Quando se levantou pela manhã Alice estava sentindo um leve incômodo na boca do estômago. Algo apertava e torcia seu estômago de uma forma selvagem. Ela gemeu de dor e nesse momento veio-lhe a primeira lembrança do sonho da noite passada. Ela passou a mão em sua testa e notou que estava encharcada de suor.

Ela levantou-se irritada e dolorida e caminhou em direção à janela, abriu rapidamente e sentiu a brisa de verão inundar o quarto. O sol de cinco e meia da manhã iluminava todo o quarto e as paredes brancas ganhavam um toque alaranjado. Ela sorriu. Algo que não fazia havia muito tempo.

É apenas tensão, ela disse para si mesma, a mão ao redor do estômago. Preciso apenas de um remédio e estarei ótima novamente. A pequena receita caseira de sua tataravó lhe acalmava. Alice estava com uma energia inexplicável hoje. E estava feliz com isso. Ela caminhou rodopiando pelo quarto e parou de frente ao espelho vitoriano. Estava se vendo e a garota que resplandecia no espelho não se parecia com ela. Era um espelho luxuoso, laqueado na cor preta cadilac, tinha a moldura em resina laqueada, com uma pintura em alto brilho.

— Alice!? — a voz soou da cozinha e Alice sabia quem era.

Ela correu até a porta do quarto e gritou pelo corredor:

— Já vou tia.

— Anda logo, ou irá se atrasar.

Alice pegou um pente na segunda gaveta de sua cômoda, passou pelo sedoso cabelo preto enquanto que com a outra mão ia amarrando-o em um rabo de cavalo. Depois foi até seu guarda-roupa onde escolheu um top rosa e um short branco. Em seguida pegou um batom incolor em sua bolsinha vermelha e passou nos lábios levemente. De acordo com o relógio pendurado em cima da porta de madeira ela não tinha tempo para mais nada, exceto, para um rápido café da manhã.

Desceu rapidamente as escadas puxando a mochila de cima do pequeno sofá ao lado da porta do quarto e se dirigiu a cozinha. Na cozinha, tia Judith corria apressadamente para a mesa com uma garrafa de vidro de café, depois das 15h00 aquele líquido negro iria para o esgoto. A tia sempre fazia muito café e quase ninguém bebia. Tia Rob entrou logo em seguida, estava de terno ele trabalhava em uma das salas do Prefeito Dallas e recebia algo muito bom por isso.

— Bom dia — disse ele sussurrando passando a mão na cabeça de Alice. Depois caminhou e apertou as bochechas de Julie, a irmã de Alice, tinha apenas quatro anos e era quase igual à irmã, porém seus cabelos eram loiros e cacheados nas pontas. Depois tio Rob caminhou até tia Judith e lhe plantou um beijo na boca.

Alice virou o rosto e mesmo não olhando ela viu que Julie tivera feito uma careta e fechado os olhos.

Tia Judith e Rob deram gargalhadas.

Alice se levantou com um sorriso enquanto engolia o último pedaço de pão.

— Tudo bem, eu já estou indo antes que me atrase mais — ela falou colocando a alça da mochila por cima do ombro.

— Alice — sussurrou tia Judith com sua voz melancólica persuasiva —, você mal comeu. Só um pãozinho? Não vai se sustentar assim docinho...

— Eu comerei mais na escola tia — Alice disse e quando viu que tia Judith não tivera acreditado, acrescentou: — Eu prometo.

— Tudo bem, então. — Disse tia Judith e voltou a comer.

Alice sorriu, plantou um beijo na testa da tia, deu um beliscão na bochecha de Julie e deu uma leve palmadinha no ombro de tio Rob. Depois abriu a porta e saiu. A Rua Ally estava vazia e com uma leve ventania. O sol ainda estava aparecendo. As casas vizinhas estavam silenciosas, ninguém caminhava a essa hora da manhã. Alice olhou para a alta casa da frente e viu a velha Sra. Fall em seu quarto. Estava remexendo na cortina e quando viu Alice seus olhos cobertos por rugas se arregalaram e ela fechou a janela gritando. Novamente a lembrança do sonho com a antiga casa dos Fall que ficava no cemitério, e a antiga história que contavam vagou em sua mente.

— Caídos na sala com os olhos abertos! Gelados!Arregalados! Oh, Deus!

A polícia foi chamada e Magic Fells inteira fervilhou de espanto, curiosidade e mal disfarçada excitação. Ninguém gastou fôlego em fingir tristeza com o que acontecera aos Fall, porque eles eram muito impopulares — e por serem ricas e donos de mais da metade das terras não se envolviam com os vizinhos. Os velhos Sr. e Sra. Fall tinham sido ricos, esnobes e grosseiros, e seu filho adulto, Tyler, era tudo isso em grau maior. A preocupação de todos que moravam em Magic Fells era a identidade do assassino — pois não havia dúvida de que três pessoas aparentemente saudáveis não poderiam ter morrido, na mesma noite, de causas naturais.

