Condenada a Você
9 Persuasão
— Se veste logo! — Leon murmura entredentes, soltando a mulher de seus braços e se colocando na frente dela para protegê-la dos olhares curiosos do outro peão. — Foi apenas um acidente — Kennedy tenta se explicar para Helena, enquanto Cody apenas revira os olhos e resolve se afastar daquela confusão.
Eles retornam para a Cabana e precisaram entrar em contato com o governo para explicar o porquê Ada havia sumido do radar. Leon teve que tomar a decisão difícil de mentir perante à justiça, assim acobertando a espiã.
Leon disse para os seus superiores que Ada havia caído do cavalo e por isso a tornozeleira parou de funcionar. A pior parte foi meter Harper no meio dessa mentirada. Mesmo à contragosto, Helena acabou confirmando que tudo não passou de um acidente.
Depois que a poeira abaixou, Leon resolveu também punir Ada pela sua imprudência, tirando dela algumas regalias que possuía na cabana.
Ada ficou puta com a punição, assim que terminou o seu banho e não encontrou no armário seus cremes hidratantes de corpo e rosto, além de seus perfumes que sumiram do seu quarto.
— Ei, cadê as minhas coisas?! — Ela simplesmente invadiu o quarto dele ainda enrolada na toalha e de cara amarrada.
— Você não pode entrar assim... no meu quarto — ele diz ainda distraído olhando para o seu notebook.
— Então, me devolve as minhas coisas! — Ela atrevidamente fecha o notebook, assim conseguindo chamar a atenção do homem que a encara chocado.
— Não! Essa é a sua punição. — Ele tenta manter uma postura firme. — Eu também confisquei o café, o seu adoçante, os ovos e a geleia da tia Marta.
— Filho da...
— Olha essa boca mocinha! — Ele a interrompe com deboche. — E não me provoca! A propósito, você deveria me agradecer por ter salvado o seu belo rabo.
— Obrigada, herói, santo e perfeito, Leon! — Ela estava prestes a sair do quarto, quando se vira abruptamente pegando ele a devorando com o olhar. — De santo você só tem essa carinha, mas no fundo é um babaca!
Ada sai do quarto dele irritada, porém de repente se vê encurralada entre a parede do corredor e o corpo grande de Leon. Os dois se encaram, a mulher deveria se sentir um pouco intimidade pela presença dele, ao invés disso, ela empina o nariz e não fraqueja.
— O que você quer?! vociferou, tentando se desvencilhar dele.
— Por sua culpa, eu menti para os meus superiores. E isto é muito grave!
— Eu não pedi pra você mentir... Você fez porque quis. — Ela segura mais apertado a toalha, enquanto ele se mantem encarando o rosto dela e lutando internamente para não cair em tentação. — Lembrando que toda essa confusão aconteceu, porque você me sequestrou com o cavalo.
— Eu fiz isso, porque você mentiu que não gostava de torta e fugiu como uma garotinha mimada.
— Eu... eu não menti! — Ada franziu a testa, ainda confrontando aqueles azuis determinados. — E eu não fugi!
— Quando você fingia ser a senhorita Escarlate... — Ele sorri com a lembrança. — Você disse que amava torta de maçã e um bom Tiramisú italiano. — A voz dele estava mais rouca e aqueles olhos azuis deixavam-na arrepiada.
— Nossa, é sério que você se lembrou dessa conversa boba?
— Poxa, eu não achei aquela conversa boba... — Ele agora dá um sorriso tímido que também a faz sorrir. — Achei que pela primeira vez tínhamos algo em comum... — Leon roça seus nariz no dela e ambos fecham os olhos. — Nós gostamos da torta de maçã — sussurrou, em seguida sua boca toca a dela suavemente num beijo lento.
Ada novamente se vê vulnerável, quase prestes a ceder ao desejo que ardia em seu corpo e seu coração. Então, um barulho do celular tocando insistentemente, a faz abrir os olhos e cair na real.
As coisas estavam indo longe demais e aquela tensão sexual precisava ser contida.
— Leon, espera! — ela grita e empurra o agente com uma força desnecessária, fazendo-o cambalear para trás e piscar desnorteado. — O telefone está tocando! — Ambos se entreolham com o vestígio de desejo e luxúria ainda irradiando de seus corpos. — É melhor você atender!
No final, ela foge para longe dele. Leon passa a mão nervosamente pelos cabelos loiros escuros e vai atender a merda da ligação.
— Ah, Redfield... o que você quer? — Ele teve que controlar a sua voz e a sua própria frustração. — É. Ela tá bem... Foi só um acidente. — E, novamente, Leon está mentindo para protegê-la.
Ada se trancou em seu quarto, com o coração ainda batendo descontrolado e de repente pensando que precisava manter o controle sobre a situação.
“O que havia acabado de acontecer entre eles no corredor? Se a ligação do capitão Redfield não tivesse os interrompido, o que mais teria rolado entre os dois?” Ada começou a ficar paranoica com esses pensamentos e resolveu que precisa ser mais cautelosa e não deixar os seus desejos a dominarem.
