Complicated (Smell of Sex)
4 Silver lining
Notas iniciais

Era por volta das 07hrs00min a.m e eu já estava de pé e devidamente uniformizada, com o material pronto para o primeiro dia de aula, se eu estava nervosa? Um pouco, talvez muito. Nunca fui das mais sociáveis, sempre na minha com um bom livro e playlist's.
— Bom dia, mamãe! — depositei um beijo na bochecha corada de minha mãe e me sentei de frente para ela, a mesa estava recheada de pães, bolachas, frutas, café e um suco natural de laranja (provavelmente, para dar ânimo a alguém). -— Waffles! Que delícia! — exclamei, vendo meu prato com uma bela porção.
— Dormiu bem? — Mamãe mastigava, enquanto me encarava, com seus óculos de armadura vermelha meio caídos.
— Dormi sim e você, mãe?
— Bem também. — permanecemos em silêncio, por mais que eu amasse minha mãe não tínhamos muito contato, acho que à partir do dia que ela se tornou mãe/pai poderíamos ter algo a mais em nossas conversas além de "Tenha um bom dia", "Você também!".
— Como vão as mulheres da minha vida nessa manhã harmoniosa? — Jack apareceu de braços abertos arrancando um risinho de nós duas, ele se aproximou de mim depositando um beijo em minha bochecha logo depois murmurando um "Bom Dia, gata!", como de costume. Sorri em resposta e ele foi até a nossa mãe repetindo o mesmo processo que fez comigo, logo depois se sentando em uma cadeira qualquer — E então, pronta para a Malibu High School, gata? — Jack mordiscou um pedaço de seu waffle e me encarou atraindo atenção de nossa mãe, assenti.
— E você? — ele sorriu.
— Quero ver quantas meninas vão babar pelo Daniels aqui. — ele estufou o peito abrindo um sorriso digno de propaganda, eu devo assumir que meu irmão é bem gato, mas, às vezes, um bacaca daqueles bem bobões. Todos os anos em que frequentamos a Overview High School, garotas de todas as idades se aproximavam de mim com o quesito de tentar descobrir o que o Jack gosta, que 'tipo de menina' — essas coisas de revista que são completamente desnecessárias -, mas o pior era ver que elas levavam uns foras bem cabulosos e ainda se davam ao papel de continuar perseguindo Jack e, por mais ridículo que eu achasse, às vezes dava uns conselhos para que elas desencanassem de algo que não ia rolar. Eu conhecia o meu irmão o bastante para saber que ele só vai atrás de quem realmente quer.
— Maninho, você é gato, mas não uma obra de arte. — eu disse, arrancando risos de minha mãe e uma careta engraçada de Jack.
— Vamos? — Jack perguntou, assenti pegando tudo o que eu necessitava e saímos em direção à "baby", o Buggatti do meu irmão.
— Tenham um bom dia, amores! Nos vemos mais tarde. — Mamãe abriu seu típico sorriso colgate indo em direção à sua Ferrari. Tenho a impressão de que eu sou a única da família que deseja ter uma "caranga", por assim se dizer. Meu aniversário seria daqui dois meses e eu, finalmente, teria meu Impala Chevy 67. Foi a última coisa que papai pediu a minha mãe, meu sonho de consumo. E eu me lembro como se fosse ontem, todos nós sentados à mesa, desfrutando de um jantar maravilhoso quando papai começou:
— Amor, eu estive pensando... — todos voltaram sua atenção a papai — Brooke fará 18 anos daqui pouco meses e eu pude perceber o esforço e as boas notas que ela tem tido, o que acha de comprarmos o tão idolatrado Impala que ela sempre quis? — meus olhos brilharam e mamãe deu um sorriso gentil e orgulhoso assentindo.
— Acho uma ótima ideia, Johnny.
Lembrar de papai me trazia um misto de emoções, visto que estou há tão pouco tempo sem seus abraços, carinhos e conselhos. Se eu sou o que sou, é porque o tive como exemplo, e sempre terei. Afinal, ele sempre será o meu herói sem capa, mas com um grande coração.
— Chegamos, gata. — Jack me cutucou, olhei através do vidro blindado da Buggatti e me deparei com muitos olhares curiosos. Jack abriu a porta para mim e me ajudou a sair do carro, algumas garotas encararam o ato com um semblante bobo, logo o alarme da "baby" foi acionado, e Jack me levou para dentro da escola, segurando minha mão para que segundos depois simplesmente desaparecesse, me deixando por ali.
