Notas iniciais
Olá, meus lindos leitores! Peço desculpas se eu demorei demais, eu não estava conseguindo finalizar o capítulo! O servidor que eu uso para escrever, deu um erro danado, e acabei perdendo a versão original. Tive que reescrever, então peço desculpas caso tenha muitos erros de ortografia. Espero que gostem desse capítulo, e por favor, os famosos leitores fantasmas, se manifestem! Eu não sou uma assassina fantasminhas, podem falar comigo, eu adoraria saber o que vocês estão achando! Obrigada a todos que estão acompanhando até aqui! Ps: Para o caso, de eu não postar até o natal - coisa que é muito possível - eu desejo logo um feliz natal para vocês! Muita comemoração, sucesso e felicidade. Natal é uma época de união seja com a família ou os amigos. Aproveitem essa data e deixem qualquer preocupação de lado. Deixem o espírito da festa dominar vocês. Feliz natal!

Reformatório, dois anos antes.

Luke retirou a faca da parede com um suspiro resignado. O alvo estava alguns metros para o lado, bem longe de onde a faca havia acertado. A visão do circulo marcado, fez uma careta de desgosto se formar no rosto do menino. Ele estava há horas dentro da sala de treinamento, e até agora, não havia conseguido acertar o alvo nenhuma vez. Se o “chefe” soubesse, provavelmente mandaria que alguém cortasse as mãos dele, e o mandaria atirar as facas com os pés.

Luke não duvidava da capacidade do superior do reformatório, de fazer aquilo. Afinal, ele era um semi titã. Um adolescente, que passou por uma transformação e ganhou habilidades especiais, sob o serio risco de morrer. Isso obvio, contra a sua vontade. Cada semi titã, tinha a obrigação de receber um treino especial por um ano. Coisas como estratégias de sobrevivência, aulas dos mais variados assuntos e lutas corporais ou com armas. Geralmente, esses treinos eram em grupo, mas Luke conseguia ficar sozinho quando queria. A única exceção à regra dos treinos coletivos acontecia quando os semi titãs tinham que treinar seus “Poderes”.

Luke já estava quase encerrando o seu treinamento. Mas mesmo após um ano de trabalho duro, ele ainda não conseguia acertar o objeto que estava em suas mãos, no centro do alvo. Isso o deixava bastante irritado. Frustrado, Luke arrumou a faca em posição de lançamento novamente, e estava prestes a lança-la, quando o barulho da porta da sala se abrindo, rompeu sua concentração.

– Luke? – A voz de Julie, uma das supervisoras dos treinamentos dos semi titãs, ecoou pelo compartimento. – Luke, você está aí?

Julie recebeu um resmungo como resposta. Abrindo um pouco mais a porta, a mulher deparou-se com um cômodo amplo e bem equipado, com todas as paredes pintadas de branco. Se para compensar a falta de luz solar, ou destacar o sangue derramado em contraste com a cor clara, isso ela não sabia. Abandonando suas reflexões sobre o estado da sala, os olhos de Julie fixaram-se em Luke, o garoto de cabelo cor de areia que estava parado em um circulo, no canto da sala. Ele tinha uma faca na mão, erguida para lançamento. Ela fuzilou o semi titã com os olhos.

– Por onde você andou? – Ela perguntou, com a voz elevada e de forma rancorosa, apesar de ter a noção de que aquilo não funcionava em Luke. O garoto não se abalava assim tão facilmente. – Não lembra que um novo semi titã chegaria hoje? E que ele iria treinar com você?

– Eu lembrei, assim que me levantei. – Luke respondeu, de má vontade. — Mas decide que não me importava com isso.

Julie abriu ainda mais a porta, deixando que a luz do corredor, invadisse o compartimento. Luke escolheu esse momento, para atirar a faca. O objeto saiu como um projétil desgovernado, e se fixou novamente na parede. Bem longe do alvo. A careta que aparecia constantemente no rosto de Luke, se tornou mais obvia. Julie suspirou, e acompanhou com os olhos o garoto andando até onde a faca havia se alojado, e tirando o objeto de lá. Luke seria um homem bonito um dia. Mas precisa melhorar sua educação.

