Episódio II
"Zebras podem comer carne"
"...Não é apenas diversão..."
Narrativa: Peter Pettigrew
Ação: Tentando não parecer suspeito.
Sirius estava dormindo no sofá, e eu ainda meio choramingando pelo e-mail do Sr. Dipett, comecei a fazer uma coisa que se descobrissem, me zoariam eternamente. Acontece que eu tenho um blog — Conselhos Felizes Para o Seu Dia-a-Dia — e nele, escrevo coisas que animam as pessoas! Pode parecer bobo ou até mesmo "idiota", mas ficariam impressionados com a quantidade de e-mails que recebo, me dando um "obrigada pela ajuda". É sempre um prazer fazer da vida das pessoas menos trabalho "isso" e "aquilo" o tempo todo, a pressão de "ser assim" e "daquele jeito" que o mundo impõe as pessoas, e na minha opinião, é muita carga para apenas humanos.
Enfim, a postagem de hoje é:
"...Seja feliz, e não deixe que nenhum julgamento te magoe, afinal, uma pessoa falando dos defeitos dos outros, é igual a essa pessoa magoada com sigo mesma..."
Quando termino de postar, algo me deixa profundamente chateado. Para quê posto tantas coisas felizes, sendo que nem eu mesmo consigo aplicar os conselhos em mim? Me concentro nos e-mails e me conformo um pouco com esse incomodo.
"Não... Não deixe o Coldplay ganhar o prêmio..." Ouvi Sirius resmungar da cama dele, e desligo rapidamente o meu notebook e me viro com a cadeira de rodinhas cruzando as pernas para não parecer nada suspeito, mas acho que meu olhar de psicopata — que para mim, naquele momento era amigável — quando ele acordou, não ajudou muito.
Ele se levantou e olhou pra mim como se eu fosse o presidente Obahma, com cuecas de ouro maciço na sua frente.
"Ah... Você ainda está aqui..." Ele murmurou.
Eu dou uma risada desafinada, será que sempre era tão mal-humorado?
[Cantarolando mentalmente] 'Parece que mais alguém aqui precisa de um conselho feliz'... Li em uma revista que tudo fica melhor quando cantarolamos ela, e no meu caso, isso pareceu igualmente estranho... Li também que pessoas gostam de abraços!
Então me levantei e o abracei antes que ele conseguisse me ver — estava coçando os olhos -, e com a cara de "aterrorizado-desprezo-absoluto" ele gritou:
"MÃE!!! EU VOU COMETER UM HOMICÍDIO!"
Narrativa: Sirius Black
Ação: Já é hora de morrer?
[Vou por quantos tópicos eu quiser, e dane-se]
Dia: Sábado, hora do jantar
Indignação: Pelos porquinhos alados de Merlin,
por que temos aulas aos domingos?
Tudo bem, eu estava errado. Watterson não é o cara mais quadrado do mundo, é o seu filho, Peter. Quem um dia conseguiu ser mais estranho que aquele amante de abóboras, meus parabéns.
Em primeiro lugar quero enumerar as "qualidades" daquele hamster humano.
1) Ele tem pijamas de todos os animais que você poderia imaginar — é sério, precisa ver o pijama de ornitorrinco dele -;
2) Ele não toma refrigerante 'porque faz mal';
3) Eu peguei ele e o seu pai contando piadas de toc-toc e não foi nada bonito, pérolas como:
"Toc-Toc"
"Quem é?"
"A porta que não é!";
4) Os seus deveres já estão prontos! Deveres com o prazo de um mês!
E depois, ele é filho de Watterson, e ponto final.
"Senhora... Quer dizer... Tia, quer ajuda com os pratos?" Ele pergunta.
"Ah sim, muito obrigada Peter! Sirius, porque não ajuda ?"
Eu me arrasto da sala de jantar para a cozinha com Peter, e engulo minha vontade de pular da escada quando Watterson e minha mãe se beijam.
"É tão legal, não é?" Ele pergunta, já pegando a pilha de pratos em cima da bancada.
"O quê?" Eu pergunto, comendo uma barra de chocolate.
"Eles felizes assim... Sabia que papai tinha crises de depressão quando estava sozinho, no escritório?" Perguntou, com uma expressão triste "O pessoal da redação o demitiu na hora, estava escrevendo e indicando tudo errado... Ele era homem do tempo..."
