Notas iniciais
Blacks note: Bem vindas, concorrentes!
xX Antes de mais nada gostaria de agradecer aos DOZE COMENTÁRIOS, distribuídos por todos os capítulos, fazendo com que Concorrência chegasse ao Trigésimo Primeiro Comentário na noite de sábado (09/02). Vocês são absolutamente fantásticas. Este capítulo é dedicado a: biola_03, Amando, Mayara Lima, Tumn Cipriano (como sempre, com seus super textos deliciosamente tocantes), Carolina Romeny e as mais novas concorrentes Emma Ricce, aku_chan e Dayalukiná! A esta última, principalmente, por apresentar suposições EXTREMAMENTE plausíveis, e certamente dar-me algumas ideias bastante produtivas. Talvez eu devesse embromar mais, porque vocês estão matando tudo muito rápido. Mas aviso logo: nenhuma das suposições é a cor-re-ta, até agora. E, é claro, aos fantasminhas. Vocês são bem vindos aqui, também, queridos. Xx
Vocês me honram a cada capítulo. *bate palma e grita*
Boa leitura!
Músicas do capítulo:
Erase This (Evanescence)
Quietus (Epica)

CAPÍTULO 4

“Isolda estremeceu de vergonha e de angústia: Tristão, havendo a conquistado, agora a desprezava.” — Tristão & Isolda.

~~~∞~~~

Uma palavra que definisse Mary naquele exato momento era exausta.

Ela estava cansada do processo de transformação, cansada dos debates interruptos com Rhage, cansada de lidar com o próprio corpo, com a mente, com as idéias que a todo o momento pipocava sob seus olhos; ela estava exausta de lutar contra a vontade que ardia em sua pele. E provando o quão cansada estava, foi atrás de Rhage.

O loiro realmente andava rápido; em apenas alguns segundos já estava dobrando o corredor. Mas ao ouvir o barulho na porta, sua cabeça girou e seu corpo estancou ao perceber que, sim, Mary estava saindo do quarto. Sua expressão denunciava seu cansaço, a exaustão por trás da tenacidade e da valentia de macho. Será que todos os vampiros eram assim? Não podiam se entregar por um momento ao que realmente desejassem? Mary poderia mostrá-lo que poderia ser diferente, que eles poderiam ser diferentes.

De onde saiam essas idéias? Nem mesmo Mary sabia.

Entretanto ela soube de uma coisa, apenas, quando Rhage voltava todo o caminho percorrido. Ela soube que queria beijá-lo e retirar de seu rosto aquele sofrimento, aquela expressão de ‘sou um cachorrinho indefeso e ninguém me ama’. Provando o seu ponto, a sua meta, logo que Rhage parou ao seu lado, ela enlaçou os braços em seu pescoço e conectou os lábios.

Os lábios macios e deliciosos de Rhage.

Os lábios doces, quentes, atrativos e com o sabor de vida de Rhage.

Os lábios indiferentes, quietos e imobilizados de Rhage.

Mary tentou um novo ângulo, tentando retira-lo do choque inicial, mas a tentativa mostrou-se improdutiva. Pelo o que ela via na boate, quando uma mulher beijava um cara — de qualquer tamanho, etnia ou cor —, ela era correspondida. E o jeitinho ‘me proteja, me defenda’ de Rhage, algumas horas antes, deu a entender de que ele a agarraria sem pensar duas vezes. O que há de errado? Será que é o seu rosto ou o seu corpo? Mas da última vez que se checou no espelho estava bela como a própria Candice Swanepoel antes do desfile. E o sangue que ele lhe deu acrescentou um quê de brilho em seus olhos.

— Mary... — Rhage segurou seus braços, soltando-os do abraço em seu pescoço.

Ambos os pulsos dela estavam presos por aquelas mãos enormes e macias dele.

— O que há de errado, Rhage?

Ele a encarou por um momento, avaliando a expressão hesitante de Mary e riu. Um sorriso perverso e mordaz, iníquo; um sorriso que revelava que Rhage guardava rancor como qualquer pessoa, humano ou vampiro, normal. Que ele não era o estereótipo da virtude ou da gentileza como vinha demonstrando ser havia apenas alguns dias. Rhage mostrou um sorriso completamente contrário àquele que experimentou com Mary no dia da transformação, dentro de seu GTO com bancos de couro branco, quente e belo como o dono. E Mary temeu.

Ele ainda sorria, as presas sobre o lábio inferior, quando falou.

— Esquisito, não é? Bem que eu ia perguntar a mesma coisa para você.

Até mesmo o tom de sua voz parecia destilar veneno, sangrando o consciente dela. Os olhos de Mary encheram-se de água enquanto tentava soltar-se do aperto inexpugnável daquelas mãos que mais pareciam grilhões.

— Solte-me.

Ele aproximou o rosto do de Mary, suas narinas dilatando-se, suas presas tão grandes quanto adagas, seu rosto cruel e assustador.

— Não até me dizer qual era seu objetivo — disse. — Qual a sua meta ao me beijar?

