Conectados por laços
44 Lacrimejando
Notas iniciais
— Ei Mari! Tava falando sério? – Samuel perguntou enquanto eu o puxava pela mão.
Assim que voltei á realidade, soltei sua mão e comecei a me arrepender do que havia acabado de fazer. Coloquei a mão na cabeça.
— Você tá legal? – Ele perguntou se aproximando.
— Eu estou bem. Desculpe te puxar por aí dessa forma. Samuel, podemos conversar outra hora? É que me deu dor de cabeça de repente. Prometo que vou te enviar uma mensagem depois. – Falei
— Claro. – Ele disse. – Se quiser eu te levo para casa.
— Não precisa... – Falei forçando um sorriso.
— Tudo bem então. Nos falamos depois. – Disse Samuel animado.
Eu sorri e me virei para ir embora. Eu desfiz um sorriso e comecei a me segurar para as lágrimas não saírem.
Assim que cheguei em casa eu corri para o meu quarto.
— Mariana? – Ouvi minha tia pergunta enquanto eu subia as escadas depressa.
Me joguei de cara no travesseiro.
“Amanda eu vou sair com você.”
Eu estou sendo egoísta... eu sinto falta de quando era a única amiga dele.
— E agora o que eu vou fazer? Tudo isso com a Amanda e agora essa história com o Samuel. O que eu vou falar para a Débora?
Peguei meu celular e pensei em dizer a Débora o que havia acontecido. Principalmente sobre o Samuel. Assim que escrevi a primeira mensagem decidi apagar ela por completo.
— É melhor não envolver mais ninguém. Eu vou sair com o Samuel e encerrar isso com ele. – Pensei.
Guardei o celular e comecei a encarar o teto.
— Mãe... eu queria que você estivesse aqui. O que faria no meu lugar? Como você era com meu pai?
E foi assim por muitas horas.
***
— Para onde você vai? – Eu perguntei ao meu pai.
Eu ainda era pequena. Tinha cerca de sete anos quando o vi pela última vez.
— Mariana... – Meu pai soltou a mala que estava na mão e se ajoelhou colocando as mãos em meus ombros. – Aconteceram muitas coisas. Coisas ruins.
— Que coisas?
— São coisas de adultos. Não se preocupe. – Meu pai disse sorrindo.
— Papai. – Eu disse com a voz chorosa. – Você vai embora?
— Eu apenas vou ir ali. Eu vou voltar. Eu prometo. – Meu pai respondeu.
— Por favor, não vai.
— Cuide de sua mãe. Cuide de seu irmão. Faça isso por mim. – Ele me abraçou.
Meu pai estava nos largando. Eu era tão pequena e sabia disso.
— Papai fica. – Eu comecei a chorar.
— Eu tenho que ir. – Ele se levantou e com seus dedos limpou minhas lágrimas.
— Me prometa que mesmo que as coisas estejam difíceis, não faça como eu. Apenas encare todas de cabeça erguida. – Meu pai disse isso.
Alguém como ele também pode dizer coisas assim.
— PAPAI NÃO. – Eu comecei a gritar enquanto chorava.
— Eu amo você! – Foi à última coisa que eu o ouvi dizer, logo em seguida ele saiu pela porta, a fechou e nunca mais voltou.
— NÃO. – Eu acordei no meio da noite.
Lágrimas começaram a sair pelos meus olhos. Olhei no relógio e eram 4:15 da madrugada.
— Por quê? – Eu não conseguia parar de chorar.
— Mariana? – Ouvi minha tia abrir a porta.
— Tia... – Eu disse em meio ás lagrimas.
— O que está acontecendo? Por que está chorando? – Minha tia se sentou do meu lado na minha cama preocupada.
— Eu tive um sonho com o meu pai. Ele estava nos abandonando. – Comecei a falar ao mesmo tempo em que chorava amargamente.
— Oh... você não foi abandonada. Nenhum de vocês foram. Eu e seu tio estamos aqui e sempre estaremos prontos para ajudar vocês dois. – Minha tia disse.
— Mana? – Eu ouvi Rafael entrar no quarto também.
— Rafael volte para a cama. – Disse minha tia
— O que ela tem? Eu quero saber. – Rafael perguntou enquanto se aproximava.
— Nosso pai nos abandonou. Ele disse que voltaria e nunca voltou. Eu o odeio tanto... – Eu disse.
Eu não conseguia mais parar de chorar. O que tem de errado comigo?
— Não adianta chorar por causa daquele... – Rafael parou o que iria dizer.
— Mariana, eu prometo que enquanto eu e seu tio estivermos aqui, sua mãe e seu pai seja lá onde aquele homem está hoje não precisam ficar preocupados com vocês. Nós estaremos cuidando de vocês dois de coração. Eu quero muito o bem de vocês e quero ver o futuro brilhante que aguarda vocês dois. – Disse minha tia.
— Assim um dia sua mãe estará olhando orgulhosa de vocês. E eu não vou poder estar mais feliz! – Completou ela.
