Condenada a Você

7 Beijo de Boa Noite



Eles entraram no Porsche de Leon e retornaram à Cabana, dessa vez sem Harper que ficou para dormir num dos quartos de hóspedes do Casarão. Ela ainda continuará se revezando com Kennedy para tomar conta da espiã, sobretudo, quando o agente precisasse ir para a capital.

Ao chegarem na Cabana, enquanto Ada resolveu ajudá-lo com suas malas, Leon aproveitou para questioná-la se ela não sentiu um pouquinho de falta dele. É, claro que ele fingiu interesse de um jeito irônico, mas no fundo ficou curioso, pois o belo homem do governo também sentiu a falta dela, mesmo que a dama de vermelho o irritasse na maior parte do tempo.

— Eu não sei. Ela me trouxe roupas novas... E ela deixou eu... aproveitar o espelho do seu quarto — a espiã acabou admitindo que estava se acostumando com a presença da outra mulher. Que talvez até preferisse Helena como a sua guardiã e que as duas tinham se divertido muito na ausência dele.

— Já tô com medo da bagunça que vocês deixaram lá — Leon comentou, enquanto decide compartilhar com ela uma garrafa de vinho tinto e caríssimo que havia trazido da capital.

— Nossa, você tem bom gosto! — Ada aceita a taça de vinho que ele lhe ofereceu, após se livrar de suas sandálias e se sentar no sofá. Sem querer querendo, o seu vestido subiu um pouco, revelando suas pernas bem torneadas que chamaram a atenção daquele par de olhos azuis.

— Você está me elogiando? — ele se afasta, afrouxando a sua gravata ao sentir que o ambiente estava cada vez mais abafado e quente, especialmente ao ver a mulher tão confortável e charmosa naquele vestido vermelho.

— Obrigada pelo vinho, mas... — Ada passa a língua entre os lábios, apreciando o sabor. — Mas, eu ainda prefiro a Helena. — Ela cruzou as pernas e encara Leon, completamente alheia ao efeito que seu charme causava nele. — Sem contar que foi bom ter mais uma energia feminina. Há muita testosterona por aqui.

— Ué, minutos atrás, você parecia bem confortável no meio de tanta testosterona! — ele afirmou, se lembrando da roda de viola entre os peões da fazenda, onde a encontrou flertando com Cody. — Aliás, você parece que já fez as pazes com o Cody... — Leon a fuzila com o olhar, antes de bebericar a sua taça de vinho.

— Você deveria ficar feliz que eu resolvi dar uma trégua. E ser amiguinha dessa gente. — Eles continuaram conversando, bebendo e se provocando.

— Então, você gostou do meu vestido? — A mulher indaga num tom malicioso, após vê-lo lhe dando alguns olhares indiscretos.

— É... o vermelho lhe cai bem.

— Fiquei sabendo que foi você que comprou o vestido e... as outras roupas.

— Ah, Helena é tão linguaruda! — Os dois riram.

— E você tem... bom gosto. — Pela segunda vez, só naquela noite, Leon recebeu dois elogios que o fez sorrir um pouco convencido.

— Olha, eu recebi ajuda feminina. Então, o mérito não é todo meu... — Os dois se olham por um breve momento em silêncio, até que Leon resolveu que estava na hora de guardar a garrafa, antes que acabassem bêbados.

— Se você sóbria já me dá trabalho, imagina bêbada! — Leon debocha, após esconder a garrafa com a metade do vinho.

— Você é chato! — Depois de alfinetá-lo, ela se levanta pronta para ir para o seu quarto.

No entanto, Ada para e se vira bruscamente, pegando Leon a observando descaradamente, como se tivesse a despindo com olhar. E esse olhar sombrio de desejo, fez ela sentir um calor descer por seu corpo.

— Bem, eu... — Ada desviou o olhar e se sentiu um pouco insegura.