Mary sorriu de lado, tentando atenuar o fato de estar morrendo de medo. Mesmo sendo vampira, e hipoteticamente, da mesma espécie que ele, não parecia muito seguro estar perto de Rhage quando ele apresentava-se em um estado de volubilidade tão alto.

— Você parecia estar precisando — disse ela, tentando imitar o inimitável tom.

— Precisando de quê?

— Umas beijocas, seu idiota. Mas vejo, agora, que o que realmente necessita são uns bons murros na fuça. Vem cá, aqui não tem um centro de treinamento, não? Porque bem vejo que poderia dar utilidade a algumas aulas de artes marciais.

Seus olhos ficaram brancos diante do desafio.

— Para infelicidade sua e da nação, nossos instrutores estão fora, e eu realmente não teria paciência para agüentar mais do seu deboche ou seu espírito púbere. Para mim já basta carregar esse desafio que é adestrar uma recém-transformada e-

— Adestrar? — os olhos de Mary arregalaram-se exageradamente — Vá se foder! Eu não sou nenhum bichinho de estima-

— Eu me foder? Você bem que gosta desta palavra, não é? Que tal agora eu ensinar que nunca, jamais, deve-se ameaçar um macho vampiro, querida? Principalmente aqueles que adoram recém-transformadas idiotas filhas de amigos falecidos como sobremesa.

— O que você vai fazer? — retrucou Mary, mal dando tempo a Rhage de terminar suas ameaças — Lavar minha boca com sabão, tuhtor?

Nunca no mundo vampiro a palavra fora dita com tanto escárnio.

— Agora você verá, Marilyn.

Sem titubear, Rhage agachou-se, dando a ela a visão das suas costas largas e musculosas, do cabelo loiro que ia ficando fino na parte da nuca, e de seu traseiro (mesmo que essa última seja escassa). Ela não ficou refletindo sobre suas ações, até que se viu girando, sentindo o torniquete que Rhage fez em suas pernas com seus braços largos como toras, seu rosto aproximando-se do chão enquanto ele levantava-se; as coxas roçando nos músculos peitorais, o quadril em seu ombro, seu rosto em seu traseiro. Mary logo ficou tremendamente vermelha, tanto pelo sangue que escorria para o seu rosto quanto pela situação.

Oh, Deus, que ninguém apareça neste momento.

— Me coloque no chão, troglodita! — ela esperneou, debatendo o tronco porque suas pernas estavam muito bem presas — Você não tem esse direitooooooooo!

Ela não soube como, mas logo um estalo surdo fora ouvido, depois a pressão exercida em seu quadril sentida: ele havia dando uma palmada nela.

— Como ousa! — ela grunhiu.

Grunhir? Fora isso mesmo que ela havia feito? Desde quando ela fazia coisas como essa? Ah, sim! Esse é o ponto. Hello mommy, hello world, I’m a vamp, vamp, vamp-pire!

— A partir do momento que você me desobedece e zomba da minha cultura, que por mais estranho que pareça também é a sua, eu tenho todo o direito de tomá-la em meu ombro e ensiná-la que não se pode fazer um desafio quando não pode cumprir.

Enquanto a carregava para o quarto, Mary não sentia os sentimentos de Rhage em seu corpo. Ela sentia o cheiro de sua raiva, o aroma forte e inconfundível de almíscar e pimenta — Mary não soube com quê comparar no momento. Mas ela sentiu aquele aroma saindo da pele de Rhage em ondas, como uma nuvem espessa. A raiva poderia ser predominante, contudo não era a única emoção. Havia ali um leque, de que pode distinguir apenas a saudade e a determinação de sempre.

Rhage abriu a porta, e a fechou abruptamente. O baque fora forte o bastante para sobressaltar aos frágeis nervos de Mary. Ele jogou-a sobre a cama, deparando-se com uma Mary ofegante e assustada. O rosto de Rhage estava desfigurado em uma careta de horror e medo, ainda que fosse por desejo; o aroma de especiarias empesteou o quarto. Mas Mary, desinformada de seus genes vampirescos e rituais de acasalamento, não soube disso. Continuou cega e indiferente à realidade.

Como a primeira vez que se alimentou de Rhage por livre e espontânea vontade, ele caminhava desvairado pelo quarto, remexendo no cabelo como se fosse arrancá-lo. Ele parecia completamente fora de controle. O coração de Mary nunca bateu tão rápido, vendo aquele espécime de homem remexendo nos fios loiros, com os lábios vermelhos entre os dentes e aquele cheiro, o cheiro de homem e fruta, acionou em seu cérebro uma lembrança e o local entre suas pernas pulsou e umedeceu.

Rhage estancou em meio o seu vaivém. Ele inspirou bem fundo, captando o cheiro de fêmea de Mary, os olhos fechando-se em deleite. Mary assistiu com fascínio as presas se alongando, um sinal inconsciente de que ele estava desejoso do material viscoso que fluía de suas partes; porém, o que a traiu agora fora sua inexperiência com relacionamentos sexuais, seja paranormais ou não. Rhage continuou naquela pose por um tempo, a expressão impassível, saboreando o aroma. E quando abriu os olhos, aquele brilho esbranquiçado revelou o seu apresso.