O Sem Rumo, o bar mais movimentado da cidade, faturou sem parar aquela noite; os habitantes do povoado apareceram em peso para discutir a matança. Foram recompensados por terem deixado o conforto de sua lareira, quando a cozinheira dos Fall apareceu teatralmente e anunciou para o bar, repentinamente silencioso, que um homem chamado Lyman Sales acabara de ser preso.

— Lyman! — exclamaram várias pessoas. — Nunca!

Lyman Sales era o capataz dos Fall (Na época ele fora contratado para tomar conta das terras e dos gados da família Fall). Morava sozinho em uma casa malcuidada na propriedade dos patrões. Voltara da guerra com uma perna dura e uma intensa aversão por ajuntamentos e barulhos, e, desde então, trabalhava para os Fall.

Houve um corre-corre geral para pagar bebidas para a cozinheira e ouvir maiores detalhes.

— Sempre achei que ele era esquisito — disse a mulher aos ouvintes ansiosos, depois que outra mulher deu sua opinião sobre o caso. — Assim, antipático. Tenho certeza de que não ofereci a ele só uma xícara de chá, ofereci bem umas cem. Nunca quis se misturar, nunca mesmo.

— Ah — disse uma mulher sentada ao balcão —, mas ele passou muito sofrimento na guerra, e gosta de uma vida tranquila. Isso não é razão...

— Quem mais tinha a chave da porta dos fundos, então? — vociferou a cozinheira que até o momento estava fritando uma porção de carne. — Desde que me entendo por gente, sempre teve uma chave de reserva pendurada na casa do capataz! Em caso de assalto ele entraria com uma arma. Ninguém forçou a porta ontem à noite! Não tem janelas quebradas! Lyman só precisou entrar escondido na casa grande enquanto a gente dormia...

As pessoas trocaram olhares tenebrosos.

— Eu sempre achei que ele tinha um jeito ruim, e não me enganei — resmungou um homem junto ao balcão.

— Foi a guerra que deixou ele esquisito, se querem saber a minha opinião — disse o dono do bar, o senhor Dot.

— Eu disse que não queria desagradar a Lyman, não disse, Dot? — falou uma mulher agitada a um canto.

— Gênio terrível — concordou Dot acenando a cabeça com vigor. — Me lembro de quando ele era criança...

Na manhã seguinte, quase ninguém em Magic Fells duvidava que Lyman Sales tivesse matado os Fall.

Mas na cidadezinha vizinha de Magic Fells, na delegacia de polícia escura e feia e mais desorganizada, Lyamn teimava em repetir sem parar que era inocente e que a única pessoa que ele vira perto da casa, no dia da morte dos Fall, fora um adolescente estranho, de cabelos negros e rosto pálido. Ninguém mais no povoado vira o tal garoto e a polícia não tiveram dúvidas de que Lyman o inventara.

Então, quando as coisas estavam ficando muito feias para Lyman, chegou o laudo sobre os cadáveres dos Fall e tudo mudou.

A polícia nunca vira um laudo mais esquisito. Uma equipe de legistas examinara os corpos e concluíra que nenhum dos Fall fora baleado, envenenado, esfaqueado, estrangulado, sufocado ou, pelo que sabiam, sofrera qualquer violência. Com efeito, continuava o laudo, em tom de inconfundível perplexidade, os Fall, tirando o fato de que estavam mortos, pareciam gozar de perfeita saúde. Os legistas observaram (como se estivessem decididos a encontrar alguma coisa errada nos cadáveres) que cada membro da família tinha uma expressão de terror no rosto — mas, segundo afirmava a frustrada polícia, ninguém poderia fritar os órgãos por dentro sem sofrer nenhum dano que se exponha alguma queimadura e os corpos da família Fall estavam em perfeito estado e o coração fora arrancado sem abrir o corpo e como não havia a menor prova de que os Fall tivessem sido assassinados, a polícia foi obrigada a soltar Lyman. Os mortos foram enterrados no cemitério da igreja de Magic Fells e, por algum tempo, suas sepulturas se tornaram alvo da curiosidade geral. Para surpresa de todos, e acompanhado por uma nuvem de desconfiança, Lyman Sales voltou para sua casinha na propriedade dos Fall.

— Para mim, foi ele quem matou a família e não me interessa o que a polícia disse — comentou Dot no Sem Rumo. — E se ele tivesse um pingo de decência, iria embora daqui, sabendo que a gente sabe que foi ele.

Mas Lyman não foi embora. Ficou para cuidar das terras para a família que veio morar logo depois na Casa dos Fall, e para a próxima — porque nenhuma das duas se demorou muito. Em parte, talvez tenha sido por causa de Lyman que cada proprietário dizia que o lugar dava uma sensação desagradável e, por falta de moradores, acabou se desmantelando.