O garoto atrás de Julie emitiu um ruído abafado. Similar a uma risada. Mas ele não poderia estar rindo de verdade, não é? Afinal, Luke não fora assim tão receptivo. Julie havia sido alertada, de que o novo semi titã, também recém-chegado no reformatório, havia passado por certos problemas durante sua transformação. Ele escapou com vida, mas uma serie de lesões acabou fragilizando sua saúde, tanto física quando mental. E mesmo estando avisada em relação ao garoto, ela ainda se surpreendeu, quando um menino pálido e cambaleante foi empurrado para dentro da sua sala, pela manha. Era como se ele tivesse um aviso pendurado no pescoço, com os dizeres: Eu posso quebrar a todo o momento. Tinha brilhantes cabelos pretos, com algumas mexas esbranquiçadas, como se ele tivesse pintado. E olhos verdes mar. Lindos, mas estranhamente assustadores, em um rosto tão delicado e frágil.

– Luke, esse é Perseu Jackson. – Julie apresentou, sem esperar para que Luke se tornasse pelo menos mais respeitável. – E Perseu, este é Luke Castellan. Ignore a falta de educação dele, é nervosismo.

– Percy. Todos me chamam de Percy. – O garoto corrigiu, saindo de trás de Julie, e colocando-se na frente da mulher. Ele observava Luke com uma curiosidade amistosa. Parecia encantado por conhecer outra pessoa, tão encantado que chegava a ser meio esquisito. Julie recordou-se de que o garoto havia ficado isolado por um mês inteiro, e que boa parte de sua memória havia sido perdida. Deve ser por isso, ela pensou, ele está curioso em relação a rever outro ser igual a ele, depois de tanto tempo. – Você pode me chamar assim também, Luke.

– Bom, se todo mundo te chama assim, não vai ser educado da minha parte ser igual estou certo?- Luke respondeu sarcástico. Julie suspirou. Mesmo detestando aqueles adolescentes, de certa forma se sentia responsável por eles. Os semi titãs, não eram exatamente humanos, e todos eles quando chegavam à área de treino, sempre ficavam isolados nos primeiros dias. Mas depois, começavam a interagir com os outros, e pouco a pouco, se tornavam amigos. Porém, com Luke a situação foi diferente. Ele afastou qualquer um que tentou se aproximar. Não aceitava a companhia de ninguém e sempre treinava sozinho. Julie desejava que o novo garoto, mudasse um pouco o comportamento de Luke. Mas ao que parecia, ela ia se decepcionar.

– Não sou um bom lutador. – Percy falou, nem um pouco abalado com a frieza de Luke. – Mas quando estava... Em quarentena, eles me davam facas para atirar. Eu sou bom nisso. Adoraria ser seu parceiro e ter alguém com quem treinar.

– Bom, eu também adoraria. – Luke respondeu, e uma sombra de esperança cruzou o coração de Julie, mas foi rapidamente apagada, pelas palavras seguintes do menino. – Mas em que exatamente você seria útil? Como alvo? Preciso de alguém forte, e não de uma pessoa que tem a aparência de quem está com o pé na cova.

Sabendo o que sabia sobre Percy Jackson – coisa que não havia compartilhado com Luke, Julie ficou horrorizada com a declaração. O que Marie havia dito? Que o menino não tinha chances de viver por muito tempo, e que não havia nenhuma solução para ele. Há Luke! Julie lamentou-se. Com o pé na cova, por Deus!

Julie fez um movimento de se lançar para frente de Percy, como se fosse protegê-lo da crueldade de Luke. Que naquele instante, estava mais afiada do que o próprio garoto jamais imaginaria. Mas depois, parou.

Percy nem sequer havia mudado de expressão.

– Se com “pé na cova”, você quer dizer morrendo, então sim, estou com o “pé na cova”. – Ele respondeu, com a tranquilidade de quem falava sobre pássaros. — Tenho um ou dois anos. Três se tiver muito azar.

