Condenados

13 Capítulo 12


Notas iniciais
Olá, galera! Até que agora fui mais rápida do que antes não é? As coisas ainda não estão tão boas na minha vida pessoal, mas vão melhorando aos pouquinhos. Só agora tive tempo para escrever. Sinto muito por ter demorado. Como vocês estão? Ah, peço desculpas pela falta de revisão! Meu computador está quebrado, e eu escrevi na casa da minha tia. O computador dela não tem um corretor muito bom e eu não tive tempo para revisar. Sinto muito pelos erros! A gente se vê lá embaixo, ok? Estava com saudades! Espero que gostem do capítulo.

Somente duas vezes depois daquele horrível dia, Sally Jackson ouvira aquele nome outra vez. Nas duas situações, as reações que ela teve foram péssimas. Sua respiração acelerava, sua vista ficava turva e ela perdia o movimento das pernas. Era como cair de um penhasco, e ao mesmo tempo estar em terra firme. Daquela vez, não foi diferente.

Sally deu alguns passos para trás, buscando desesperada por um apoio. Ela tinha a sensação de que tinha levado um soco forte no estômago. Por quê? Por que depois de tanto tempo aquilo aconteceu? Por que aquele maldito nome mais uma vez apareceu na sua vida? Sally sempre gostou de pensar que tinha ficado livre daquilo, apesar de ter consciência de que não era verdade. Ela criava toda uma utopia onde aquele dia não existiu. Ficar frente a frente com aquilo era assustador.

Contra a sua vontade, Sally abriu caminho para as garotas entrarem. Elas pareciam preocupadas com Sally, e a garota loira mexeu-se em direção à mulher, como se fosse ajuda-la, mas Sally a impediu. Obrigando sua respiração a ficar normal, ela forçou seu corpo a manter-se firme. Tinha que tirar aquelas garotas dali.

– Desculpe, mas quem deu o direito de vocês invadirem a minha casa? – Sally perguntou em um tom de grosseria e raiva. Ela automaticamente já detestava aquelas garotas. – Não deram educação a vocês?

A repentina mudança de estado dela surpreendeu as meninas. A loira recuou um pouco, como se só agora tivesse se dado conta de que havia invadido a casa de uma pessoa, mas a garota punk não pareceu ficar muito abalada. Ela olhou par Sally desconfiada.

– Pedimos desculpas por isso. – Ela falou. – Mas o assunto que estamos querendo comentar é algo de extrema importância. E pela sua reação, é obvio que a senhora não acha esse assunto agradável. Mas por favor, peço que nos fale sobre essa pessoa. Muita coisa depende dela agora.

Sally olhou para ela sem compreender. Por que exatamente ele seria tão importante assim? Do que adiantava vasculhar o passado? Não existia necessidade daquilo. Aquela história já deveria ter chegado ao fim.

– Não sei por que está mencionando isso, garotinha. – Sally enfatizou o “inha” prevendo que aquilo irritaria a garota punk. Ela acertou. – Mas mesmo que eu soubesse de fato sobre esse assunto, sobre essa pessoa, eu não contaria a vocês. Agora, peço, por favor, que vocês se retirem da minha casa.

– Eu peço desculpas pelos modos da minha amiga, Sra. Jackson. – A loira intercedeu, impedindo a amiga de falar algo que obviamente seria ofensivo. – Mas esse tema é realmente urgente para nós. Temos um prazo a cumprir, e caso falhemos nisso coisas horríveis podem ocorrer.

– E eu obviamente não tenho nada a ver com isso. – Sally respondeu, dirigindo-se a porta de sua casa. – Agora, saiam daqui! Ou chamarei a polícia e vou denunciar vocês por invasão domiciliar.

A garota punk ainda estava ofendida com o fato de Sally ter a chamado de garotinha. E ficou com mais raiva ainda quando ouviu aquelas palavras dela. Mais uma vez, ela deu a entender que ia dizer algo, mas pareceu pensar melhor e calou-se. A loira ficou decepcionada com aquela reação de Sally, mas pareceu perceber que Sally não ia receber elas agora. Muito menos iria falar algo sobre Percy Jackson.