O ricaço que era o atual dono da Casa dos Fall nem morava lá nem dava um destino a casa, diziam no povoado que ele a mantinha por "causa dos impostos", embora ninguém entendesse muito bem o que significava isso. E o ricaço continuou a pagar a Lyman para cuidar da jardinagem. Ele agora se aproximava do seu septuagésimo sétimo aniversário, muito surdo, a perna mais dura que nunca, mas era visto trabalhando pelas terras quando fazia bom tempo, embora o mato já começasse a levar a melhor e os gados já estivessem todos mortos.

Alice olhou para a casa ao lado, sentado ma calçada agora havia um homem. Ele tinha pouco cabelo na cabeça e os poucos fios que tinha eram grisalhos. Estava fumando um cachimbo desgastado pelo tempo, era gordo e tinha um grande bigode que também era branco. Uma perna estava esticada enquanto outra apoiava o seu braço. Era o Sr. Lyman Sales. Depois de um longo tempo morando na casa dos Fall na terra do cemitério, os moradores que viviam nas terras aos lados começaram a vir para a cidade, e nem mesmo ele conseguiu ficar lá por muito tempo. Acabou abandonando as terras.

Hoje ele morava sozinho em uma casa que os descendentes da família Fall lhe deram de presente por muito tempo de trabalho. Era um velhinho infeliz que passava a metade do dia sentado na calçada fumando seu cachimbo, já estava enlouquecendo e ficava se balançando enquanto estava sentado. Sua perna dura não se movimentava como um osso normal.

Alice começou a caminhar, calmamente. Já tivera falado com o Sr. Lyman antes, mas havia anos. Antes, quando pequena ela sempre brincava com o Sr. Lyman. Ele gostava de Alice e a chamava de “minha menina” e “menina do cabelo bom”. Alice sempre ria desses apelidos até hoje. Mas depois de um tempo, houve uma grande confusão. A Sra. Ranger começou a discutir com os pais de Alice por ele permitir que ela brincasse com um assassino. Alice se lembra de ter chorado bastante pelos pais terem brigado com a sra. Ranger.

— Não menininha — Alice ouviu as palavras voltarem em sua cabeça como um filme —, eu vou ficar bem, minha menininha. Já estou acostumado com a rejeição depois de tudo que aconteceu há alguns anos.

Depois disso, o Sr. Lyman foi embora de Magic Fells e passou alguns anos fora. Algumas pessoas diziam que ele tivera ido para a casa de uma irmã em outro estado, outros diziam que ele tinha ido para a Bahamas. Depois de alguns meses a Sra. Ranger morreu da mesma forma que os Fall e ficou comprovado que o Sr. Lyman não era o assassino. Porém, algumas pessoas não deixavam de acreditar que ele tinha alguma culpa.

Depois de três ou quatro anos o Sr. Lyman voltou e ninguém sabe explicar o porquê ele está assim. Perturbado. Meio louco. Alguns dizem ser por conta da idade. Alice pensa diferente, ela acha que algo aconteceu nesses quatro anos distantes de Magic Fells.

Alice começou a caminhar, ela passou um pouco tímida, mas ela tinha vontade de falar com o Sr. Lyman, porém tinha medo do que poderia acontecer. Ela não sabia se ele ainda lembrava-se dela. Afinal, Alice tinha o cabelo mais claro agora estava mais escuro.

A calçada era estreita e Alice teve que passar por perto do Sr. Lyman. Ela não iria conseguir não falar nada. Isso não era muito agradável. Ela não conseguiria. E não conseguiu. Alice levantou a cabeça e sorriu, os dentes brancos ficaram a mostra.

— Olá Sr. Lyman — disse Alice e se aproximou do Sr. lyman —, lembra de mim?

Assim como uma pantera que sente o cheiro de carne e pula em cima, o Sr. Lyman fez. Ele se alarmou ao ouvir a voz de Alice e seus olhos azuis ficaram vermelhos. Suas mãos enrugadas pularam em cima de Alice e ela se chocou contra o chão.

Alice gritou, estava com medo. Agora ela sentia um pó negro cair sobre o seu rosto e viu que era o fumo do cachimbo do Sr. Lyman. Ela gritou mais ao sentir as cinzas ainda quentes se espalhar e queimar seu rosto. Ele era louco. Ou um assassino...

E ela teria que se livrar dele se quisesse continuar viva.

Alice estava sendo sufocada. A grande mão enrugada do Sr. Lyman estava em sua garganta, bloqueando sua respiração. Ela precisava fazer alguma coisa. Ela teria que fazer alguma coisa. Ela não poderia mais gritar. Não tinha mais voz — e breve não teria mais vida, sussurrou algo em sua mente — até que avistou uma pedra. Era a única coisa que poderia lhe ajudar agora. Sua mão foi se esquivando. Os dedos magros se esticando em busca de alcançar a pedra. Ela estava contando o tempo que conseguiria suportar, e era muito pouco.