Pena que Mary Lucevaille, ainda a virgem humana inocente, não soube deliciar-se.

Um ronrono, como o que ele emitiu no clube, preencheu todos os espaços do quarto. Fora o som mais belo que Mary ouviu em sua vida. Um som bonito, cheio de poder. A nata que escorria por sua calcinha aumentou. Ela arrepiou-se, dos pés à cabeça. O cabelo já seco espalhou-se pelos travesseiros quando inclinou a cabeça, inspecionando todo o corpanzil dele. As coxas grossas, o abdômen seco, a cintura delgada, os braços poderosos, o maxilar quadrado, o nariz perfeito, os olhos azuis de pupilas brancas, o cabelo loiro; no movimento estonteador destes últimos dias, era a primeira vez que Mary dava-se o luxo de apreciar a obra prima que tinha em mãos.

Ela não viu quando, mas sentiu o corpo dele pregado ao seu, o seu quadril pressionando-a contra a cama, forçando o seu ventre virginal com uma maciça ereção, seu rosto belo pregado ao aturdido rosto de Mary; ele mantinha-se ronronando, seu nariz esfregando contra o pescoço dela, suas mãos imobilizando-a, seus pés separam as coxas, enfiando-se no estreito percurso ainda não reivindicado.

Os olhos dourados procuraram pelos espirituosos olhos azuis, instigando-os a beijá-la. Mas quando os lábios de Rhage entreabriram-se, sujeitando as duas presas, cortando o lábio, deixando escapar duas minúsculas gotas de sangue rubro, Mary congelou.

— Não tente me beijar.

As palavras, roucas, soaram como uma ameaça. Todavia, seus olhos eram ternos, suaves, ainda brilhantes como neve.

— Não continue a me procurar. Não desta forma. Você mesma disse. Você não quer dividir uma vida comigo — falou ele, olhando em seus olhos. — E você não compreende o que é. Quando estiver com todas as cartas na mesa, quando souber de todos os como e porquês, ai sim, você poderá beijar alguém.

Trêmula, ela sorriu.

— Isso não parece ser o que seu corpo diz.

— Quando eu começar a ouvir um pedaço de carne, pode me prender — debicou ele.

Mary não soube o que fora pior: o rechaço, ou a esperança de que Rhage realmente iria beijá-la. Ela manteve seus lábios bem unidos, evitando dar razão à sua fome insaciável, a vontade de lamber as duas pequenas gotas, vertendo-as para o seu corpo. Levando em conta de que tinha acabado de se alimentar, aquele comportamento era estranho. Porém, ela também evitava debulhar-se em lágrimas. Rhage não merecia nem uma gota de seu sofrimento.

Ele soltou-a, liberando-a de seu cárcere. Antes que Mary pudesse vê-lo, o telefone estava em sua mão, os seus dedos discaram um número sem verificar na ficha.

— Fritz?

Mary poderia ter ouvido a conversa; entretanto, preferiu trancar-se no banheiro e tomar um banho revigorante. Limpar-se da rejeição. Ela levantou-se da cama o mais rápido que pôde sem aparentar nervosismo, entrando no banheiro e trancando-se por dentro.

— Sim, estou vendo que as coisas começaram a ficar complicadas. Não, não, tudo sob controle. Olha, escute, quero que chame Tahlya. Sim, sim. Para hoje, ainda, se houver tempo. Não, ela vai saber que é um caso de emergência — Rhage suspirou. — Sim, Fritz. Não preciso de lições de moral numa hora dessas, certo? Ok. Tchau.

Enquanto Rhage mantinha seu colóquio com Fritz, Mary ocupou-se de retirar a roupa ensanguentada do corpo, ficando apenas de lingerie na frente do espelho. E o que viu a espantou: todo o seu corpo estava coberto por uma fina camada de pêlos dourados. Desde o seu pescoço até os seus dedos dos pés. Ela poderia ter certeza de que apenas a algumas horas estava tão imberbe quanto um bebê recém-nascido. Tampando a boca, respirou bem fundo, engolindo um grito que já estava na ponta da língua.

Vampiros possuíam tantos pelos?

Ela teve vontade de gritar por Rhage, mas lembrou-se de seu aviso murmurado, de seu ódio encubado, e decidiu não cutucar a onça.

Ela resolveria aquilo sozinha.

Além do mais, ele já possuía companhia para a noite. Essa tal de Tahlya. Não que importasse para Mary. Aliás, pouco importava com quem Rhage saia. Ele não era namorado dela.

Ela repetiu este mantra enquanto retirava as últimas peças de seu vestuário, entrando na ducha escaldante. Mary disse para si mesma que já devia ter percebido o aparecimento dos pêlos antes, que aquilo não era normal para nenhuma espécie. Quando humana Mary sempre havia sido raquítica e fraca, vulnerável a qualquer doença; contudo, de adoentada à peluda, era uma mudança drástica.

Mary esfregou-se com o sabão de leite — ela suspeitou que houvesse algum agente hidratante —, mantendo o cabelo preso longe de água. Ela buscou a navalha dentro do pequeno armário espelhado, dizendo a si mesma que uma vida de pêlos era uma vida feliz, antes de encostar a lâmina em sua pele. Quando fez menção de retirar os pêlos, doeu.

