Conectados por laços
43 Retorno 2019 - #Flashback 31~41 - Rafael
Notas iniciais
— Ué carai. Você me deu o endereço e eu vim aqui. – Disse Pedro, na minha porta quase nove e meia da noite.
— Sabia que não deveria ter passado... entra logo. – Falei impaciente.
Esse Pedro faz cada coisa.
Dei play no jogo e Pedro por sorte sabia como jogar. Já estava ficando tarde, quase onze da noite e estava me batendo um soninho.
Acabei bocejando.
— Tá querendo mimi? – Pedro brincou
— Sono bom. – Falei dando risada
Pedro apenas ficou me encarando.
— Acho que é um bom momento para falar daquela ligação. – Disse Pedro
— Ligação? Que liga... – Falei, mas arregalei os olhas ao lembrar do dia que Pedro me ligou e perguntou se eu gostava do Luan. Puta merda, tô frito.
— Lembrou? Mano tem como você responder aquela pergunta ou não? – Disse Pedro
— Porra Pedro para de encher com isso. O Luan é meu amigo e somos dois caras, tá me estranhando? – Falei tentando desviar o foco.
— E isso impede você sentir alguma coisa por aquele cara? – Pedro perguntou erguendo as sobrancelhas.
Engoli em seco. Tinha que dar um jeito de terminar aquela conversa ali. Fingi outro bocejo.
— Vish o sono está me atacando feio aqui. Talvez seja melhor você voltar outro dia, que tal? – Perguntei
Pedro pareceu irritado com isso.
Assim que bateu o sinal para o recreio, eu me levantei confiante de que iria conseguir falar com o Luan de uma vez e acabar com isso. O Pedro não iria mais encher o saco, o Luan não iria receber mais problemas e... tudo acabaria bem.
No recreio esperei a melhor oportunidade para conseguir falar com ele.
— Fala Luan. – Eu disse, quando finalmente consegui falar com ele.
— Ah, e aí Rafic. Eu não esqueci não de que você pediu ajuda para estudar. Hoje mesmo estou disponível, podemos ir depois da escola. – Luan disse sorrindo
— Hoje? – Perguntei
— Sim, hoje minha mãe vai trabalhar a tarde toda, acho que vai encobrir alguém lá no trabalho dela ou alguma coisa assim. Assim vamos sem sermos incomodados.
Por algum motivo.
— Certo então. Hoje é perfeito. – Respondi forçando uma risada.
Eu não consegui dizer “não”.
Ele explicava detalhadamente e tão bem. Mas em alguns momentos eu acabava boiando admirado pelos detalhes do seu rosto ou por simplesmente a matéria ser chata demais.
— Você entendeu? – Ele perguntou
— Hã? Ann... eu entendi, claro, entendi. Nossa, é tão fácil assim. – Falei tentando disfarçar.
— Você não entendeu esse treco né. – Luan falou morrendo de rir.
— Não. Foi mal. – Respondi
Até que ouvimos a campainha tocando.
— Garoto, o que foi que eu te falei naquela noite? – Andressa disse alto caminhando na minha direção.
— O quê? Quando você me ameaçou? – Perguntei
— Ameaçou? Como assim, Andressa explica essa porra agora. – Disse Luan entrando.
— Mentira, foi ele quem me ameaçou Luan. Esse cara é um bosta, não sei o que ele está fazendo aqui. – Ela disse se fazendo de vitima.
— Eu te ameacei? Não foi você quem me disse naquela noite que eu não deveria me envolver com você? – Falei, me levantando.
— ANDRESSA PARA COM ISSO. – Luan se descontrolou
— Eu posso ir embora. Já estudamos bastante, você me ajudou bastante; Obrigado Luan. – Disse eu
— JÁ ERA PARA TER SAÍDO DAQUI QUANDO EU ENTREI. OU MELHOR, NÃO ERA NEM PARA ESTAR AQUI. CACHORRO SÓ APRENDEM QUANDO APANHAM. – Disse Andressa
Logo em seguida ela disparou um tapão na minha cara.
— Seu pedaço de lixo, desaparece das nossas vidas. – Andressa disse
Eu olhava com os olhos arregalados. Estava sem reação.
— Mas para onde foi aquela escandalosa? – Perguntou a mãe de Luan
— Mandei ela ir para casa. Rafic, você tá bem? – Luan perguntou
— AH... – Falei encostando a mão onde levei o tapa. – Eu estou bem. Desculpe por causar problemas.
— Não foi você, foi ela. Ela não vai ter nem coragem de fazer algo assim nunca mais, já conversei com ela agora e deixei bem claro.
— Pois fez foi é mais que sua obrigação de tirar aquela louca varrida da minha casa. – Disse a mãe de Luan – Rafael querido pode continuar, não precisa se preocupar.
— Oh não, não. Melhor eu ir. Acho que não vou conseguir me concentrar mais em estudar. – Falei
— Eu posso te acompanhar até sua casa, é o mínimo que eu posso fazer depois desse rolo todo. A gente pode fazer uma revisão durante o caminho. – Disse Luan
Nos despedimos da mãe de Luan e fomos caminhando lentamente até minha casa.
— Ei Rafic, foi mal por tudo isso. – Luan disse. – Você não tem culpa de nada e ainda leva um tapa desses.