Cinco...

Ela começou a se contorcer para o lado, para que sua mão pudesse alcançar a pedra. A pedra era pequena, porém pesada. Derrubaria o Sr. Lyman brincando. Derrubaria antes que ele a derrubasse para a morte.

Quatro...

Alice sentiu algo molhado tocar seu rosto e percebeu que estava chorando. Não porque estava com medo. Na verdade ela estava com medo, mas as lágrimas saíam pelo motivo de ela estar sendo sufocada até a morte. E sua mão não chegava até a pedra.

Três...

Alice sentiu algo áspero em sua mão e percebeu que finalmente tivera conseguido pegar a pedra. Ela quase arfou — se tivesse fôlego. Segurou a pedra entre a mão. Então com todo o medo de morrer que sentiu ela ergueu a mão e lançou a pedra contra a nuca do Sr. Lyman.

Dois... Um...

Ela estava viva. Alice se levantou, olhando o corpo do Sr. Lyman, ele estava se debatendo no chão, e no local onde ela tivera acertado com a pedra estava sangrando. Ela começou a correr, sem olhar para trás, com medo de que ele se levantasse e corresse atrás dela novamente.

Da próxima vez ela iria com o carro de tia Judith, Alice decidiu. Ainda estava tremendo, e de certa forma, assustada com o que tivera acontecido. O Sr. Lyman quase a matou e ela nem sabia o por que. Alice bufou e colocou as mãos nas pernas apoiando a cabeça para baixo. Estava cansada. Exausta. E nem tinha entrado na escola ainda.

Alice olhou no celular, marcava 07h15 — o que significava que estava atrasada. Ela não conseguiria encontrar o portão principal aberto, o que significava que teria que entrar pela secretaria e dar algumas desculpas para que pudesse ter a permissão aprovada na escola.

Ela começou a caminhar e avistou de longe, numa parede descascada as palavras: E.E JOAQUIM MOREIRA BERNARDES. Estava na escola — ou na calçada dela. Passou pelo portão principal que estava fechado como imaginara e entrou pelo portão estreito na segunda curva da escola. Dentro da secretaria tinha uma parede com uma janela que ocupava todo espaço e em cima da janela o nome: “Atendimento”. Não tivera sido só Alice que perdera a hora, tinha uns 7 alunos na sua frente.

BIIIIIIPP’.

Alice conhecia esse toque. Era quando o portão automático era aberto e eles poderiam passar. Poderiam entrar e ir para as suas salas normalmente. Um aluno de cabelo cacheado e grande empurrou o portão e uma fila entrou na frente dele.

Mas assim?, Alice estava pensando. Sem nenhuma pergunta do tipo: “Porque você se atrasou?” ou “Não irei permitir sua entrada, sua desculpa não me engana!”. Alice não conseguia acreditar que já estava dentro da escola. Estava subindo a escada circulatória e agora estava indo em direção a sua sala.

O bom de nascer em uma cidade e permanecer nela para o resto da vida é que todos lhe conhecem. Mas Alice tinha outro motivo para ser reconhecida na escola. Um motivo mais drástico. Mais comovente. E enquanto andava ela ouvia pessoas dizendo “Olá Alice” ou um “Oi Alice” ou de pessoas que falavam “minha nossa como ela está linda, aaahh, olá Alice!”

Sua sala ficava para o lado esquerdo do corredor, quase a última sala. E de longe ela pode ver alguém na porta. Era sempre assim. Isso significava que não tinha professor na sala ainda. Alice ficou feliz. Na porta tinha uma menina sorridente de cabelos cacheados em tom marrom usando roupas da última moda. Vanessa. A melhor amiga de Alice.

— Alice — disse Vanessa e correu para um abraço —, senti tanta sua falta!

— Eu também — disse Alice sentindo prazer no abraço caloroso de Vanessa. — Ah, que abraço gostoso — ela disse sorrindo.

— Fazer o quê — disse Vanessa empurrando Alice com um sorriso — Todo mundo gosta do abraço de uma Africana — disse Vanessa e deu uma gargalhada enquanto fazia a coreografia do Waka-Waka da Shakira.

Alice olhou por sobre o ombro de Vanessa, para dentro da sala. Tinha rostos novos. Pessoas que ela não conhecia, mas que quando soubessem o que houve com ela há alguns meses viriam tentar agradar e ter sua amizade assim como todos os outros. Mas entre os rostos novos ela sentiu falta de um bem velho.

— E onde está Meredith?

Vanessa deu uma gargalhada como se tivesse se esquecido de dizer algo engraçado.

— Meredith está com raiva, coitada — disse ainda rindo —, a única das veteranas que caiu em sala separada. Acho que a Sra. Halpern não gostou da confusão que teve com ela no ano passado.

— Oh, meu Deus — Alice riu mesmo sabendo que isso era errado.

— Acho que ela não gosta muito de sair por baixo em uma discursão.