E ela gritou.

O seu grito não durou muito, porque a pele regenerou-se. Outra comodidade de ser vampira. Mary não conseguia encontrar uma conexão provável entre o vampirismo e a penugem que repentinamente apareceu. Ela tentou mais algumas vezes, causando sangramentos um pouco mais profundos, apenas provando que era uma idéia completamente infundada.

Terminado seu banho, mas não suas duvidas, ela secou-se com as toalhas brancas, cobrindo-se com o roupão, aguardando que o loiro estonteante ainda estivesse em seu quarto. Não foi surpresa ao ver que sua esperança era vã.

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Há determinadas coisas, que no turbilhão de descobertas que é nossa vida, achamos que já nascemos sabendo. Como por exemplo, a existência de um Ser superior denominado Deus; a definição dos sentimentos como amor e ódio; como chamar o pai de pai e a mãe de mãe; as palavras e os trejeitos, o nosso idioma, chamar o nosso país de pátria, etc. São vários os exemplos que nos levam a definir a vida como nossa, a singularizá-la e individualizá-la, mesmo que muitos outros bebês tenham passado por esse mesmo processo.

Mary, deitada em uma cama enorme e macia, enrolada em um edredom branco e sem cheiro, vestida com seu pijama de flanela preferido, enfrentava problemas em assimilar tudo o que tinha aprendido em sua vida com aquela transformação drástica que acabava de ocorrer em seu mundo. Ela já não sabia em que Ser superior acreditar; tinha problemas em identificar a palavra ‘pai’; não sabia o que sentia, pois seus sentimentos sofriam influencia dos de outra pessoa; não encontrava palavras para definir, ou gestos para enfrentar; não sabia qual idioma usar ou a que pátria jurar fidelidade. E tudo isso porque em uma noite de terça-feira deixou-se levar por um vampiro.

Agora que havia um momento de paz parcial, ela encontrou-se debatendo sobre o que havia ocorrido naquele pequeno espaço de tempo. Ela tornou-se uma vampira. Confere. Descobriu que seu pai era um vampiro, que sua mãe era uma mestiça, e que ela fora uma conseqüência. Confere. Seu pai ia visitá-la e a ‘Irmandade’ não gostava disso. Confere. Seu pai incumbiu um vampiro com problemas mentais para cuidá-la. Confere. Este vampiro com problemas mentais, o tal de Rhage, fez de si próprio um frigobar de dois metros de altura, deixando-a beber dele o quanto e quando desejasse. Confere, confere. Ela agora estava presa em uma mansão que mais parecia um museu, protegida do sol, mas exposta a um perigo ainda maior: de se afeiçoar pelo tal vampiro que tomava rivotril**. Aliás, que deveria tomar para dar uma relaxada. Confere para ambas as situações.

O fato de Rhage ser tão submisso a todos os seus desejos não era nem de longe o maior de seus problemas. O que mais a atormentava eram as duvidas. A vida deu um giro de trezentos e sessenta graus em questão de horas. Como seria quando Rhage decidisse que ela já poderia virar-se sozinha? Pelo que ele falou, ela não poderia alimentar-se de humanos sem deixar um rastro de sangue e anarquia nas costas; sem citar o perigo que espreita na cidade, os caçadores de vampiros. Ela poderia ter levado aquilo na boa se a caça não fosse ela. Sem citar que ela não sabia de neca de pitibiriba do próprio pai; pelo que Fritz falou, seu nome era Phury, informação importante que nem mesmo Rhage deu a ela. E que papo era aquele de que sua chegada foi profetizada? Meu Deus. Deveria haver uma revista de fofocas que atualizava as paradas do mundo vampiresco.

Mary sentia-se zonza, cansada. O sangue de Rhage ainda fazia efeito em seu corpo, mas ela estava descobrindo um jeito de ignorar os sentimentos dele; ela não se afundava na tristeza, ou grunhia na raiva. Ela apenas... Ignorava. Como se aquilo não estivesse acontecendo. Mas tal ação havia cobrado um preço caro; nunca antes ou depois de ser transformada Mary sentiu-se tão cansada. Ela estava exausta. A palavra correta seria exaurida. Entretanto, se desse vazão aos sentimentos de Rhage, ela quebraria as paredes do quarto. Fato que já havia acontecido, como mostrava o buraco no gesso da parede.

Ela deveria estar aproveitando a comodidade, o conforto, o luxo que a cercava. Mas tudo o que podia pensar era na necessidade de sangue, na fome, na raiva e na saudade. Saber que aqueles sentimentos que não eram seus, e ainda querer realizá-los deixavam-na estarrecida. Aborrecida. Faminta.

Mary ficou revirando na cama por um longo tempo. Desde que Rhage havia deixado-a com o sabor doce e místico de seu sangue na boca, ela havia gastado toda a sua eufórica energia pós-refeição na tarefa de organizar suas roupas. Ela separou calças de blusas, cores neutras de cores primárias e secundárias, sapatos por modelos, esmaltes por data de validade, e batons pelo número de fabricação. Apenas naquele dia ela alimentou-se duas vezes. Era duplamente ruim.

