Condenada a Você

8 Coração Insensato


Notas iniciais
Saindo um novo capítulo cheio de deliciosas confusões entre nosso amado par❤️



Helena ficou um pouco desconfiada do jeito que Ada estava agindo, desde quando foi buscá-la mais cedo. Para começar a espiã lhe convenceu de deixarem Leon continuar dormindo, afinal ele chegou de uma viagem da capital e parecia muito cansado.

Ada lhe disse que ficou com peninha dele e resolveu deixá-lo dormir até mais tarde.

Quando Helena resolveu perguntar se eles conseguiram se entender ontem a noite, Ada respondeu com um: — Sim, fizemos as pazes. — E ela tinha um sorrisinho irônico nos lábios.

Helena ficou apenas observando Ada, e percebendo que a mulher parecia realmente animada com o seu novo ofício na fazenda, que nem reclamou de nada.

— Como você sabe, eu sou a veterinária oficial daqui e cuido de tudo... Desde a vacinação em massa e o controle de parasitas do gado, até o acompanhamento reprodutivo das éguas. — explicava Debra enquanto caminhavam pela propriedade em direção de um dos estábulos. — Na prática, você vai me ajudar a organizar os medicamentos, imobilizar os animais para os exames de toque, tratar ferimentos de pasto e, sim, fazer o parto das fêmeas, mesmo se for de madrugada. Isso vai exigir estômago, força física e agilidade.

— Eu tô acostumada a lidar com coisas bem piores. Coisas horríveis mesmo — Ada comentou, segurando uma prancheta, onde anotava uma lista de coisas que agora a sua nova chefe lhe mandava.

— Eu imagino que seu antigo trabalho era muito perigoso. — Debra parou hesitante, sentindo a sua língua coçar com a próxima pergunta. — Ada, você sente falta da sua vida como... uma espiã?

— Ah... — Ada ficou refletindo em sua trajetória como mercenária. — Eu fiz muita coisa errada, coisas das quais me arrependo muito. Mas, ser aquela espiã também me fez forte, astuta e uma sobrevivente. Às vezes, eu me sentia invencível e não temia nada... nem mesmo a morte.

Mas, tudo mudou quando conheceu o Bonitão de olhos azuis.

— Bom, vamos fazer uma lista dos cavalos que irão para o leilão na próxima Feira Agropecuária da cidade.

— Certo, chefe! — Ada retornou a escrever em sua prancheta, enquanto Debra averiguava os cavalos de raça pura.


Eventualmente, vendo que a protegida de Leon estava se dando bem com a sua nova chefe, Helena que estava ali como sua guardiã temporária, resolveu baixar a guarda e deixar Ada trabalhando tranquilamente sem a sua supervisão.

Enquanto a agente Harper saiu para ir ao banheiro, as duas mulheres continuaram a conversar.

— E então... você e o Leon voltaram de boa para a cabana? Não houve mais brigas?

— Resolvemos dar uma trégua.

— Que pena! — o comentário de Debra deixou Ada confusa.

— Pena, por quê?

— Leon nem queria voltar para a cabana. Ele ia ficar na nossa casa e deixar a Helena com você.

— Hmmm... — Ada se viu refletindo nas palavras suspeitas de Debra. — Você e o Leon se conhecem há muito tempo? — De repente ela ficou curiosa.

— Conheço ele a minha vida inteira, desde quando era criança.

A partir dali, Debra começou a revelar detalhes sobre uma vida de Leon, que Ada desconhecia completamente.

— Sabe... o Leon perdeu os pais muito novo. Eles foram assassinados. Acho que por isso o Leon se tornou policial... para fazer justiça.

— Nossa, que... que horror! — Ada sentiu um aperto no coração ao saber daquela história.

— Depois foi viver o resto da adolescência com o avó que era o nosso vizinho. Na época eu tinha uns 8 ou 9 anos e o Leon tinha uns 15. Era o garoto mais legal, com os olhos azuis mais bonitos que já vi.

Entretanto, o avô acabou falecendo também e Johnny Blum; que era muito amigo do senhor Kennedy; meio que adotou o Leon. Isso explicava o porquê os peões diziam que o agente secreto do governo era como um filho para o dono da Sol Dourado.


Debra também revelou que, quando Leon ficou na cadeira de rodas por quase dois anos, ela esteve ao lado dele o apoiando, enquanto fazia as suas fisioterapias. Na época ela ainda fazia faculdade em Washington D.C, por isso ficava mais fácil esbarrar com o homem.

Aquela parte da história sobre Leon debilitado na cadeira de rodas, ainda atormentava a mente de Ada. Infelizmente, num dos piores momentos da vida dele, a espiã estava presa na cadeia, não podia ajudá-lo, mesmo se quisesse.