— Bem, do pouco que já a conheço, isso não é algo que tenha me deixado totalmente perplexo. Não é culpa sua, não precisa pedir desculpas pelo erro de outras pessoas.
— Uma das piores coisas que eu fiz na vida foi ter namorado com aquela garota. Pode ver as consequências disso agora. – Ele disse
— Eu não sei como era o relacionamento de vocês antes, mas você gostava mesmo dela? – Perguntei
— Érr... – Ele coçou a nuca. Parecia que nem ele sabia responder essa pergunta. – Bem, eu gostava no começo, só que depois cansou sabe? – Ele disse
— Como não conseguimos estudar muito por culpa dela, eu vou te compensar isso outro dia. O que você acha? – Luan perguntou
— Por mim está perfeito. Haha, sou burro e vou precisar da sua ajuda. – Respondi rindo
— Não precisa se precisa se preocupar com... – Eu disse sendo interrompido por um abraço do Luan.
— Então falou. – Ele disse
— A-Até mais... – Eu respondi, totalmente nervoso e ainda sem acreditar no abraço que ele havia me dado.
Voltei a andar para minha casa sorrindo feito bobo. Ele ficou do meu lado durante esse conflito. Eu não poderia estar mais feliz.
— Oi! – Disse Luan
— Ah, você é aquele garoto que esteve aqui uma vez não é? – Perguntou minha irmã
— Isso, eu já vim aqui. Sou o Luan. – Disse ele
— Sou Mariana. O meu irmão deve estar se trocando ainda do jeito que ele é o maior enrolad...
— CAHAM. – Eu interrompi – Pois eu estou pronto faz milênios, só estava vendo se eu peguei tudo.
— Ahãn sei. – Falei tirando uma com ele
Ainda era surreal como eu havia conseguido convidar o Luan para ir à casa da amiga da Mariana.
— Pena que os pais dela acabaram com tudo. – Luan comentou, enquanto voltávamos para a casa.
— Pois é. Mas mesmo assim deu para curtir bastante. – Afirmei, me lembrando de como foi divertido correr para ele não me derrubar na piscina.
— Com certeza deu. Você quase derrubou sua irmã na piscina e nem percebeu que eu estava me aproximando até te derrubar. – Luan disse começando a rir muito.
— De qualquer forma está cedo. Acho que ainda estaríamos lá se não fosse os pais dela. Mas e se a gente fosse para algum lugar por aí... – Eu sugeri, mas comecei a me arrepender de abrir a boca.
— Claro. E não se esqueça que ainda temos que ver um dia para a gente voltar a estudar de onde paramos. E dessa vez na sua casa.
Começamos a ir em direção ao shopping enquanto conversávamos sobre as coisas legais da festa na piscina ou sobre os professores da escola. Chegamos lá e nos divertimos em uma loja de jogos até minha irmã ligar pedindo para que eu voltasse para casa.
— Poxa vou ter que ir. Valeu Luan por ter vindo comigo. – Falei
— Valeu tu pelo convite. Nenhum outro amigo meu é tão legal quanto você Rafic. – Disse Luan
Isso fez meu coração disparar e ficar sem reação enquanto eu o encarava com uma expressão surpresa.
— Deixa eu te ajudar. – Disse ele tirando meus fones de ouvido.
— V-Valeu. Bem, melhor irmos...
Saímos do shopping e caminhamos juntos até chegar na frente da minha casa.
— Tá com esse cara de novo? – Pedro disse surgindo
— O que você tá fazendo aqui? – Perguntei
— O “cara” tem nome. – Luan respondeu
— Interrompi algo aqui? – Pedro debochou na minha cara.
— Não. – Respondi
Pedro meteu um soco bem forte no rosto de Luan. Luan revidou o chutando na barriga.
Pedro se levantou e meteu outro soco em Luan, que revidou o soco. Os dois estavam prestes a brigar ainda mais, até que não consegui ficar mais parado ali e me coloquei em frente ao Luan e tomei um soco de Pedro no lugar dele.
— JÁ CHEGA. – Eu gritei após o soco na cara. – Vão para casa.
Pedro saiu nervoso e Luan olhou para mim.
— Se machucou? – Ele perguntou
— Eu tô legal. E sua boca? Está sangrando... – Falei
Ele percebeu o corte em seu lábio inferior. Luan se virou e foi embora. Parecia irritado também.
— O dia estava ótimo.... mas alegria de pobre dura pouco. – Sussurrei enquanto o via caminhar para longe.
Não consegui fixar apenas os bons momentos daquele dia...
— Se você falar mais alguma coisa eu soco a sua cara aqui mesmo. – Eu disse
Pedro parou de falar e continuei andando para sala como se nada tivesse acontecido. Assim que entrei na sala, preferi não sentar no mesmo lugar de sempre ao lado de Pedro e roubei o lugar de alguém no fundo da sala.
— Foi mal pelo Pedro. – Eu disse para Luan cruzando os braços. – Eu já briguei com ele.
— Tá de boa. Não sei qual é o problema dele, mas ele deveria resolver de uma forma menos infantil do que chegar daquele jeito.
Luan de repente parou de andar e voltou na minha direção. Ele foi até meu ouvido e sussurrou:
— Você fica fofo com essa cara irritada.
Isso me pegou totalmente de surpresa. Meus olhos arregalaram e um sorriso bobo se abriu. Senti meu coração bater mais rápido.
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