No pequeno escritório que estava ao lado da cama, estavam um notebook novinho em folha e toda uma tralha cibernética, seus DVDs clássicos, algumas séries que acompanhava ainda plastificadas e seus livros. Seus livros contemporâneos contrastando com os de couro que haviam sido adicionados a sua mais recente coleção. As capas coloridas e com letras estilizadas gritavam no meio daqueles outros livros, os de couro, elegantes e aparentemente caros. Ela riu ao deparar-se com Senhores do Submundo, uma novela de guerreiros amaldiçoados, lado a lado com Ilíada, A Divina Comédia, Medeia e Decamerão. Mary ergueu os dedos, esfregando os nódulos pálidos nas lombadas de couro marrom, sentindo a textura. Curiosa, puxou um dos livros, Otelo, e abriu-o. A primeira página estava amarelada pelo tempo, estampada em letras miúdas e negras, “1ª edição”. Espantada e em um estado de consternação ofegante, continuou folheando com dedos trêmulos e cuidadosos, chegando à terceira página, em branco, onde se encontrava uma dedicatória. Em letras suaves e levemente inclinadas, um pequeno texto que a deixou boquiaberta.

“Querida e amada Raven,

Que com este livro veja o que um homem pode fazer pela mulher que ama, mesmo que seja algo hediondo e completamente sombrio. Não que eu, seu fiel e leal criado, esteja disposto a terminar com sua vida. Não. Pois sem ela, não poderia viver. Feliz aniversário!

Com amor, do seu,

Rhage Tohrtureson**.

15-04-1604.”

“Querida e amada Raven”? Quem era essa? E que raios de sobrenome era esse? Ele realmente deu uma primeira edição de Otelo? E o que este livro fazia na sua estante?

Os questionamentos amontoavam-se na sua mente já em pane. As duvidas que ela achava que seriam respondidas brevemente, ficaram em segundo plano. Ali, ela entrava em um nível pessoal da vida de Rhage, com declarações e primeiras edições largadas displicentemente em seu quarto. O que aqueles objetos faziam ali?

Sentando-se na frente da estante de cerejeira, uma madeira de tom róseo, ela puxou cada um dos livros que não eram seus. Todos os modelos de couro e antiquados, e alguns até mesmo em um material mais macio que o couro usual, como couro de cabra. Ela abriu de um por um, deparando-se com todos os tipos de dedicatórias, como mais um ‘Feliz Aniversário’, dois ou três ‘Feliz Natal’, um ‘Feliz Ano Novo’ e, inacreditavelmente, ‘Feliz Páscoa’. E todos com a assinatura elegante e sinuosa de Rhage Tohrtureson. Mas o padrão de letras mudou drasticamente em um dos livros; o título em dourado na capa de couro negro era Tristão e Isolda, e dentro havia uma caligrafia delicada e clara, intitulada como Raven Stoneword. Não havia datas ou mensagens, apenas o nome.

Enquanto segurava aquela impressão de Tristão e Isolda entre dedos trêmulos, ela verificou a pilha de livros que se acumulou ao seu lado e pensou o que deveria fazer. Questionar Rhage quanto àquela mulher desconhecida? Obviamente, não. Ela havia dito com todas as letras que ele não a teria dividindo sua vida e particularidades. Então por que raios ele iria fazer o que ela tanto relutava? Então, quem sabe, fazer como uma boa fofoqueira e comer pelas beiradas? Perguntar entre as linhas que com certeza haveria entre suas aulas, e talvez ele liberasse uma ou duas informações. Mas porque importar-se? Mary já havia dito a si mesma que não queria nada com ele. Porque repentinamente a relação entre Rhage Tohrtureson e Raven Stoneword havia tornado-se tão importante para Mary?

Ainda refletindo sobre suas mais novas questões a apurar, Mary separou todos os seus livros, juntando-os em um oposto da estante, enquanto os bem cuidados livros de Raven Stoneword pararam no outro lado, separados por um busto de Wolfgang Mozart encontrado nas prateleiras mais baixas. Ela verificou cada um dos livros que não eram seus, mas não encontrou nenhuma dedicatória melosa e melodramática. Aparentemente não tinham dono.

Ela sentou-se na cama, agora mais acordada do que nunca.

Possivelmente, ela pensou, Raven tenha sido uma pupila de Rhage como eu. É de se estranhar que ele escrevesse daquela forma para ela. Entretanto, ele não fora doce e gentil da mesma forma com ela?

Errado.

Ele havia tratado-a como uma propriedade, um objeto, dominante e controlador. Da forma como ele ‘falava’ com Raven parecia que ele a adorava. Que Raven era a única mulher no mundo a qual ele poderia amar. Na realidade, isto estava escrito em uma das dedicatórias. Raven Stoneword deve ter mudado a vida de Rhage de uma forma que Mary sabia nunca poder mudar. Ela sentiu-se impotente perante algo que não podia controlar, como o amor pueril entre aqueles dois.