Eu continuava chorando e Rafael deu alguns tapinhas nas minhas costas.
— Você está certa! – Eu disse tentando parar com esse choro idiota. – Eu sinto muito por acordar vocês.
— Não precisa se desculpar. Eu sempre estarei disposta a ajudar vocês, não importa a situação, hora ou circunstância. – Disse minha tia.
— Obrigada! – Eu disse.
Após chorar um pouco me senti bem melhor. Abracei os dois que estavam ao meu lado e estava ciente de que iria demorar para conseguir dormir novamente.
***
No dia seguinte minha tia me deixou não ir à aula. Por sorte era sexta-feira. Percebi que as meninas me mandaram algumas mensagens, Samuel também me mandou mensagem.
“Vc tá bem msm?” – Ele escreveu
“Estou s. Samuel, vms nos encontrar amanhã no shopping.” – Eu digitei
Logo em seguida larguei meu celular do lado. Eu preciso me afastar do Samuel para não chatear a Débora. Eu preciso dizer logo para o Thomas o que eu sinto por ele. Há tantas coisas que eu devo fazer.
Percebi o celular vibrando.
“O.k
To tão feliz agora :)
Prometo q vc vai gostar
Obg por aceitar” – Samuel estava enviando várias respostas.
Acabei rindo pelo jeito rápido que ele visualizou e respondeu. Ele é mesmo uma pessoa boa. Por que não me apaixonei por ele? Por que logo o Thomas?
Assim que o sábado chegou me preparei mentalmente para o que iria dizer ao Samuel. Eu teria que tomar cuidado com as palavras para não o deixar chateado. Mas eu precisava deixar claro que eu gosto do Thomas.
Eu deveria dizer para ele repensar sobre a Débora e como ela é uma ótima pessoa. Embora eu ainda estivesse hesitando se deveria incluir ela nisso.
Já era seis da tarde, eu já estava pronta. Recebi uma ligação do Samuel.
— Está tudo certo? – Ele perguntou
— Está sim! Eu estou indo para o shopping agora mesmo. Onde você vai estar? – Eu perguntei
— Bem... Olha na janela.
Fui até a janela e me deparei com Samuel ali fora. Com o celular na orelha e sorrindo animado.
— Uh? – Eu fiquei surpresa com ele ali. Desliguei a ligação e corri para fora.
— Por que não disse que estava aqui? Eu teria saído mais cedo! – Eu disse
— Não queria te apressar. – Ele disse sorrindo. – Vamos?
— Vamos. – Eu disse
Eu estava me sentindo nervosa enquanto caminhávamos para o shopping. Samuel percebeu isso e começou a puxar assunto sobre filmes e séries que ele estava vendo ou tinha visto no momento.
Assim que chegamos o shopping estava realmente cheio. Muitas pessoas costumam sair mesmo sábado á noite. Normalmente eu estaria enfiada em casa e pediria uma pizza.
— Você tá com fome? Quer ir comer na onde? – Samuel perguntou
— Sei lá, haha. – Falei – Onde você costuma ir?
— Hm... no BK. – Samuel respondeu
— Vamos então. – Falei, começando a caminhar.
— Demos sorte da fila não estar muito cheia. – Falei, enquanto escolhia algum lanche.
— Real. Ás vezes isso aqui tá tão cheio que é melhor trazer uma barraca e passar a noite. – Disse Samuel brincando.
Começamos a rir. Havia me esquecido de como o Samuel era divertido.
Insisti para ele não pagar o meu lanche, mas ele quis mesmo assim. Nos sentamos lá dentro e começamos a conversar sobre coisas aleatórias.
Parecia tanto como quando saímos naquela noite. Mas dessa vez ele estava me acompanhando como alguém que... queria ser meu namorado.
Assim que saímos do BK, me lembrei do real objetivo de ter aceitado sair com ele.
— Quer fazer alguma outra coisa agora? – Perguntou Samuel
— Ah... – Eu respondi. Precisava dizer nesse exato momento.
— Espera aí. – Disse Samuel – Aquela ali não é a Amanda?
Samuel apontou para uma garota de cabelo preso, e uma roupa elegante. Amanda estava ali caminhando com o Thomas.
— EI. – Samuel gritou para eles ouvirem.
Amanda percebeu o grito e olhou para trás. Nos percebendo ali. Eu não sabia nem que cara fazer. Amanda acenou sorrindo e logo depois abraçou o Thomas.
—.... – Eu estava observando aquela cena sem saber o que fazer.
Amanda não quis vir na nossa direção, ao invés disso ela pegou a mão de Thomas e continuou andando.
— Né que eles vieram mesmo? – Samuel disse
Aquilo era a gota d’água. Eu queria simplesmente dar um berro no meio de tantas pessoas ali no shopping.
— Eu.... eu vou embora. – Falei prestes a começar a chorar novamente.
— Mari...
Me virei e comecei a andar rápido para sair do shopping. Não consegui terminar de ouvir o que Samuel iria dizer, pois as lágrimas já estavam saindo.
Percebi que Samuel vinha atrás de mim.
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