***/ /***
Para tornar a mentira que eles criaram convincente, Leon e Helena tiveram a ideia de manter a espiã reclusa na Cabana por uma semana, com o pretexto que ao cair do cavalo, Ada também teria machucado o pé esquerdo que era o mesmo da tornozeleira. Com isso a espiã foi forçada a ficar longe dos seus afazeres como assistente de veterinária.
Logo, o governo tratou de mandar uma nova tornozeleira para Ada. Pelo menos agora ela poderá usá-la no pé direito.
Por outro lado, Ada percebeu que poderia usufruir daquela historia. Como teria que fingir estar em repouso, isso forçaria Leon a fazer algumas coisas por ela, do tipo limpar a Cabana, trazer-lhe a comida, ou até mesmo carregá-la no colo. Claro que tudo isso enquanto tivesse na frente de outras pessoas.
Quem não estava gostando daquela situação era Debra que vinha visitá-los todos os dias e se corroía de ciúmes ao ver Leon carregando Ada no colo, especialmente porque a espiã aproveitava para tirar uma casquinha do Bonitão.
— Obrigado, Leon! — ela agradece com um sorriso sedutor que irrita Debra e o próprio Leon.
— Você é tão falsa! — ele sussurra no ouvido dela e depois se afasta.
— O pai também liberou o Sansão e o Cody para ajudar vocês — Debra revela ansiosa encarando Leon.
— Sabe, eu até prefiro o Cody... — Ada não se cansa de irritar o Kennedy. — Ele é mais gentil do que o meu tutor rabugento aqui.
— Eu agradeço, Debby, mas não vamos incomodar mais ninguém! — O homem fuzila Ada que dá de ombros. — Ela é a minha responsabilidade.
— Leon, eu sei que você... leva muito a sério o seu trabalho, mas você tem a Helena também pra assumir essa função.
Debra está determinada a afastar Leon da espiã, especialmente por conta de algumas fofocas que têm rolado pela fazenda e poderia prejudicá-lo. — Você precisa de uma folga, não acha Ada?
Ada tinha ficado em silêncio, refletindo sobre o fato de que a filha de Johnny já havia lhe confidenciado que era apaixonada por Leon, porém só o agente não percebia isso.
— Ah, esse final de semana terá a Feira Agropecuária de Blandville. Uma pena que Ada não possa sair da Fazenda.
— É uma pena! — Ada força um sorriso, imaginando que seria legal poder sair daquela fazenda, nem que fosse por algumas horas.
— Então, Leon... você vai nesse ano com a gente?
— Eu adoraria, Debby... — Leon lhe serve uma xícara de café. — Mas, você sabe que eu não posso... — Ele olha entre Debra e Ada que parecia entediada. — Tenho que vigiar a encrenqueira aqui.
— Não tem não! — Ada refutou a sua afirmação, depois arqueou uma das sobrancelhas com um olhar de desafio. — O Leon vai sim! Seja gentil com a Debby... — Diferente do tom carinhoso que Kennedy usava para Debra, a tutelada do governo usou um tom mais irônico. — E ela tem razão... você precisa de uma folga e eu também preciso... de uma folga de você, Kennedy.
A espiã dá uma piscadela para a veterinária, fazendo o agente perceber que havia perdido aquela discussão contra as duas.
***/ /***
Depois de vários outros desentendimentos entre a espiã e seu tutor, Leon resolveu deixá-la aos cuidados de Helena e passou o final de semana ajudando a família Blum na Feira Agropecuária que estava acontecendo no centro de Blandville. Foi um pouco cansativo, mas também muito divertido. Quando o trabalho pesado finalmente deu lugar a um momento de descontração, ele e Debra foram aproveitar o parque de diversões que havia ali.
Havia muita música country, muita gente indo e vindo com suas botas de couro, chapéus de cowboy, cheiro de pipoca, algodão doce, chopp e sidra de maçã que, aliás, Debra estava bebendo muito animadamente. Em meio às atrações, havia uma Barraca de Tiro ao Alvo que ninguém estava conseguindo acertar nada. Um dos peões até reclama alto sobre a dificuldade.
— Vai lá, Leon! Mostra como se faz! — Debra ri e lhe dá um empurrãozinho.
Os outros peões já estavam apostando que ele iria perder como todo mundo. Todavia, Leon pega a espingarda de brinquedo e dá o primeiro tiro. Ele percebe na hora que a mira está estranha, já sabendo que normalmente havia alguma tramoia para que as pessoas comuns errem. Em vez de reclamar, olha friamente para o seu objetivo e atira numa velocidade impressionante, três tiros certeiros, derrubando cada alvo em sequência perfeita, sem hesitar um segundo.
O dono da barraca fica de queixo caído vendo o prejuízo de ter que entregar o prêmio máximo, as pessoas ao redor aplaudem assustadas com a precisão fria dele, e a Debra que já estava tão alterada pela sidra de maçã, resolve inesperadamente agarrar Leon e tascar-lhe um beijo nos lábios.
Enquanto isso, de volta à Propriedade da Sol Dourado, um jipe da BSAA estacionou bem em frente à Cabana. De dentro do carro sai o capitão Chris Redfield com a sua postura impetuosa.
Fale com o autor