Ela lembrou-se do que aconteceu a noite, com aquela história de ‘não tente me beijar’ e ficou cabisbaixa; será Raven Stoneword motivadora de tamanha devoção que impedia um homem como Rhage de agir por impulso? Será ela mais poderosa que a antiga concorrente, Beth Wrathson? Ou era ela, Mary Lucevaille, a grande culpada?

Insone, Mary dirigiu-se para o banheiro, ligando a torneira de água quente da banheira e esperando que enchesse. Enquanto isso discou o número que dava para a área dos funcionários, perguntando se havia alguém acordado às 04h56min da manhã. Ao segundo toque, Fritz atendeu.

— Fritz.

Ela pigarreou.

— Olá, Fritz. Bom dia.

Fritz pareceu radiante após ouvir a voz de Mary.

— Olá, Srta. Marilyn. No que posso ser útil, ama?

— Já lhe pedi que me chamasse apenas de Mary, Fritz.

— Srta. Mary, então, ama.

Mary sorriu diante da perspectiva de ter alguém tão dócil e prestativo como Fritz ao seu lado.

— Ouça Fritz. Quero saber se aqui na mansão há sais de banho.

— Sim, ama. Estão a sua disposição no armário abaixo da pia.

— Abaixo da pia? Não vi armário algum.

— Mas há, ama. É só procurá-lo.

— Obrigada, Fritz.

Ela já estava a ponto de desligar quando teve uma idéia.

— Fritz?

Fritz pareceu surpreso por ela ainda não ter desligado.

— Sim, ama?

Ela titubeou, pensando na dimensão dos problemas que se meteria com aquela pergunta.

— Onde está Rhage?

— Ocupado com Tahlya, presumo.

A familiaridade do tom de Fritz apertou um pouco o coração de Mary. Com a tática infalível de mudança de assunto, tentou abrandar a importância de tal pergunta.

— Ainda há um pouco daquela torta de morango que fora servida de sobremesa no jantar?

— Sim, ama. O senhor Rhage não gosta muito de morangos. Ele prefere amoras.

— O que isso tem haver, Fritz?

Fritz pareceu um pouco incomodado.

— Bom, ama, se fossem amoras no lugar de morangos, não haveria nenhum pedacinho da torta.

Mary sorriu, e Fritz acompanhou-a. Ela não soube se era diversão ou educação, mas a risada de Fritz era espontânea o suficiente. Principalmente porque a frase fora dita sem ênfase, como se o fato de Rhage comer excessivamente não fosse algo importante. Claro. Fritz conhecia o glutão por tempo o bastante para se acostumar.

— Então me traga um pedaço dela, por favor, Fritz.

— Há uma quantidade em particular?

— Traga como se eu fosse Rhage.

— Bom, senhora, então é bom eu levar um pouco de leite também.

A conversa fora terminada com um educado ‘traga daqui meia hora’, como ela via madames em filmes avisar seus respectivos mordomos. Ela queria estar relaxada, e um banho apressado não ajudaria nada.

Realmente havia uma grande variedade de sais de banho debaixo da pia; lavanda, sândalo, erva doce, capim limão, macadame, e ervas que ela nem sequer sabia que existiam. Ela escolheu capim limão. A banheira estava cheia, faltando apenas um palmo para transbordar, quando desligou a torneira. A porcelana brilhava com a luz, e a água estava tão quente que quando se inclinou para despejar o conteúdo do saco, sentiu o vapor em seu rosto. Ela se lembrou da pele de Rhage sob sua bochecha e decidiu que ele era muito mais quente.

Despindo-se do pijama, enfiou um pé pálido, seguido do outro, apoiando-se na beira da banheira para não escorregar. Tudo bem que seus reflexos eram muito melhores agora, mas não é apenas por isso que ela iria se descuidar. O cabelo estava preso em um coque folgado pela fivela de prata. Mary deu-se conta de que sim, Rhage havia feito alguém ir à Fire & Blood e retirar suas coisas. Será que ela havia perdido seu emprego, também? Oh, Deus. Mais mudanças para serem assimiladas. Era para dizer agora, ‘Oh, Virgem Escriba’?!

A espuma exalava um refrescante aroma do campo, misturado com a acidez do limão. Era maravilhoso o modo que a pele parecia brilhar após um banho; seria ainda mais maravilhoso se não houvesse aquela penugem clara sobre a pele. Mas o banho não a ajudou do modo como desejava. Ela não conseguia tirar na cabeça aqueles nomes, que a rondavam e perturbavam, até deixá-la enjoada.

Depois de esfregar-se e enxugar-se, cobriu-se com o roupão felpudo e impessoal, sentindo-se como um limão ambulante. Com pantufas, perambulou pelo quarto em busca de uma roupa que a deixasse confortável, já que não conseguiria dormir agora. E em seu quarto, aka mundo cibernético, conseguiria distração o bastante até que algo de vital importância acontecesse.

Ela resgatou um vestido de algodão preto, com saia balonê, do fundo do armário e vestiu-o. O vestido de gola redonda e cintura marcada caiu perfeitamente em seu corpo; sua clavícula marcada, os ossos protuberantes, as pernas que pareciam não ter um fim abaixo da saia. Sem mangas e com alças finas, Mary pareceu uma daquelas mulheres saindo dos anos 50 ou 60. O cabelo longo batia abaixo de seu quadril, rolando pela saia do vestido. Por mais estranho que pareça, o vestido não era dela; ele não foi comprado por ela.