— Bom, o tempo passou, agora não sou mais aquela menina. — Debra resolveu revelar sobre os seus sentimentos. — E agora que ele tá diariamente por perto, eu quero aproveitar e... e conquistar o coração dele. — As duas mulheres se encararam, fixamente. Uma tensão se criou. — Eu sou apaixonada por aquele homem.

Ouvir a declaração apaixonada da filha de Johnny, causou um incômodo no peito de Ada. Esse incômodo era ciúmes, mas a mulher não sabia como lidar com aquele sentimento recém-descoberto.

— Mas, quem não se apaixonaria por Leon Scott Kennedy? — Debra abre um enorme sorriso com seus dentes brancos perfeitos, que de repente azedou o humor de Ada.


Antes que pudesse dar uma de suas respostas ácidas, a porta do galpão se abriu e o próprio Leon entrou. Ele usava uma regata branca que já estava manchada de suor e grudava em seu peitoral musculoso, enquanto trazia nas mãos uma cestinha de vime. Ao ver as duas mulheres, o rosto do agente se iluminou com um sorriso genuíno.

— Olhe o que eu achei na cozinha, Debby — Leon disse abrindo a cestinha e revelando uma torta de maçã, ainda quentinha, polvilhada com canela. — Tia Marta acabou de tirar do forno.

— Ai o cheiro tá tão bom! — Debra exclamou, com os olhos brilhando de paixão e nostalgia enquanto pegava o doce. — Lembra quando a gente roubava a massa crua da cozinha e a mamãe corria atrás da gente com a colher de pau? — Os dois sorriram com a lembrança.

— Ah, sim! Agora você desbloqueou uma memória de infância. Nossa, era uma época tão boa! — Leon respondeu com a voz mansa, dando um toque carinhoso no ombro da loira.

De canto, Ada apenas assistia à cena do "casal perfeito do interior", sentindo que estava sobrando naquela história.

— Ei, você não vai provar? — Leon percebeu que a beleza oriental estava tentando sair furtivamente do galpão.

— Não! Eu nem gosto de doce — ela respondeu de cara fechada e foi-se embora.

De repente Kennedy tem uma ideia ousada.

— Ei, me empresta um dos cavalos?


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Ada caminhava pela propriedade, quando de repente, surgiu Leon montado em um cavalo de pelo marrom-claro bem ao lado dela. Naquele momento, ela levou um baita susto.

— Vem comigo! — Ele estica a mão direita esperando que ela fosse subir naquele animal selvagem.

— Você é maluco! — ela tenta ignorá-lo e seguir o seu rumo.

— Você me deixa, maluco! — No entanto, com uma habilidade surpreendente, ele agarra a mulher e a puxa para cima do cavalo, enquanto ela esperneia.

— Kennedy, eu juro que vou te matar! — O coração dela ameaça sair pela boca. Leon por outro lado está sorrindo vitorioso, porque conseguiu desarmar completamente aquela espiã.

Ada Wong foi treinada para nunca demonstrar medo ou qualquer fraqueza, mas aqui estava ela se sentindo nervosa e novamente perdendo o controle da situação.

Apesar do susto, Ada começa a relaxar ao se sentir segura entre os braços dele, sentindo o peito masculino tocando em suas costas, enquanto o cavalo continua galopando e fazendo o seu cabelo, que antes estava preso num coque, agora se soltar e começar a voar ao vento.

O cavalo começa a desacelerar conforme eles vão se aproximando do riacho. Ali até o ar parece mais fresco.

— Acho que tá na hora de ensinar você a andar a cavalo. — Ele apoia o seu rosto no ombro dela, inalando o cheiro gostoso do shampoo.

— Eu não preciso que você...

— Shhhh... — Leon a interrompe com um sussurro em seu ouvido. — Primeiro: endireite essa coluna! — Em seguida, cola o seu peito nas costas de Ada a forçando a ficar ereta. — Se você se curvar para frente pode perder o equilíbrio. — As mãos grandes deslizam sobre as mãos femininas para ensiná-la a dosar a força que deve usar para segurar as rédeas. — Se quiser que ele vire para a direita, puxe levemente a rédea direita em direção ao seu quadril. Relaxa os braços e guie o Spirit com suavidade.

— Spirit?! — Ada questionou, começando a se acostumar com o balanço do cavalo.

— É o nome do nosso cavalo.

— Nosso cavalo?!

— Meu e da Debby — sua resposta, de repente, faz a Filha do Fazendeiro ganhar a antipatia de Ada.