— O que foi? — Leon resolveu manter o seu olhar firme na bela mulher que parecia inquieta. — Ada Wong tá parecendo nervosa. Por quê? — Ele resolveu desafiá-la, cruzando as mãos na frente do peito.

— Eu não estou nervosa! — Ela revira os olhos e enruga o nariz de um jeito que Leon achou fofo. — É que... — Era difícil para a espiã admitir os seus erros, ou agradecer, porque nunca foi acostumada a ter alguém lhe ajudando.

Ada Wong sempre teve que aprender a se virar sozinha, desde muito jovem. Nunca teve alguém como Leon que quisesse protegê-la. Que se arriscaria tanto por uma pessoa tão complicada e com um passado tão obscuro como o da espiã chinesa.

Isso a fez pensar nas várias coisas que Helena havia lhe revelado sobre o agente Kennedy, como por exemplo, sobre a vida tortuosa que Leon levava na Casa Branca, sobretudo, depois de testemunhar a favor dela:

“Depois que o Leon testemunhou a favor da espiã Ada Wong, as coisas se tornaram bem difíceis para ele na Casa Branca. Outros agentes passaram a insinuar que o Leon era o seu amante. Isso manchou um pouco a reputação do herói americano. E ele ficou com tanta raiva que até saiu na porrada com um cara idiota e quase foi demitido.”

As palavras de Helena ainda permaneciam frescas em sua mente. Por isso agora que Leon estava diante dela, Ada resolveu confrontá-lo.

— Por que você fez isso?

— Isso o quê?

— Comprou essas roupas para me agradar, acertou até no meu perfume favorito.

— Eu realmente não deveria fazer isso, porque você não merecia, mas... — Ele estava gostando de atiçá-la, era melhor do que ficar sem se falarem por dias, ou agindo como dois estranhos. — Mas...

— Mas, você não deveria fazer isso por mim... Não deveria arriscar a sua carreira para... me ajudar. — Dessa vez, ela é direta, confrontando aqueles olhos azuis que estavam chocados. — E o pior de tudo isso é... gastar o seu dinheiro para pagar o meu advogado. — Suas palavras o pegaram tão desprevenido.

— Como você sabe sobre o Sullivan?

Leon pagava o advogado às escondidas e havia, praticamente, ordenado para que Frank Sullivan nunca dissesse a verdade para ela.

— Foi o próprio Sullivan que me falou. Aliás, por que você escondeu isso de mim?— Não havia sarcasmo em sua voz, sua expressão era séria.

— A verdade é que você é orgulhosa demais e não aceitaria a minha ajuda, mesmo estando tão ferrada. Você já esqueceu que não queria nem que eu te visitasse na cadeia? — ele suspirou e fechou os olhos ao se lembrar que a espiã já o magoou. — Você fez eu me sentir culpado pela sua prisão e me mandou embora —o desabafo amargurado de Leon a fez se sentir culpada.

— Você não tinha qualquer obrigação comigo. E você não tinha culpa de nada...

— Eu fiz o que eu achei que era o certo! — Ele a interrompe, se sentindo tão frustrado por achar aquela discussão desnecessária. — E eu... eu acredito que... todo mundo merece uma segunda chance. Até mesmo a espiã mais perigosa do mundo. — Leon encara aqueles pequenos olhos castanhos mel, porém se afasta dela.

Ada fica em silêncio o observando parecendo todo estressado, passando nervosamente as mãos pelos cabelos loiros escuros. Ele ficava ainda mais charmoso quando estava brabo.

Naquele momento, a espiã sentiu vontade de provocá-lo de um jeito diferente, só para suavizar o clima.

— Leon — Ada murmura o seu nome de um jeito lascivo.

— O que foi agora, mulher? — o jeito irritado que Leon indagou foi meio engraçado e fez Ada segurar o riso.

— Você poderia abrir o meu zíper... por favor?!

— O quê? — o homem praticamente gagueja.

— Bom, a Harper não está aqui para me ajudar... — Ada vira de costas para ele, afasta o cabelo e aguarda ansiosamente. — Então, eu preciso da sua ajuda.