– Eu entendo Sra. Jackson. – A loira pronunciou-se. – Peço mais uma vez desculpas, mas não garanto que não vamos voltar mais tarde. Essa pessoa... Ela está ligada a alguém que é muito mais forte que nós. E essa pessoa parece desejar muito saber mais sobre esse garoto. As consequências da falta de informações podem ser desastrosas e imprevisíveis. Ainda não desistimos de saber mais sobre ele. Mas vamos dar um tempo à senhora. Vamos, Thalia.

A garota chamada Thalia, começou a elaborar um protesto, mas deteve-se, e acompanhou a loira em direção à porta. A garota loira foi a primeira a sair, e Thalia a seguiu, antes de irem embora, porém ela parou e olhou para Sally mais uma vez.

– Sabe Sr. Jackson. – Ela pronunciou-se, e pela primeira vez Sally identificou um sentimento que não fosse orgulho e raiva na garota. Ela falava como se estivesse com pena. – É meio obvio que você não quer pensar nessa pessoa. Que ela faz parte do seu passado. Mas eu suponho que a senhora saiba que, desejando ou não, o passado volta. Se ele não estiver completo, ele volta. Não depende de você. É a lei da vida. Mas uma coisa você pode decidir. Você pode fugir, ou pode aprender com ele.

***

A casa era basicamente formada por cores em azul, branco e laranja claro. Um lugar aconchegante e extremamente confortável, onde se pode passar um bom tempo, sem que nada lhe incomode. Algo como um mundo próprio e feliz, onde as pessoas podem ficar tranquilas. Bem diferente da dona da casa. Pelo menos na concepção de Thalia.

Thalia e Annabeth estavam agora na casa de Sally Jackson. Fazia cerca de vinte minutos que ela havia saído. As duas esperaram o tempo necessário para ter certeza de que ela não voltaria tão rápido. Encerrado esse tempo, elas invadiram a casa.

Tudo bem, talvez invadir fosse uma palavra forte demais. Um termo melhor seria... Visitar. Isso. Elas estavam visitando a casa de Sally Jackson e em compensação, olhando algumas coisas para ela. Foi ideia de Thalia que elas entrassem na casa. Thalia sabia que Sally, mesmo depois de muito tempo após o primeiro encontro desastroso com elas, não diria nada. Viu isso nos olhos dela. Então, se ela que era a única fonte sobre Percy Jackson que elas tinham conhecimento, não falaria, o jeito era buscar as informações de outra maneira.

– Onde você acha que ela colocaria as informações sobre o filho? – Thalia questionou a Annabeth, enquanto observava a sala de estar e a cozinha.

– Considerando que ela é casada, não deve ser no quarto. Percy Jackson é um tema complicado para ela, e tenho a leve impressão de que o marido não sabe. Hum... Talvez na biblioteca? Ela estava cursando uma faculdade segundo aqueles documentos. Já deve ter terminado. Mas é um local onde se pode esconder coisas facilmente entre os livros ou algo assim. – Annabeth respondeu, apesar de aparentar estar conversando mais consigo mesma. – Qualquer coisa, depois olhamos o quarto.

Thalia concordou, e as duas procuraram a biblioteca, entre as portas que ficavam no corredor da casa. Duas delas deram em quartos. Um parecendo ser de hospedes e outro de uma criança, entre cinco e seis anos. A terceira porta era a biblioteca.

Era um espaço pequeno comparado aos quartos, mas bem iluminado e repleto de livros. A maioria de biografias. Havia uma mesa de mogno no centro da sala, e as estantes eram embutidas nas paredes. Thalia soltou uma risada ao ver Annabeth praticamente roubando todos os livros nos pensamentos.

– Deixe de furtar os outros, garota. – Thalia chamou a atenção dela. – Vamos procurar algo sobre Percy Jackson.