Nem mesmo Luke, que era tão controlado e frio, conseguiu conter a sua surpresa. Ele arregalou os olhos e ficou pálido.

– Eu não...

– Pode me usar como alvo, se desejar. – Percy o interrompeu, e se deslocou para onde Luke estava, andando com cuidado, como se temesse cair no meio desse percurso. – Mas eu não acho que tenho muito o que temer, já que sua mira é péssima. – Com um movimento simples, o garoto retirou a faca da mão de Luke, e se preparou para lança-la. A faca pareceu deslizar da sua mão em linha reta, e se alojou no centro do alvo, com um ruído suave. Percy sorriu, e se voltou para Luke. – Ou, eu posso ensinar você, já que sou muito bom nisso.

Julie observou, chocada a cena que se desenrolava na sua frente. Há quase um ano, via Luke afastar todos que se aproximavam dele. Tutores, colegas e até mesmo, os condenados comuns do reformatório, com uma mistura de ódio e crueldade extremamente incomuns para uma criança. Julie desconfiava de que, se já não tivesse visto o garoto chorar, até ela duvidaria de que Luke seria bom ou simpático um dia. Mas aqui estava. Luke Castellan, olhando para Percy, um garoto de aparência frágil e doentia, com a carranca se desfazendo aos poucos e dando lugar a uma expressão de duvida. Julie tinha certeza de aquele era um evento muito importante.

– Você não está realmente morrendo, está? – Luke perguntou, com um tom de voz bem diferente do usual.

– Dizem que sim. – Percy respondeu, dando de ombros.

– Sinto muito. – Luke disse, e parecia estar sendo sincero.

– Não seja tão clichê. – Percy pediu, fazendo uma careta e retirando uma faca que estava escondida em seu casaco. – Todos vão morrer não é? Não diga que sente muito, diga que vai treinar comigo.

Percy estendeu a faca timidamente para Luke, e esperou a resposta do garoto, com uma ansiedade contida. Luke pareceu hesitar olhando de Percy para a faca repetidas vezes e parecendo completamente fora do seu habitual comportamento. Devagar, Luke estendeu a mão para pegar a faca do garoto, e seus olhos se fixaram em Percy. Sem retira-los, ele encostou a mão na faca e na mão do outro menino. Julie sentiu que estava se intrometendo em algo completamente particular.

– Vou treinar com você.

***

Percy estava deitado na cama da enfermaria, com Bianca sentada ao seu lado. Logo após o episodio no pátio, e a pequena briga que aconteceu entre os condenados e os guardas, Percy desmaiou. Duas horas depois, e Percy ainda não havia dado resposta, ou sinal de vida. Bianca parecia estar cansada e Luke entendia o por que. A garota estava se revezando entre observar o amigo e o irmão. Nico tinha sido gravemente ferido na cabeça, por um dos guardas e tinha acordado há poucas horas. Bianca estava dando uma de mãe ali.

Luke suspirou, e se levantou da cama em que estava. O garoto não estava ferido, mas havia sido obrigado a ficar ali, para uma inspeção. Não havia nada pior do que ficar preso em um hospital. Sem ter nada realmente melhor para fazer, Luke caminhou em direção à cama onde Calypso dormia. Ele tinha a vaga lembrança de ter conversado com a garota umas duas vezes, mas isso não o impedia de sentir pena dela. Apesar de ter sido salva, Calypso tinha muitos ferimentos que se curavam lentamente, graças a uma espécie de “remédio mágico”. Bem, pelo menos ela não morreu. Ela pensou, e deixou Calypso de lado.

– Bianca! – Uma voz conhecida ecoou na enfermaria. Nico estava chamando a irmã. Luke olhou em direção para onde o garoto estava ele parecia ansioso para dizer algo à menina, mas tinha que ser de um jeito mais reservado. Luke notou que Bianca estava curiosa, mas não parecia muito feliz com a ideia de deixar Percy sem companhia. Os leitos não eram muito próximos.

– Deixe comigo. – Luke falou, surpreendendo até a si mesmo. – Eu posso ficar aqui, vá falar com seu irmão.