"Bom, pelo menos agora ele parece muito feliz" Digo, dando uma dentada particularmente deliciosa no chocolate "Ele encontrou minha mãe, não é? Às vezes, para ganhar uma coisa, é necessário soltar outras, aprendi isso com as garotas"
Peter abriu um sorriso.
"Hey! Sabia que isso é um ótimo conselho?"
"E o quê é que tem?"
Ele olhou de relance para o nada, e depois disse:
"Nada... Só é um bom conselho"
Passado alguns minutos, quando ele já ira e voltara com os pratos, sorrindo por causa de mais uma piada boba que ele e o pai trocaram, já ia pegando os talheres quando este arregalou os olhos e olhou assustado para mim.
"O que foi?" Eu perguntei, dando de ombros e bebendo a mais pura e divina água. Sério, não existe uma maravilha no mundo que supere: Comer chocolate ao leite levemente derretido, e esperando uns três segundos, beber uma quantidade milimétricamente calculada de água um pouco mais fresca que a temperatura ambiente.
"Você já contou para os nossos pais... " Quase me engasguei com a água, quando ele disse isso "O que aconteceu? O e-mail da escola?!"
"Não"
Ele me encarou com uma expressão de alguém que incentiva outra pessoa a continuar falando e eu completei:
"Porque eu faria isso?"
"Por que eles precisam saber, duh!" Disse ele, já indo para a sala de jantar e começando a dizer:
"Tia, Papai... ah... Temos uma coisa para contar!"
"Ah sim, Peter querido, nos conte mais tarde viu? Nós...ah... nós gostaríamos de passar uma noite em um restaurante, só nós dois, entendem? Comam vocês, tenho certeza de que conseguirão se aproximar um pouco mais!" Disse minha mãe.
"Mas papai... É importante!" Peter disse,
e o cara teria respondido algo se eu não tivesse dito aquilo — por mais que doesse o coração -:
"Podem ir! À vontade! Tem vinho de chocolate¹ no armário do corredor, do quadro do tio Nigellus, não tem mamãe? Era presente da tia Ândromeda pra mim, mas podem pegar! Tenho certeza de que o restaurante na qual vocês vão, vai abrir de um jeito bem "romântico" pra vocês! E eu e o Peterzinho vamos nos divertir aqui em baixo... Acho até que vamos brincar com uns jogos de tabuleiro!"
Minha mãe fez aquela cara de "o-quê-você-está-aprontando?" mas Watterson piscou e disse:
"Vamos Laura, os meninos se dão bem sozinhos!"
"Tudo bem... " Ela disse, ainda com aquele olhar "Eu vou me trocar, saímos daqui uns minutos, querido"
Peter ainda estava querendo chamar atenção, mas eu o puxei pelo colarinho e disse:
"Olha Peter..."
"O quê?"
"Não seria uma ideia muito legal, sabe, contar à eles do e-mail..."
"Mas é o certo!"
"Não, não é o certo..."
"Mas..."
"Sem videogame..." Verdade.
"Mas..."
"Sem notebook..." Verdade.
"Mas..."
"Doces..." Verdade.
"Mas...!"
"E principalmente: apenas uma refeição no dia" Tá, isso foi mentira.
"Não podem fazer isso!" Ele gritou, com os olhos arregalados.
"Então diga isso à mamãe"
"Ela faz isso com você?" Perguntou horrorizado.
"Toda vez" Digo, com uma voz de pena digna do programa da Oprah.
"N-nossa, eu não sabia maninho..." Gostaria que ele parasse de dizer isso.
"Está vendo?! É por isso que não podemos contar à eles!"
"Ok, não vamos contar"
"Sério?"
"S-sério"
"Obrigada Peter, sabia que você entenderia" Disse, saindo feliz, para a sala de jantar.
Não foi "manipulação", okay? Foi... foi... conversa inteligente.
Narrativa: Peter Pettigrew
Ação: Estudando
[ já devia ter feito isso... Estou muito ocupado com o blog ]
e chateado...
Não queria jogar Monopoly, mesmo...
A casa dos Black é incrivelmente grande! Eu teria muitos lugares legais para estudar e não seria surpresa encontrar uma montanha russa no meio do quintal deles. Mas estou com uma leve saudade de casa... Sabe, ouvir pássaros ao invés de carros, na varanda. Apesar de serem bairros próximos, a ambientação deles são bem diferentes.