Leon fica nervoso, hesita, porém acaba se aproximando dela e por acaso inala o cheiro do perfume de Ada que tinha uma fragrância cítrica e floral e era tão gostoso. Suas mãos um pouco trêmulas, tocam sutilmente a pele macia dela, fazendo-a se arrepiar. Ele consegue abrir o zíper, revelando costas nuas femininas com algumas pequenas cicatrizes e marcas de nascença.

Rapidamente, o homem percebeu que ela não usava sutiã.

Ambos estão com seus corações batendo fortemente no peito e ambos estavam nervosos e ansiosos. A diferença era que Ada sabia disfarçar melhor.

— Pronto — Leon recua com a voz mais grossa e sentindo seu corpo esquentar e suar. Ele resolve se livrar de uma vez da gravata que parecia estar o sufocando.

— Obrigada. — Ada sorri e vai se aproximando, sedutoramente de Leon, que não consegue desviar o seu olhar. — Obrigada por tudo! — Seus olhos de gata manhosa o hipnotizam.

Em seguida, os lábios carmesins dela tocam os lábios dele de uma forma que começa tímido, mais de repente o clima vai esquentando.

De repente o agente bonitão retribui e o beijo se aprofunda. Suas mãos masculinas se enroscam entre os cabelos pretos e sedosos da bela mulher, ao passo que as mãos delicadas dela se fixam no pescoço dele.

Era a segunda vez que os dois se beijavam. Entretanto, esse beijo era diferente do primeiro que trocaram em Raccoon City, quando se conheceram. O primeiro beijo teve um gosto amargo também de ilusão e despedida.

Aquele beijo em Raccoon City deveria ser o primeiro e o último, porque na cabeça da espiã fria e calculista, ela achava que nunca mais veria aquele policial novato de olhos azuis inocentes.

Aquele beijo era para ser apenas uma doce lembrança.

No entanto, aqui estava os dois naquela cabana, se beijando outra vez. Um beijo apaixonado de duas pessoas que já caminharam por caminhos distintos. Dois corações solitários que quando estão juntos se completam de uma forma tão bonita e profunda.

Esse beijo tinha o sabor de vinho, era doce, molhado e também vinha com a promessa de esperança e de um futuro.

Agora será que Ada Wong estaria pronta para construir um futuro ao lado de Leon, mesmo que fosse com uma vida pacata na Sol Dourado?

Quando o beijo acaba, ambos estão com a respiração ofegante, olhos castanhos amendoados se abrem para confrontar olhos azuis que pareciam tão desconcertados.

Ada sorri vendo as bochechas dele coradas, os cabelos loiros escuros que sempre pareciam impecáveis do homem, agora estavam bagunçados. Na verdade ambos estavam uma bagunça bonita e sexy.

— Obrigada, por tudo, Leon! — Ada murmurava de novo, ainda segurando os ombros largos. — Ah, eu não me arrependo de trair Wesker e ficado ao seu lado, Leon — admitir aquilo foi a coisa mais difícil que a espiã já fez, mas também foi libertador. — Boa noite, bonitão! — Ela ainda lhe dá um último beijo rápido, antes de fugir dos braços dele.

Depois daquele beijo, Leon precisou tomar um banho frio para refrescar o seu corpo e acalmar o seu coração. E naquela noite o agente Kennedy dormiu pensando nela.

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​ Leon já tinha acordado naquele dia chateado, porque Ada tinha saído sem acordá-lo. Moral da história: o homem acordou tarde e não a encontrou na cabana.

Quase pirou com a ideia que a espiã tivesse quebrado a sua liberdade condicional e fugido. Mas, isso era um medo bobo que o acompanhou durante as semanas que esteve na capital longe dela. Afinal, se a Ada já havia criado confusão mesmo com o seu tutor estando por perto, imagina o que ela poderia aprontar com ele estando tão longe?