— Realmente — concordou Alice e as duas riram juntas novamente.

Nesse momento uma mulher com óculos de meia lua e cara enrugada apareceu atrás delas, estava segurando livros com o nome de: “O livro Inspirador as Inspirações” gravado na capa. A mulher sorriu para elas enquanto as colocavam na sala. Em seu crachá estava escrito: “Sophia – Professora substituta”.

— Bom dia classe — ela disse e seu sorriso fazia os alunos se lembrarem de um hamster. — Meu nome é Sophia e o professor Hazell faltou hoje e então estou como substituta. Espero que gostem da aula.

“Com você aqui? Difícil!”, alguém falou no fundo da sala e todos os alunos explodiram em risadinhas. Assim como o sorriso surgira no rosto da professora Sophia, desapareceu, e seus olhos estavam cobertos de fúria. Ela andou até a porta e a abriu indelicadamente.

— Se alguém estiver incomodado que saia agora — ela bracejou.

Todos se calaram e ficaram quietos.

— Ótimo — seu tom de voz mudou, ela sorria como um rato, sua voz era infantil. Sua raiva desapareceu como se nada tivesse acontecido. — Agora — disse ela e começou a colocar os livros nas mesas dos alunos, desfilando entre as fileiras de cadeiras — abram o livro na página 244.

Houve farfalhar de folhas e todos os livros estavam abertos na mesma página. Todos os alunos estavam entediados.

Alice começou a ler o texto que tinha como título: “Mito da Caverna de Platão”.

— Não pedi que ninguém começasse a ler ainda — disse a professora e quando Alice ergueu o rosto os olhos de Sophia estavam fuzilando-a.

Alice não voltou a olhar o livro.

— Muito obrigada — ela deu uma risadinha irritante —, pois bem — continuou andando pela sala — todos aqui conhecem o Platão?

Ninguém respondeu. Seu tom de voz ficou mais severo quando falou:

— Quem conhece levante a mão!

Todos os alunos levantaram a mão, alguns tremiam de medo. Hércules, um menino com cabelos loiros, espinhas, aparelho e nerd que estava de frente a ela, quase chorou quando ergueu a mão.

— Irei falar com vocês nessa aula de Filosofia sobre a Alegoria da Caverna — quando todos os alunos estavam com os olhos fixos na professora, ela começou: — Imagine alguns homens vivendo em uma moradia em forma de caverna, com uma grande abertura do lado da luz. Encontram-se ali desde a sua meninice, presos por correntes que os imobilizam totalmente e de tal modo que não podem nem mudar de lugar, nem volver a cabeça e não veem mais que aquilo que lhes está na frente. A luz lhes vem de um fogo aceso a uma certa distância, por trás deles, em uma eminência do terreno. Entre esse fogo e os prisioneiros há uma passagem elevada, ao longo da qual imagine-se um peque­no muro, semelhante aos balcões que os ilusionistas levantam entre si e os assistentes e por cima dos quais mostram seus prodígios. Pensa agora que ao lado desse muro alguns homens levam objetos de todos os tipos. Tais objetos são levados acima da altura do muro e os homens que os transportam alguns falam, outros seguem calados. — Ela começou a caminhar entre os alunos, falando com a voz infantil enquanto encarava-os — Os prisioneiros, nessa situação, jamais viram outra coisa senão as sombras, jamais ouviram outra voz senão os ecos que reboam no fundo da caverna. Falarão das sombras como se fossem objetos reais, terão os ecos como vozes verdadeiras. Esses estranhos prisioneiros são semelhantes a nós, homens. Pensa agora no que lhes acontecerá se forem libertados das cadeias que os prendem e curados da ignorância em que jazem. Se um dentre eles se levantarem e volver o pescoço e caminhar, erguendo os olhos para o lado da luz, certamente tais movimentos o farão sofrer e a luz ofuscar-lhe-á a visão e impedirá que ele veja os objetos cuja sombra enxergava há pouco. Ficará deveras embaraçado e dirá que as sombras que via antes são mais verdadeiras que os objetos que são agora mostrados. E se tal prisioneiro, arrancado à força do lugar onde se encontra for conduzido para fora, para plena luz do sol, por acaso não ficaria ele irritado e os seus olhos feridos? Deslumbrado pela luz, porventura não precisaria acostumar-se para ver o espetáculo da região superior? O que a princípio mais facilmente verá serão as sombras, depois as imagens dos homens e dos demais objetos refletidos nas águas, e finalmente será capaz de veres próprios objetos. Então olhará para o céu. Suportará mais facilmente, à noite, a visão da lua e das estrelas. Só mais tarde será capaz de contemplara luz do sol. Quando isso acontecer reconhecerá que o sol governa todas as coisas visíveis e também aquelas sombras no fundo da caverna.

A professora parou, de frente a sala. Tirou os óculos e os pôs na mesa.