Enfim, eu estava começando a reler meu livro de química:
"...alguns átomos, principalmente os de grande massa, se desintegram espontaneamente, manifestando radioatividade..."
Mas fui interrompido.
"Filho?" Ouvi uma voz sair pela fresta da porta do escritório.
"Estou aqui"
"Ah! Ainda bem que te achei... Essa casa é gigante, não? Às vezes sinto falta da nossa casinha..."
"Eu também pai... Sabe, de vez em quando eu penso em ter sentido o cheiro daquelas maçãs"
"Do pomar, não é? Eu também"
"Mas o que o senhor veio fazer aqui?"
"Bom, achei que poderia ter ficado um pouco chateado, porque não estamos ficando muito tempo juntos, agora"
"Pai, não faz nem dois dias, direito"
"Mas não vamos jantar juntos, hoje. Tem algo que gostaria de dizer?"
Eu congelei. Será que ele descobriu sobre o e-mail?
"Bom... Poderia trazer um sorvete de caramelo pra mim?"
Ele riu.
"Laura vai me matar, mas sim, eu trago sim... Ela quer que eu me aproxime mais de Sirius, sabia? Vendo que você e ela já estão um pouco mais próximos" Ufa,
Papai sempre pergunta se eu tenho algo à dizer para ele desabafar depois, ele não gosta de "descarregar" em mim, por isso, tenta equilibrar as coisas.
"Verdade? Ele é difícil, mas... Não é um 'demônio' como os professores o pintam"
Novamente ele ri.
"Belos adesivos, que ele tem na porta"
"É, são legais"
"Você está estudando, pelo que vejo"
"É..."
"E vocês se deram bem?"
"Pai?"
"Tudo bem, tudo bem, eu vou te pedir uma coisa, mas não se zangue comigo!"
Eu o mirei desconfiado.
"Quero que se aproxime mais dele, para Laura não ficar tão zangada comigo... Assim não teria de ficar tentando puxar conversa com o garoto, e acho que ele não gosta muito de mim"
"Entendo pai, tudo bem"
Ele me abraçou.
"Obrigada, Peter... Que tal ir estudar com ele?"
"É, a Tia disse que ele não está nada bom na escola, e pelo que vejo nas aulas..."
"Excelente, Peter, bom, a 'Tia' deve estar me esperando lá embaixo"
E abrindo a porta e se despedindo, 'ele se foi'. Pode parecer extremamente infantil, mas às vezes eu apenas gostaria que essa palavra não existisse.
Não é triste? Como a palavra "Adeus", ou "Tchau", ou qualquer termo de despedida é deprimente? Como se algo terminasse? Como se nada, nunca mais, voltaria a ser a mesma coisa como foi antes do "Adeus"?
Eu fui em direção ao corredor do quarto de Sirius e ouvi alguém berrar de forma grosseira uma música, acompanhado com um som de guitarra extremamente alto:
"Don't wanna be an American Idiot
Don't want a nation under the new media
Can you hear the sound of hysteria?
The subliminal mind Fuck America
Welcome to a new kind of tension
All across the alienation
Where everything isn't meant to be ok
Television dreams of tomorrow
We're not the ones meant to follow
For that's enough to argue
Maybe I am the faggot America
I'm not a part of a redneck agenda
Now everybody do the propaganda
And sing along to the age of paranoia
Welcome to a new kind of tension
All across the alienation
Where everything isn't meant to be ok
Television dreams of tomorrow
We're not the ones meant to follow
For that's enough to argue
Don't wanna be an American Idiot
One nation controlled by the media
Information age of hysteria
Is going out to Idiot America
Welcome to a new kind of tension
All across the alienation
Where everything isn't meant to be ok
Television dreams of tomorrow
We're not the ones meant to follow
For that's enough to argue"
"OLÁ?" Eu grito, abrindo a porta.
"DON'T WANNA BE AN AMERICA IDIOT!"
"SIRIUS!"
"ONE NATION CONTROLLED BY THE MEDIA"
"HEY!"
"INFORMATION AGE OF HYSTERIA!"
E então, comecei a jogar minhas almofadas de sapos-zumbis nele.
"IS GOING OUT TO IDIOT AM... PETER, ME DEIXA DOMINAR O MUNDO SOZINHO!"
E finalmente, ele desligou aquela guitarra elétrica e parou de praticamente "berrar" a música pela segunda vez.
"O que foi?!" Ele perguntou, mal-humorado.