— Você é um ótimo irmão, Jack Daniels. — balbuciei e logo comecei a procurar a sala do diretor. Portas e portas passavam, mas nada daquela que mais me interessava, estava tão distraída que nem percebi quando trombei com uma garota, derrubando todo o material da coitada. — Me desculpe!
— Que é isso! Não foi nada, Anjo. — sua voz era doce e ela deu um risinho tão fofo que a vontade de apertar sua bochechas foi enorme. — Cassidy Bittencourt — ela beijo-me a bochecha, fazendo-me corar e sorrir.
— Brooke Daniels.
— Oh, então você é a novata? — ela abriu um sorriso gigantesco. — É um prazer te conhecer, Brooke. Seja Bem-vinda! — ela puxou meu braço levemente, abraçando-me calorosamente. — Certamente está a procura da sala do Dom, não é!?
— Dom? — perguntei confusa.
— O diretor, bobinha. — ela deu risada, soltei um sorriso tímido — Você é tão fofa que tenho vontade de te esconder na minha xícara de chá. — encarei ela com um olhar meio confuso, demos risada — Vamos.
Chegando na Diretoria, Cassy entrou comigo e cumprimentou à todos como se fossem da mesma família, eu sorria meio embasbacada com tudo aquilo e logo fui atendida por Dom, O Diretor, e posso dizer que ele merece o título que tem, pois é O Cara. Super gentil e descontraído, explicou-me as regras e me indicou as direções de cada canto daquele lugar. Quando tudo acabou, Cassidy continuou comigo, dizendo-me que o convite para lanchar com ela estava aberto, e eu aceitei, indo em direção à nossa primeira aula, e tudo passou rapidamente, descobri que meus horários eram idênticos aos de Cassy, ela é incrível e eu não estou brincando.
Cassidy me contou tudo sobre o colégio e deixou bem explícito que é uma das Cheerleaders, e tem orgulho. A ideia de conversar com uma líder de torcida nunca passou por minha cabeça até conhecer Cassidy e Claire, a "loira do rebuliço", e eu devo dizer que os estereótipos mostrados nos filmes são besteira agora, Claire era igual Cassy: louca, porém feliz. As duas tinham status na escola, mas não davam muita bola como elas dizem: "Estou pouco me fodendo.", e eu admito que fiquei surpresa ao ver o tanto de palavrões que saíam daquelas bocas, suas carinhas de anjinhos eram só aparência mesmo.
— Planos para hoje, Broo? — Claire me encarou e eu neguei, Cassy deu um sorriso malicioso encarando a loira — Gosta de festas?
— Não sou muito chegada, Claire, mas acredito que sempre se tem uma primeira vez pra tudo. — dei um sorriso, Cassy me encarou ainda mordiscando a ponta de sua unha gigantesca.
— Vai rolar uma social hoje na casa do Lowell, todos foram convidados. Topa? — Claire arqueou sua sobrancelha esquerda.
— Pode ser...
— Essa social promete. Vamos direto pra sua casa, Broo. — Claire me abraçou de um lado enquanto Cassy me abraçou do outro.
{♡}
Eu encarava o vestido preto que estava em minhas mãos, era bem curto (algo que eu não estava acostumada a vestir), sem contar que eu teria que usar uma bota de salto alto que, no mínimo, tinha uns 15 cm. Posso dizer que a combinação era linda, eu só teria que perder a vergonha e reaprender a andar de salto. Tantos anos com jeans, moletom e all-star e do nada usar um salto desse porte, não é nada fácil.
— Será que eu consigo andar de salto ainda? — soltei uma risada baixa e Cassy piscou pra mim, indo em direção aos meus CD's. Eu tinha um gosto variado quando se tratava de música, literalmente, ouvia o que me agradava. As pessoas costumam julgar x gênero musical por não gostarem, mas não percebem a hipocrisia em seus atos. Desde pequena, aprendi a respeitar, mas, com o passar dos anos, percebi que o ser humano conhece a palavra Respeito, mas não sabe o seu significado.
— Sleeping With Sirens? — assenti, Cassidy colocou o CD no rádio e logo os acordes de 'If you Can't Hang' preencheram o quarto , eu balançava minha cabeça levemente de um lado para o outro, enquanto minhas amigas decidiam suas maquiagens. Já vestida, percebi o quanto o traje valorizava nos lugares certos as minhas curvas latino-americanas, sorri com o resultado e lembrei de uma jaqueta que há anos estava em meu closet, peguei-a e joguei sobre os meus ombros gostando mais ainda do que via. Fui até a cama e me sentei calçando as botas e, logo que fechei o zíper e botões, levantei-me novamente dando passos pequenos para me acostumar.