Ao dizer isso, ele se deslocou para o lado da cama do garoto, e fitou Bianca nos olhos. A garota parecia hesitar. Não confiava em Luke, mas devagar ela deixou o local e se dirigiu até Nico. Luke sentou-se na cadeira que antes era de Bianca e se virou para observar Percy. O menino estava ainda mais pálido do que o comum e com os lábios vermelhos. Luke tinha a impressão de que isso não era realmente um sinal muito bom. Percy estava respirando e tinha a expressão serena, mas Luke se lembrava das horas anteriores, e da agonia do garoto quando teve o acido jogado em seus olhos. Depois da confusão, o medo e a apreensão havia tomado conta de Bianca e Nico. Um medo que ainda não havia passado. Uma apreensão que Luke também sentia. Percy voltaria a enxergar? Será que o remédio era tão bom assim?

Cansado, Luke voltou seus olhos para os dois irmãos Di Ângelo. Eles conversavam em voz baixa, e Bianca estava inclinada em direção a Nico. Luke ficou um pouco curioso, mas um movimento na cama ao lado, fez toda a curiosidade ir embora. Percy havia si mexido. Luke se endireitou na cadeira, e ansioso, segurou as mãos do menino.

– Bianca? – ele chamou a voz tão fraca que apenas Luke conseguia ouvir. Uma voz que infelizmente, Luke conhecia. Fraca e frágil. Doente. – Bianca é você?

Por um momento, Luke considerou a chance de chamar a menina. Mas deteve-se. Ele queria falar com Percy, e precisava fazer isso sem ninguém por perto.

– Não é a Bianca. – Ele respondeu, com a voz rouca de nervosismo. – Sou eu.

Silencio. Por um momento, Luke temeu que Percy tivesse desmaiado novamente e entrado na escuridão na inconsciência. Entretanto, ele sentiu um aperto mais forte na mão que estava na de Percy, e logo em seguida, veio uma resposta. Finalmente ele compreendeu, que Percy não o tinha reconhecido.

– Luke? – Ele perguntou, ainda com o tom fraco. – Aquele Luke?

Luke não soube exatamente como responder a última pergunta. Ele sabia que a estabilidade mental de Percy era frágil. Sabia que depois de o menino ter ido para a sua primeira batalha, o que restava de sua memória se perdeu. Poucas coisas restaram. Luke não estava entre essas poucas memórias. Mas ele ainda tinha Percy como um amigo. Amigo não. Irmão. Percy ainda era um irmão para ele.

– Bem... Eu sou apenas o Luke. – ele respondeu, com cuidado. – Luke Castellan, se ajudar.

Percy não respondeu de imediato, o que deu a Luke a chance de lembrar o tempo em que eles treinaram como verdadeiros parceiros de batalha. Parecia que tinha acontecido há mil anos.

– Luke Castellan... — Percy murmurou, como se estivesse tentando lembrar-se de algo, mas a lembrança não quisesse ser alcançada. – Hum... Sua mira é ruim? – ele perguntou de uma maneira inocente. – Esse é o único Luke que conheço. O Luke que não sabe atirar uma faca.

Dessa vez, Luke ficou em silencio, absorvendo em choque as palavras de Percy. Ele lembrava? Tudo bem, ao que parecia, ele não lembrava tudo. Mas pelo menos uma coisa ele lembrava. Ansioso, Luke segurou com mais força a mão de Percy, e se inclinou na direção dele.

– Sim, minha mira é... Era péssima. – Luke respondeu. – Mas você me ensinou a lançar de uma maneira aceitável.

– Então você é mesmo o Luke. – Percy suspirou. – Faz tanto tempo não é? Conseguiu acertar o alvo da última vez?

Luke percebeu que Percy ainda não estava completamente consciente. Mas resolveu continuar a conversa, semi consciência era melhor que consciência nenhuma.

– Agora eu estou acertando. – Luke respondeu, delicadamente, mas ainda ouviu o tom rude saindo de sua voz. Era quase natural. Percy era a única pessoa com quem Luke era simpático e verdadeiro. Mas fazia muito tempo que eles não conversavam. Muito mesmo. – E sim, faz tempo. Mas o tempo não tem muita importância não é?