"Papai quer que eu estude contigo"
"Posso pensar em algo mais divertido"
Revirei os olhos internamente, era muita ingenuidade da minha parte achar que ele iria aceitar... Mas a resposta me animou bastante, há várias coisas legais que papai nunca havia deixado eu ir ou jogar, pois nunca aprendeu... — estou me sentindo meio rebelde -.
"Tipo, parques aquáticos?! Xadrez?! Fazer bolinhos de abóbora?!"
"Não, isso é nojento... Agora que estamos sozinhos, podemos sair de casa, sem ninguém cobrando o por quê de estarmos saindo à noite!"
"Mas... Mas... E os estudos?!"
"Vamos estudar, mas não agora, falou?" Disse ele, já vestindo algo preto que identifiquei logo por uma jaqueta de couro — prefiro mais as roupas de lã da vovó -.
"E o que vamos fazer?" Perguntei desconfiado.
"Eu, caro maninho, vou te ensinar a 'paquerar'"
Eu devo ter ficado da cor das pedras preciosas dos sapatos de Luiz XIV, pois ele riu de mim.
"E p-por que você faria isso?"
"Por que... A sei lá, você vai vir, ou não?"
"Se eu disser 'não' você iria respeitá-lo?"
"Não" Riu ele, já me conduzindo para a porta do quarto.
Sirius tem um conversível preto com alguns detalhes prateados, ele disse que achou no ferro-velho por um preço "legalzinho". Uma cópia quase perfeita — se não estivesse sem teto — de um Chevelle. Eu me pergunto internamente o que um cara com tanto dinheiro estava fazendo com um carro de ferro-velho... Mas deve ser só um capricho... Que seja, vai ser a segunda vez que estou mentindo para as figuras de autoridade responsáveis por me dar uma vida "feliz", e eu não sei se vou aguentar ficar quieto... Mas pela comida vale tudo, não?
Eu abri a porta como uma pessoa civilizada e ele a pulou e entrou no carro, no lado do motorista.Disse, então:
"Ta, acho que tenho o telefone delas..." Disse ele, olhando para o celular "McKinnon... McKinnon... McKinnon... Achei!"
"McKinnon?" Eu perguntei, mas ele abanou a mão para eu 'tão gentilmente calar a boca'.
"Alô? Oi Lara! Tá afim de sair hoje com a sua irmã, Stephanye?... Claro... É... Eu sei, eu sei... Você vai estar pronta?... Okay, vamos fingir que vou convida-las aí... Sua irmã vai?... Tá... " E desligou o celular "Resolvido!"
"Como assim? Por que temos de fingir que vamos as convidar na casa delas?" Eu perguntei.
"Peter. Presta. Atenção: Convidamos as McKinnons. Elas aceitaram. Vamos ir para a casa delas. E depois ao cinema. Pegou? E... ah... O pai delas é meio velho e não vai gostar de um pedido tão 'informal', disse Lara" Revirou os olhos.
"Tudo bem, mas... McKinnons? Lara e Stephanye? Elas são meio vulgares... Não?"
"Se com 'vulgar' você quer dizer duas garotas um ano mais velhas e gatas, sim, elas são vulgares" Ele deu partida na ignição "Mas são duas irmãs, e vão com a gente, isso é o que importa"
"Não são duas irmãs, são três" Disse irritado "Tem a Marlene McKinnon, está no nosso ano e na minha classe de música"
"Nerd" Resmungou pelo nariz, virando uma curva "É aquela garota de cabelo armado e aparelho? "
"É" Eu disse, ainda irritado.
"Não estamos perdendo nada"
"Se você diz..."
A casa delas era bem bonita, um sobrado, posso dizer. Na fachada da casa havia um laguinho com algumas rãs nas vitórias-régias, saltitando, e pedras multicoloridas na grama alta. A cor da casa era azul-perolado — de acordo com minha tabela de cores recém decorada — e janelas abertas pintadas de branco, com suas jardineiras exibindo, cada uma, um buquê de cravos vermelhos.
Podia ver da varanda — que levava para a porta da frente — um belo sino com penas e uma argola na vertical, com sete pequenos pássaros negros, batendo seus bicos automáticos nos sininhos menores que se encontravam na frente de cada um deles.
"Bem bonito, não é?" Eu perguntei a Sirius, que já estava comigo na varanda, à frente da porta.
"É... Legal" Disse ele, e tocou a campainha.