— Agora diante dessa minha... Explicação — deu outra risadinha de hamster — Alguém poderia me dar um resumo oralmente? — ela esperou os alunos se resolverem e alguém erguer a mão, porém ninguém fez isso. — Vou fazer melhor, se ninguém responder, irei baixar a média de todos para 5.

Todos começaram a reclamar.

Alguns diziam: “Você não pode fazer isso”, outros gritavam: “Está louca?” e alguns diziam: “Você não poderia fazer isso conosco eu falaria com a diretora”.

— SILÊNCIO! — A voz da professora se destacou na dos alunos —, quem está dando aula aqui sou eu, e quem decide o que fazer com vocês e com suas notas disciplinares sou eu.

Todos se calaram.

— E como eu estava dizendo, ou alguém me faz um resumo ou eu tiro cinco pontos de cada um.

Uma vez quando estava na primeira série Alice ouviu sua professora lhe contar uma história. Ela colocou Alice de frente ao quadro-negro e colocou palavras em cada lado da lousa e perguntou a Alice se ela conseguia dizer o que estava escrito. Alice disse que não, que ela só conseguia enxergar a sua frente, então a professora foi afastando-a do quadro-negro e ela pôde enxergar o que realmente estava escrito. Isso era parecido.

Alice levantou a mão.

— Oh — disse a professora com a sua voz surpresa e infantil —, alguém decidiu salvar a classe. Como você se chama benzinho?

— Alice...

— Alice do quê? — perguntou antes que Alice pudesse dizer.

— Alice Curie, senhora.

— Oh, Alice Curie — ela caminhou até a mesa e escreveu algo em um papel —, então Alice Curie o que você me diz a respeito da Alegoria da Caverna?

Alice respirou fundo.

— Minha explicação é sobre a Alegoria da Caverna no mundo real e...

— Foi exatamente isso que eu pedi querida — ela sussurrou —, ande. Continue. Fale-me — ela deu mais um sorriso.

— A caverna subterrânea é o mundo visível. O fogo que a ilumina é a luz do sol. O prisioneiro que sobe à região superior e contempla suas maravilhas é a alma que ascende ao mundo inteligível. E o que eu penso, mas só Deus sabe se é verdade. Em todo caso, eu creio que nos mais altos limites do mundo inteligível está a ideia do bem que dificilmente percebe­mos, mas que ao contemplá-la, concluí­mos que ela é a causa de tudo o que é belo e bom.

— Oh, correto — disse a professora Sophia e não pareceu contente com isso —, Alice Curie — ela falou novamente entre dentes. Como se estivesse decorando esse nome. Como se esse nome fosse lhe dar problemas.

— Me chamou senhora?

— Oh, não. — Ela riu e o sinal tocou. — Isso não é o intervalo só para lembrá-los — ela disse quando um grupo de alunos começou a ir em direção a porta. — Apenas acabou a primeira aula, na quinta aula eu estarei de volta.

Houve um coral de alunos decepcionados.

Alice permaneceu em seu lugar, sentada e balançando uma caneta de um lado para o outro. Ela viu a professora pegar suas coisas e sair pela porta sendo escondida pela grande multidão de alunos amontoados no corredor. E no mesmo instante entrou outro professor, e Alice percebeu que seria mais uma aula entediante.

Depois de mais três aulas entediantes, o sinal tocou e os alunos do Ensino Médio desceram para o intervalo. Alguns empurrando quem estava na frente, outros com a cara fechada. Nem todos se enturmavam, alguns eram infelizes, preferiam não falar com ninguém. Outros ficavam entre amigos, grupos fechados.

Alice desceu com Vanessa, a garota estava feliz e não parava de falar um minuto sequer. Quando passaram pela escada circulatória e desceram para o primeiro piso, uma menina de cabelo castanho e uma pele branca como porcelana estava esperando por elas. Estava com um biquinho plantado na boca e batendo levemente o pezinho como prova de irritação. Meredith.

— Aliceee! — disse correndo para um abraço —, que saudades.

— Realmente — disse Vanessa e pôs os braços ao redor das garotas.

Alice sentiu saudades do abraço de Meredith. Era forte e de certa forma, acolhedor. Alice sentiu saudades de Meredith mais do que qualquer outra garota. E ela sabia que a garota sentira o mesmo.

— Tudo bem, agora vamos indo para o pátio antes que as inspetoras nos deem ma bronca por estarmos parando o trânsito — disse Meredith de forma extrovertida.

Alice tivera esquecido. Quando soava o alarme os alunos desciam e caminhavam para um grande auditório escuro com paredes azuis-escuros. Todos se sentavam em grandes bancos de cimentos que era coberto por uma tinta a óleo. Os alunos nunca chamava o local de “Auditório” ou “Pátio” alguns deram um apelido para o local. O chamavam de “O Caixote”. Ele era escuro e quadrado e não tinha saída de emergência a não ser, é claro de volta as salas de aula.