Enfim, parou de se torturar com o pensamento e depois até riu ao se lembrar do beijo que ela lhe deu ontem a noite.

Talvez, seja isso que mais o frustrou, o fato dela fugir, só para não ter que encarar Leon e eles terem que conversar. E isso não era paranoia dele, pois durante o dia todo a mulher tentou evitá-lo. A sorte dela era que Debra e Helena estavam por perto, portanto atrapalhando qualquer aproximação do seu tutor.

Sendo assim, Leon se distraiu com outros afazeres. Ele precisava falar com Chris Redfield, mas a conexão de Internet na cabana não era das melhores e por isso resolveu ir até o Casarão do Blum.

Após trocar algumas mensagens e receber alguns arquivos de Chris, acabou esbarrando com Helena que estava vindo dos estábulos, onde deixou Ada trabalhando ao lado de Debra.

— Achei que as duas estão trabalhando muito bem juntas e... eu precisava fazer xixi — ela se explicou, antes que Leon reclamasse. — Ela também me disse que vocês...

— Nós o quê?! — Leon a interrompeu parecendo ansioso, achando que por acaso Ada tivesse citado sobre o tal beijo.

— Calma! — Helena interviu sorrindo e achando que Leon estava muito esquisito. — Ada falou que vocês fizeram as pazes.

— Ah, foi isso! — O agente deu um sorriso murcho. Por outro lado era bom que ninguém soubesse sobre aquele beijo, pois isto poderia complicar a vida deles.

No meio da conversa, Leon sentiu um cheiro gostoso e familiar, não resistiu e foi parar na cozinha onde a dona da casa e Diana estavam preparando um cafézinho.

— Hmmm... esse cheiro. — Ele inalou o cheiro gostoso da torta de maçã com o café feito na hora.

— Eu fiz aquela torta que eu sei que você gosta, Leon. — A senhora Blum o serviu, feliz por tê-lo por perto.

Eles jogaram conversa fora, até que Leon teve a ideia de levar alguns pedaços do doce para Debra e Ada.

— Helena, você pode ficar e apreciar a torta da tia Marta. — Ele dá um aperto camarada no ombro dela. — Eu assumo daqui agora!

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Elas estavam no estábulo onde ficavam os cavalos mais valiosos de Johnny Blum, quando Leon chegou com uma pequena cestinha de madeira na mão.

— Olhe o que eu achei na cozinha, Debby — Leon disse abrindo a cestinha e revelando a torta de maçã, ainda quentinha, polvilhada com canela. — Tia Marta acabou de tirar do forno.

— Ai o cheiro tá tão bom! — Debra exclamou, com os olhos brilhando de paixão e nostalgia enquanto pegava o doce. — Lembra quando a gente roubava a massa crua da cozinha e a mamãe corria atrás da gente com a colher de pau? — Os dois trocavam sorrisos muito íntimos.

​— Ah, sim! Agora você desbloqueou uma memória de infância. Nossa, era uma época tão boa! — Leon respondeu com a voz mansa, dando um toque carinhoso no ombro da loira.

​De canto, Ada apenas assistia aquela ceninha boba do "casal perfeito do interior" sentindo que estava sobrando naquela história.

— Ei, você não vai provar? — Leon percebeu que a beleza oriental estava tentando sair furtivamente do estábulo.

— Não! Eu nem gosto de doce — ela respondeu de cara fechada, indo entregar a prancheta para Debra e depois foi-se embora.

Isso irritou mais uma vez Leon. Era impressionante como ela conseguia rapidamente estragar o humor dele.

De repente Kennedy tem uma ideia ousada.

— Ei, me empresta um dos cavalos?

— Só se for o Spirit. Ele não vai para o leilão.

— Ótimo! — Ele dá um beijo na testa de Debra antes de montar no cavalo e sair no encalço daquela encrenqueira.

Notas finais
E aí pessoal, o que tão achando dessa história? Boa noite!!!