O homem que abriu a porta foi um senhor meio careca, tendo os fios que restavam, grisalhos. Ele tinha uma aparência doente, mas seus olhos eram vívidos e azuis claros, que se os encarasse demais poderia os ver verde.
"Olá" Disse ele "Quem são vocês, rapazes?"
"Sirius Black e... Peter Pettigrew, senhor, nós queríamos convidar suas filhas para dar uma volta nesse belíssimo luar que a noite nos trouxe" Disse ele,
e apesar de parecer um pouco forçado, não é que o Sr. McKinnon assentiu? Por quê ele sempre consegue tudo?
O senhor inclinou o corpo para trás e disse:
"Lara, Stephanye e Marlene, por favor, venham até aqui"
Sirius murmurou um "droga" ao ouvir o nome de Marlene, mas era claro que o Sr. McKinnon nada saberia sobre as regras da popularidade e que uma de suas filhas não se enquadrava nesse adjetivo tão cruel.
"Queridas, esses rapazes querem falar com vocês, me pedindo de forma tão elegante" Disse o Sr. McKinnon "Eu apenas espero que não se demorem muito em minha porta..."
Quando o homem se foi, deixando as filhas á mostra, eu tive um pequeno ataque cardíaco, e se eu tivesse um suco, eu o cuspiria todo para fora.
Stephanye e Lara exibiam dois "colossais" — utilizando-se de todos os sentidos desta palavra — decotes que poderiam servir às cegonhas a transportarem dez bebês de uma só vez. Revelando seus cabelos descoloridos recentemente, com pares de brincos extremamente brilhantes, além de seus dois vestidos, verde e vermelho — o que era bom, pois as duas gêmeas eram indistinguíveis -.
"Six!" Uma delas gritou e praticamente agarrou o pescoço de Sirius. Socorro."Vamos ao cinema, não é?!"
"Ah... Claro!" Ele disse,
e depois da garota se pendurar em cima dele, eu entendo com o que minha professora de matemática, Sra. Werrington do terceiro ano, me disse:
"Peter, Peter, à medida que os jovens crescem e os adultos envelhecem, ficamos mais incoerentes, indiferentes ao conhecimento"
Stephanye e Lara eram assim.
Mas havia algo de belo naquela casa, algo que não fazia sentido se dizer da mesma espécie que aquelas duas "Barbies humanas". Marlene McKinnon tinha seus cabelos arqueados presos com pequenos grampos e usava uma bela camisa de Pac-Man, e um short jeans um pouco largo demais. Seus olhos iguais aos do pai, eram bem reluzentes à luz do lampião disposto na varanda.
Ela ficou ali parada, e eu percebi que não iria com a gente.
Então, eu fiz algo que não devia, e que faria Sirius ter vontade de me agredir com o volante do carro:
"Venha também, Marlene!"
Ela se assustou e pareceu corar sob as sardas, murmurando irritada, pois pelo que pareceu, foi o mesmo que ligar um holofote em sua direção, fazendo as atenções se voltarem para ela.
"Não é uma boa ideia, Peter"
"Por quê não?"
"Você não entende"
"Por favor?"
"O que garante que eu aceite, só por que pediu educadamente?" Pergunta ela, elevando uma sobrancelha.
"Por que eu posso dividir sorvete de caramelo, com você?"
"Peter!" Chamou Sirius impaciente.
"Então, você vêm?" Eu perguntei, com pressa, antes que Sirius arremessasse o banco do carro em mim.
"Okay..." Ela começou, mas Sirius berrou:
"Okay gente! Não esqueçam: Carro sem teto, chuva e pessoas que querem chegar inteiras no cinema...! Não são boas combinações, sabe!
E assim, ele entrou no carro com as gêmeas , ameaçando ir embora, no que eu e Marlene entramos nos bancos de trás, enquanto Stephaye sentava no colo de Lara no banco do passageiro.
Segurança pra quê, né gente?!
Sirius virou uma esquina, e Lara gritou — pois o vento era forte- :
"Ah, Six! Obrigada! Sabe, estava um saco lá em casa! Meus pais não param de dizer '...blá, blá, blá, não pode matar aula para ir à piscina da escola...!', acredita?"
Sirius riu, e ao mesmo tempo que fazia uma curva, beijou ela sem cerimônias.
Stephanye, que estava logo embaixo, ligou a rádio e algo que eu gostava muito começou a passar:
"Atenção, atenção! Olá meus radioativos, o que fazem para infectar esses neandertais?