– Bem, eu acho que faz. – Percy respondeu, o garoto olhava para o teto, e Luke lembrou que ainda não havia averiguado a visão do rapaz. – Em muitas ocasiões o tempo é essencial. Ele pode ser a vida ou a morte, para muitas pessoas.

Luke ficou preocupado com relação à visão de Percy, mas juntou paciência suficiente, para perguntar o que ele quis dizer com a essencialidade do tempo.

– O que quis dizer? – Ele perguntou mal coseguindo disfarçar a dureza na voz. Ele estava preocupado demais para isso.

– Bem, você não vai entender tão facilmente. – Percy respondeu, com a voz ainda mais fraca. – Mas pode se dizer, que quando tudo está escuro, o tempo ajuda a clarear a mente.

– Escuro? – Luke perguntou, e levantou-se da cadeira, causando um barulho. Isso atraiu a atenção de Bianca. Percy pareceu ficar mais pálido ainda, e foi com quase um suspiro, que ele respondeu.

– Eu ainda não vejo nada. – Ele murmurou, e logo em seguida, o aperto na mão de Luke diminuiu. Percy havia desmaiado novamente.

***

Annabeth andava com passos acelerados pela avenida movimentada, com Thalia a seguindo no mesmo passo e Grover ofegando atrás das duas. O trio havia, enfim, encontrado o endereço de Sally Jackson. Apenas uma avenida os impedia de chegar ao destino.

– O que nos vamos falar? – Thalia perguntou ansiosa. – Não preparamos nada, nenhuma historia, ela pode chamar a policia.

– Como se a policia dos mortais nos assustasse. – Annabeth respondeu irônica, mas também estava preocupada com isso. Não podiam perder a chance de falar com aquela mulher, ou a falha teria serias consequências. Os olimpianos conseguiam ser bem mal humorados quando queriam.

– Bem, vamos explicar a situação para ela. – Grover sugeriu, apoiando-se no ombro de Annabeth para recuperar o fôlego. – Vamos contar de uma forma resumida, a nossa historia. Não adianta inventar nada. Se o filho dela sumiu, então para que mentir?

– E se ela chamar o hospício? – Thalia indagou, empurrando Grover de leve, ao mesmo tempo em que o sinal dos pedestres abria. Annabeth atravessou a faixa com rapidez e ouviu a resposta de Grover que corria a suas costas.

– Usamos de outros recursos. – Ele respondeu, e Annabeth teve certeza de que Thalia havia revirado os olhos. Quando enfim chegaram do outro lado da avenida, Annabeth olhou em volta, e teve tempo de deter Thalia, antes de a garota disparar em direção a Rua de Sally.

– Ai! – Thalia protestou, mas Annabeth tampou a boca dela, e girou para uma direção contraria a Rua de Sally, puxando Grover consigo. O sátiro não compreendeu muito bem a atitude da menina. – O que foi?

Annabeth só respondeu quando levou os dois para dentro de uma loja, que ficava quase na esquina da rua, porém era distante o suficiente. Olhando uma ultima vez para o lado de fora, Annabeth percebeu que não tinha atraído à atenção dos suspeitos.

– Tem alguém vigiando. – Ela anunciou, com a voz baixa. A dona da loja, que vendia artigos esportivos, não pareceu dar muita atenção a eles. – Alguém está vigiando a rua.

– Como? – Grover perguntou surpreso, e Thalia pisou no pé dele, para fazê-lo falar mais baixo.

Thalia se dirigiu para a porta da loja, e olhou pela vidraça, em direção a Rua de Sally. Ela não compreendeu o que Annabeth quis dizer com vigias. Tudo que ela via era um grupo de adolescentes, encostados na parede de uma casa, conversando e rindo. Aquilo não tinha nada de suspeito. Como se tivesse lido os pensamentos dela, Annabeth surgiu ao lado de Thalia.