O que a deixou feliz fora o fato de que de longe, as pernas pareciam tão lisas e feitas de porcelana quanto à banheira.

Poucos minutos após ter se sentado na cama com uma cópia de O caçador de pipas, um livro lançado há tempos, mas que nunca havia tido a oportunidade de ler, duas batidas suaves ecoaram no quarto.

— Entre — falou ela, sem retirar os olhos da página.

Na porta apareceu Fritz, com seu terno impecável, segurando uma bandeja com um prato e um longo copo de leite; no prato estava uma generosa porção de torta, com muito chantilly fresco em cima.

— Oh, Fritz — gemeu Mary, largando o livro no criado mudo de cerejeira. — Ela parece ainda mais deliciosa agora.

Ele sorriu, fechando a porta com um ‘clic’. Mary fez menção de levantar-se, mas ele meneou a cabeça; a bandeja terminou apoiada nas pernas de Mary, enquanto Fritz desdobrava um guardanapo e o punha com delicadeza no colo dela.

— Aprecie o café da manhã antecipado, ama.

Ele já ia retirando-se quando Mary apoiou o garfo no prato.

— Espere, Fritz.

Fritz esperou pacientemente enquanto Mary terminava de mastigar e limpava os lábios com o guardanapo.

— Fritz, gostaria de fazer umas perguntas.

— Sim, ama, o que desejar.

— Desde quando trabalha aqui?

— Faz algo mais que quatrocentos anos, ama. Sim, tenho certeza disso.

Ela espantou-se diante do tempo de serviço daquele senhor, que parecia um idoso que devia tirar férias. Mais um tópico para ser influenciado pela sua transformação: o tempo.

— Olhe, Fritz, tenho enfrentado como um cão pela mudança que me ocorreu e preciso de sua ajuda.

— No que eu puder, ama.

— Antes de mais nada, gostaria que você se sentasse e me chamasse de Mary. Primeiro porque está me agoniando ver você de pé. Sinto-me como uma inútil. E a segunda é porque quero que você seja meu amigo, sim? Sinto-me como estivesse presa e é bom sentir-se próximo de alguém nessas situações, não acha?

Sem discutir, Fritz se sentou. Ele parecia incomodo, sentado, exatamente o contrário de quando estava de pé.

— Fritz, por um acaso eu acordei você?

— Não, ama, de forma alguma. Eu acordo cedo para preparar o café da manhã dos empregados e ir às compras.

— Cedo às quatro da manhã? — zombou ela.

— Sim — ele parecia completamente indiferente a gozação de Mary.

Mary remexeu-se na cama, percebendo a honestidade na voz de Fritz. Seria fácil detectar a mentira na voz daquele senhor

— Fritz, você poderia me responder quem trouxe estes livros para cá?

— O amo mandou, Srta. Mary. Ele disse que talvez a senhora apreciasse a boa leitura.

Ela pegou o garfo novamente, cortando um pedaço da torta com um pouco de chantilly; meteu na boca e pensou. Talvez não fosse tão difícil assim solucionar as questões que tenho em mente.

— Você sabe a quem pertencem esses livros?

— Senhorita, isto é um pouco complicado. Os novos, o amo comprou tem alguns meses, mas nunca os abriu. Eu que limpo este quarto, e os livros, e nunca os vi abertos ou fora do lugar de sempre. Os antigos, os de couro, são de uma amiga do amo — Mary percebeu que Fritz ficou visivelmente tenso. — E os outros são da senhorita, ama.

— Você se importaria de me falar quem é esta amiga? — perguntou ela inocentemente.

— É a senhorita Stoneword.

Ela gelou um pouco. Então Fritz conhecia a mulher.

— Gostaria que me falasse um pouco dela.

— Lamento, ama, mas isto não posso.

Ela apertou o garfo com força, sentindo o material ceder pouco a pouco ante a pressão que seus dedos faziam.

— Por que não?

Fritz levantou-se, arrumou a cadeira e ficou com os braços estirados no lado do corpo. Impassível.

— Assuntos restritos da Irmandade. Agora se me der licença, ama.

Ela assistiu Fritz ir para a porta e abri-la. Um pouco antes de ir-se, ele virou-se com os olhos afáveis de sempre.

— Quando terminar é só pôr a bandeja na frente do quarto. Tenha um bom dia, ama.

Os homens desta casa tinham o costume de deixar as moças confusas ou zangadas. Primeiro Rhage e depois Fritz. Mas a expressão no rosto do mordomo deixou claro que o assunto ‘Raven Stoneword’ era não só importante, como sigiloso. E exatamente por esse motivo Mary ficou ainda mais curiosa.

Ela degustou a torta, que estava incrível; gelada e cremosa. Porém, nem mesmo o sabor de uma torta caseira de Fritz tirou de sua cabeça o nó que era a mais nova confusão de sua vida.