Depois de alguns meses o apelido pegou e ninguém conhecia o local como Pátio, era sempre O Caixote. Alice caminhou para o final do caixote e sentou-se com Vanessa de um lado e Meredith do outro.

— Oh — exclamou Vanessa quando se sentou —, advinha o que eu aprendi nessas férias de Verão?

Antes que Meredith ou Alice pudesse dar alguma opção ela gritou:

— Feitiços!

Alice e Meredith trocaram olhares.

— É sério, tá? Meu tio tem um livro que se chama “As mágicas de um Mágico” e nele ensina perfeitamente a fazer alguns feitiços do bem.

Alice e Meredith explodiram em risadinhas.

— As mágicas de um Mágico? — Alice deu uma gargalhada enquanto Meredith repetia —, isso tá mais para truques hein. Onde ele comprou esse livro? Na Loja mágica da Magia?

— Podem rir, tá? Mas é verdade. — Ela abriu um livro grosso revestido por uma capa de couro grossa — Olhem só, alguns feitiços são fáceis, como esse aqui — ela passou a mão em uma linha de palavras —, me dê a sua mão — ela disse para Alice e puxou a mão da garota — Esse é fácil é para ver o futuro só preciso dizer uma palavrinha — ela tocou a mão de Alice e recitou: — Ostende Mihi.

Com os olhos fechados ela passava a mão vagarosamente pela palma da mão de Alice, os dedos dançando levemente. Com um súbito gesto ela arregalou os olhos como se tivesse visto algo perigoso. Algo que estava além da imaginação.

— Eu... Vejo... Eu vejo um velho, ele estava te agarrando, mas parecia que ele estava tentando te matar, e você se defendeu, você pegou uma pedra, mas ele queria apenas te ajudar, ele quer te ajudar, mas é tarde demais, ele se foi. Ele está aqui. ELE ESTÁ AQUI!!! — Vanessa caiu no chão.

Alice ficou horrorizada. De quem ela estava falando? Sr. Lyman? Mas como ele estava ali? Alice olhou ao redor procurando por ele, olhando em cada canto do Caixote. Mas não tinha ninguém lá, exceto os alunos.

Alice pôs Vanessa no banco novamente.

— Está tudo bem?

— Hãn? — Vanessa pareceu um pouco confusa. — Por que não estaria?

— Não sei... Talvez porque você caiu no chão e...

— O quê? Está maluca? Eu não caí não.

— Não, Vanessa, você caiu sim — intrometeu-se Meredith depois de um bom tempo.

— Não sei do que vocês estão falando, não me lembro de nada.

— Como assim? — perguntou Alice — Você acabou de cair no chão, disse que ia ver meu futuro e disse algo sobre um velho — ela não quis confirmar a visão com o Sr. Lyman — E depois caiu no chão.

— Olha, me desculpem, mas não me lembro de nada disso.

— Se não se lembra, pode me explicar como o livro foi parar ali? — Perguntou Meredith apontando para o livro As Mágicas de um Mágico que estava arremessado no chão em uma distância que só poderia ter alcançado se jogado por alguém.

— Vocês o jogaram — afirmou Vanessa.

— Está louca?

— Você bebeu?

— Calma gente, é brincadeira — disse Vanessa e pegou o livro do chão. — Tudo bem eu não quero mais brincar. Acabou o show.

— Ah, então tudo era apenas um showzinho? Eu sabia. — afirmou Meredith com um sorriso debochado.

— Você me entendeu — falou Vanessa.

— O.K então, eu entendi — disse Meredith mostrando a língua.

Alice deixou as duas discutindo e foi até o bebedouro. Era uma pia com uma dezena de torneiras, não havia copos, era só apertar um botão a água descia e você colocava a mão e sugava o líquido. Às vezes vinha gelada, outras vezes nem tinha.

Alice teve sorte, a água desceu rapidamente e ela sentiu a temperatura gelada tocar seus lábios. Depois se ergueu lentamente, Tinker estava atrás dela, com um sorriso enorme.

— Tinker? — ela perguntou.

— Alice — disse Tinker —, quanto tempo.

— Pois é — sussurrou Alice abrindo os lábios com um sorriso — Nem parece que estávamos no mesmo acampamento de Verão nas férias.

Tinker soltou uma gargalhada.

— Tudo bem, nos veremos depois, certo?

— Certo! — confirmou Alice.

Suas mãos estavam molhadas, ela passou as mãos no short branco esperando que o tecido sugasse toda a água. Começou a caminhar lentamente em direção a uma das portas do Caixote, era um portão na verdade, dava em direção à quadra de futebol e foi ali que ela o viu pela primeira vez.

Parado nas grades do portão, imóvel, como se estivesse ficado na mesma posição durante horas ela viu o garoto mais lindo que seus olhos já enxergaram em toda sua vida. Era meio forte, tinha os ombros largos, o cabelo com longos fios dourados penteados para cima. Tinha a pele impecável de porcelana. Usava uma jaqueta preta e uma calça jeans, tinha nos pés umas botas de couro que combinavam com a jaqueta. Estava sério e não falava com ninguém que estava ao seu lado.