Annabeth mostrou a língua para ela. As duas começaram a vascular algumas gavetas que havia nas mesas, mas parecia ser obvio demais. Annabeth dirigiu-se aos livros, e começou a tirar alguns e abrir. Thalia revirou um porta trecos, em forma de caixa, mas nada realmente interessante surgiu dali. A única coisa relevante que Thalia encontrou, foi uma foto da família de Sally. O suposto marido dela, que tinha uma grande aparência de ser professor, e um garotinho muito parecido com o pai. Os dois seguravam um balão em forma de avião e sorriam. Atrás deles, Sally gargalhava de algo. Uma típica família feliz em um parque. Thalia não soube explicar por que, mas ficou com pena de Percy Jackson.

– Thalia, encontrei uma coisa! – Annabeth gritou animada. Thalia soltou a foto dentro da caixa e correu para perto da amiga. – Olhe isso!

Annabeth segurava um livro antigo e surrado, como se alguém tivesse lido ele muitas vezes. Um livro infantil. Dentro dele, vários papeis estavam guardados, e dois deles, eram os que mais importavam para as duas.

Um era um artigo de jornal, e manchete dizia:

Aluno do sexto ano, de uma escola em Nova York, foi detido após ser o principal suspeito de um assassinato em massa, dos seus colegas de turma. Policia afirma que o garoto pode ser um psicopata.

A matéria em si, estava ilegível. Alguém havia queimado aquela parte, e poucas palavras eram visíveis. Ainda assim, Annabeth resolveu guardar, para uma possível restauração. O outro papel era uma carta. No envelope, existia uma única frase escrita. Por quê?

Annabeth rapidamente rompeu o lacre e retirou a carta. Era velha e o papel já amarelava. Uma caligrafia excelente formavam as palavras. Ansiosas, as duas começaram a ler imediatamente.

Querido -----------------

Estou escrevendo essa carta, por que não consigo aguentar guardar todos esses sentimentos dentro de mim. Tenho a sensação de que irei explodir. Porem, ao mesmo tempo, sinto que jamais conseguirei falar isso para alguém, por isso estou lhe escrevendo. É muito provável que eu jamais envie essa carta, mas espero poder me livrar da sensação ruim que está me dominando.

Hoje o dia foi terrível, meu querido. Mal consigo pensar nele. Raios e trovões para todos os lados. As pessoas desejavam fortemente que aquele dia terminasse. Nada funcionava, nem mesmos os hospitais mantinham-se abertos. Ninguém entra e ninguém sai. Era assim que estava funcionando.

O engraçado era que pela manha, a chuva até então era consideravelmente comum. As pessoas realizavam seus afazeres sem medo. Até mesmo mandei... Ele sair para comprar algo para comermos no lanche. Não estava preocupada. Mas ele demorou demais. Os raios e trovões tornaram-se mais intensos. Nos jornais, noticias sobre o fechamento dos estabelecimentos e os alagamentos dominavam as matérias. Foi mais ou menos por volta das duas da tarde, que houve o corte da luz. E ele não voltou.

O desespero já me dominava por completo, mas eu não podia sair de casa. Gabe não parava de dizer que eu deveria preparar o enterro, pois ele devia ter morrido, e eu nem sequer consegui juntar forças para responder. Onde ele estava?

Ele então apareceu. Ao cair da noite. Quando eu só conseguia pensar no pior. Mas incrivelmente, a forma como ele voltou foi pior do que qualquer outra coisa que eu poderia ter pensado. Ele estava acompanhando de um homem, um policial para especificar melhor. Ele correu ao meu encontro, e começou a explicar o motivo da demora, mas eu não consegui desviar os olhos do homem que o acompanhou. Eu o conhecia. Eu gostaria de não conhece-lo.