Leon ignora o mau-humor de Ada e apenas continua explicando que, para fazer o cavalo andar ou acelerar, é necessário dar uma leve pressão com os calcanhares na barriga do animal, os pés ficam firmes no estribo, sempre com o calcanhar apontado para baixo. Nesta hora a espiã chinesa que está montada na frente dele, sente as coxas masculinas tocarem as dela e isso a deixa desnorteada.

— Qualquer peão podia me ensinar a andar a cavalo — ela resolve retrucar. Nesse instante, Leon que ainda estava segurando as mãos dela, puxa as rédeas com firmeza. O cavalo imediatamente para, fazendo o corpo dele esmagar o dela contra a sela de um jeito muito íntimo e tentador.

Essa proximidade entre seus corpos a força a morder o lábio inferior para não gemer. Então, no minuto seguinte, o homem desce do cavalo.

— Próximo lição: descer do cavalo... sozinha. Você consegue fazer isso? — Ele lhe dá um sorriso presunçoso e vai passar a mão na cabeça de Spirit que relincha alegremente.

Só que Ada tem outros planos e, ao invés de obedecê-lo, a mulher decide se exibir, demonstrando o que havia aprendido ao fazer o cavalo trotar para longe de Leon.

— Ei, sua encrenqueira, tenha cuidado! — Ada o ignora e continua segurando firme as rédeas enquanto dá o comando para que o cavalo acelere.

De repente ela sente uma sensação gostosa de liberdade e adrenalina pulsando em suas veias. No entanto, essa alegria não dura muito, pois um assobio forte faz o cavalo empacar e, subitamente mudar a rota, retornando para Leon que estava os esperando de braços cruzados e com um sorriso petulante.

— Bom garoto! — Leon passa a mão sobre a crina de Spirit que para obedientemente.

— Acho que preciso de um cavalo só para mim. E de preferência que seja uma fêmea — Ada resmunga virando o corpo e saltando de cima do cavalo.

— Caramba, custava descer como uma pessoa normal! — Leon reclama. — Por que você nunca segue as regras?!

— Desculpa, professor! — Ela sorri torto e passa por ele, indo parar na beira do rio.

O lugar era bonito, fresco, com árvores ao redor e havia até uma cachoeira ali perto. Até lhe deu uma baita vontade de mergulhar naquelas águas.

Leon foi prender Spirit numa árvore próximo do rio quando, inesperadamente, ouviu um barulho de algo caindo dentro da água. Imediatamente, o celular no bolso da calça do agente começa a tocar com um alarme de emergência, deixando-o apreensivo.

— Droga, Ada! Volta aqui, agora! — esbraveja entredentes, olhando para a pilha de roupa que ela largou por ali.

Leon joga o celular sobre a grama e se vê forçado a pular dentro do rio para buscar a encrenqueira que resolveu ser imprudente e mergulhar seminua, com a tornozeleira eletrônica que está apitando alto.

— Vai com calma, Kennedy! — ela ousa atiçá-lo quando o homem surge na sua frente com uma cara nada amigável e a puxa contra ele.

— Nós estamos ferrados por tua culpa! — sua voz está mais rouca e seus olhos azuis irradiam um perigo que não a assusta, pelo contrário, a deixa excitada.

— Por que minha culpa? Essa coisa não era para ser a prova d`água? Ei! — ela dá um gritinho quando o homem a pega em seus braços e começa a tirá-la do rio.

Quando chegam na margem, a roupa dele agora estava toda molhada se grudando em seu corpo forte, enquanto Ada estava só de lingerie vermelha que contrastava, perfeitamente, com a sua pele macia e um pouco bronzeada.

No momento, o agente Kennedy se distraiu pensando em como Ada estava uma verdadeira tentação. E tudo só piora quando ambos se calam e seus olhos se cruzam faiscando de desejo. Logo depois, sua boca está esmagando a boca dela num beijo explosivo, as pequenas mãos femininas se enroscam no pescoço dele, ao mesmo tempo em que ele continua segurando-a mais apertado em seus braços. O calor e a paixão está pulsando em suas veias e a sensação é tão avassaladora.

Consequentemente, o par precisa se separar para conseguir respirar, ambos estão um pouco ofegantes, trocando olhares profundos. Até que, assustadoramente, percebem que já não estavam mais sozinhos.

— Desculpa, não queríamos atrapalhar os pombinhos! — A voz é de Cody que lhes olha com um olhar acusador. Ao lado dele está Helena com uma expressão atônita, pensando em como o par estava muito lascado.

















Notas finais
Eita, será que Aeon está muito encrencado? Será que Ada pode perder a sua liberdade condicional? Tudo isso e muito mais, no próximo capítulo!