Ao seu lado estava passando Rachel — a menina tinha os cabelos secos e oleosos que precisavam de uma hidratação, os olhos verdes e era magra como uma modelo de Vogue, e o rosto coberto de espinhas. Ela tinha fama de saber de tudo, de falar com todos.

Alice a puxou.

— Rachel, quem é esse garoto? — ela perguntou.

— Oh, esse é o aluno novo misterioso — ela sussurrou olhando admirada para ele —, ele está morando na antiga mansão dos Couples e veio de Camaro hoje, ele é super lindo. Tá na cara.

— Está em que sala? — Perguntou Alice.

— Não se sabe ainda — Rachel bocejou —, ninguém o viu nas primeiras aulas essa manhã. Saberemos agora. Alguns dizem que ele acabou de chegar e ninguém sabe como ele entrou na escola. Afinal, ninguém consegue entrar depois da segunda aula.

O sinal tocou e Alice pôde vê-lo caminhar em direção ao corredor que levava para a escada circulatória. Ele passou por ela e deixou um cheiro de perfume bom ficar para trás, a jaqueta dele esbarrou nela enquanto passava.

Alice esperou que os alunos subissem para que ela fosse até a cantina e pegasse uma maçã. Estava com uma cara ótima e ela comeu vagarosamente enquanto subia sozinha. Vanessa e Meredith nem se lembraram de esperá-la.

Quando chegou a sala de aula a professora Sophia estava lá novamente, com o sorriso de hamster que estava grunhido. Ela tivera trocado de roupa, estava com um vestido rosa claro.

— Bom dia novamente — ela sorriu. — Depois da maravilhosa resposta dada pela aluna Alice; irei mudar o assunto do estudo de hoje. Abram na página 29 e comecem a ler...

— Com licença — disse uma voz.

A professora Sophia olhou para a porta. Lá estava ele, com o rosto sério e lindo novamente, a boca sensualmente soprando as palavras. Deus, ele era lindo. As mãos estavam levemente apoiadas sobre a parede.

— Oh — falou a professora Sophia —, pois não?

O garoto lhe entregou um papel. Ela o leu e depois olhou para ele novamente.

— Sr. Fanning, sente-se ali — apontou para a cadeira vazia ao lado de Alice. — Seja bem vindo ao Segundo Ano “C”.

— Obrigado — ele sussurrou e sentou-se na cadeira onde ficou imóvel, sem olhar para ninguém.

— Como eu ia dizendo, abram o livro na página 29.

Houve novamente o farfalhar de folhas. No topo do livro estava escrito: “Tempos Modernos – Charlie Chaplin”. A professora Sophia cruzou os braços.

— Alguém sabe me dizer sobre o que fala o filme do Charlie Chaplin, chamado Tempos Modernos?

O garoto lindo e calado ergueu a mão.

— Sim? — perguntou a professora.

— Tempos Modernos, é um clássico da comédia e do cinema mudo.

— Correto — disse a professora com um tom de-quem-quero-mais —, mas acho que poderia ter mais conteúdo na resposta.

— Charlie Chaplin retratou com criatividade a situação que os trabalhadores enfrentaram nos primeiros tempos da Revolução Industrial. A invenção da máquina a vapor desencadeou uma revolução tecnológica, mas também modificou hábitos, costumes e valores humanos — o garoto falava calmamente, soprando as palavras.

— Isso senhor... Qual o seu nome?

— Enzo Fanning, senhorita!

— Oh, dois pontos positivos para você, Sr. Fanning!

— Grazie, senhorita.

— De onde você é Enzo?

— Florence, Itália.

— E o que o filme nos mostra Enzo? O que nos retrata?

Ele se ergueu da cadeira e todos os alunos viraram para ouvi-lo.

— A utilização de novos recursos didáticos no processo de ensino-aprendizagem é de fundamental importância para se obter aulas mais dinâmicas e interessantes. — ele fez uma breve pausa — Filmes relacionados ao conteúdo aplicado é uma metodologia eficaz, pois os alunos conseguem visualizar o conteúdo fazendo relação com o filme. Para abordar o conteúdo referente aos modelos de produção Taylorismo e Fordismo, o filme Tempos Modernos, protagonizado por Carlitos — personagem clássico de Charlie Chaplin, é ideal para ser trabalhado em conjunto com o material teórico.

— Correto, e é por isso que na próxima aula nós veremos o filme Tempos Modernos.

O sinal tocou e todos foram embora. Enquanto saía, Alice o observava e ela tinha certeza de uma coisa: ela teria Enzo Fanning para ela, não importa quanto duraria, ou o que custaria, mas ela o teria. Sim, Enzo Fanning seria dela.

Notas finais
Opinem...