Mandei-o ir para quarto, e fiquei feliz por Gabe já estar dormindo. Ele obedeceu e retirou-se. Só sobrou eu e o policial. Eu achei seu filho na rua, Sally. Foi o que ele disse para mim, com a mesma voz a qual se apresentou para mim, anos antes. Coitadinho, estava tão perdido e assustado. Suponho que a senhora não seja a melhor mãe do mundo, afinal, deixou sua cria sozinha em uma tempestade, certo?

Senti um forte desejo de machuca-lo, meu querido. Diversas vezes, você me avisou para não se deixar levar por sentimentos na presença dele, mas eu não consegui. Foi mais forte. Ele sorriu cinicamente quando percebeu o que eu queria. Ele ria de mim.

– Bem Sally, já vi que seus sentimentos por mim, continuam bem desagradáveis. Vim apenas entregar seu filho em paz, por favor, não tenha medo. Não fiz mal nenhum ao garoto. Mas talvez a senhora devesse ter cuidado... Outros podem ter feito.

Naquela hora, não compreendi o que ele quis dizer. Ordenei que ele saísse da minha casa imediatamente, e ele retirou-se rindo. Achei que aquilo já era desgraça o suficiente para encerrar o dia. Como eu estava errada.

Fui ver ele no quarto, ver se ele estava bem. Na hora, só queria ter certeza de que ele estava vivo, mas só agora, lembro-me da expressão assustada que ele fez quando eu entrei. Como se temesse alguma coisa. Na hora, eu não reparei. Sentei do lado dele na cama, e fiz carinho em seus cabelos. Pedi para dormir ali, e ele concordou imediatamente. O dia estava terminando, e quando o sol amanhecesse novamente, nada seria tão diferente assim. Cochilei rapidamente, mas não por muito tempo. Acordei no breu total, e buscando conforto, estiquei as mãos para encontra-lo. Mas eu toquei o nada.

Não prestei muita atenção no modo como me ergui e andei até a sala. Apenas fui. Cada passo estava carregado de tensão e medo. Quando cheguei ao local, estanquei horrorizada. A sala estava destruída. Estilhaços de vidro e moveis revirados estavam compondo o que antes era um local aceitável de se estar. Pior do que isso. Sangue manchava esses objetos. Eu gritei. Gritei o nome dele. Mas não obtive nenhuma resposta. Nenhuma. Onde ele estava? O que estava acontecendo?

Caminhei com cuidado pela sala, evitando o vidro quebrado e o sangue. A chuva ainda estava forte, mas parecia diminuir lentamente, como se o humor dos céus estivesse melhorando. Enquanto isso, o meu piorava. Andei até a porta de entrada, e abri. O rastro de sangue ficou pior. Por que tínhamos decidido passar uma semana naquele lugar? Por que não fomos para casa?

Como que por encanto, segui o rastro de sangue e me deparei com uma cena que jamais saíra da minha cabeça. Gabe sangrava. Um rasgo cruzava toda a extensão de seu tronco, e era o sangue dele que manchava o chão. Ele não parecia estar acordado. Ao lado dele, nosso garoto estava agachado, sujo de sangue e segurando uma faca. Não consegui pensar em nada depois daquilo.

Eu gritei. Gritei a plenos pulmões. Falei mal ele. Ele me olhou assustado. Mas naquele momento, tudo nele era assustador. Monstro, monstro, monstro! Ele não parecia acreditar que eu estava falando aquilo. Como eu pude botar no mundo um monstro como você? Ele já não estava mais com medo, e sim decepcionado. Mas eu só via ele como um ser assustador. Eu... Por que eu estava agindo daquele jeito? Por favor, meu querido, responda. Você mais do que ninguém deve saber.

Não sei exatamente como aconteceu, mas eu parti para cima dele. Do nosso pequeno. Ele não reagiu. Eu o bati como se ele fosse um monstro de verdade. E depois, corri dali. Sim, eu fugi. Eu fui embora. Sai no meio da chuva, suja e transtornada, mas não havia ninguém para me fazer mal. Ninguém a não ser eu. Pedi auxilio a uma amiga. Estou na casa dela agora. Estou escrevendo essa carta agora. Eu não consigo dormir. Eu não quero dormir. Por favor, me responda. Foi ele? Foi ele mesmo? Por que... Por que estou com tanto medo? Eu... Eu não quero... Eu lembrei agora. 18 de agosto não é? Hoje é dia 18... Hoje era o aniversário dele. Hoje... Hoje não deveria ter acontecido... Nem agora. Nem há sete anos.