Bom, às vezes as pessoas são criaturas estranhas... Sabe, todo esse negócio de 'emoções' e etc... Seria melhor se fossemos garrafas de leite, sem personalidade, feitas apenas para serem usadas umas pelas outras, esperando um dia um destino cruel, e sermos esvaziados e jogados no lixo... Seria mais simples.
Mas não somos assim.
Já se perguntaram por que temos emoções? Eu digo o por quê. Por que se não fossemos feitos de emoção, explodiríamos com pensamentos perturbadores, não conseguiríamos fazer com que situações se tornem inesquecíveis e não teríamos memórias. Seríamos um mundo feito de um papel amassado, guardando segredos incríveis ou uma fórmula de matemática qualquer, esperando para sermos jogados no lixo.
Eu sou a menina alienada da 'RadioAtivo', louca para extravasar nada exagerado, e fiquem com: 21 Guns, Green Day!"
E a música começou a tocar:
Do you know what's worth fighting for
When it's not worth dying for?
Does it take your breath away
And you feel yourself suffocating?
Does the pain weight out the pride?
And you look for a place to hide?
Did someone break your heart inside?
You're in ruins
Eu sempre gostei muito dessa música, simplesmente por que ela representava uma coisa muito grande.
"Eu amo essa música, do Slipknot, não?!" Lara gritou "Eu amo aquela carinha que canta!"
Sirius fez uma ligeira cara de incredulidade, que pude notar pelo retrovisor, mas então sorriu de novo:
"É, claro que sim"
"Eu acho essa garota estranha" Falou Stephanye.
' Tão estranho quanto passar batom para ir em um local escuro, como o cinema, em que ninguém vai reparar que sua boca está de uma tonalidade diferente?' Eu pensei.
Mas enfim, a identidade da "Menina Alienada" ou garota fantasma — como é chamada pelos produtores da RadioAtivo — é misteriosa, ninguém a vê saindo ou entrando da rádio, e é isso que eu mais gosto nela.
Ela não precisa ter rosto para ter voz.
One, 21 guns
Lay down your arms
Give up the fight
One, 21 guns
Throw up your arms into the sky
You and I
When you're at the end of the road
And you lost all sense of control
And your thoughts have taken their toll
When your mind breaks the spirit of your soul
Your faith walks on broken glass
And the hangover doesn't pass
Nothing's ever built to last
You're in ruins
One, 21 guns
Lay down your arms
Give up the fight
One, 21 guns
Throw up your arms into the sky
You and I
Did you try to live on your own
When you burned down the house and home?
Did you stand too close to the fire?
Like a liar looking for forgiveness from a stone
When it's time to live and let die
And you can't get another try
Something inside this heart has died
You're in ruins
One, 21 guns
Lay down your arms
Give up the fight
One, 21 guns
Throw up your arms into the sky
Apesar de não saber cantar direito, eu cantava baixinho cada palavra, eu olhei para o lado, e vi que Marlene fazia o mesmo.
Chegando nos finais de cada música, esperava — e eu aguardava mais do que torta de abóbora — as últimas palavras da Garota Fanstama, afinal, ela era incrível.
One, 21 guns
Lay down your arms
Give up the fight
One, 21 guns
Throw up your arms into the sky
You and I
"Aqui é a rádio 'RadioAtivo', e os aguardo amanhã, às sete da noite!
E não seja como uma garrafa de leite..."
O resto do pequeno percurso ao cinema foi preenchido por risadas bobas, elogios exagerados, e beijos perigosos.
Estava começando a ficar enjoado, e uma pontada de inveja me subiu pela goela. Por que Sirius Black tinha que ser tão... Perfeito?
Por sorte, Marlene também já estava delirando de tão irritante que aquilo estava ficando, e começou a fazer sinais de vômito com um dedo na garganta, que me fizeram rir tanto, que acabei cuspindo meu milk shake todo pela janela do carro — havíamos parado num fast-food–, fazendo Sirius me lançar olhares assassinos piores que o da mãe dele.
O cinema — Cinemazing–, nos trouxe um perigo enorme de assistir a filmes horríveis:
"Hey, Six! Vamos assistir A Bela e a Fera?"
E pela primeira vez na vida, eu vi Sirius Black gaguejar:
"Bom... Eu... P-podíamos ver uma coisa mais..."