— Perfeito. — sussurrei, ganhando sorrisos de aprovação das minhas amigas.
— Se eu fosse homem, te pediria em namoro agora mesmo, sua linda. — Claire comentou, enquanto deslizava o batom por seus lábios carnudos.
— Você não precisa ser homem para me cortejar, Clair.— sorri de lado e Cassy me acompanhou lançando-me um olhar sugestivo. Claire riu, soltando um "Ui, adoro" roucamente.
— Ah, vamos logo. — Cassidy riu, encarregando-se de pegar nossas bolsas, enquanto eu e Clair nos perfumávamos. Descemos as escadas indo em direção ao carro de Cassy, que assumiu seu lugar como motorista. Às vezes, eu me esquecia que Cassy já podia dirigir, sua carinha de bebê enganava tão bem à todos.
Não demorou muito e nós logo estávamos adentrando a mansão de Lowell, que recepcionava calorosamente todos os seus convidados, indicando o bar e tudo o que precisávamos. Eu segui na frente, com minhas amigas logo atrás. Eu estava a procura do banheiro, estava um pouco apertada. Virei-me para questionar à uma das duas, mas ambas já haviam sumido naquele mar de gente.
— Legal... — olhei para frente e me enfiei no monte de adolescentes que ali estavam dançando, bebendo, descontraindo, se divertindo e saí em busca de um corredor que aparentasse ter um banheiro qual estivesse desocupado. Andei, andei e nada. — Isso é impossível! — murmurei frustrada, e, como um choque senti duas mãos se aproximando e acariciando meus quadris.
— O que é impossível, anjo? — virei-me, encontrando Ashton, em um descuido, fui para trás e tropecei encostando-me à parede e dando-lhe a brecha para que apoiasse sua mão.
— Ashton? — perguntei, era visível o meu receio de sua aproximação. A música estava alta e no refrão, eu podia escutar as vozes falando "Be obscene", Ashton mordia os lábiosparecendo implorar silenciosamente para que eu o beijasse. Eu assumo que sentia certa atração por Irwin, ele é lindo, mas suas atitudes me deixam desconfiada. Seu corpo ali, bem perto do meu, fazendo com que o calor dele me aquecesse. Ele me olhava como se quisesse borrar o meu batom vermelho.
— Não tenha medo de mim, bebê. — deu um sorriso tímido, novidade para mim, e abaixou o seu olhar. — É um belo vestido, amor. — subiu seu nariz até meu pescoço, inalando o meu perfume, o que não significava boa coisa. — Seu cheiro é tão bom.
— Me Solte, Irwin. — dei um empurrão no loiro que sorriu, me prensando um pouco mais. Ah, merda, vou ter que fazer cena. — Deixe-me ir. — ele me encarou, vendo que eu estava a ponto de "chorar", suas mãos antes presas a parede vieram até o meu rosto, os olhos verdes salpicados de castanho me encararam preocupados e suas pupilas estavam dilatadas. Era a minha chance. 1, 2, 3 e, uma joelhada e Irwin se contorceu, me pus a correr. Sem olhar pra trás.
Cheguei ofegante perto de Claire, na pista de dança, a loira dançava como se não houvesse amanhã, enquanto Cassy estava com um cara mais ao fundo. Cutuquei Claire e ela se virou, sorrindo, mas ao me ver fechou sua expressão alegre tomando uma preocupada, eu devia estar com uma cara horrível.
— O que houve, meu anjo? — ela passou suas mãos por meu rosto, segurei seu pulso, tremendo como uma vara verde e fria.
— E-E-E — eu não conseguia completar a frase e Claire ela segurou meu pulso carinhosamente, puxando-me até o balcão de bebidas.
— Brad, por favor, prepare uma água com açúcar para a minha amiga aqui. — o barman assentiu, se retirando e indo aos fundos do mini bar. — Fique calma, ok? Beba a água e me conte o que houve. — assenti, a água chegou e eu bebi tudo, minha respiração já estava normal, olhei para Claire que estava preocupada, Cassy chegou se sentando no colo da loira.
— O que houve? — ela nos encarou com uma feição curiosa e preocupada.
— Ela ia me contar até você chegar, megera. — Claire recebeu um tapa leve de Cassy, que apenas murmurou um "me ame menos" — Comece por favor, meu anjo. — Olhei mais a frente, no corredor do banheiro e Irwin saiu meio dolorido, encarando-me. Expliquei o que tinha ocorrido, Claire encarava o nada e Cassy parecia pensativa. — Ainda bem que você o chutou, ele pode parecer gostar de você , mas Irwin sempre foi meio agressivo. Nós vamos ajudar você, anjo. Ashton nunca foi lá dos mais gentis, mas ele com certeza não é um monstro. Qualquer coisa, grite pela dupla dinâmica. Até lá, mantenha distância. — encarei a loira e me aproximei das duas.