A carta terminava aí. O papel estava meio rasgado, como se alguém tivesse levado embora a continuação. Thalia e Annabeth ficaram em silencio ao terminar de ler. Ambas não conseguiam absorver o que acontecera. O que aquilo significava?

– Vamos levar a carta Annabeth. – Thalia pronunciou-se, sua voz saindo baixa e fraca. Parecia falta de respeito falar mais alto. – Quiron vai desejar ler isso.

Annabeth concordou e guardou a carta dentro de uma mochila que carregava. Era muita coisa para se pensar.

– Vamos olhar no quarto. Só para conferir. – Thalia concordou, e as duas seguiram para o quarto do casal. Nenhuma conseguia formar uma opinião concreta sobre aquele relato. E mesmo com ele, ainda não tinham informações reais de Percy Jackson. Informações que falassem sobre ele na maneira atual.

Ao entraram no quarto do casal, encontraram um local limpo e romântico. Fotos de Sally com o marido preenchiam as paredes. Também havia fotos do filho do casal. Mas rapidamente a atenção delas se voltou para uma foto rasgada no chão. Ela estava em pedaços minúsculos. Era impossível construir ela novamente. Mas juntando algumas partes dava para ver o rosto da pessoa.

Thalia achou a criança muito fofa. Tinha olhos verdes, da cor do mar e cabelos pretos, a própria noite deveria ser. Ele estava sorrindo, e Thalia sentiu muita pena dele.

– Então esse é Percy Jackson? – Thalia falou, deixando um sorriso triste tomar conta de sua face. – Que pena não é? Sabe algo me diz que ele não fez o que Sally pensou que ele tinha feito. E acho que nem ela acredita nisso. Mas... O que será que ocorreu com ele, Annabeth? É obvio que estamos falando do dia 18 de agosto, o dia da tempestade. Mas o que será... Annabeth?

Annabeth estava pálida. Da cor do próprio cal de parede. Ela tinha os olhos fixos no menino, e quando Thalia a chamou, ela agarrou a mão da amiga, buscando um local para se firmar. Thalia se preocupou.

– Annabeth? Annabeth, o que foi?

A amiga gesticulou freneticamente para a foto destruída, e tão rápido ela falou que Thalia só ouviu por estar muito próxima a ela.

– É ele, Thalia! Ele foi quem me salvou no dia da tempestade! Ele é o dono daquele casaco que esta no meu chalé! Eu conheci Percy Jackson naquele dia!

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A sensação de estar novamente no controle era excitante. Há quanto tempo ele estava fora do ar? Não tinha certeza, mas sabia que era há muito, muito tempo. Pelo menos no mundo dele. No mundo dos mortais, provavelmente o tempo sem entrar em ação, era de alguns poucos dias. Mas o que importava, era que ele estava de volta. E ele queria transformar aquela volta em uma diversão.

Caminhando entre os mortais que passavam, ele seguiu em direção a um hospital infantil. Pobres almas eram as crianças. Iludidas para a vida real, aqueles coitados cresciam, achando que a vida seria melhor e mais divertida. E é claro que a vida ria deles a cada ano que se passava. É claro que a vida ia mostrar sua verdadeira face. Iludidas, as pobres crianças. Ele estava fazendo um favor a elas.

Não foi complicado entrar no hospital. Nunca era. Ele olhou vagamente para os nomes das alas hospitalares e procurou o andar da área de crianças com câncer. Quarto andar. Aquela missão seria fácil demais.