"Que tal assistirmos a X-Men: Primeira Classe?" Eu sugeri, e inesperadamente, Sirius assentiu.
"É! Vejam: Mutantes! Yeahaaaaw"
Lara riu, mas parecia contrariada.
"Tudo bem lindinho!"
Quando ela finalmente voltou da fila, trouxe com ela quatro engreços. Quatro. Para cinco pessoas. E eu tenho certeza, que desta vez, ela sabiaa que cinco menos quatro, restava um.
"Vamos lá Pete!" Stephanye gritou pra mim, já arrastando Sirius e Lara com ela "Vai ser divertido!"
E... Não me julguem, mas quando você vê uma garota dizendo com tanto entusiasmo um apelido 'não-grosseiro' para você, e dizendo que iria ser superdivertido o que quer que fosse... O que você faria?
Eu adentrei a rodinha de senhores populares, me esquecendo completamente de tudo a minha volta — e que já havia convidado uma pessoa — . Stephanye podia ser... Não inteligente, mas com certeza era bonita, pelo menos, vista sob uma luz vermelha artificial.
Os bancos do Cinemazing eram muito colados, o que eu me surpreendi por "Six" — esse apelido não sai da minha cabeça, assim como Snuffles — comemorar.
"Cadeiras coladas, é igual a menos espaço entre nós" Ele sussurrou.
"Nós?!" Eu perguntei incrédulo, e ele revirou os olhos.
"Nós. Eu e Lara. Você e Stephanye, compreende?"
"Ah..." Me aliviei "Wow eu gosto muito dessa introdução do fil..."
"Peter, cala a boca e come a pipoca" Disse Sirius,
fazendo nós dois sentarmos no meio de Lara e Stephanye.
"Lição número 1:" Ele cochicha "Sempre deixe as mãos nos braços da poltrona, para talvez ela segurar sua mão e saber que pode contar com você."
Eu arregalei os olhos.
"Contar pra quê?"
"Só coloca o braço ali !" Sibilou ele, impaciente "Lição número 2: Deixe ela ficar com o balde, para que você possa se aproximar do seu rosto sempre que for pegar pipoca... Mas seja discreto! Se não ela pode achar que você a está chamando de gorda e esses blá, blá, blás"
"Mas vou ter que ficar me virando toda vez que for pegar pipoca?" Cochichei, o filme estava começando e eu estava indignado e envergonhado "Vou perder metade do filme se ficar tentando chegar perto dela"
"Lição número 3 — e última : " Ele disse, revirando os olhos "Quando você convida uma gata dessas para o cinema, nunca é para assistir o filme"
"E o que eu vou fazer durante o filme se não assisti-lo?"
Ele soltou ar pela boca e murmurou:
"Aula prática" E assim,
começou a demonstrar tudo que disse com Lara ao seu lado, e em menos de um minuto, eles estavam se agarrando. Eu achei as lições meio machistas, mas parece que ela não se importava nem um pouquinho.
Os dois davam risadas o tempo todo e Sirius dava aqueles sorrisos que as garotas chamam de "sexy". Eu estava congelado, ouvindo cada ruído dos dois, e o pânico me invadiu. Como eu iria fazer aquilo com Stephanye? Como eu iria beijá-la, se ao menos conseguia me mexer da poltrona?!
Stephanye me olhava de um em um minuto do filme, provavelmente querendo que eu faça algo. Eu tentei engolir que eu nunca havia beijado uma garota na vida e tentei chegar perto dela... No fim, não deu muito certo, pois derrubei pipoca em cima do seu vestido e refrigerante nos seus pés, fazendo-a dar ataques de raiva. Quando ela voltou do banheiro, sentou do outro lado de Lara e ficou olhando a irmã e Sirius se agarrarem.
Quando X-Men acabou — um filme realmente bom — me dei conta de que havia alguém que não tinha ganhado um dos quatro ingressos.
Como eu poderia ter sido tão imbecil?! Eu havia chamado Marlene McKinnon, e a larguei por um par de peitos num decote ridiculamente grande e uma dose de popularidade! Eu saí correndo do cinema sem dar explicações — não que alguém tenha sentido minha falta — e procurei por uma garota de cabelos arqueados. Eu parei, quando esbarrei numa loja de instrumentos musicais, o "The Apollo chords", onde basicamente era o paraíso para quem gostava de música.
Marlene estava lá, tocando violino.
"Oi" Eu disse, ainda arfando "Então... Por que não foi no cinema com a gente?"