– O que você viu? – Thalia perguntou, não conseguindo esconder sua confusão. – Aqueles adolescentes? Mas são apenas mortais comuns.

– Olhe direito Thalia. – Annabeth pediu, com a voz tensa. – Olhe bem direitinho.

Thalia fez o que Annabeth pediu, e fixou seus olhos no grupo de adolescentes, visando algo além do que seus olhos registravam. No inicio, nada aconteceu. Para ela, ainda eram pessoas comuns. Mortais comuns. Foi então que o sentido comum se alterou em sua mente. Manchetes de jornais e fotos nos tele jornais brotaram em sua mente. Thalia já havia visto aquele grupo de adolescentes antes. Em situações diferentes e bem mais mórbidas do que a atual. Aqueles adolescentes eram semideuses. Mas estavam mortos. Thalia lembrava com clareza da preocupação de Quíron ao ver as noticias saindo em intervalo de dias nos jornais. Lembrava-se de ver a fotografia deles nas manchetes e nas entrevistas. Lembrava até mesmo de ter visto um corpo pessoalmente. Eles estavam mortos. Haviam sido assassinados.

E, no entanto, ali estava. Cinco deles, rindo e se divertindo, na esquina de uma Rua em Manhattan. Thalia teve a sensação de que seu cérebro havia dado um nó.

– Eles estavam mortos. – Thalia sussurrou, para que Annabeth ouvisse. Mal notando que Grover agora estava do outro lado da amiga. – Eles morreram.

Annabeth balançou a cabeça, como se esse não fosse à coisa mais importante. Ela olhou para Thalia novamente, dentro dos olhos da amiga, e Thalia teve a sensação de que estava perdendo um detalhe importante demais.

– Olhe novamente. – Annabeth mandou. – Dessa vez, com mais atenção.

Thalia fez o que ela pediu. A garota sentiu certo desconforto ao olhar para aquele grupo, tão vivido. Estava acostumada a vê-los como cadáveres. E ali estavam. Mais vivos do que nunca. Mas ela fez um esforço, e chegou até a sentir uma forte dor na cabeça, mas insistiu. E então ela viu. Eles eram os adolescentes mortos, mas ao mesmo tempo, não eram. Olhando para uma garota, que ela lembrava vagamente de ser uma filha de Demeter, ela percebeu que os olhos da menina eram vermelhos como sangue, e que sua pele tinha um brilho prateado. Com um estalo, Thalia percebeu que não era um simples brilho. Era metal. A pele da garota era feita de metal, como um robô. Aquilo fez todo o café da manha se contorcer no estomago dela.

– O que significa isso? – Grover perguntou, percebendo ao mesmo tempo em que ela, o detalhe em relação aos jovens.

– Eu não sei. – Annabeth respondeu. – Mas de uma coisa tenho certeza. Alguém não quer que encontremos Sally. E algo me diz que vamos ter que passar por aquele grupo, para encontra-la.

Como se para confirmar a situação, um dos jovens virou a cabeça na direção da loja. Um arrepio de medo dominou Thalia, quando ela olhou para o rosto da menina. Provavelmente, um mortal comum não veria, mas por serem semideuses, os três viram. Externamente, a garota parecia uma mortal normal, com exceção dos olhos escarlates. Mas quando ela sorriu dentes de metal e não dentes humanos surgiram em sua boca. E de trás deles, fios de bronze se conectavam uns com os outros.

Era um autônomo e ao mesmo tempo, um ser humano.

Notas finais
Bem, antes de mais nada, eu gostaria de dizer, que a parte do Luke e do Percy, o primeiro encontro deles, foi inspirado no livro Princesa Mecânica, da autora Cassandra Clare. Eu já planejava um encontro para os dois, mas não sabia como escrever, e me inspirei na Cassandra para fazer isso. Gostaram? O próximo capítulo promete muita ação mesmo! Espero que gostem dele. Peço desculpas por não ter muito tempo para esclarecer as coisas aqui, mas qualquer dúvida, perguntem nos comentários que eu respondo! Obrigada mais uma vez, e até o próximo! Beijos, a todos vocês!