— Eu só não sei se ele irá colaborar. — encarei Ashton pelo rabo de olho, elas fizeram o mesmo. Ele fumava um cigarro e batia os pés no ritmo da música, estava com o rosto meio vermelho. — Acho que o chute foi forte mesmo... — comentei, arrancando risadas das minhas amigas.
— Vamos, desmonte essa carinha assustada e venha se divertir conosco, certo Cassy? — a mesma assentiu, abrindo um grande e doce sorriso, ambas me puxaram para o meio da pista e eu como já tinha meus certos dotes de dança apenas acompanhei elas. O último DJ tocava um remix do Arctic Monkeys, uma banda que eu gosto muito, e todos dançavam no ritmo da música. Encarei Ashton e ele retribuiu o olhar na mesma intensidade.
{♡}
— Acorde, cidadã do pandemônio! — já era a milésima vez que eu escutava a voz adocicada de Cassy numa tentativa frustrada de me acordar, e eu permanecia quieta — Vamos lá, por favor, preciso da sua ajuda. — senti o peso da negação cair sobre mim, Cassy pulou com tudo em cima de mim, gemi de dor e pude ouvir uma risada vitoriosa. Rolei os olhos me dando por vencida.
— O que você quer às 5hrs00min a.m, Cassy? Acabamos de chegar, praticamente. — ela deu um sorriso tímido e olhou para seus pés, respondendo baixinho:
— Claire está dançando com os 'Mr. Foot of Snow', temos que tirá-la de lá.
— Mr. quem? — ela me puxou para fora, eu ainda vestia o vestido e usava a maquiagem, o que devia estar horrível, afinal nossa situação não era das melhores e com toda a certeza os vizinhos iriam estranhar, caso fossem corajosos o bastante para acordar nesse horário.
— Ô meu amor, vem pra dentro, vem. — Claire cambaleava um pouco numa tentativa frustrada de trazer a árvore para dentro. Ao notar nossa presença, Claire veio em nossa direção tropeçando e tentando nos puxar dizendo que seu suposto namorado não se movia.
— Venha Claire, vamos tomar um banho gostoso. — Cassy segurou seu pulso gentilmente e eu fiz o mesmo, nós a puxávamos para dentro enquanto ela tentava se agarrar à árvore novamente, dizendo que seus pés estavam congelados.
— Não sem meu namorado, tragam ele. Ele está com frio, não sejam tão más!
— Ele não está com frio, Claire. — puxamos Claire para dentro com muito esforço, ela se debatia e escorregava por vezes mas isso não nos impediu de levá-la para debaixo do chuveiro.
— Meu Deus! Ai! Eu estou me afogando! Socorro! — Claire se debatia no chuveiro segurando meus ombros, Cassy tentava lavar seus fios louros o que não estava dando certo. — Essa chuva vai me matar, Broo. Me salva!
— Não tem como se afogar debaixo do chuveiro, Claire. — eu tentava acalmar a garota que simulava um afogamento embaixo da ducha.
— Não me deixe morrer, Broo. Eu não dei para a Liv Tyler ainda! — ela exclamou e Cassy soltou um risinho engraçado, provavelmente, imaginando nossa amiga se agarrando com a atriz sem dó e muito menos piedade.
— Pronto, está tomada banho! — Cassy suspirou aliviada, ajudando-me a secar Claire, e logo que terminamos nossa tarefa, Cassy me entregou uma toalha de algodão preta indicando-me o caminho para o banheiro de hóspedes e fazendo uma carinha como se dissesse: Vai logo ou eu te jogo na água fria. Recolhi a toalha de suas mãos e caminhei até o lugar indicado.
A casa de Cassidy era realmente bonita e bem mobiliada, o que já era de se esperar, os pais dela tinham suas próprias empresas em Malibu. A mãe de Cassy era gerente numa grande linha de produtos de beleza nomeada como: Bittencourt's Beauty. Bem original. Já o senhor Roger era reitor em uma universidade nomeada A melhor de toda Malibu. Não sei muito a respeito dele, só que sua coluna não aguentava mais as cadeiras duras da universidade.
Entrei debaixo d'água, relaxando meus músculos e vendo a maquiagem escura descer por meu rosto, pelo vidro do box.
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