"Peter, você é inteligente, e não um panaca conveniente à conversa" Ela riu, ainda sem olhar pra mim, o que me fez sentir pior ainda "Esquece, eu gosto daqui"
Ela começou a tocar outra melodia, mais suave. Estava com a cabeça reclinada, como se sentisse cada vibração da música, como se respirasse o violino, e seus ossos fossem as notas.
"Foi mal, de verdade..." Disse "Você toca bem!" E, na verdade, eu não me lembro de Marlene tocando na aula...
"Obrigada, desde os nove anos fazendo aulas forçadas, teriam de resultar em algo"
"Seus pais te forçaram?"
"Não... Não eles. Fala sério Pet, você nunca quis ter um talento? Eu sim. Desde os sete anos. Eu me esforcei muito a praticar instrumentos, seguir os passos da minha mãe, e acho que a culpa de ter me preocupado tanto com o meu futuro e esquecido do presente foi minha"
"Ah..." Eu não sabia o que dizer,
por que de repente, Marlene McKinnon se pôs a contar seu passado melancólico?
"Tudo bem" Ela disse " Nem eu mesma sei do que eu estou falando... Acho que eu vou pegar um ônibus, não vou aguentar aquela 'turminha' "
Eu dei uma risadinha.
"Bem, suas irmãs não são tão impossíveis quanto Sirius"
"Ah é?!" Ela brincou, em um tom de desafio "Lara e Stephanye dizem que verde grama e verde grama ensolarado são cores diferentes só por que a embalagem do esmalte diz, e quebraram o salto de uma quartanista só por que era da mesma coleção inverno que os delas"
"Bom, é, Sirius ficou parecendo amigável, de repente"
"Eu não as suporto o dia inteiro, por isso venho pra cá. Posso tocar em paz"
"Às vezes você tem que enchergar os defeitos como acessórios das qualidades..." Eu murmurei pra mim.
Ela começou outra melodia, dando leves batidinhas com os pés.
"Você é engraçado, Pet..." Ela disse "Eu consigo conversar com você normalmente. Acho que com outra pessoas, eu já teria me batido com esse violino ao invés de terminar a conversa"
Ela tocava notas altas.
"Você é realmente boa nisso" Eu disse.
"No quê? Esfregar uma aste em uma imitação mini de um violão? Como disse, não acredito que perdi tanto tempo aprendendo a tocar uma coisa tão inútil"
Mas ela não parou de tocar.
"Eu estou falando sério, você é boa" RI.
"Me chame de 'boa' quando ele for sinônimo de corajosa... Isso sim seria legal!" Ela também riu.
Eu ia responder outra coisa boba, mas a voz de Lara interrompeu meus pensamentos:
"HEY! Vamos embora!"
E assim, Marlene desceu do seu banquinho, colocou cuidadosamente o violino de lado, e saiu da loja, encobrindo todo o rosto com uma juba de cabelos. Eu não posso culpa-la, quando se vive tanto tempo no silêncio, você perde a voz.
Mas as suas palavras não deixaram de me perseguir o percurso todo:
"Você é engraçado, Pet..."
Narrativa: James Potter
Ação: X
Coisa mais importante: O que eu estou
fazendo assistindo uma aula de
ballet?!
"Prrés nas barras, maninas" Disse o falso sotaque francês de madame Mellany.
Ballet é tão ridículo, os alunos que assistem as aulas são ridículos. Garotas e garotos desesperados, por que seu 'Bliet' básico não foi tão bom, preocupados com coisas tão imbecis e esquecendo o que importa. Mas uma coisa me havia feito ter assistido aquela aula toda.
Voz doce, olhos vivos, e uma risada tão ingênua...
"Lily!" Chamou a professora.
A ruiva dançou até chegar ao lado da professora.
"O que foi madame?"
"Como anda se ampanhando muito, vai serr a dançarrina de dastaque na aprresentação em Ogwarts"
"Obrigada madame" Agradeceu ela, com um sorriso convencido.
"O-Hoo!" Disse a vós de Amus Diggory "Potter treinando para o ballet! O que você está fazendo aí?!" Gritou,
no meio da rua — estava assistindo a aula pela vitrine da acadêmia, e não, nenhum pouco discreto.
"Procurando uma vaga para você, seu fil..." Eu comecei,
sendo interrompido bruscamente pelo lírio humano:
"Olha a boca, Longbotton!"
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