quando o intervalo acabou eu simplesmente não estava mais com vontade de continuar na aula.
— Eu vou cabular. – Falei
— Eu só não vou cabular com você porque é a aula da chata da Edinéia e ela tem uma teima comigo danada. – Disse Nádia
— Eu posso ficar com você se quiser. – Disse Luana
— Eu também. – Disse Débora. – Adoro cabular aula.
— Ah, é que eu queria ficar um pouquinho sozinha! Mas muito obrigada por quererem ficar comigo. – Falei
— Não tem problema. – Disse Luana sorrindo
— Vamos voltar então! Tchau Mari. – Disse Nádia
Acenei para as três e fiquei andando no corredor. Até que vi aquela escada que Thomas tinha subido naquele dia. Pensando por um lado eu nunca havia ido lá para o terraço ainda. Acho que era um ótimo lugar para ficar um pouco.
Quando cheguei lá senti um forte vendo, uma brisa maravilhosa. Eu fechei os olhos e respirei fundo.
Senti como se fosse minha mãe mandando um sinal para mim. De que tudo ficaria bem. De que ela sempre estaria comigo. De que eu não deveria ter medo.
Eu sorri.
— O que você está fazendo aqui?
Abri os olhos e olhei para trás e me deparei com quem eu menos eu queria ver.
Encostado na parede, lá estava ele. Me olhando com a maior frieza como se me odiasse ou eu tivesse feito algo de errado.
— Por que eu deveria responder essa pergunta...Thomas. – Falei
— Eu sempre fico aqui nos intervalos e alguns dias depois das aulas. Você sabe disso certo? Lembra quando me seguiu?
— E daí?
Ele não me respondeu. Apenas virou a cara. Que arrogante.
— Você quer que eu vá embora? – Falei
— Não precisa. – Ele respondeu
— O quê? – Falei
— Pode ficar. Eu não me importo. – Disse ele, voltando a olhar para mim com aqueles olhos profundos.
— Okay... – Disse eu.
Comecei a andar e me aproximar dele. Sentei ao seu lado. Aquela brisa continuava. Eu olhei para o lado. Ele estava de olhos fechados como se estivesse dormindo. Eu também fechei os olhos.
— Eu soube o que aconteceu com você. – Ele disse
Me surpreendi.
Abri os olhos e virei para o lado. Ele estava me encarando.
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