Ao no andar marcado, ele não se demorou muito em observações. Queria sentir a adrenalina de matar alguém pulsando em suas veias. Queria ver o sangue daquelas coisinhas pequenas e gosmentas, se derramando no chão. Passou tanto tempo sem sentir aquilo... Sem ver aquilo...

A sua vitima estava no canto mais afastado da sala. Como sempre, os semideuses eram os estranhos da historia. O garoto estava com a aparência frágil e típica de quem tem aquela doença. No futuro, agradeceriam a ele, por terem tirado o sofrimento daquela criança.

As enfermeiras conversavam sobre futilidades, e nem sequer prestavam atenção nos pequenos. Não queriam estar ali, com aquele bando de doentes. Assim como os médicos que nunca apareciam, elas tinham coisas melhores para fazer.

Ele caminhou em direção a vitima. Um formigamento de emoção o dominou ao perceber que faltava pouco para entrar em ação novamente. Não pode deixar de rir, quando o garoto entrou em convulsão na sua frente.

As enfermeiras despertaram assustadas e correram em direção ao garoto. Mas já era tarde demais. Uma mexida nas mãos, e o coração do garoto praticamente explodiu dentro dele. O sangue começou a sair pela boca e por ferimentos instantâneos na pele. Antes que as enfermeiras pudessem pedir ajuda, as outras crianças entraram no mesmo estado.

Com as outras, ele brincou um pouco mais. Cortou a perna de algumas e o braço de outras. Como era divertido fazer aquilo! Ele sentia-se uma criança nos parques da Disney. Pouco a pouco, as crianças morreram. Uma a uma. E no final ele matou as enfermeiras. Tudo muito silencioso e discreto a vista dos outros. Os mortais só veriam aquela cena quando ele se retirasse. Sua presença afetava os dispositivos tecnológicos de modo que as câmeras não funcionavam. Ele fez tudo àquilo na frente deles. Mas ninguém viu. Nada tão diferente da sociedade comum dos mortais. Tudo que ocorria de ruim naquele mundo era visível. Mas nenhum mortal percebia. Isso ao pé da letra. Estava acontecendo algo similar agora.

Saindo do quarto andar, ele desceu até a recepção e saiu do hospital, feliz por ter entrado em ação novamente. Mas agora, outra coisa precisava de sua prioridade. Ele ainda tinha um tempo, até receber a ordem de retorno. Ele ia procurar por ela.

O tempo que passou fora do ar, foi o necessário para perder a garota loira de vista. O rastro dela havia desaparecido do seu radar. Mas ele não desanimou. Ia encontrar ela novamente. Precisava encontra-la. Desejava ver o rosto dela outra vez. Talvez, quando o novo regime fosse imposto, ele pudesse revelar-se para ela. Talvez ela pudesse ser dele. Definitivamente. Por que ela já era. Feliz ao pensar na garota, ele dirigiu-se ao último lugar onde a tinha visto, para começar sua procura.

– Espere por mim.

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O velho suspirou tristemente. Aquilo não era algo bom. Não mesmo. A cada dia que se passava, ele sentia que estava cada vez mais longe do proposito que veio realizar. Cada vez mais longe de uma solução. A pior parte era que ele não poderia se envolver diretamente. Ele precisava ficar longe. Solucionar de longe. E estava cada vez mais longe de chegar aquilo.

– Como eu vou fazer isso sozinho? – Ele murmurou, tristemente. – Tantos erros... Por que você não veio junto comigo? Afinal, foi sempre você que arrumou soluções.

Notas finais
Alguém estava com saudades do nosso assassino? Sei que a carta da Sally ficou sem sentido em alguns pontos, mas como deu para perceber ela tem uma continuação...Que alguém pegou. Como será que o Gabe sobreviveu? O que aconteceu com o Percy? Por que ele não voltou para ela? Teorias? E sobre o ancião? Ele é de extrema importância, isso eu garanto. Mas quem ele é? Bom, acho que é isso...Tenho a sensação de que estou esquecendo algo, mas não lembro o que é. Qualquer coisa me perguntem nos comentários! Beijos, e muitos dracmas!