Existiam três perguntas essenciais, que careciam de resposta.

Primeira: o papel de Raven Stoneword na vida de Rhage e na Irmandade.

Segunda: por que Rhage pôs os livros de Raven em seu quarto temporário.

Terceira: o porquê dela se importar com as duas primeiras.

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Notas finais
* Trecho da famosíssima música de The Runaways, Cherry Bomb.
** Rivotril é um remédio tarja preta, usualmente utilizado por depressivos, para relaxar os músculos.
** Tohrtureson Tohrture é o nome do pai de Rhage, assim, o sobrenome dele. Assim como Wrathson, no capítulo dois.
N/a: Bem, como sempre, darei um destaque às recomendações e favoritações (esta palavra não existe, masok):Dayalukiná, querida, você é dez. Seus comentários foram deliciosamente gostosos de ler! Sinceramente, mesmo. Sem comentar a belíssima recomendação, que, MEU DEUS, fez-me sentir uma autora de anos de lida. Todas vocês, meninas, ao me prestigiar com um comentariozinho sequer, me impulsionam a escrever. Mesmo se for um dizendo hey, escreva mais, ou esse capítulo foi show, faz com que eu me espreguice de minha mofina pós-férias e pré-feriadão, largue meu romance de banca, e vá digitar mais um capítulo de Concorrência. Uma coisa que eu odeio em mim é que escrevo dois capítulos simultaneamente, sem falar em outra fic que está na reta para ser lançada, e fico perdidinha quando bate o branco, porque acabo por deixar vários projetos pela metade. Mas meu caderninho está cheio de esboços, então, calma aí! Voltando ao capítulo de hoje, preciso comentar antes o que eu mais acho importante neste capítulo, sério. Véi, se o Rhage tivesse me dado esse mundaréu de livros, eu nem titubeava. Mesmo, mesmo. Leio bastante. Mas ela ficou tiririca com o fato de haver pertencido à outra mulher. O que vocês acham? Quem é Raven Stoneword? Já há suposições? E vocês conseguem responder as três perguntas de Mary? Galera, me perdoeeeeeem pela rejeição do Rhage. Estou em prantos até agora, (ñ). rs. Bom, me procurem nos comentários! Blackxx
p.s.: infelizmente, venho postando no dia de hoje (um dia EXTREMAMENTE incomum) porque possivelmente na próxima semana não venha a postar. Porém, como isto não está gravado em pedra, algum lugarzinho com internet boa/ estável/ barata venha a aparecer, e eu lá com meu net para postar o capítulo cinco que é SIMPLESMENTE DELICIOSO. Apenas dizendo. Como vou explicando, outra razão para que o capítulo não venha a ser postado, é que estou com alguma coisa nos meus dedos (argh, não sei o que é não), que eles ficam super feridos, doloridos mesmo, sagrando. Minha mãe passa o remedinho lá (respondendo a pergunta geral, yep, ainda estudo) e como eles ficam intumescidos e machucados JUSTAMENTE NAS PONTAS, acabo por não conseguir ter sensibilidade suficiente para sentir as teclas do net (que são menores e menos sensíveis que a do computador) e, consequentemente, não consigo digitar. E se eu não tiver o capítulo sete/oito digitado, revisado e com o nove na cabeça, eu não vou postar o capítulo cinco. O eu resta a vocês, então, é rezar e/ou chorar. Gostaria de solucionar todos os problemas, mas tá osso.
p.s.2: Quem quiser informações sobre a série Senhores do Submundo, eu vou dar uma sinopse geral, ok? É no estilo IAN. Particularmente eu gosto mais de LotU (Lords of the Underworld) porque existe toda a mitologia grega incluída, e sabe, eu amo demais os gregos. Senhores do Submundo, no resumão, é uma classe hierárquica do inferno que surgiu após o castigo dos Gregos (deuses do Olimpo); os Senhores, antes de serem possuídos por demônios, eram guardas de Zeus, criados exatamente para esse fim. Invejosos de Pandora ser a incumbida de vigiar a caixa, eles a mataram e libertaram os demônios. Cada um foi possuído por um demônio (Violência, Morte, Dor, Ira, Mentira, etc), e alguns deles amaldiçoados. Porém, como mostrará a história, não foram apenas os guerreiros que se tornaram guardiões. É classificada como uma erotic novel, mas também tem um fundo mitológico. Eu realmente A-MO o primeiro livro, A Noite Mais Escura. É o meu favorito. Quem quiser os livros digitais, eu passo o link. Direitos autorais não são meus! Já existe até o nono, sem contar com três livros fora do tempo cronológico do primeiro plano da história. Aqui no Brasil, entretanto, fora publicado com o título Senhores do Mundo Subterrâneo, e cara, mudaram algumas partes do livro. Achei tosco, porque foi suavizado, mas como os direitos não foram comprados por mim, eu não posso falar nada...
=> Indico, para quem continue a ler Concorrência, que é uma CROSSOVER (fato que nenhum de vocês sabia, presumo), leia a série que a complementa: The Breeds, ou Série Castas. Well, não vou dar nenhuma colher de chá, ou vocês vão descobrir tudo, rs. <=